Primeira Temporada — Capítulo 29: Enganando a Morte
Rusty Quill apresenta “Os Arquivos Magnus”
Episódio Vinte e Nove: Enganando a Morte
JONATHAN SIMS
Depoimento de Nathaniel Thorp, a respeito de sua própria mortalidade. Depoimento original prestado em 4 de junho de 1972. Gravação de áudio por Jonathan Sims, Arquivista-Chefe do Instituto Magnus, Londres.
Início do depoimento.
JONATHAN SIMS (Depoimento)
Você se interessa por lendas urbanas? Sei que estou aqui para dar um depoimento sobre minha própria experiência, e o farei, mas há algo tão revelador nas histórias que surgem dentro de uma cultura, não acha? E prometo que será relevante no final. Posso garantir também que essa história não está na sua biblioteca, pois, até onde sei, nunca foi registrada por escrito. Eu mesmo o faria, mas há um motivo para você ter que escrever isto para mim. Um dia desses tomo vergonha na cara e aprendo a ler e escrever. Provavelmente.
Porém ainda aposto que, sendo analfabeto ou não, consigo lhe contar uma história que nunca ouviu antes, embora os temas sejam aqueles que permeiam grande parte do folclore mais antigo que se possa encontrar... A morte. E jogos de azar. Bem, se quiser ganhar, é claro. A menos que ache que tem chances de vencê-la no xadrez. Contudo estou me adiantando.
Era uma vez um soldado. Um soldado audaz. Do tipo que se encontrava em qualquer exército, em qualquer guerra, em qualquer época. Apreciador da bebida, dos dados e de quaisquer prazeres noturnos que se apresentassem. Era de uma audácia descarada, embora audácia não seja o mesmo que coragem, e raramente ia para o campo de batalha sem acabar, de alguma forma, na retaguarda da carga, onde as balas de canhão e de mosquete tinham menos chances de atingi-lo. Como disse, ele poderia estar lutando em qualquer lugar, no entanto esta história se passa na Nova Inglaterra, durante a Guerra da Independência. Se era britânico, americano ou até francês, não importa. O que interessa é que, na Batalha de Bunker Hill, se viu sozinho.
A noite anterior fora desperdiçada em farras intensas, e o dinheiro que não perdera apostando em jogos fora rapidamente gasto com bebida e boa companhia. Assim, entrou em campo com a cabeça girando e os olhos vermelhos e ardentes. Negligenciara até levar pólvora suficiente para recarregar o mosquete, tendo enchido a bolsa com cartas de baralho. A cada estrondo de canhão, sua cabeça pulsava de dor, a ponto de achar que tivesse sido atingido.
A fumaça o envolvia em espirais densas, e o fedor acre de pólvora e sangue lhe provocava ânsia de vômito. Disparou seu único tiro, que se perdeu na névoa revolta da batalha. Tentou avançar, entretanto não sabia em que direção estava o inimigo, nem conseguia ver mais ninguém em meio ao caos, fosse inimigo ou companheiro. Apesar de ouvir o barulho de tantos mosquetes e canhões, parecia estar sozinho. Ali parado, o soldado percebeu que parte do sangue que pingava no solo encharcado era seu. Não fazia ideia de quando fora atingido, todavia a dor que o invadiu ao tocar o peito ferido não deixava dúvidas.
O soldado audaz cogitou retornar à linha de frente para procurar um médico, mas recordou-se com nitidez da imundície em decomposição das tendas médicas e das fileiras de tolos infectados, soltando seus últimos e condenados lamentos. Não morreria daquela maneira. Não morreria engasgado ao balbuciar um apelo fraco pela mãe em alguma enfermaria encrustada de sujeira. Ele se virou, largou o fuzil e começou a correr. Não sabia para onde ia, apenas rezava para que não fosse em direção ao inimigo ou ao mar. O sangue escorria sem parar do ferimento irregular em seu peito e sua respiração era penosa, embora seguiu avançando. Correu até que a lama desse lugar à terra firme e a terra firme à relva, até que a fumaça se transformasse em neblina e a neblina em chuva, e o crepúsculo o envolvesse.
