domingo, 8 de março de 2026

When Hikaru was on the Earth... — Volume 01 — Capítulo 04

Volume 01: Aoi  Capítulo 04: Para onde as pessoas vão quando morrem?


Hikaru levou Koremitsu até seu apartamento de classe alta, que ficava a apenas vinte minutos de caminhada da escola.

 

Dizia-se que o complexo de apartamentos era de propriedade do pai de Hikaru; este morava sozinho em um dos apartamentos.

 

A entrada era equipada com uma fechadura automática, e o zelador era um homem de idade avançada.

 

— Sou amigo do Hikaru. Posso ir ao seu quarto? Tem uma coisa que emprestei a ele.

 

O zelador olhou com cautela para o cabelo desgrenhado e o uniforme de Koremitsu.


— Não, não posso deixar ninguém que eu não conheça entrar. Além do mais, como vou saber que você é amigo do Mestre Hikaru?

 

Como esperado, ele foi recusado.

 

Droga, o que faço agora?

 

Koremitsu fez uma careta e especulou sobre seu próximo movimento quando seus pensamentos foram interrompidos por Hikaru.

 

— Diga a que vai trazer o Yokan¹ de castanhas ao vapor de Taiseido como um presente.

 

O que é isso? Koremitsu abaixou a cabeça, maravilhado.

 

— Da próxima vez, trarei para você o Yokan de castanhas ao vapor de Taiseido, como presente, se quiser.

 

Ele secretamente levantou o olhar e viu os olhos do zelador se arregalarem enquanto estremecia.

 

O que está acontecendo? Será que teve um ataque cardíaco?

 

Justo quando Koremitsu estava em pânico, lágrimas brotaram nos olhos do zelador.

 

— É mesmo... O Jovem Mestre Hikaru disse quando foi à casa de campo naquela manhã: “Vou lhe trazer aquele Yokan de castanhas ao vapor, edição limitada, de Taiseido”. Isso porque ele viu essa recomendação na televisão alguns dias atrás e disse: “Parece muito bom. Vamos experimentar juntos, Sr. Maezono”... O Jovem Mestre Hikaru era muito enfático com os outros ao seu redor desde pequeno...

 

O senhor inadvertidamente engasgou com as palavras ao dizer isso.

 

— É muito bom ver que o Jovem Mestre Hikaru tem um amigo homem. Sempre o ouvi dizer que queria ter um amigo do mesmo sexo.

 

Ele disse alegremente enquanto soltava ranho, abria a fechadura e levava Koremitsu para o quarto de Hikaru, no andar mais alto.

 

— O quarto está nas mesmas condições de quando o Jovem Mestre Hikaru era vivo. É só me avisar quando quiser voltar.

 

O zelador falou e voltou para seu trabalho.

 

— O Sr. Maezono era o motorista do meu pai, e sempre cuidou de mim muito bem desde pequeno. Mesmo quando comecei a morar sozinho, ele vinha conversar comigo como um avô de verdade, e se preocupava comigo sempre que eu chegava tarde em casa.

 

Hikaru falou com uma voz que lembrava reminiscências.

 

— Quando começou a morar aqui?

 

— Desde o primeiro ano do ensino fundamental.

 

Sua resposta não teve hesitação.

 

Primeiro ano do ensino fundamental, hein? Não era só uma criança naquela época?

 

Koremitsu ficou um pouco chocado.

 

O cômodo com piso de madeira era bastante amplo e não havia carpete.

 

Quase não havia móveis, muito menos uma televisão. Havia um sofá e uma grande mesa de jantar, inadequada para alguém que morava sozinho, com quatro cadeiras enfileiradas ao redor. A mesa parecia nunca ter sido usada antes, e dava a impressão de que ninguém havia morado ali antes.

 

O zelador já havia dito que essa era a condição do quarto quando Hikaru estava vivo. Hikaru vivia neste quarto solitário todos os dias?

 

— Fui eu quem sugeriu a ideia de morar sozinho. Teria mais liberdade assim.

 

Hikaru estava vestido com camisa e jeans enquanto andava descalço (talvez esse fosse o seu traje casual), e Koremitsu sentiu uma sensação de solidão quando o viu nesse estado.

 

Talvez tenha sido por ter visto o silêncio absoluto de Koremitsu que Hikaru sorriu e disse calorosamente.

 

— Meu pai era muito rico, então nunca tive problemas financeiros e vivi uma vida despreocupada e preguiçosa. Não preciso entrar em contato com minha família quando tenho meninas morando em casa. Ninguém me repreende, mesmo que fique na casa de uma menina por alguns dias, e posso sair no meio da noite se elas me chamarem.

 

— Tch, você já era um mulherengo no ensino fundamental?

 

Sentiu que lhe faltavam palavras...

 

“Não consigo dormir sozinho porque tenho medo da solidão.”

 

Koremitsu se lembrou das palavras que Hikaru costumava dizer e sentiu um aperto no peito.

