quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Walk the Darkness Down — Capítulo 07-08

Capítulo 07: Jones


Jones cavalgara por quase doze horas e estava cansado. O traseiro doía, e sentia dores na coluna e nos quadris. Parou junto ao emaranhado de árvores mortas na base da grande formação rochosa que lembrava um molar... Era com isso que a rocha se parecia, um grande dente do fundo da boca. Amarrou o cavalo a um dos galhos mais baixos e pôs-se a juntar gravetos e galhos caídos para fazer e alimentar a fogueira de que precisaria. O estômago roncou, e respondeu com um rosnado, era uma brincadeira entre os dois. Acendeu o fogo e observou as chamas rastejarem, depois cambalearem e, num instante, ganharem força e correrem. Aqueceu as mãos e despejou o feijão na panela. Era o último pote que lhe restava. Despedaçou o último pedaço de carne defumada e o jogou lá dentro. Tirou o cartaz de procurado do colete e o examinou enquanto o feijão fervia. Gravou o rosto do homem na memória. E, sem desviar os olhos das chamas, começou a rasgar o cartaz em pedacinhos.

Depois de reduzir o cartaz de procurado a pedaços e comê-lo junto com a carne e o feijão, o homem de longos cabelos negros e olhar muito triste preparou-se para dormir. Jones tentou puxar a aba do chapéu sobre os olhos, porém não adiantou. Cada estalo da fogueira soava como um tiro perto de seu ouvido. A fumaça que a brisa soprava sobre ele parecia o fantasma de sua mãe, cutucando-o e culpando-o. Virou-se de lado, de costas para o fogo, e olhou para onde a égua estava amarrada. Observou o animal pastando na escuridão. Ouviu um ganido ao longe, seguido por um rosnado mais grave, um latido agudo, e depois o silêncio. Fechou os olhos e começou a contar. Chegou ao número quarenta e três antes de adormecer, quaisquer sonhos que tenha tido não valiam a pena ser lembrados.

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Maou no Ore ga Dorei Elf wo Yome ni Shitanda ga, Dou Medereba Ii — Volume 04 — Capítulo 24.5

Capítulo 24.5: Contos Extras

Uma Demonstração de Gratidão

— Seja grato. Eu me dei ao trabalho de vir até aqui para entregar isto... Por que sou eu quem está agindo de forma arrogante? Ele é um Arquidemônio, não é? Então... Obrigada pelo manto. Não esquecerei a dívida que tenho com você por ter salvado minha vida... Por outro lado, ser modesta demais também é estranho...

Nephteros murmurava consigo mesma na floresta, nos arredores de Kianoides. O manto do Arquidemônio Zagan estava aninhado em seus braços. Poucos dias antes, fora salva por ele durante um certo incidente, e acabou ficando com o seu manto emprestado.

Foi o próprio Zagan quem me pediu para devolvê-lo, então não tenho outra escolha... No entanto, a própria personalidade de Nephteros acabava atrapalhando. Não fazia ideia de como expressar gratidão a alguém. Por esse motivo, permaneceu parada diante do castelo de Zagan, imersa em seus pensamentos, falando sozinha e ensaiando o que diria.

terça-feira, 27 de outubro de 2026

When Hikaru was on the Earth... — Volume 02 — Capítulo 13

Volume 02: Yugao — Capítulo 13: As desculpas de um nobre

 

É possível recuperar um guarda-chuva perdido há um ano?

 

(Logicamente, deveria ter sido descartado há muito tempo...)

 

No dia seguinte, Koremitsu foi para a sala de aula de Yu.

 

Ambos estavam no primeiro ano do Ensino Médio, mas como havia muitos alunos em seu ano acadêmico, a sala de aula dela ficava muito longe da de Koremitsu, localizada no segundo andar.

 

Havia um suporte para guarda-chuvas na parede lateral do corredor, com dois ou três guarda-chuvas. O tempo estava agradável e a luz solar intensa que entrava pela janela era ofuscante.

 

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Walk the Darkness Down — Capítulo 05-06

Capítulo 05: Keaton e Jubal


A dupla estava parada na sombra úmida dos galhos. O ar cheirava a terra molhada e a tatuzinhos-de-jardim. Sob a copa de agulhas e folhas, erguia-se uma casa... Se é que se podia chamá-la assim pela definição mais básica. Uma habitação quadrada. Tábuas pregadas umas às outras para formar uma superfície plana, depois unidas a outras e mais outras, até se ter quatro paredes erguidas e um telhado plano no topo. Criado pela disposição de longos galhos sobre a estrutura, pregados no lugar. Havia facilmente uma dúzia de couros esticados por cima, todos cobertos por uma camada espessa de musgo verde-escuro. Havia uma única janela na frente da habitação, mas não restava vidro algum, apenas teias de aranha grossas e enegrecidas, coalhadas de moscas e vespas mortas. Keaton inclinou-se e tentou espiar lá dentro. Sombras de mãos dadas com a escuridão. Nada em que pudesse focar o olhar ou distinguir. Então virou para o garoto.

— Esta é a sua casa?

domingo, 25 de outubro de 2026

The Magnus Archives — Primeira Temporada — Capítulo 30

Primeira Temporada — Capítulo 30: Matadouro

Rusty Quill apresenta “Os Arquivos Magnus”
Episódio Trinta: Matadouro



JONATHAN SIMS

Depoimento de David Laylow, referente ao período em que trabalhou em um matadouro industrial próximo a Dalston. Depoimento original prestado em 1º de setembro de 2013. Gravação de áudio por Jonathan Sims, Arquivista-Chefe do Instituto Magnus, Londres.

Início do depoimento.

sábado, 24 de outubro de 2026

Walk the Darkness Down — Capítulo 03-04

Capítulo 03: Keaton e Jubal


A noite passou depressa, e a manhã aguardava ansiosa logo atrás, como uma criança precoce.

— Ei. — a voz pequena soou tão alta quanto um tiro no silêncio do celeiro. Keaton levantou-se mais rápido do que deveria, a cabeça girou e a dor que ali se alojara começou a latejar. Esfregou o ponto na bochecha onde a baba havia secado.

— Olá para você também. — respondeu, com a voz rouca. Era uma voz há muito guardada, como aranhas mortas pontilhando uma teia velha no canto de um galpão abandonado. Ele tossiu na mão fechada e limpou o catarro, com seus veios vermelhos e pretos, na lateral da calça. Ainda sentia gosto de fumaça na língua. — Olá, rapazinho. — disse, um pouco mais alto e com mais firmeza. O menino apenas ficou parado, encarando-o. Contra a cortina de luz que vinha da porta aberta, parecia uma silhueta recortada no formato de uma criança, um pouco menos brilhante que a luz, embora ainda assim brilhante demais para que se distinguissem detalhes. Keaton tentou se levantar, suas pernas dormentes protestaram e ignoraram a decisão. Apoiou a palma da mão nas tábuas e ergueu o corpo.