Apesar do calor ameno daquele dia de junho, a noite estava gelada. Talvez fosse a chuva que castigava sua túnica, ou talvez o início de uma febre, mas quando o soldado por fim parou de correr, estava tão gelado que precisou de toda a energia que lhe restava para não desabar. Estava encharcado, tremendo muito e plenamente consciente de que, se não encontrasse abrigo contra as intempéries, morreria. E não uma morte rápida e limpa, causada por pistola ou sabre. Uma morte miserável, tremendo de frio em algum campo desolado perto de Boston. O soldado, cuja audácia parecia esvair-se junto com o sangue, não queria morrer.
E aqui cabe dizer algo sobre a morte. Todos temem a morte. É claro que temem. Mesmo os mais devotos devem sentir certa apreensão, pois, por mais confiantes que estejam na vida eterna ao lado da divindade de sua escolha, o conceito de eternidade é algo diante do qual a mente mortal recua. Seja bem-aventurança, tormento ou o vazio insensato, ninguém consegue de fato imaginar o que é morrer. Portanto, é natural que todos nutram um temor saudável por ela. Há alguns, porém, para quem ela representa um terror constante. Há quem não consiga sequer cogitar o fim inevitável da vida sem sentir um pânico profundo, e para quem nada na existência parece pior do que o próprio fim. O soldado era desse tipo, ao sentir que seus últimos momentos se aproximavam, começou a olhar ao redor, tomado pelo medo.
Avistou uma casa de fazenda, escura e inóspita. Os combates nas redondezas deviam ter afugentado quem quer que ali vivesse. Desesperado para escapar da chuva torrencial, o soldado tentou abrir as portas, contudo estavam trancadas. Quebrou uma janela, só que devido ao ferimento não tinha forças para escalar e entrar. Em desespero, buscou outra entrada e avistou a porta do porão. Não estava trancada e ergueu-se com uma facilidade surpreendente, dada a aparência pesada da madeira. Desabou para dentro, num misto de rastejar e cair pelos degraus de terra batida e irregular, até se ver deitado na escuridão e no calor seco do subsolo.
O soldado permaneceu ali por algum tempo, imóvel e de olhos fechados, ouvindo a chuva forte da Nova Inglaterra açoitar o lado de fora. Respirou fundo, ignorando a dor no peito ferido, e tentou organizar os pensamentos. O que importava, refletiu por um breve instante, era que, naquele momento, não estava morto.
Foi então que sentiu um cheiro de umidade. Não a umidade da terra molhada após um dia quente, e sim a umidade fria de criptas e catacumbas, viscosa de mofo e salitre brilhante. Era de se esperar que a Morte tivesse cheiro de decomposição, de carne podre e larvas, entretanto não era o caso. E o soldado soube logo em seguida do que se tratava. Ainda antes de seus olhos se ajustarem à escuridão e se voltarem para a mesa. Antes mesmo de ver a figura sentada ali, vestida com um hábito de monge roído pelas traças. Não havia razão para presumir que aquilo fosse a Morte, e não apenas um cadáver esquecido, todavia o soldado não teve dúvidas de que via a personificação de seu próprio fim ao contemplá-la. Então, a figura virou-se para olhar o soldado, e a pouca determinação que lhe restava esvaiu-se de seu coração. Tentou correr, mas mal deu dois passos antes de desabar de novo. A morte aguardava, paciente.
Descrevê-la como um esqueleto seria um desserviço à Morte. Pois, embora a túnica que ocupava aquela cadeira contivesse apenas ossos, não era o esqueleto que se movia. Era a Morte. Os ossos eram velhos, tão antigos e quebradiços que a menor pressão ou movimento os teria reduzido a pó. Eles se moviam, sim, a Morte não era mais um esqueleto do que você é um terno de lã. Acima de tudo, era antiga. Mais antiga do que você jamais poderia imaginar. E o soldado começou a chorar. Chorou e implorou à Morte que não o levasse, porém a Morte permaneceu em silêncio.