 

“E só consigo relaxar quando alguém me acompanha...”

 

Não me diga que esse cara saiu com tantas garotas porque era muito solitário?

 

No momento em que pensou na aparência de Hikaru enquanto segurava os joelhos no meio daquela sala ampla, escassamente ocupada por móveis, Koremitsu mostrou uma expressão séria.

 

O próprio Koremitsu era quem melhor entendia a solidão de não ter pais.

 

Depois de estar com Hikaru por tanto tempo, havia uma coisa que entendia.

 

Não se pode confiar no sorriso dele.

 

Mesmo que fosse insuportável ao ponto de tossir sangue, mesmo que a solidão parecesse que fosse abrir um buraco em seu corpo, continuaria a sorrir.

 

Aquilo o deixou realmente frustrado.

 

Hikaru abriu os olhos gentilmente e deu um sorriso gentil.

 

— Deve ter um álbum de fotos no armário. Trouxe você aqui para mostrar.

 

— Então as flores tão lindas das quais está falando se referem às fotos?

 

— Está esperando que uma empregada loira te convide para entrar?

 

— Cale a boca, já te disse que odeio mulheres, seu idiota.

 

— Então, que tal eu vestir uma roupa de empregada e dizer: “Bem-vindo de volta, mestre!”?

 

— Não ouse, seria nojento.

 

— Mas acho que deve ficar um pouco bom em mim.

 

Enquanto Hikaru divagava, Koremitsu abriu o armário embutido na parede e tirou vários álbuns de fotos que estavam empilhados lá dentro.

 

Sentando-se no chão de madeira, folheou os álbuns e encontrou muitas fotos de bebês dentro.

 

Essas são fotos do Hikaru?

 

Hikaru tinha um rosto angelical quando era bebê, um forte contraste com o rosto selvagem de Koremitsu desde que nasceu.

 

Algumas fotos de Hikaru o mostravam com um gentil sorriso, algumas o mostravam chupando a mamadeira enquanto arregalava os olhos redondos para a câmera, algumas o mostravam estendendo suas pequenas mãos parecidas com folhas de bordo enquanto ria, e algumas o mostravam tirando uma soneca com um brinquedo peludo parecido com um cachorrinho.

 

Havia tantas fotos dessas que poderiam virar capa de revistas para bebês, que parecia que não tinha fim.

 

— Cara, essas flores bonitas que estava falando são suas fotos? Quer me mostrar as fotos de quando era bebê?

 

Seus olhos eram certamente grandes e redondos como os de uma menina...

 

Porém ainda assim, Koremitsu não tinha interesse em coisas tão fofas. Mesmo que houvesse um bebê lindo e fofo, naturalmente ficaria frustrado se continuasse olhando para o mesmo bebê.

 

— Estão mais atrás.

 

Hikaru disse enquanto se sentava ao lado de Koremitsu, folheando o álbum de fotos.

 

— Tch, não são todas fotos de bebês? E...

 

Koremitsu viu uma foto e sua mão que estava folheando as páginas parou.

 

Estas eram fotos de Hikaru quando bebê, contudo não havia mais ninguém nas fotos anteriores. No entanto, havia uma mulher segurando Hikaru no colo na foto.

 

A jovem sentada na cadeira sorriu gentilmente para a câmera e parecia muito com Hikaru.

 

Esse rosto...

 

— Ei, essa é a sua mãe? Vi alguém parecida com ela no seu funeral. Também é uma parente sua?

 

A mulher a quem se referia era a mulher vestida de preto no funeral de Hikaru, chorando e sorrindo.

 

O próprio Koremitsu ficou perplexo com esse sorriso.

 

Tentou imaginar quem era aquela mulher e por que conseguiu se acalmar de tal maneira no funeral.

 

— Aquela pessoa...

 

A voz de Hikaru parou de repente.

 

Intrigado, Koremitsu olhou e viu a expressão sombria de Hikaru.

 

Perguntei algo que não deveria?

 

Hikaru mordeu os lábios com força, aparentando estar em uma profunda reflexão, e Koremitsu teve um mau pressentimento a respeito.

 

Enquanto se perguntava como quebrar esse silêncio, Hikaru levantou o rosto e sorriu seu sorriso caloroso de costume.

 

Aquele sorriso claro, embora transparente, fez com que a expressão anterior de tensão parecesse uma ilusão.

 

— É, é isso mesmo. Ela é parente da minha mãe.

 

— Entendo. Não é de se espantar que a semelhança esteja lá.

 

Koremitsu também respondeu com uma voz clara. Sentiu que havia necessidade de fazê-lo.

 

Sentiu que não deveria perguntar mais sobre aquela mulher.

 

— Quero te mostrar o que está mais atrás. Continue passando as páginas, Koremitsu.

 

— Oh, tudo bem.

 

Ele virou para a próxima página.

 

O que aparecia não eram fotos de bebê, e sim fotos de Hikaru quando criança. Seguiu folheando as páginas e encontrou fotos de Hikaru, com 5 ou 6 anos, ao lado de meninas mais ou menos da mesma idade.

