Capítulo 41: Fogo Frio e Pedra Resistente
O sonho foi se dissipando gradualmente, derretendo como névoa, um sonho aterrador em que estava cercado por um mar verde sufocante. Não havia cima nem baixo, apenas uma luz sem origem ao redor e uma horda de sombras cortantes, tubarões, cada um com os olhos negros e sem vida de Pryrates.
Conforme o mar recuava, Deornoth emergiu, de um brusco despertar do sono para um estado de semiconsciência turva. As paredes do quartel da guarda estavam salpicadas de um luar frio, e a respiração constante dos outros homens era como o vento soprando entre folhas secas.
Mesmo com o coração palpitando no peito, sentiu o sono voltando a estender a mão para reivindicar sua alma exausta, acalmando-o com dedos delicados, sussurrando em seu ouvido. Ele começou a recuar, a força da maré do sonho mais suave do que antes. Dessa vez, o vento o levou para um lugar mais luminoso, um lugar de umidade matinal e sol suave do meio-dia: a propriedade de seu pai em Hewenshire, onde crescera trabalhando nos campos ao lado de suas irmãs e irmão mais velho. Uma parte sua não havia saído do quartel... Era antes do amanhecer, sabia, o nono dia de junen... Porém outra parte havia ficado para trás, no passado. Tornou a sentir o cheiro almiscarado da terra revolvida e ouviu o rangido paciente dos sulcos do arado e o chilrear cadenciado das rodas da carroça enquanto o boi a puxava pela estrada em direção ao mercado.