Ora, desde que existem pessoas e jogos, existem histórias sobre aqueles que apostaram contra a Morte. Algumas como metáfora, outras como mito, contudo o soldado ouvira histórias suficientes para fazer sua própria aposta final e desesperada, e desafiou a Morte para um jogo. Houve silêncio por vários minutos intermináveis antes que ela assentisse com a cabeça.
Enfiando a mão na túnica, a Morte retirou três coisas... Um cavalo de xadrez, uma peça de dominó e um par de dados, cada um esculpido em osso antigo. A escolha apresentada era clara, no entanto o soldado teve a perspicácia de negar com a cabeça e levar a mão à sua bolsa. Colocou as cartas sobre a mesa e perguntou à Morte se sabia jogar “faro”. A Morte fez uma pausa, como se estivesse ponderando, antes de assentir.
— Muito bem! — disse ela. — E se você vencer, não morrerá.
![]() |
| Arte por kazoosnow. |
Ela guardou seus objetos de volta na túnica em decomposição e, em vez disso, tirou uma pequena ficha hexagonal de faro, também feita de osso. O soldado, sentindo-se ousado uma vez mais à medida que a madeira da mesa se deformava e se transformava nas treze cartas de um tabuleiro de faro, empurrou a ficha para o lado e disse à Morte, com um leve esboço de sorriso, que havia trazido a sua própria. De algum lugar, a Morte tirou uma caixa distribuidora de cartas e, colocando o baralho dentro, começou a distribuir as cartas.
O faro, ou “enfrentando o tigre”, como diziam os vendedores de feiras, não é um jogo complicado. As apostas são feitas sobre as cartas, e o crupiê tira uma carta para os jogadores e outra para si mesmo. Apostas que correspondem à carta do jogador são dobradas, apostas que correspondem às cartas do crupiê são perdidas. Há algumas outras regras, é claro, só que, se jogado com honestidade, não existe jogo de apostas com probabilidades mais justas. O soldado jamais havia encontrado um jogo honesto antes.
Diante dele, havia uma pequena pilha de peças de marfim, não muito diferentes daquelas usadas para apostas no mahjong, embora o soldado não conhecesse tal jogo. Sabia que, se sua pilha se esgotasse, sua vida estaria perdida.
O jogo transcorria de forma lenta e deliberada, e o soldado não saberia dizer se jogavam há horas, dias ou meses. A noite lá fora não dava sinais de acabar, nem a chuva cessava sua batida rítmica contra a porta do porão, que permanecia aberta. As cartas eram colocadas lenta e deliberadamente pela Morte, e o soldado ficava cada vez mais impressionado ao perceber que aquele era o jogo de faro menos fraudulento de que já participara. Ainda assim, havia pouca margem para trapaças, pois não havia gritaria nem multidões para servir de distração, como ocorria em todas as casas de jogos. O olhar vazio e implacável das órbitas profundas do crânio da Morte bastava para impedir que o soldado ousasse abusar da sorte.
Então, por fim, chegou-se ao que parecia ser a jogada decisiva. O baralho estava quase no fim, e tudo o que o soldado possuía estava empilhado sobre o número três. À medida que suas reservas minguavam, o soldado sentiu o ferimento em seu peito começar a pulsar com uma dor surda, enquanto grandes gotas de suor escorriam por seu rosto trêmulo. Se o três final saísse para o crupiê, ele perderia... Entretanto, se saísse para ele, terminaria o jogo com uma pilha maior que a da Morte. Talvez aquilo bastasse para vencer. As regras da aposta não haviam sido explicadas com clareza, todavia enquanto o tremor tomava conta de seu corpo, o soldado agarrou-se a essa tênue esperança. E, quando a Morte estendeu a mão para as cartas finais, ele colocou sua moeda de cobre sobre a pilha, a peça de seis lados que invertia a aposta. Agora, se a Morte tirasse o três como carta do crupiê, ele venceria.