 

Havia duas garotas nas fotos; uma delas era uma garota de aparência inteligente, com cabelos negros radiantes e um pouco mais alta que Hikaru, enquanto a outra era uma garota, meia cabeça mais baixa que Hikaru, com uma fita branca amarrada em seus lindos cabelos negros e soltos.

 

Havia muitas fotos do trio ou onde uma das garotas tirava a foto dos outros dois.

 

A garota mais alta do trio ficava com um olhar sério quase o tempo todo quando as fotos eram tiradas, e a garota mais baixa, com a fita na cabeça, mostrava expressões variadas nas fotos.

 

Às vezes, inflava as bochechas, às vezes arregalava os olhos quando seu rosto ficava vermelho, às vezes fazia beicinho com lágrimas nos olhos, às vezes se inquietava devido à timidez ou ria de vez em quando.

 

— Essa com a fita é a Aoi?

 

Hikaru acenou concordando.

 

— Sim, e a outro é a Asa.

 

Sua expressão era tão gentil enquanto olhava para a foto.

 

— Asa, aquela que mandou a Aoi me ignorar? Então essa é a Asa.

 

Koremitsu olhou feio para a garota de aparência intelectual na foto.

 

— O nome da Asa é Asai, e é minha prima paterna, amiga íntima da Aoi. Aoi e Asa são um ano mais velhas que eu e são minhas companheiras de brincadeira de infância. Nós três estávamos juntos desde bem pequenos.

 

Por um lado, a expressão de Hikaru ainda parecia tão radiante.

 

Quando o trio se alinhava, a calma e distante Asai ficava no meio. Hikaru ficava à esquerda, com um sorriso estampado no rosto, enquanto Aoi se mexia timidamente à direita. Aoi parecia estar olhando de soslaio para Hikaru, mas deliberadamente desviava seu rostinho sempre que chegava a hora de tirarem fotos juntos.

 

Koremitsu olhou de relance para Hikaru e descobriu que seus rostos estavam quase grudados quando o último olhou de volta com seus olhos claros.

 

Então ele falou com um tom gentil e cheio de amor.

 

— A Srta. Aoi era um pouco desajeitada quando criança... E é tímida... Sempre tinha Asa a acompanhando quando vinha à minha casa. Ela ficava vermelha e dizia algo como: “A Asa disse que queria ir à sua casa para brincar, Hikaru, então eu vim junto”. Ela adora tomar milk-shakes doces, porém faz cara feia na minha frente e toma café sem açúcar... Esse é o tipo de criança que ela era.

 

Essa é uma expressão muito fofa.

 

Aquela era realmente uma voz gentil ao narrar.

 

Enquanto ouvia, Koremitsu sentiu uma nova sensação confusa em seu coração.

 

Não conseguia compreender o que era, mas não odiava esse sentimento enjoativamente doce que tinha um pouco de calor e um pouco de tristeza.

 

— Quando eu adicionava açúcar no café da Srta. Aoi às escondidas, seus olhos se arregalavam e ficava corada enquanto me encarava. Era muito fofa, então não conseguia evitar e começava a adicionar açúcar no seu café às escondidas. A Srta. Aoi então olhava para a xícara para me impedir de fazê-lo.

 

Era como um episódio diário de alegria.

 

Sua expressão parecia que ia derreter.

 

— A Srta. Aoi fica muito fofa quando fica chocada, e suas reações depois também se tornaram interessantes e bonitinhas. Por essa razão, não conseguia evitar provocá-la sem parar. Porém, a Srta. Aoi ficava com raiva, pois me repreendia por provocá-la, mesmo sendo mais velha do que eu, e dizia que estava sendo rude como um delinquente.

 

A voz de Hikaru ficou um pouco mais suave, e mostrou um leve sorriso no rosto.

 

— Meu noivado com a Srta. Aoi foi decidido por nossas famílias, contudo sinto que não há problema em ela ser minha “mais amada”...

 

Seus olhos estavam cheios de gentileza e tristeza enquanto olhavam para Koremitsu.

 

— Senhorita Aoi... Era minha “esperança”.

 

Era uma voz silenciosa que parecia estar prestes a tingir seu coração.

 

Esperança...? Ela?

 

Antes de chegar aqui, Koremitsu estava muito furioso com Aoi.

 

Até aconselhou Hikaru a esquecer essa mulher obstinada e incompreensível.

 

Contudo, a Aoi que restou no coração de Hikaru era provavelmente mais profunda do que Koremitsu poderia imaginar... A garota dizia coisas tão exageradas na frente do rosto de Hikaru, todavia o afeto de Hikaru por ela nunca mudou.

 

Hikaru mostrou um tom de solidão no rosto.

 

— É por isso que... Embora seja fácil para mim abraçar outras garotas, apenas sinto... Que a Srta. Aoi é a única que não consigo tocar. Talvez seja porque tenho medo de que diga de verdade que me odeia. Porque a Srta. Aoi... É realmente uma pessoa muito importante para mim.

