quinta-feira, 9 de julho de 2026

Maou no Ore ga Dorei Elf wo Yome ni Shitanda ga, Dou Medereba Ii — Volume 02 — Capítulo 12

Capítulo 12: Epílogo

— Entendo. Como eu imaginava, o culpado era o Cardeal Clavwell, não é?

Em um quarto de hóspedes do castelo de Zagan, Chastille murmurou essas palavras em um tom um tanto solitário.

Além dela, Zagan, Foll e Nephy estavam reunidos no aposento onde Zagan acabara de informá-la sobre a morte de Clavwell. Aquele que tentara assassinar Chastille não era outro senão seu superior, o Cardeal Clavwell.

— Aquele homem... Era alguém que jamais duvidava da justiça da Igreja.

Por essa razão, estava obcecado pela ideia de que os feiticeiros eram malignos e chegou a considerar Chastille, que havia feito amizade com um deles, uma inimiga.

Nephy, então, fez uma pergunta timidamente.

— Chastille, você já sabia?

— Tinha uma vaga suspeita, suponho. Tive um pressentimento... Porém não queria acreditar. Ainda assim, faz sentido, já que foi ele quem me recebeu e serviu chá, como sempre fazia.

Parecia ser esse o motivo pelo qual Chastille havia bebido o veneno sem a menor sombra de dúvida.

Zagan soltou um bufo de desdém.

— Que tolice. Não existem humanos decentes em um grupo que proclama representar a verdadeira justiça.

— Você já disse algo parecido antes, não é?

Isto acontecera quando lutaram pela primeira vez. E, como era de se esperar, sentindo-se desanimada, Chastille deixou os ombros caírem.

— Mesmo assim, as pessoas querem acreditar que o que estão fazendo é correto. Eu me pergunto... Será que é algo tão ruim?

— Acreditar nisso cabe a elas. Contudo, no momento em que cogitam que podem estar errados, elas certamente vacilam. Nesse sentido, o culpado que tentou matá-la está certo. Afinal, jamais vacilou ao tentar tirar sua vida.

No fim das contas, tudo se resumia a quando se tratava de justiça. Era algo em que as pessoas acreditavam de todo o coração, algo de que jamais vacilariam. Quando a fé cega ia longe demais, sempre se transformava em fanatismo. A razão pela qual a Igreja era poderosa... Era porque esse fanatismo estava em sua base.

— Suas palavras são duras como sempre, não é? — Chastille respondeu, exibindo um sorriso amargo, no entanto não era a expressão de alguém consumido pela dor. E, após tomar um gole do chá que haviam preparado para ela, se levantou.

— Vou voltar para a igreja. Acho que a situação atual está estranha. Não vou ser presunçosa a ponto de dizer que vou consertá-la, entretanto quero mudá-la, nem que seja um pouco.

— Entendo.

Diante dessa resposta curta, Chastille esboçou outro sorriso amargo.

— Ainda em momentos assim, é só isso que tem a me dizer, hein?

Zagan sentiu como se tivesse feito algo errado ao ouvir aquelas palavras. A acusação de que não tinha coração chegava com muito atraso, todavia ouvi-la de forma tão direta o deixava inquieto. Foi por esse motivo que Zagan apontou para a xícara de Chastille.

— Para falar a verdade, esse chá está envenenado.

— Hã? — Chastille exclamou em pânico, parecendo prestes a deixar a xícara cair.

Ela realmente se abala fácil, não é?

Depois de observar por mais algum tempo a cena da garota em pânico, Zagan falou em um tom que sugeria estranheza diante de toda aquela agitação.

— Estou brincando. Aprenda a duvidar um pouco do que os outros lhe dizem.

Bem, mesmo sem Zagan dizer nada, Chastille já devia saber que se tratava de uma brincadeira. E, após segurar a xícara de novo, lançou-lhe um olhar fixo e severo.

— Independente de como você coloque a questão, aquilo de agora não foi de mau gosto?

— Você acha?

— Claro que foi. Esse chá... Foi a Nephy quem fez, não é? E eu estava prestes a derramar tudo, sabe?