A Morte virou a carta para revelar... Um Rei, e estendeu a mão para a próxima. O soldado sabia que havia cometido um erro. Quando o três fosse revelado, perderia a aposta e tudo o mais. Tinha apenas uma chance, um fio de esperança, e mesmo isso, sem dúvida, apenas o condenaria ainda mais. Mas o que mais poderia fazer? Enquanto a Morte virava a cabeça em direção à caixa de faro para tirar a próxima carta, o soldado, em um movimento preciso e treinado, pegou o fio fino enrolado em seu polegar, que passava pelo pequeno furo feito na moeda de cobre, e o esticou. Com um movimento de pulso quase imperceptível, puxou-o de volta para a mão, retirando a moeda da mesa e deixando sua aposta pronta para vencer quando o três fosse sorteado.
O terror que o dominou quando a Morte voltou o olhar para a mesa foi mais profundo do que qualquer outro que já havia sentido. Em todas as outras vezes que tentara aquele truque, o clamor da multidão e a massa agitada de apostadores lhe ofereciam amplo disfarce, porém naquele silêncio e na escuridão com apenas ele e seu oponente eterno jogando sua partida, sem dúvida não havia como tal movimento passar despercebido. A Morte virou a carta, o Três de Espadas.
— Você venceu. — o tom dela era quase... Alegre.
O soldado não percebeu, pois, àquelas palavras, um arrepio percorreu seu coração. Havia derrotado a Morte. Iria viver. Levantou-se, ainda atordoado e febril, contudo com tamanha alegria que quase desabou por causa da risada que explodiu de seus lábios. Cambaleou até a porta do porão, esperando ver o nascer do sol após tanto tempo de espera na escuridão, no entanto o céu continuava negro. Atrás dele, a Morte aguardava.
O soldado notou que a dor no peito havia desaparecido e encheu os pulmões de ar. O ar estava frio, úmido e trazia um leve toque metálico. Foi só então que percebeu a risada baixa e gutural que vinha da Morte. Virou-se e viu a figura ainda sentada à mesa, entretanto agora as vestes do velho monge estavam encharcadas de sangue. Os ossos da figura estavam vermelhos e gotejantes, com retalhos de músculo surgindo sobre eles.
Então, sentiu algo em si mesmo. Havia algo de muito errado. Uma coceira, uma queimação profunda em seu interior, seguidas por um lampejo de dor intensa no braço. Agarrou-o instintivamente, todavia, onde tocou, a pele e a carne subjacente se desprenderam em sua mão, como pedaços de pão molhado. Por baixo, via o branco-amarelado do osso. Seu osso. Um osso velho. E o soldado começou a gritar.
Enquanto mais partes de seu corpo se desprendiam e caíam em montes carmesins no chão, ergueu o olhar para onde a Morte estivera sentada. Em seu lugar, viu um velho monge, ensanguentado, mas inteiro, sorrindo em sua direção. O soldado estendeu a mão, agora esquelética, em súplica.
— Você disse que, se eu vencesse, viveria!
O monge balançou a cabeça.
— Não, eu não disse.
Fim da história, suponho. Obrigado por me ouvir, você tem sido muito paciente. Sei muito bem que vim aqui para contar minha própria história e, em vez disso, despejei uma velha lenda urbana que registrou diligentemente. Contudo, sinto agora que cheguei a um ponto em que posso falar sobre mim mesmo. No entanto, para um último detalhe de contexto, preciso que assista a isto. Preste atenção.
JONATHAN SIMS
Nota do arquivista: Daqui em diante, o restante da página está coberto pelo que parece ser uma grande mancha de sangue. O depoimento é retomado na página seguinte, com uma caligrafia um tanto trêmula.
JONATHAN SIMS (Depoimento)
Peço desculpas por isso. Um pouco dramático, eu sei, entretanto sempre acho que uma demonstração é o ideal nessas situações. Está se sentindo melhor agora? Bem, de qualquer forma, acho que devo continuar. É melhor registrar antes que alguém venha verificar a causa do seu grito. Não tenho interesse em me tornar uma curiosidade médica local.
Então, sim, esta não é uma faca de truques. Como pode conferir, se quiser. Diabos, pode até me esfaquear se quiser, se tiver vontade. Não? Tudo bem. Talvez tenha subestimado sua curiosidade.