 

O coração de Koremitsu doía.

 

A raiva que sentia por Aoi desapareceu aos poucos, e o que surgiu em seu lugar foi uma onda de tristeza.

 

— Você não tem muitas outras mulheres além da Aoi?

 

— Sim.

 

— Então, não pensou em terminar com elas pelo bem da Aoi?

 

Quando Koremitsu perguntou, os olhos de Hikaru ficaram vazios.

 

— Você não fez isso?

 

— Sobre isso, talvez seja desprezível da minha parte dizer, mas direi que provavelmente não. Porque não posso fazer tudo isto pelo bem da Srta. Aoi... Porém, acho que terei que me entender com as outras garotas se quiser morar com a Srta. Aoi. Se não o fizer, não haverá um novo começo... O presente de aniversário era uma oportunidade, então enviei uma carta antes de ir para a casa de campo... E preparei os presentes restantes.

 

Sua voz soou um pouco áspera, e de repente se calou no meio do caminho.

 

Os olhos castanhos claros sob os cílios baixos mostravam uma escuridão lamacenta.

 

Koremitsu não sabia como Hikaru conseguia sair com tantas mulheres e não sabia o que estava planejando cortar para começar do zero.

 

Se alguém se acalmasse e pensasse, perceberia que terminar com as outras mulheres por causa de Aoi era um pouco egoísta demais.

 

Aqueles que não eram populares com as garotas sem dúvida iriam atacá-lo depois ao ouvir tais problemas, e as garotas que foram abandonadas podem ser vingativas o suficiente para estrangulá-lo até a morte.

 

Contudo Koremitsu não conseguiu nem dizer nada para repreender Hikaru... Depois de ver os olhos tristes e sem brilho deste.

 

O corpo de Hikaru não estava mais nesta Terra.

 

Não podia mais ficar junto de Aoi, a quem descreveu com uma expressão tão gentil.

 

Hikaru permaneceu em silêncio.

 

— ...

 

E Koremitsu de repente ficou tenso.

 

E-Esta é uma chance de eu retribuir por ele ter me consolado na escola. Se recomponha, ainda há um amanhã... Ah, espera, esse cara não tem amanhã. Ele tá morto.

 

Suas têmporas se ergueram e decidiu dar um tapinha no ombro de Hikaru antes de falar.

 

Contudo, é claro, sua mão passou pelo ombro transparente, e o impulso o fez bater a mão no peito.

 

Como foi muito forte, seu corpo foi jogado para trás diante do impacto, contra o qual seu peito ficou indefeso.

 

— O que está fazendo, Koremitsu?

 

Hikaru perguntou de forma perplexa enquanto olhava para Koremitsu, que caiu de costas no chão após o golpe.

 

— C-Cala a boca! Estou fazendo ginástica!

 

— Por que está fazendo ginástica agora? Acho que acabei de ouvir sua cabeça batendo no chão também.

 

Koremitsu ficou nervoso enquanto se debatia desamparado.

 

E nesse momento, uma voz gélida de repente soou na sala.

 

— Você é alguém que gosta de rolar e resmungar sozinho na casa de outra pessoa?

 

Ele se levantou em choque.

 

Um olhar frio e glacial estava voltado para Koremitsu, e uma garota alta com longos cabelos negros e radiantes estava parada na porta da sala de estar.

 

Esta pessoa é...

 

Ela tinha um rosto de aparência elegante, lábios de aparência sábia, um par de olhos claros e traços de sua infância.

 

Mais importante, era possível dizer quem era pelo olhar depreciativo que lançava para Koremitsu.

 

— Asa.

 

Hikaru gritou o nome que apareceu na mente de Koremitsu.

 

Então ela é a Asai!

 

Prima de Hikaru, amiga íntima da Aoi...



— Você é Koremitsu Akagi da classe 1-5, eu presumo.

 

Asai disse o nome de Koremitsu como se tivesse acabado de dizer algo sujo.

 

O cabelo preto radiante não era inferior ao de Aoi, pois caía sobre os ombros, embora emanava uma atmosfera diferente desta. Asai era muito mais madura do que a delicada Aoi, e parecia haver uma atmosfera fria ao seu redor.

 

A altura de Aoi era um pouco abaixo da média para meninas, enquanto a própria Asai era um pouco mais alta. Ambas eram esbeltas, todavia a figura de Aoi transmitia uma aura de fragilidade, e, em contraste, Asai transmitia a sensação de firmeza da cabeça aos pés.

 

Essa atitude enérgica fez com que Koremitsu não sentisse nenhuma vibração positiva sobre ela nessa situação, e que era uma mulher nojenta e esnobe.

 

Falando nisso, não foi Asai quem acalmou Aoi e a levou embora quando esta começou a comoção no funeral?

 

Koremitsu relembrou, levantando-se para encarar Asai.

 

— Então você é aquela Asa.

