Capítulo 181: É sobre o tipo de relacionamento que quero ter com Isis-san
O segundo dia do mês da Terra. Sobre minha resposta à confissão de Isis-san e a diferença de senso comum entre o meu mundo e este mundo... Por sugestão de Sieg-san, vim visitar o palácio real para consultar Orchid, alguém do mesmo gênero.
Tenho certeza de que ele deve estar ocupado com muitas coisas por causa de seu status como Primeiro Príncipe, mas não posso agradecer o suficiente a Orchid por ter reservado um tempo para mim no dia seguinte, logo depois que lhe enviei um beija-flor.
“Entendo, acho que consigo compreender o que está te incomodando Kaito.”
Dei a Orchid a mesma explicação que dei a Sieg-san, em uma sala privada de bom gosto, não luxuosamente decorada com todo tipo de coisa, mas simples e elegante.
Então, Orchid me disse que entendia minha preocupação, porém parecia ter ouvido algo complicado.
“Contudo o que devo te dizer? Para ser sincero, acho que as diferenças culturais têm muito a ver com isso.”
“Hmm, pra ser sincero, não sei o que fazer...”
“Talvez já saiba disso, no entanto sou casado com três mulheres. Uma é humana, uma é uma elfa e a outra é meio-elfa.”
Sabia que Orchid tinha três esposas, apesar de que não sabia muito sobre elas.
Tecnicamente, todas parecem ser de espécies diferentes, embora... Será que o relacionamento entre as esposas não é conturbado?
Quando perguntei a respeito, Orchid sorriu com calma e balançou a cabeça.
“Não, minhas esposas são muito próximas umas das outras. Tão próximas que até me sinto deslocado quando estou com elas... Bem, estamos falando de seres que possuem um coração, há pessoas com quem se dão bem e outras com quem não, entretanto... Acho que o ciúme não faz parte do seu coração.”
“Não seria... Porque você ama a todas?”
“Eu... Pode ser constrangedor da minha parte dizê-lo, mas certamente pode ser como acabou de dizer. Aos olhos do público, há uma clara distinção entre o ponto de vista da esposa legítima e o das concubinas, todavia... Não vejo sentido em ter diferenças na demonstração do meu amor por elas.”
“Entendo.”
Não faz sentido ter diferenças, hein? De fato pode ser como falou, e essa talvez seja a maior diferença na mentalidade deles em comparação com a mentalidade das pessoas do meu mundo.
Neste mundo, não precisa escolher uma... Nem mesmo fazer distinções sobre quem é a número um. É um mundo de mente aberta onde a ideia de gostar de todos é aceita, então não há necessidade de diferenças de tratamento e as esposas não teriam relacionamentos conturbados entre si.
“Embora eu diga tudo isso, ainda sou inexperiente nesse assunto. Talvez não consiga te dar um bom conselho... Sendo assim, que tal perguntarmos ao pai sobre?”
“Ryze-san?”
“Sim, o pai tem 10 esposas e tem um bom relacionamento com todas... Acho que vai conseguir conselhos melhores dele do que eu.”
Ryze-san tem 10 esposas? I-Isso é incrível... Não, é certo que parece um ikemen, e também é um rei, então acho que é óbvio que seria alguém popular, né...
Após fazer sua proposta, Orchid toca um pequeno sino em sua mesa. Nesse momento, um mordomo entra na sala e pede ao outro mordomo que entregue um recado a Ryze-san.
O mordomo fez uma reverência e saiu da sala, retornando cerca de 10 minutos depois.
Por sorte, Ryze-san pareceu concordar que, se não nos importássemos em conversar enquanto cumpria seus deveres oficiais, poderia falar conosco. Então, junto com Orchid, decidimos ir ao seu escritório.
Caminhando pelo amplo corredor real, chegamos ao escritório, que fica quase no final do corredor.
Depois que Orchid bateu na porta e pediu permissão para entrar, entramos e vimos Ryze-san sentado diante de uma mesa com uma grande pilha de papéis, movendo sua caneta e por vezes carimbando com seu selo.