Depois de vencer meu jogo de faro, passei quase dois séculos naquele estado profano. Lembro-me pouco daquele tempo. Não fui o único, nem a única personificação da Morte. Havia outros, creio, em um estado semelhante ao meu. Não sei quantos, todavia não íamos atrás de todo mundo. Não sei como escolhíamos nossas vítimas ou se estávamos sujeitos aos caprichos de um poder superior. Chamo-as de vítimas porque, embora visitássemos muitas almas em estado terminal ou condenadas, não visitávamos apenas aquelas cuja hora havia chegado. Algumas delas nós mesmos matávamos. Lembro-me de minhas mãos, afiadas como osso, penetrando nas gargantas de velhos, jovens, daqueles que mereciam e daqueles que não traziam nada além de amor ao mundo. Alguns escolhiam jogos de azar, é claro. Os tolos escolhiam o xadrez. Eu era mestre em todos os jogos, conhecia todas as regras. Escolher o único jogo que não envolvia sorte alguma era sempre uma insensatez. No fim, foi a roleta que me libertou. A sorte pendia a meu favor quando jogava contra vítimas, mas em um jogo baseado no puro acaso, como a roleta... Bem, uma hora a sorte vira o jogo, embora tenha tido de esperar quase dois séculos para que isto acontecesse. Jamais esquecerei a expressão no rosto daquele velho quando ganhou e começou a sentir a transformação tomar conta dele.
Então, aqui estou, incapaz de morrer. Porém também mal consigo viver. Comida e bebida me enjoam, e não consigo dormir. Sinto uma angústia profunda, um anseio por algo que não sei definir. Parece que não envelheço, contudo voltei a ter corpo de carne há poucos anos, então não posso afirmar com certeza. Muitas vezes me pergunto se sou o único como eu no mundo. Não posso ser. Não faz sentido. Sei que houve outros. No entanto não sei onde.
Não consigo decidir se esta existência em que me encontro é melhor do que a morte que temi tanto tempo atrás. Às vezes reflito a respeito, entretanto cheguei à conclusão de que é. Viver no inferno, no fim das contas, ainda é viver.
JONATHAN SIMS
Depoimento encerrado.
Mandei analisar o sangue e este parece ser verdadeiro. Resultado O Negativo. E é só até aí que consigo confirmar alguma coisa sobre este depoimento, quarenta e quatro anos após o ocorrido. Os detalhes que o Sr. Thorp forneceu sobre sua residência, ocupação, etc., parecem ter sido precisos para a época, todavia não conseguimos encontrar nenhuma informação atualizada a seu respeito... Ou sequer saber se segue vivo.
Fiona Law, a assistente de pesquisa que registrou o depoimento, faleceu em 2003 devido a complicações após um transplante de fígado e, com duas exceções, ninguém mais que trabalhava no Instituto naquela época continua empregado aqui. Gertrude Robinson estava lá, é claro, mas não podemos perguntar a ela, e Elias trabalhava como arquivista na época. Tentei perguntá-lo sobre, e ele se lembra de ter havido um certo alvoroço naquela época sobre alguém que se automutilou enquanto dava um depoimento, diziam os boatos que a pessoa havia cortado o próprio dedo ou coisa do tipo, porém ele não estava diretamente envolvido e não sabia muito mais a respeito.
Fora isso, é quase um beco sem saída. A única outra coisa no arquivo não pode ser considerada exatamente uma pista, ainda mais porque desapareceu. Era uma pequena ficha hexagonal, com cerca de uma polegada de diâmetro. Não havia marcas, porém parecia ser feita de osso muito antigo. Não consegui determinar mais nada, pois, quando a peguei, ela se esfarelou em pó na minha mão. Talvez seja melhor assim.
Fim da gravação.
***
Link para o índice de capítulos: The Magnus Archives
Para aqueles que puderem e quiserem apoiar a tradução do blog, temos agora uma conta do PIX.
Chave PIX: mylittleworldofsecrets@outlook.com


Nenhum comentário:
Postar um comentário