 

— Não me lembro de ter permitido que você me chamasse por esse nome.

 

Imperturbável, Asai respondeu em um gélido tom.

 

— Não tem jeito. De qualquer forma, não sei seu nome completo.

 

— Asai Saiga.

 

— É mesmo? Obrigado por me informar. Agora, por que está aqui?

 

— Sou prima do Hikaru, e o pai dele me pediu para limpar as coisas que ele deixou para trás. A chave também me foi confiada.

 

Apesar de Koremitsu examiná-la de mau humor, Asai não estava com medo algum, olhou para Koremitsu e disse.

 

— Então... Por que está aqui? O Senhor Maezono realmente abriu a porta para você. Parece que é um bandido com pouca capacidade verbal, mas consegue falar, que inesperado.

 

Koremitsu franziu a testa, infeliz.

 

Hikaru logo tentou acalmá-lo.

 

— A Asa está tentando te irritar. Acalme-se e não se deixe levar pelo seu ritmo.

 

Koremitsu engoliu em seguida as palavras que queria dizer.

 

— Eu emprestei um livro para Hikaru.

 

— Qual livro?

 

— “À sombra das moças em flor” de Proust.

 

— “À sombra das moças em flor” de Pro-Proust.

 

Koremitsu respondeu conforme Hikaru mandou, e Asai ergueu as sobrancelhas de leve.

 

Estou lendo “À Procura do Tempo Perdido” e acabei de ler o primeiro volume, “De Swann”. “À sombra das moças em flor” é o segundo volume.

 

— Ele acabou de ler o primeiro volume, “De Swann”, da série “À Procura do Tempo Perdido”. Ficou fascinado pela obra de Proust e me pediu emprestado o segundo volume.

 

Ao ouvir isso, as sobrancelhas de Asai se contraíram ansiosamente.

 

Koremitsu deu um suspiro de alívio ao ver essa reação, porém Asai continuou.

 

— Então quer dizer que leu “À sombra das moças em flor”. Que tipo de história é?

 

Ei, que tipo de história é essa, Hikaru?

 

Koremitsu lançou um olhar para Hikaru, contudo este respondeu de maneira preocupada.

 

— Desculpe, não tive tempo de ler. Apenas deixei para lá porque tinha muitas datas. Mas, veja bem, este livro parece ser um tema que as meninas gostam, né? Há 85% de chance de ser uma história de amor, sabe?

 

Seu idiota! E se não for? Além disso, por que me diria o nome de um livro que nunca leu antes?

 

Enquanto Koremitsu continuava perguntando a Hikaru, demonstrando várias expressões, Asai perguntou mais.

 

— O que foi? Não consegue responder?

 

— De qualquer forma, é um livro de um parente. Como vou saber do que se trata?

 

Ele protestou para se afastar da situação.

 

— E a quem, posso perguntar, pertence?

 

— O que o dono do livro tem a ver com você?

 

— Calma, Koremitsu. Asa não está esperando uma resposta, e sim que admita a sua culpa.

 

Hikaru já o havia avisado, no entanto Koremitsu, que tinha uma expressão rígida enquanto olhava para o nada, foi considerado suspeito por Asai no momento em que soltou uma voz trêmula.

 

— O único que está se metendo em assuntos alheios é você, Sr. Akagi.

 

Parecia uma promotora interrogando um criminoso.

 

— O que quer dizer?

 

— Estou ciente da sua tentativa de se aproximar da Aoi. Como é possível que seja amigo do Hikaru? Ele não tinha nenhum amigo homem, nem na escola, nem fora.

 

— Sou o primeiro amigo dele.

 

— Foi assim que enganou a Aoi, suponho. Contando uma mentira idiota de que os presentes do Hikaru estão com você por enquanto; já é a quarta pessoa a fingir confortar a Aoi desde a morte do Hikaru. Isto fez com que a ela odiasse ainda mais os homens, e o seu método é o mais idiota de todos.

 

— Já disse antes que isso não é uma forma de abordar a Aoi, e não estou mentindo! Hikaru me pediu para compartilhar seus sentimentos com ela.

 

— Os sentimentos de Hikaru...?

 

Asai estreitou os olhos, e seu olhar gelado era como uma lâmina afiada.

 

Koremitsu sentiu um arrepio nas costas.

 

Parecia haver uma fúria tranquila acontecendo ao seu redor, e Asai falou com uma voz mais fria do que antes...

 

— Então me conte. Decidirei por mim mesma se esses sentimentos são para Aoi ouvir com meus ouvidos. O mesmo vale para os presentes; terá de ter minha aprovação se quiser entregá-los a Aoi.

 

— Isso não faria sentido algum! Hikaru me pediu para entregá-los à Aoi, não a você. Eu só posso dizer essas coisas à Aoi, e esses presentes devem ser entregues diretamente a ela!

 

Koremitsu encarou Asai enquanto concluía.

 

Embora este último permaneceu impassível.

 

— Nesse caso, pode provar que essas coisas que quer entregar de fato vieram de Hikaru?