“Com licença. Desculpe incomodá-lo neste momento.”
“Ahh, seja bem-vindo, Miyama-kun. Desculpe por não poder lhe oferecer uma recepção tão calorosa... Então? Sobre o que gostaria de conversar?”
“Ah, sim. Na verdade...”
Vendo Ryze-san, que parecia ocupado, chamei-o e pedi desculpas por interromper, e este me recebeu com um sorriso gentil.
Ele disse que me ouviria enquanto trabalhava, então contei a mesma coisa que tinha acabado de dizer para Orchid.
“E é por essa razão que estou me sentindo preocupado...”
“Fumu.”
Quando terminei de falar, Ryze-san parou de escrever e olhou para mim.
Então, colocando a mão no queixo, como se estivesse pensando, e vendo isso, Orchid deu um passo à frente e falou.
“O que acha, pai?”
“O que acho... Nem sei por que está tão preocupado.”
“Pai?”
“Ah, não, me desculpe. Não é que esteja dizendo que as preocupações do Miyama-kun são infundadas. Estamos em um mundo diferente, com culturas diferentes, então suponho que seja natural nos preocuparmos com essas diferenças... Porém, não deveria estar mais preocupado com ‘outras coisas’ agora?”
“Hã?”
Ao ouvir o que Ryze-san me disse amigavelmente, inclinei a cabeça.
Deveria estar mais preocupado com outras coisas? O que quer dizer?
“Miyama-kun, o que precisa priorizar agora não é a diferença entre o seu mundo anterior e o atual, e sim como se sente em relação a essa pessoa e que tipo de relacionamento quer ter no futuro... Não é?”
“!?”
Ao ouvir essas palavras, senti como se um martelo tivesse me atingido em cheio na cabeça. Lembrei-me da expressão de Isis-san quando me disse que esperaria pela minha resposta o tempo que fosse necessário.
É como Ryze-san falou. Minha prioridade agora deve ser como me sinto em relação a Isis-san...
Ao me ver atônito, Ryze-san deu uma risadinha antes de coçar levemente a própria cabeça.
“Também já passei por isso, e posso te dizer, o tempo entre a confissão e a espera pela resposta não é nada agradável. Não sei quem é essa pessoa que tem sentimentos por você, e nem vou perguntar, contudo... Não acha que ela deve estar se sentindo inquieta?”
“...”
“Entendo que está sendo sincero. Entretanto, acho que você ainda é jovem... Às vezes, acredito que seria melhor se a atraísse um pouco mais. Bem, é tudo que posso te dizer além das diferenças entre os mundos... Mas não parece que você já está desenvolvendo sentimentos por essa mulher?”
“Sim.”
Talvez eu estivesse apenas fugindo.
Talvez estivesse usando a diferença entre o senso comum do meu mundo e o deste mundo como desculpa... Talvez estivesse tentando me distrair da presença de Isis-san, que crescia na minha mente.
E ao trazer à tona as diferenças entre o mundo em que estava e o mundo em que estou agora durante a discussão... O que tenho em mente... Era apenas que alguém confirmasse meus pensamentos e me encorajasse a seguir em frente.
“Estarei torcendo por você, Miyama-kun.”
“Ryze-san.”
“Se está pensando assim, já deve ter decidido o que fazer, não é verdade? Nesse caso, deve seguir o caminho que achar melhor. Se ama essa pessoa, então pode apenas caminhar ao seu lado e preencher as lacunas em sua consciência.”
“Sim!”
Assenti, sentindo-me realmente grato pelas palavras que gentilmente, mas poderosamente, me impulsionaram, como se pudessem ver através do meu coração.
Fico feliz por ter conversado com ele. Justo quando me sentia assim, com uma expressão calma no rosto, Ryze-san continuou a falar.
“Por favor, faça Lilianne feliz.”
“Sim... Hã? Lilia-san?”
“Oya? M-Me enganei? Tinha certeza de que...”
Ao me ver inclinar a cabeça para o que havia acabado de dizer, Ryze-san pareceu surpreso.
Será que pensou que a pessoa de quem eu estava falando o tempo todo era Lilia-san?
