sexta-feira, 27 de março de 2026

The Magnus Archives — Primeira Temporada — Capítulo 14

Primeira Temporada  Capítulo 14: Aos Pedaços

Rusty Quill apresenta “Os Arquivos Magnus”
Episódio Quatorze: Aos Pedaços



JONATHAN SIMS

Depoimento de Lee Rentoul sobre o assassinato de seu sócio Paul Noriega. Depoimento original prestado em 29 de maio de 2011. Gravação de áudio por Jonathan Sims, Arquivista-Chefe do Instituto Magnus, Londres.

Início do depoimento



JONATHAN SIMS (Depoimento)

Vamos deixar uma coisa bem clara desde já: isto não é uma maldita confissão, ok? Se forem à polícia com isso, vou negar cada palavra, e conheço a lei o suficiente para saber que mesmo se contasse tudo de ruim que fiz, não valeria nada no tribunal. Não é como se vocês pudessem me ajudar, eu só... Meu amigo Hester disse que veio falar com vocês alguns anos atrás, que estava vendo fantasmas e tal, e vocês investigaram e disseram que era algum tipo de ruído mexendo com a sua cabeça, “infrassom” ou algo assim, e ele está bem agora. Preciso disso. Preciso que me digam que é só coincidência e que minha mente está pregando peças, e preciso parar de perder mais partes de mim.

Então, sim, matei aquele idiota do Noriega. Esfaqueei-o na garganta e o deixei sangrar até morrer no cais. Talvez isso te choque um pouco, talvez não, mas acredite em mim quando digo que mereceu. Trabalhamos juntos por oito anos, e foi ele quem se empolgou chutando a cabeça de McMullen e transformou a agressão em lesão corporal grave, mas, claro, quando fomos presos, ele se virou contra mim e fui responsabilizado. Cumpri cinco anos de pena por sua causa, enquanto ele ficava andando por aí livre como bem entendia. Diria que merecia dar o troco e de fato consegui.

Não era minha primeira opção, no entanto. Não sou estúpido e a condicional mantém você sob controle o suficiente para que cortar a garganta de Noriega não fosse minha prioridade. Não me entenda mal, era algo que estava louco para fazer há cinco malditos anos, porém não estava com pressa. Tive bastante tempo para planejar algo desagradável, e queria vê-lo sofrer mais do que sentia que precisava fazer o serviço eu mesmo. Então, quando saí da prisão em junho do ano passado, esperei pacientemente e fiquei de olho em tudo. Tentei entrar em contato, contudo os poucos amigos que tínhamos em comum me disseram que ele não estava interessado em falar comigo. Era óbvio que tinha se dado bem nos anos em que estive fora e podia contratar alguém para garantir que eu não o incomodasse. Acabei com algumas costelas machucadas quando por fim me cansei da enrolação e decidi resolver as coisas de verdade. Foi ali, deitado em uma rua escura e sombria em Lewisham, de todos os lugares, que cheguei à conclusão de que, se quisesse machucar esse idiota, e quero dizer machucá-lo de verdade, teria que pensar um pouco fora da caixa.

Decidi fazer uma visita ao McMullen. Antes de Noriega começar a mexer com ele, Toby McMullen era só um delinquente de rua. Hoje em dia, era só um delinquente de rua que mal conseguia virar o pescoço. Já conheci muitos perdedores natos na minha vida, quer dizer, é meio que inevitável nesse ramo, entretanto nunca conheci alguém tão determinado a ser um fracassado quanto o McMullen. Quando o vi, o encontrei tão chapado que mal percebeu minha presença, todavia pode apostar que seus olhos brilharam quando mencionei Paul Noriega. Levei horas para conseguir alguma informação útil daquele verme, mas eventualmente consegui juntar as peças do seu lado dessa história lamentável. Ao que parecia, Noriega o visitou no hospital antes da polícia nos prender e prometeu que, se me dedurasse pela agressão, teria todos os narcóticos que seu coraçãozinho de viciado pudesse sonhar. Assim que saiu do hospital e minha condenação foi confirmada, não se passaram dois dias até que McMullen estivesse de volta à ativa, e Noriega não queria saber de nada. Qualquer idiota poderia ter previsto que as coisas terminariam desse jeito, mas não o pobre e estúpido Toby. Ainda assim, estava louco para esfaqueá-lo quase tanto quanto eu, e teve a liberdade de planejar tudo, então perguntei se tinha alguma coisa que eu pudesse usar.