Ao ouvir aquelas palavras de reprovação, Zagan inclinou a cabeça para o lado.

— Não foi a Nephy... Quem fez esse chá, sabe?

— Hã? Espera, sério...? Então, quem fez?

— Quem sabe? — Zagan deu de ombros para desviar da pergunta; afinal, não fazia a menor ideia de como preparar chá.

Enquanto Chastille permanecia perplexa, voltou sua atenção para a única outra pessoa na sala... Foll. Bom, era possível que Nephy tivesse ensinado Foll a fazer chá, mas não era provável que ela servisse a bebida para Chastille. Até mesmo Chastille sabia que era improvável. Apesar de seus pensamentos, para esclarecer a situação, se ajoelhou diante da menina.

— No fim das contas, nunca chegamos a conversar direito, né? — Chastille disse, estendendo a mão para tentar tocar a cabeça de Foll. Por infelicidade, Foll se escondeu atrás de Zagan.

— Haha, ha... Bom, parece que vai ser difícil nos darmos bem. — Chastille riu, visivelmente divertida, e se levantou de volta.

— Volte... Mais vezes... Chastille. — disse Foll com uma voz baixa e nervosa. E, quando começou a soluçar alto de repente, lágrimas brotaram nos olhos de Chastille em resposta.

— Hic... F-Finalmente... Você me chamou pelo meu nome!

— Então, no fim... Ainda está chorando?

Diante de sua reação, Foll também soltou um suspiro de exasperação.

Quando suas lágrimas por fim cessaram, começou a sair do quanto.

— Foi por pouco tempo, porém estive sob seus cuidados. Não sei se conseguirei carregar o fardo da Facção de Unificação do Lorde Rafael, contudo vou me esforçar nem que seja um pouquinho para criar um mundo onde você possa viver com mais tranquilidade.

Então, uma voz rouca pairou sobre ela.

— Entendo. Então enfim se decidiu.

— Acho que está além das minhas capacidades, embora farei o meu melhor.

— Se algo a preocupar, pode pedir minha ajuda a qualquer momento. Como tenho apenas um braço, minhas possibilidades são limitadas, no entanto ainda assim lhe emprestarei minha força.

O dono daquela voz, que entrara no recinto sem fazer ruído, não tinha um dos braços e carregava um jogo de chá.

— Estou em dívida com você, Lorde Rafael...? — Chastille começou a falar, entretanto logo ergueu a cabeça, confusa. E, diante de seus olhos, estava um homem gigantesco... Alguém para quem a maioria das pessoas precisaria olhar de baixo para cima.

— Já está tudo bem para você se levantar, Rafael?

Sim. Aquele diante deles não era outro senão... O Arcanjo Rafael. E, como agradecimento por terem tratado seus ferimentos, preparara o chá pela manhã.

— De fato. Desde o início, eu contava com a proteção divina de Orobas. Se somarmos a isso a magia mística élfica, um ferimento tão superficial nem sequer merece menção.

Apesar do que disse, o braço perdido não pôde ser recuperado, o que afetou o poder de Rafael como Cavaleiro Angelical. Sentindo pena de sua situação, Zagan lançou-lhe um olhar rápido.

— Você ainda consegue manejar sua Espada Sagrada com um braço desses?

— Não cheguei ao ponto de não conseguir lutar. Além do mais, já estou velho. A Espada Sagrada certamente escolherá seu próximo portador em breve.

— Entendo. Então, até que isto aconteça, vou tirar o máximo proveito da sua presença.

— Heh, o preço por me usar é bem alto, sabe? — provavelmente, era a sua maneira de dizer que exigiria um pagamento. A forma como se expressou era de fato difícil de entender, todavia, sendo honesto, Zagan e aquele homem talvez fossem iguais nesse aspecto. Pensar nisso acabou deixando Zagan desanimado.

— Espere, sobre o que vocês dois estão conversando com tanta calma?

Zagan fez uma careta.

— Blá, blá, blá... Cala a boca. Algum problema?