 

Koremitsu ficou sem palavras.

 

— Você entrou na escola pela primeira vez um dia antes da Semana Dourada². Asa disse que você só apareceu uma vez na escola antes da morte de Hikaru e que não pode ser seu amigo.

 

— Eu me lembro muito bem do dia em que entrou na escola, quando o suposto calouro infame chegou com uma muleta e bandagens, causando uma grande comoção na escola. Por que Hikaru pediria a um aluno como você, com uma reputação notória, que transmitisse seus sentimentos à Aoi?

 

Minha reputação não é problema seu. Ele murmurou consigo mesmo, mas não conseguiu argumentar.

 

Isso porque, se considerássemos isso normalmente, seria impossível para Hikaru pedir para Koremitsu entregar os presentes para Aoi.

 

— E o que exatamente o Hikaru sente? Não me diga que ainda gosta da Aoi? O jeito que gosta de garotas é quase uma doença nesse ponto; certamente não é páreo para a pura Aoi, além de tê-la deixado com raiva esse tempo todo.

 

Esses fatos declarados fizeram com que Koremitsu ficasse cada vez mais sem palavras.

 

Hikaru também mostrou uma expressão preocupada e rígida.

 

Droga, como posso perder para você?

 

— É, o Hikaru é um verdadeiro mulherengo! É também um rei de harém! No entanto ainda ama a Aoi! É porque não há nada de falso nos seus sentimentos que eu quero passá-los para ela!

 

Koremitsu levantou o queixo enquanto exclamou, e em resposta, fufu, Asai bufou.

 

— O que é tão engraçado!

 

— Como esperado, não acredito que seja um amigo do Hikaru. Isto porque é o completo oposto. Hikaru parece muito despreocupado por fora, mas por dentro é inexplicável... Uma pessoa complicada que parece ter algo escondido. E a sua pessoa é rude, simplória, com cara de selvagem, e não parece inteligente. Imagino que Hikaru seja mais burro do que eu imaginava por ter te escolhido para transmitir essas palavras.

 

— O que foi que disse?

 

Asai então concluiu sem piedade.

 

— É impossível para você expressar os sentimentos de Hikaru.

 

Ela disse com um tom hediondo.

 

O sorriso já havia desaparecido de seu rosto, e sua expressão fria e gélida parecia perfurar seu coração enquanto se fixava em Koremitsu.

 

Parecia que estava dizendo: O que alguém como você pode entender sobre o Hikaru?

 

A ansiedade cresceu em seu coração.

 

Sua cabeça e orelhas ferviam, prestes a emitir um som estridente. Koremitsu gritou de volta, quase tentando refletir a expressão de Asai.

 

— SOU AMIGO DO HIKARU! SÓ NOS ENCONTRAMOS UMA VEZ QUANDO ESTAVA VIVO, PORÉM NOS ENCONTRAMOS DURANTE AQUELES POUCOS MINUTOS! E FOI ASSIM QUE NOS TORNAMOS AMIGOS!

 

No início, eles eram apenas amigos “temporários”.

 

O fantasma de Hikaru o assombrava, pedindo que fizesse todo tipo de tarefas estranhas, e ele se sentia frustrado por conta dessa situação.

 

Hikaru o seguia até o banheiro, até o banho, e por várias vezes dizia coisas provocativas que faziam com que Koremitsu desejasse que este desaparecesse no céu.

 

Ele era pervertido, amava mulheres, era fanático por flores e era um bastardo que tinha uma vida significativa em um mundo muito diferente do de Koremitsu.

 

Eles nunca se entenderiam, nunca!

 

Seu estômago se virava insuportavelmente sempre que mentia que Hikaru era um amigo.

 

Contudo, quando entendeu que o afeto de Hikaru por Aoi era sincero, sua visão de Hikaru mudou para melhor, até certo ponto.

 

Sentiu que deveria ajudá-lo a transmitir seus sentimentos para Aoi.

 

Depois, o trauma de Koremitsu despertou, e quando estava chorando e se remoendo, Hikaru foi quem o confortou.

 

Hikaru ouviu suas queixas irracionais, aceitou-as e até disse algumas palavras superficiais para motivá-lo.

 

Koremitsu sabia que Hikaru usaria um sorriso para expressar a dor de sua solidão.

 

Então, agora!

 

— Hikaru é um verdadeiro amigo meu! Não importa se você é Deus ou o presidente, não vou permitir que ninguém negue! Posso erguer meu peito e proclamar a plenos pulmões para o mundo inteiro que Hikaru é um amigo importante para mim!

 

Ao seu lado, os olhos de Hikaru se arregalaram ao ouvi-lo.

 

Asai mordeu os lábios com força enquanto o encarava com um olhar frio. Uma chama branco-azulada pareceu crescer dentro de seus olhos longos e estreitos.

 

— Vou garantir que os sentimentos daquele cara sejam passados para a Aoi! Só espere para ver!