Não deveria ter me surpreendido quando sugeriu magia. Toby sempre gostou de toda essa baboseira mística, mesmo antes das drogas, e se houvesse alguma moda passageira da Nova Era rolando por aí, podia apostar que ele ia falar dela sempre que estivesse lúcido o suficiente para conseguir conversar. Dei um soco no seu estômago e me virei para ir embora. Ele me seguiu, curvado e lutando para respirar, implorando por ajuda. Disse que estava falando sério, disse que não era como as outras coisas, disse que conhecia alguém com poder de verdade, que poderia dar uma lição em Noriega, só que não tinha dinheiro.

Eu deveria ter continuado andando. Deveria tê-lo ignorado. Deveria tê-lo espancado tanto que não conseguisse virar o pescoço para o outro lado. Porém não fiz isso. Parei e ouvi o que aquele lixo humano tinha a dizer. Fui um idiota.

Então Toby me levou para ver sua amiga Angela. Ele nunca me disse o sobrenome dela. Perguntei o que era: Wicca, vodu, algum tipo de bola de cristal? Contudo Toby disse que não, não era nada daquilo. Disse que não sabia bem como funcionava, no entanto que tinha ficado com uma garota alguns meses atrás, que lhe falou sobre Angela; disse que ela havia usado os seus serviços com um ex-namorado bem desagradável. Pelo visto, o cara havia desaparecido e nunca encontraram o corpo. Então pensei que talvez não houvesse mágica nenhuma ali, apenas um assassino com um truque, entretanto, ei, se fosse esse o caso, tudo bem para mim, contanto que Noriega fosse punido.

Quando enfim conheci Angela, fiz um esforço enorme para não esmagar a cabeça do McMullen. Já estava quase convencido de que ia encontrar um assassino implacável, talvez um que guardasse um monte de quinquilharias assustadoras de Halloween, mas ainda assim alguém que faria o trabalho. Nem me incomodei quando chegamos a uma casa suburbana bem cuidada em Bexley. Porém quando uma senhora idosa de roupão lilás abriu a porta, quase perdi a cabeça. McMullen perguntou se era Angela, falando em voz baixa como se estivesse com medo daquela velha idiota. A senhora disse que sim, que era Angela, e nos convidou para entrar.

A casa parecia quase tão antiga quanto sua dona... Papel de parede floral desbotado, móveis de carvalho escuro e tapetes gastos. As paredes estavam cobertas de retratos emoldurados, do tipo que se encontra em qualquer antiquário barato ou brechó, embora, ao entrarmos na sala de estar, notei algo inesperado: não eram pinturas, mas sim quebra-cabeças, todos completos e emoldurados. E, na verdade, quando nos sentamos no sofá de tecido gasto, lá estava outro quebra-cabeça, pela metade, bem na frente de Angela. Não tenho problema nenhum com idosos, e se eles querem desperdiçar seus últimos anos montando um quebra-cabeça, com certeza não vou impedi-los, contudo aquilo não ia matar o Noriega, ia?

Fiquei tão irritado com essa enorme perda de tempo que, quando ela nos ofereceu uma xícara de café, quase empurrei a cara do McMullen na mesa de vidro à nossa frente. Resmunguei algo que Angela deve ter interpretado como um “sim, por favor”, e alguns minutos depois lá estava eu ​​bebendo café instantâneo em uma caneca lascada que essa velha gagá com certeza não tinha se lembrado de limpar. Quando me perguntou se queria Paul Noriega morto, quase me engasguei.

A pergunta foi muito direta, como se fosse uma pergunta em algum formulário cuja resposta já sabia, no entanto que precisava preencher mesmo assim. Olhei para Toby, que assentiu com a cabeça, e pensei: “Que se dane, posso muito bem entrar na brincadeira”. Então disse que sim. Sim, queria que morresse. E mais do que isso, queria que sofresse. Angela sorriu quando disse isso, um sorriso caloroso que combinava com seu rosto redondo, e disse que não haveria problema. Comecei a explicar a situação, entretanto ela ignorou com um gesto de mão e disse que Toby já havia lhe contado todos os detalhes e que só precisava de uma coisa de mim, algo que ele não podia dar. Comecei a dizer que não estava pagando para a avó de alguém lidar com um caso difícil como o de Noriega, só que a velha disse que não, que não estava atrás de dinheiro. Disse que era “bem remunerada” pelo serviço prestado e que tudo o que precisava de mim era um objeto, qualquer coisa que tivesse tirado de Noriega. Não um presente, falou, olhando nos meus olhos com um olhar que reconheci de anos trabalhando com pessoas muito desagradáveis. Não funcionaria se fosse um presente.