— Não é óbvio? Eu acreditava piamente que o Lorde Rafael tinha morrido...

Quando se separaram pela última vez, Zagan pensava justo a mesma coisa. Mas, aquele homem havia se apresentado fielmente a Foll, então Zagan o trouxe para o castelo. Como Chastille havia desmaiado de exaustão total, nunca chegou a informá-la do ocorrido.

Zagan então apontou o dedo para Rafael enquanto falava.

— Ora, pense um pouco. Como acha que descobri os detalhes da morte do Cardeal Clavwell?

— Espera, sério? — Chastille perguntou, com evidente surpresa.

Se não fosse por isso, não haveria como os rumores sobre o assassinato de um cardeal chegarem até o castelo dele. Afinal, a própria Igreja sem dúvida trabalharia para encobrir o escândalo.

Chastille caiu no chão, sem forças, ao se dar conta da verdade.

— Bem, estou bastante aliviado por você seguir vivo.

— Ainda é ingênua demais. Se agir assim, não poderá nem reclamar se for abatida pelas costas, certo?

Enquanto falava em um tom que sugeria que iria atacá-la ali naquele instante, o rosto de Chastille teve um espasmo repentino.

— Ah... Quer dizer que agir com tanta bondade, sem conhecer as verdadeiras intenções das pessoas, pode acabar custando a sua vida, certo?

Depois que Zagan comentou calmamente, Rafael assentiu de forma exagerada.

— Como esperado do meu senhor. A diferença de calibre entre vocês é admirável.

— Não, até eu entendo mais ou menos... Espera, “meu senhor”?

Ao ver Chastille chocada, Rafael assentiu como se não fosse nada demais.

— Agora que mencionou, acho que não lhe contei nada sobre isso. Fui contratado como mordomo do Lorde Zagan. A partir de hoje, aposentei-me como Arcanjo.

— EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEH?

Tapando os ouvidos diante do grito de Chastille, Zagan recordou a conversa que tivera com Rafael e Foll.

— Como prometi, voltei para lhe oferecer minha cabeça.

Ao sentirem a presença de Rafael, que havia esgotado todas as suas forças na entrada do castelo ao enfrentar a barreira de Zagan, todos, exceto Chastille, correram para encontrá-lo. E a primeira coisa que ouviram ao vê-lo foram aquelas palavras.

Aquele homem não era quem havia matado Orobas. Mas, também era possível considerá-lo o alvo da vingança. Foi por esse motivo que coube a Foll decidir o destino de Rafael.

Após refletir por um momento, Foll chegou a uma conclusão bastante peculiar.

— Então, esgote suas forças pelo bem de Zagan e Nephy. Isso será benéfico para mim.

E assim, Rafael também acabou trabalhando no castelo de Zagan. Com isso, minha pesquisa sobre o Selo do Arquidemônio deve avançar rapidamente.

Zagan havia adquirido certo conhecimento sobre as Espadas Sagradas a partir do legado de Marchosias, porém, como era de se esperar, havia uma grande diferença entre possuir a arma verdadeira e não a possuir. Se conseguisse decifrar os emblemas gravados na Espada Sagrada, talvez também fosse capaz, um dia, de identificar a verdadeira natureza do Selo do Arquidemônio.

Além do mais, mesmo sem contar com isso, a manutenção do castelo e a administração do Palácio do Arquidemônio exigiam mais mãos do que havia disponíveis.

Se fosse um subordinado em quem pudesse confiar, fosse um feiticeiro ou um Cavaleiro Angelical, não teria objeções. Sem falar que, há sempre mais em uma pessoa do que a primeira impressão sugere. Estava bem ciente porque, se não tivesse conhecido Nephy, poderia ter acabado da mesma forma que Rafael.

Foll então olhou para Rafael com curiosidade.

— Precisa de alguma coisa?

— Não ter um braço... É um incômodo?

— Hmph... Não é algo com o qual precise se preocupar.

— Espere um instante... — Foll saiu do cômodo de Chastille após dizer essas palavras simples.