“Errr, eu não estava falando da Lilia-san...”
“E-Entendo...”
“Justo quando pensei que meu pai estava sendo excepcionalmente confiável... Entendo, então você pensou que era sobre a irmã Lilia, hein.”
“N-Não, quer dizer, a Liliane não é encantadora? Não há como um homem viver sob o mesmo teto que uma mulher assim e não se apaixonar por ela!”
“Pai.”
Concordo plenamente que Lilia-san é encantadora, porém... Hmm, como devo encarar isso... Sinto que a máscara do adulto confiável em quem confiei antes acabou de ser destruída...
“E-Entendo! Deve estar se sentindo insignificante com a diferença de status social, não é? Mas está tudo bem, Miyama-kun! Estou do seu lado!”
“N-Não, como falei...”
“Ou será que... Não me diga... Lilianne... Aquela fofura em pessoa... Lilianne... Você não a ve como um interesse amoroso...?”
“S-S-S-Sim! A-Acho que Lilia-san é uma mulher muito adorável.”
Sinto como se um interruptor tivesse sido ligado... Sendo mais específico, acho que acabei de ativar o interruptor de irmão superprotetor dele.
“Não é? Tem razão... A Lilianne também não parece te odiar, então acho que o dia em que verei aquela garota de vestido de noiva está próximo, né...”
“Pai, pai... Acho que não é algo que pessoas como nós, que não têm nada a ver com isso, devam ficar impacientes...”
“Mngghh, sim, tem razão. Acho que estou me precipitando demais, né... Enfim, não existe garota mais fofa que a Lilianne, existe? Para colocar Lilianne de lado e expressar seus sentimentos pelo Miyama-kun... Me desculpe, mesmo tendo dito que não perguntaria antes, posso perguntar quem tem sentimentos por você, Miyama-kun?”
“Hã? Ah, sim. É a Isis-san... O Rei da Morte, quero dizer.”
“Por favor, aceite minhas desculpas!”
“Por quê? Até você, Orchid?”
Como se outra chave tivesse sido virada, quando contei ao Ryze-san sobre a Isis-san, a pessoa em questão... Por algum motivo, Ryze-san e Orchid fizeram uma perfeita dogeza¹.
“M-M-Miyama-kun. Retiro o que disse antes. A-Acho que o Rei da Morte é uma mulher sem dúvida magnífica... Uma verdadeira encarnação da beleza. Os dois combinam, com toda certeza!”
“Errr...”
Não é que alguém esteja olhando, no entanto Ryze-san começou a se explicar, quase desesperado... Ele deve estar com muito medo da Isis-san. Está tremendo tanto que sinto pena.
Quer dizer, não é que eu esteja tentando ser rude ao dizer isso, entretanto não é como se fosse contar à Isis-san o que eles acabaram de dizer.
Querida mãe, pai — graças à conversa com Orchid e Ryze-san sobre o assunto com Isis-san, tenho uma ideia clara do que preciso considerar agora — é sobre o tipo de relacionamento que quero ter com Isis-san.
Notas do Autor:
???: “Acho que não tem jeito. Vou pensar em não contar para ela durante um jantar chique... Fugyaaahhh!”
Que diabos está acontecendo? Não vi uma única mulher em todo o capítulo...
Conteúdo de Açúcar:
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Dito isto, ainda estou em dúvida sobre a ordem... Em quem deve seguir o arco da Isis.
Já tenho os arcos todos planejados... O arco da Sieg, o arco da Lilia, o arco da Alice, o arco de Shiro, o arco de Lillywood e o arco da Ein... Mngghh...
Notas do Tradutor:
1. Dogeza é uma etiqueta tradicional japonesa de prostração extrema, onde a pessoa se ajoelha e encosta a cabeça no chão. Indica pedido de desculpas sincero, deferência ou pedido de um favor importante. É um ato de rebaixamento próprio, raramente usado na sociedade moderna, exceto em situações de extrema necessidade.
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Link para o índice de capítulos: I Was Caught up in a Hero Summoning, but That World is at Peace
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