Nesse ponto, comecei a me sentir desconfortável. Não com medo, ok? Não tinha medo dessa velha, porém estar perto dela era... Ruim. Não sei como dizer de outra forma, era ruim. Você precisa entender, sei o que é perigoso, entendo o que é perigoso, aliás, sou perigoso. Aquilo era outra coisa. Contudo queria tanto que Paul Noriega morresse. Cinco anos atrás, pouco antes de sermos detidos pela polícia, peguei emprestado um isqueiro seu. Era um Zippo velho e surrado, que antes tinha a foto de uma mulher de topless, contudo agora a imagem estava quase apagada. Depois que se voltou contra mim durante o interrogatório, não me senti muito à vontade para devolvê-lo ao traidor, então o guardei. Não tinha pensado muito sobre, no entanto lá estava, ainda no bolso da minha jaqueta, todos aqueles anos depois. Entreguei-o a Angela, que me lançou aquele olhar de novo e disse que serviria perfeitamente.

E então fomos embora. Angela disse para não nos preocuparmos, que Paul Noriega não nos incomodaria por muito mais tempo; só tínhamos que esperar até que terminasse. Terminasse com o quê, ela não disse, não precisava. Sabíamos que, fosse o que fosse, era melhor não sabermos.

A espera, entretanto, foi difícil. Depois de me dar uma surra, parecia que Noriega tinha decidido que não precisava se preocupar. Eu o via andando por aquelas ruas como se fosse o dono delas, com seu par capangas a tiracolo, e sabia que não havia nada que pudesse fazer a respeito. Ele também sabia. Então esperei. E esperei. Esperei pelo tiro, ou pela faca, ou pelo veneno ou... Seja lá o que fosse matá-lo. Nunca veio. Os dias se transformaram em semanas e lá estava, tão convencido como sempre.

Fui paciente. Deus, como fui paciente, todavia depois de três semanas quase tinha desistido daquela velha inútil, considerando-a uma golpista que só me fez perder tempo. Ia dar a ela mais uma semana, só uma, mas então surgiu algo que não pude ignorar. Chegou a notícia de que Noriega ia se encontrar com alguém no cais, um contrabandista chamado Salesa. Na maior parte, o homem negociava arte e raridades roubadas, coisas valiosas, e era paranoico pra caralho, o que significava que Noriega estaria lá sozinho. Podia ser uma armadilha, com certeza, porém estava sentado aqui esperando que magicamente caísse morto há tanto tempo que, se houvesse a mínima chance de ser verdade, tinha que arriscar.

Acontece que era verdade, e correu mais tranquilamente do que imaginei. Encontrei o armazém algumas horas antes do encontro e escolhi um bom lugar. Então esperei. Salesa apareceu primeiro, um samoano grande com cabelo curto, acompanhado por quatro homens de terno escuro que carregavam um caixote de madeira quadrada entre eles. Eles entraram no armazém e, cinco minutos depois, lá estava ele, aquela cobra. Estava sozinho e parecia estar mancando um pouco. Entrou pela mesma porta, deixando-a destrancada. Perfeito. Não fazia sentido eu entrar ainda. Não estava a fim de levar uma surra dos capangas de Salesa, então apenas observei, com a mão segurando o cabo da faca de combate que comprei em uma loja de artigos militares que sei que vende sem registro.

Quase uma hora depois, Salesa e seus homens saíram, ainda carregando aquele caixote. Eles não pareciam felizes, mas não dei a mínima. Assim que viraram a esquina, entrei o mais silenciosamente possível e lá estava ele, encostado em uma pilha de tijolos, fumando. Comecei a me aproximar, porém quando cheguei perto, ele deve ter me ouvido e se virou. Começou a dizer algo sobre reconsiderar e baixar o preço, quando percebeu que eu não era Salesa. Então, um olhar passou pelo rosto de Paul Noriega que guardarei para sempre. Não importa o que aconteça comigo, a lembrança daquele olhar de terror e pânico ficará comigo.