Chastille havia dito que voltaria para a igreja, contudo, tendo perdido a oportunidade de partir, permaneceu ali sem jeito, mexendo nas mãos.

Pouco tempo depois, Foll retornou. Em seus braços, trazia um enorme braço esquerdo feito de armadura. Ela o havia guardado desde que chegara ao castelo; tratava-se da armadura de papel machê que usava quando assumia a aparência de Aparição Valefor.

— Abaixe-se.

— Hmm? — Rafael se ajoelhou, intrigado com suas ações, e Foll encaixou a armadura em seu ombro esquerdo. Em seguida, murmurou algumas frases baixinho, fazendo a armadura vazia brilhar com uma luz pálida.

— Com isso, ela deve se mover.

— Oooh... — Rafael soltou um suspiro de admiração.

Era a mesma magia que Foll usava para manipular a armadura. E parecia que a havia ajustado para que até mesmo Rafael pudesse utilizá-la.

— Quem diria que, além de Orobas, eu também ficaria profundamente em dívida com a sua filha. Dedicarei esta vida a você.

— Isto é exagero.

Embora tenha virado o rosto com um bufo, as bochechas de Foll estavam levemente coradas.

Então, Chastille manifestou-se com um tom um tanto insatisfeito.

— Hmm... Então... A única que vai embora... Sou eu?

— Bem, é assim que as coisas são.

— Não, mas... — Chastille estava à beira das lágrimas mais uma vez, apesar de ter sido sua própria decisão em partir, para começar.

E, como não lhe restava outra opção naquele momento, Zagan abriu a boca para falar.

— Não tem problema você vir aqui sempre que quiser, certo? A Nephy e a Foll ficariam felizes.

— Eu também?

— Você também, não é?

Foll fez uma careta como se não fosse o caso, porém não disse nada para negar categoricamente a afirmação.

Ainda assim, Chastille ergueu o olhar para o rosto de Zagan.

— E você...?

Como jamais imaginara que perguntaria tal coisa, Zagan apenas retribuiu o olhar, surpreso. Então, coçou a cabeça dizendo em um tom bastante casual.

— Bom, não me importaria de socializar enquanto bebo um pouco de licor... É mais ou menos o que penso a respeito.

Ao ouvir aquilo, o rosto de Chastille se iluminou com entusiasmo.

— Certo! Também vou dar o meu melhor!

Dito isso, desta vez, a Donzela da Espada Sagrada seguiu seu caminho.

— Sério, que barulhento... Hein?

Enquanto Zagan comentava, Nephy ficou ao seu lado, no entanto virou o rosto bufando por algum motivo estranho. Suas bochechas estavam sutilmente inchadas, e percebeu que ela parecia um tanto irritada.

— Nephy?

— O que você precisa?

— Por que está com tanta raiva?

Nephy inclinou a cabeça para o lado como se não tivesse compreendido a pergunta.

— Eu... Pareço estar com raiva?

— Estou perguntando porque parece...

Depois que Zagan respondeu, Nephy abraçou seu braço com força, como se planejasse prendê-lo.

— Então, por favor, descubra o porquê.

Duas protuberâncias suaves empurravam contra ele. E deles, ouviu o som do coração dela batendo muito rápido. Além disso, as pontas de suas orelhas pontudas estavam um pouco coradas, e pôde notar que elas tremiam enquanto olhava.

Ela está com raiva, mas esperando algo também? Zagan se preocupou um pouco com sua difícil demanda e então tocou sua bochecha.

— Sobre ontem à noite e como te deixei para trás... Desculpe.

Nephy olhou para trás, maravilhada, como se estivesse surpresa, depois esfregou o rosto suavemente no seu braço.

— Mestre Zagan, isso é injusto.

E então, a resposta de Zagan estava correta? Independentemente da resposta, o humor de Nephy parecia ter melhorado drasticamente.

— Rafael, não consigo ver.

— Ouça-me, Foll. Ainda é muito cedo para você.


Seja como for, aquela troca entre os dois só poderia ser vista pelo novo morador do castelo.

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