 

Ele concluiu com uma vontade determinada.

 

Asai respondeu com calma.

 

— Você realmente me irrita a ponto de eu querer cortar sua boca com um facão.

 

— Que coincidência. Estou furioso a ponto de querer encher sua boca e seus olhos com pó de especiarias, no entanto já disse o que queria dizer, e não me resta mais nada para lhe dizer. Vou embora.

 

Depois de dizer essas palavras, Koremitsu foi para o corredor.

 

Asai permaneceu em silêncio.

 

Koremitsu não conseguiu dizer qual era a expressão dela, já que estava de costas, mas sentiu que sem dúvida ela estava encarando suas costas.

 

Sem olhar para trás, falou.

 

— Se encontrar este “À sombra das moscas em flor”, de Prout, devolva-o para mim. É o livro do vovô.

 

Assim que saíram do apartamento, Hikaru falou.

 

— Koremitsu... Lamento dizer, mas o nome do autor é Proust, não Prout; e o nome do livro não é “À sombra das moscas em flor”, e sim “À sombra das moças em flor”.

 

— Ack! Ferrei tudo! E pensar que tentei bancar o foda agora, droga! Que vergonha!

 

O céu estava começando a escurecer.

 

Koremitsu resmungou enquanto caminhava pela rua tranquila sob os postes de luz, ladeada pelo parque e pela biblioteca ao lado.

 

— Você me disse para me acalmar, porém acabei gritando. Não pude aguentar.

 

— Sim.

 

Não concorde sem hesitar!

 

Ele murmurou em seu coração.

 

— Mas estou feliz. Você disse a Asa que eu sou seu amigo de verdade.

 

Koremitsu olhou de relance para Hikaru e o viu sorrindo de volta. O poste de luz branco brilhava em seu rosto, e seus cabelos, olhos e lábios estavam radiantes.

 

Parecia extremamente encantado, feliz, e sua imagem de menino bonito o tornava ainda mais deslumbrante, fazendo com que Koremitsu ficasse sem saber o que fazer.

 

— I-I-I-Isso é porque fiquei irritado com aquela mulher, então acabei...

 

— Foi mentira?

 

— Não, não foi. Realmente pensei dessa forma. Foi por esse motivo que disse isso...

 

Ao ouvir sua resposta, Hikaru ficou ainda mais feliz.

 

Ahh, não faça essa cara. Meus ouvidos vão soltar vapor agora.

 

— De repente, sinto vontade de gritar, ok? Os outros não conseguem me ouvir, mesmo que grite agora.

 

— Hã, ei...

 

Koremitsu queria parar Hikaru, porém este já tinha começado a gritar.

 

— KOREMITSU AKAGI É MEU AMIGOOO...

 

— Ca-Cala a boca! É vergonhoso!

 

— AMIGOOOOOOOOS! KOREMITSU E EU SOMOS DE AMIGOS DE VERDADEEEEEEEE!

 

— Cale a boca! Já falei pra ficar quieto!

 

O rosto e a cabeça de Koremitsu estavam prestes a ferver de calor. Alguém, qualquer um, por favor, pare esse bêbado!

 

— AAAMIIIGOOOS! SOMOS REALMENTE AMIIIGOOOS!

 

— Ah, certo. Não somos amigos temporários, e sim amigos de verdade. Já chega? Pare de gritar. Por favor, pare logo!

 

Koremitsu sabia que ninguém ao redor deles poderia ouvir, contudo ficou completamente envergonhado, quase morrendo.

 

O próprio Hikaru, no entanto, provavelmente se sentiu aliviado com isso, pois gritou o quanto quis: “AMIGOS! SOMOS AMIGOS!”. Depois disso, trocou suas palavras.

 

— EU AMO A SENHORITA AOOOIII!!

 

Gritou de alegria.

 

— NÃO VOU TRAIR MAIS ELA!

 

— VOU VALORIZAR A SRTA. AOI DE TODO O CORAÇÃO!

 

Hikaru olhou para o céu noturno com uma expressão deslumbrante no meio da estrada enquanto gritava com sua voz doce.

 

Talvez estivesse tão feliz que até Koremitsu ficou afetado por ele.

 

— Oh! Eu serei testemunha!

 

Ele levantou a mão direita com força.

 

— Também não vou perder para Asai Saiga! Com certeza vou compartilhar seus sentimentos com Aoi.

 

— Certo, e depois que os presentes de aniversário forem entregues a Aoi, vamos sair para pegar algumas garotas.

 

— Espera aí, não acabei de te ouvir dizer que ia se dedicar só à Aoi? Por que está mudando de ideia tão rápido?

 

— Mas não se trata de mim, e sim de conseguir uma garota que combine com você, Koremitsu. Já decidi! Vou conseguir uma garota que realmente saiba rir por você.

 

Seus olhos estavam marejados e parecia muito animado.

 

— Essas mulheres que gostam de rir não são muito barulhentas?

