Capítulo 09: Levi
Uma fumaça começava a se avolumar, espessa e implacável como o punho de um brigão, vinda da cocheira de Hayward, no fim da cidade. Mal conseguia se lembrar do nome do lugar, já tinha passado por tantos. Eram apenas pequenos ossos que se conectavam para formar uma espinha dorsal que vinha quebrando com avidez. Ele era uma sombra longa, tremeluzindo à luz do fogo, avançando em direção ao próximo prédio ao longo da rua deserta. Butler-Ferguson não era uma cidade grande. Mal podia ser chamada de pequena, eram apenas dois acampamentos de mineiros, arruaceiros e prostitutas que haviam se unido e declarado ser uma cidade. O homem alto parou diante das portas de vaivém do saloon. “Cocrane’s Cups”, informava a tábua com a inscrição acima de sua cabeça. Sorriu com o nome. Era bem esperto para um antro de bebida barata numa cidade de merda. Seu rosto era achatado e os olhos bem espaçados, embora a pele estivesse bronzeada pelo sol até um tom de marrom escuro, havia uma faixa pálida sobre o olho esquerdo... Uma cicatriz qualquer. O olho ali alojado era rosado como o de um leitão. Nunca piscava nem se movia, apenas fitava o horizonte. O outro olho, de um azul brilhante, movia-se e dançava como o de uma criança espástica. O homem ficou de pé, com uma mão sobre a arma. Com a outra, segurava a porta enquanto abria levemente a boca e inspirava fundo. A fumaça era densa como molho de carne. Conseguia sentir o gosto do feno e da madeira reduzidos a fumaça e chamas. O cheiro de carne de cavalo assando. Assim que entrou, a música e as vozes cessaram. O homem alto aproximou-se do balcão e apoiou-se neste, fazendo a madeira velha ranger. Examinou o local, que estava quase vazio. Havia menos homens ali do que dedos em suas mãos marcadas por cicatrizes, sem contar os que estavam nos bolsos ou na bolsa a tiracolo. Começou a tamborilar o polegar de uma mão enorme sobre o mogno. O homem calvo atrás do balcão apressou-se em vir até ele e sorriu.