Ele se virou para correr, contudo seja lá o que estivesse errado com sua perna, fez com que tropeçasse nos tijolos. Agarrei sua gola, com a faca já em punho, e o arrastei para cima. Sempre fui o mais forte entre nós dois, e ele sabia que não podia lutar comigo. Levantando a mão, me implorou para esperar, para ouvi-lo. Percebi que faltavam alguns dedos em sua mão, feridas antigas que já haviam cicatrizado há muito tempo, embora não me lembrasse de tê-las visto antes. Não importava; conseguia ouvir o sangue pulsando na minha cabeça e nada me impediria de me vingar. Ele implorou por misericórdia enquanto eu cravava a faca uma, duas, três vezes... De novo, de novo e de novo esfaqueei aquele traidor até que, finalmente, o deixei cair. Ele caiu com força no chão, um peso morto, sua cabeça fazendo um som seco e abafado ao bater nos tijolos, e o sangue começou a se acumular no chão ao redor de seu corpo.

Quando a raiva começou a diminuir e minha respiração voltou ao normal, parei um segundo para olhar para o pobre Paul Noriega morto e vi que algo parecia ter se soltado quando sua cabeça bateu nos tijolos. Pegando, vi que era um olho de vidro. Olhei de volta para o cadáver e vi que havia um buraco enorme onde seu olho esquerdo deveria estar. Quando isso aconteceu? Tenho certeza de que tinha os dois olhos quando trabalhávamos juntos e todos os dez dedos também. Ele também tinha todos os dentes, enquanto agora eu via espaços vazios por todo aquele rosto morto e sorridente. Estremeci, embora não saiba porquê.

Não vou entrar em detalhes sobre como me livrei do corpo. Apenas acredite em mim quando digo que, mesmo que a polícia encontrasse algum pedaço do cadáver de Noriega, não conseguiriam me incriminar. E a vida seguiu em frente. Seus capangas vieram me procurar quando o chefe não voltou, no entanto sabia que precisava ficar na minha por um tempo, e logo eles perceberam que, se ele tivesse sumido, não receberiam pagamento de qualquer maneira e foram embora. E assim me vinguei, e esse deveria ter sido o fim da história. Só que não foi.

Cinco dias depois de ter matado Noriega, encontrei o primeiro pacote. Estava em Tottenham Marshes, perto do reservatório, a trabalho, algo que você não precisa saber, e cheguei a uma ponte de metal sobre um dos riachos. Bem, não era um lugar que frequentava muito, e acho que nunca tinha atravessado aquela ponte na vida, todavia lá, bem no meio dela, estava uma pequena caixa. Estava embrulhada em papel pardo e barbante, como um presente de Natal antigo, e tinha meu nome impresso em letras legíveis: LEE RENTOUL, PARA CONSIDERAÇÃO IMEDIATA.

Fiquei um pouco assustado com aquilo, é óbvio, mas não tanto quanto quando abri a caixa. Dentro, havia uma caixa de papelão preta, cheia de algodão e um dedo decepado.

Arte por u/Level-Bullfrog7027.

Era sem dúvida algum tipo de ameaça; algum delinquente achou que podia me assustar. Sem chance. Joguei o dedo em um dos canais e ateei fogo na caixa antes de jogá-la no lixo. Voltei para casa com pressa, mantendo minha atenção em tudo ao meu redor e minha mão na faca. Estava tão ocupado olhando para trás que não vi o buraco à minha frente e tropecei. Ao cair para a frente, senti uma dor aguda na mão que estava na faca. Você adivinhou. A queda fez com que a lâmina cortasse meu dedo mindinho.

Não tenho vergonha de admitir que gritei. Rasguei minha camisa, tentando improvisar um curativo para estancar o sangramento, pelo menos até chegar a um hospital. Porém, ao começar a enfaixá-lo, percebi que não estava sangrando. O ferimento estava fechado. Tinha cicatrizado, como se tivesse acontecido anos atrás. Não sabia o que pensar. Não sabia o que fazer. Então, só fui para casa. Não ia recuperar meu dedo, então imaginei que poderia lidar com isso depois de uma boa noite de sono.