 

— Esse tipo de mulher é perfeita para você. Ela vai rir por você também, e vai fazê-lo sentir vontade de rir sempre que estiver com ela.

 

— Não consigo imaginar tal coisa.

 

— Até consigo ouvir sua risada alegre, Koremitsu.

 

— Isso já é uma alucinação sua.

 

O ambiente estava tomado por um silêncio absoluto.

 

Havia apenas uma sombra projetada no chão, mas mesmo assim, os dois bons amigos caminhavam lado a lado sob o céu tingido de preto fino com a tinta da natureza enquanto as estrelas começavam a brilhar em seu caminho para casa.

 

— Ei, Koremitsu, sabe para onde as pessoas vão depois que morrem?

 

Hikaru perguntou de forma animada.

 

— Quem sabe? Eu nunca morri antes.

 

— Acho que elas vão para o espaço.

 

— Espaço?

 

— Certo.

 

Hikaru levantou a cabeça.

 

E Koremitsu também olhou para o céu.

 

No céu negro e embaçado, as estrelinhas brilhavam.

 

Suas luzes eram fracas, embora certamente reluziam.

 

Este era o céu noturno de uma cidade.

 

— Veja, não dizem que as pessoas se tornam estrelas quando morrem? As almas que deixam os corpos humanos deixarão a Terra e entrarão no espaço. Além disso, como a consciência existe em um espaço infinito, as almas podem voar livres. As estrelas que vemos podem ser as almas dos que partiram.

 

A voz de Hikaru era suave, contudo ainda muito clara.

 

Sua expressão meditativa olhando para o céu lançou um brilho de esperança em seus olhos.

 

Koremitsu sentiu o início das lágrimas brotando.

 

— Vou para o espaço um dia desses.

 

Ao ouvir as palavras de Hikaru, Koremitsu foi tomado por uma onda de emoções.

 

— Quando chegar a hora, tenho certeza que você vai chorar muito.

 

— E-Eu não vou chorar, seu idiota.

 

Ele olhou de volta com o rosto ardendo de vergonha para negar sua afirmação, e Hikaru retribuiu com uma expressão feliz.

 

— Hmm, assim vai ser melhor. Espero que se despeça de mim com um sorriso.

 

Falou de maneira bem clara.

 

— É uma promessa, Koremitsu. Despeça-se de mim com seu melhor sorriso quando eu for para o espaço.

 

O corpo inteiro de Koremitsu parecia imobilizado.

 

Um dia desses, Hikaru deixaria a Terra para ir ao espaço.

 

Até o dia em que seu desejo seria realizado...

 

Idiota... Não me deixe triste agora. Veja a nossa situação atual. Enfim nos tornamos amigos, sabia?

 

Ele falou consigo mesmo em sua mente, no entanto não conseguiu dizer em voz alta e falou sobre outra coisa com uma expressão séria.

 

— Estou te avisando, pare de fazer promessas vazias como essa. Do jeito que as faz, você com certeza tem uma promessa com outra garota.

 

— Não é uma promessa aleatória. Só cumprirei promessas importantes.

 

— Não me diga que seu plano de namoro também é uma promessa importante?

 

— Claro. Esta é uma promessa muito importante para mim.

 

  Nunca te pedi para fazer isso.

 

— Então vamos marcar um encontro primeiro.

 

— Sem encontros.

 

— Que mesquinho. Não somos amigos?

 

— Mesmo que sejamos amigos, de jeito nenhum.

 

— Você é muito estrito.

 

Hikaru deu de ombros.

 

— Por sinal, quando me conheceu no começo, acho que me disse algo como “tem algo que eu quero te perguntar ou alguma coisa assim”.

 

— Ah, sobre aquilo...

 

Hikaru olhou para longe e sorriu.

 

— Tudo bem.

 

— Ei, o que foi essa risadinha? Agora fiquei curioso. Me conta.

 

— Vou te dizer se estiver disposto a ir num encontro.

 

— Que tipo de pedido é esse?

 

— Então o que você quer fazer?

 

— Ugh, você é realmente desprezível. Além disso, como pretende ir em um encontro depois de morto?

 

Sem saber, a dupla passeava pela viela à beira do rio que levava à escola.

 

Folhas de grama no gramado do campus tremulavam sob a brisa noturna, brilhando verdejantes sob o reflexo da luz da lua.

 

O rio corria calmamente, e havia uma doce fragrância pairando sobre o ar úmido.

 

Sob o céu estrelado, ambos continuaram a provocar um ao outro enquanto caminhavam.

 

Assim como companheiros com dez anos de amizade compartilhada...




Notas:

1. Yokan é uma sobremesa grossa e gelatinosa feita de feijão azuki, ágar-ágar e açúcar. Costuma ser vendido em uma forma de bloco e comido em fatias.
2. A Semana Dourada é a junção de quatro feriados nacionais no final de abril / início de maio, que ocorre no Japão. Combinada com alguns fins de semana, torna-se uma das datas preferidas das pessoas, o que causa uma grande aglomeração nas cidades.

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