Havia outra caixa no meu apartamento. Igual à anterior. Esta continha dois dedos do pé. Tentei ignorar e manter meu pé bem longe de qualquer faca, só que... Estava tentando ajustar as configurações da minha TV de tela plana quando ela caiu da parede. Acertou meu pé direito e, bem, já adivinhou? Isso foi há duas semanas. Desde então, perdi mais quatro dedos em acidentes, a maioria dos meus dedos do pé, e este olho que consegui arrancar numa maldita cerca. Já perdi a conta de quantos dentes se foram, e acredite em mim quando digo que não quer saber como perdi a mão. Cada vez, uma caixa embrulhada em papel pardo: LEE RENTOUL, PARA CONSIDERAÇÃO IMEDIATA.

Tentei de tudo. Uma vez pensei que tinha conseguido ser mais esperto. Passei o dia no meu quarto, nada afiado, nada com pontas. Tirei tudo, exceto o colchão. Não adiantou, acordei na manhã seguinte com uma dor lancinante no pé, muito mais aguda do que qualquer faca poderia cortar, e sem o dedão, assim como o que eu tinha perdido na manhã anterior.

Sabia que era a Angela. Claro que sabia, não sou burro. Qualquer maldição que tivesse lançado sobre o Noriega deve ter passado para mim. Fui até lá, sabe? Fui confrontar aquela velha... E sabe o que aconteceu? Ela me deixou entrar. Foi legal, educada. Me ofereceu outra xícara de café! Eu a mandei se ferrar. Exigi, pedi, implorei para que parasse com o que quer que estivesse acontecendo comigo. Sabe o que a velha fez? Deu de ombros. Só deu de ombros! Me disse que “Algumas fomes são fortes demais para serem negadas”, seja lá o que isto signifique. Então parti pra cima. Ia estrangular aquela velha esquelética que só sabe lançar maldições. No entanto quando estendi a mão, eu... Não sei. Não sei o que aconteceu. Eu sei que foi assim que perdi a mão. Sei que a mastiguei até que caísse.

Olha, não importa. Só preciso que me ajudem. Preciso que isso pare. Não sei como, mas esta é a sua área, certo? É isso que vocês fazem. Investigam essas coisas estranhas de fantasmas, certo? Bem, esta é a definição de coisas estranhas de fantasmas, e preciso da sua ajuda. Preciso que me salvem do que quer que esteja acontecendo.

Não tenho muito tempo. Recebi uma caixa esta manhã, algumas horas antes de vir para cá. Era uma língua.



JONATHAN SIMS

Depoimento encerrado.

Parece que este caso nunca teve o devido acompanhamento. De acordo com as notas complementares, pouco depois de prestar depoimento, o Sr. Rentoul tornou-se violento com os funcionários do Instituto e, no incidente subsequente, houve... Um acidente. Não são fornecidos detalhes, embora aparentemente foi necessária a hospitalização do Sr. Rentoul. Lembro-me de uma piada de mau gosto sobre línguas soltas. Ele não retornou ao Instituto depois disso, e seu depoimento foi arquivado.

De acordo com os registros de prisão que Sasha descobriu, o Sr. Rentoul estava dizendo a verdade sobre o seu passado um tanto conturbado com seu sócio, Paul Noriega, com extensos arquivos sobre ambos. A última interação registrada entre a polícia e o Sr. Noriega ocorreu dois meses antes do depoimento do Sr. Rentoul, e desde então não há nenhum sinal seu nos registros policiais, nem em qualquer outro lugar. Enviei Martin para investigar essa tal de “Angela”, não que eu queira que ele seja esquartejado, é claro, porém alguém tinha que fazer o trabalho. Pelo visto, passou três dias pesquisando todas as mulheres chamadas Angela em Bexley com mais de 50 anos. Não conseguiu encontrar ninguém que correspondesse à descrição, admito, vaga dada aqui, embora me informou que teve algumas conversas muito agradáveis ​​sobre quebra-cabeças. Idiota inútil.

Tim fez o possível para tentar localizar o Sr. Rentoul e ver se conseguimos contatá-lo para uma entrevista ou avaliação complementar, contudo parece que este desapareceu logo após fazer esse depoimento. Conseguimos encontrar seu antigo senhorio, que disse que o Sr. Rentoul desapareceu no início de abril de 2011, deixando muitas contas em aberto e nenhum endereço para contato. Segundo relatou, quando foi esvaziar o apartamento, ficou surpreso ao descobrir que não havia mais móveis. Tudo o que restava na casa, disse ele, foram centenas e centenas de pequenas caixas de papelão.

Arte por u/Ansifen.

Fim da gravação.

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