Volume 02: Yugao — Capítulo 10: A efêmera flor branca ao pé do muro (2)
(É estranho, sem dúvida é estranho. O que há de errado comigo?)
Devido à mudança de
estação, Koremitsu estava usando uma camisa de mangas curtas como uniforme.
Tornou-se um dever para ele ir à casa de Yu, e em um certo dia depois da
aula...
Estava parado em frente à
prateleira de alimentos de uma loja de conveniência, resmungando.
De vez em quando, seu
coração palpitava, sua cabeça esquentava como um bule de chá e seus lábios
gaguejavam. Talvez tivesse pegado um resfriado com a mudança de estação?
Os sintomas se
intensificavam sempre que estava com Yu. Sempre que Yu parecia se abrir para
Koremitsu e lhe dirigia um leve sorriso, esses sintomas pioravam. Sempre que
pensava na garota, os sintomas reapareciam, tanto na escola quanto em casa.
— O que é isso?
— Este é o “Kimchi com
três vezes mais pimenta”.
Hikaru então apontou.
— Vai comprar seis
desses?
Ao ouvir a menção de
Hikaru, Koremitsu percebeu que a cesta estava cheia de potes de kimchi.
Seu rosto ficou vermelho.
Ele os devolveu ao suporte.
— Se está comprando para
a Yu, aconselho que não compre as mais apimentadas. Você não pode considerar
apenas suas próprias preferências, Koremitsu, precisa pensar e escolher o que a
Yu quer.
— Não vou comprar kimchi
para ela. Vou comprar para mim.
Koremitsu se apressou em
se explicar.
— Do que a Yu gosta?
E então, sussurrou com
uma expressão de desagrado no rosto. Hikaru assobiou.
— Maldito seja você, por
que está sorrindo? Aliás, não foi você quem me pediu para cuidar dela?
Koremitsu esqueceu-se da
presença de outras pessoas enquanto repreendia Hikaru. O atendente do caixa
ficou surpreso.
(Argh!)
Ao ver Koremitsu franzir
a cabeça, sentindo-se culpado, Hikaru, com o rosto prestes a cair na
gargalhada, respondeu.
— Isso mesmo, obrigado.
Yu gosta de comida doce e translúcida.
Após refletir um pouco,
comprou alguns doces cristalizados e foi até o apartamento.
Depois que bateu na porta,
a garota de olhar sonhador e a gata de olhos azuis espiaram para fora.
— Y-Yoo.
Koremitsu fez um
cumprimento rígido. Lapis ronronou com um “miau”, enquanto Yu acenou para ele
com uma expressão gentil.
No primeiro encontro, ela
estava coberta da cabeça aos pés com um cobertor azul. Porém, nos últimos dias,
o cobertor estava apenas sobre seus ombros.
Normalmente, sob o
cobertor, usava um vestido sem mangas. Seus pés estavam descalços, sem meias, e
seu pescoço e braços apareciam de vez em quando. Sempre que Koremitsu, sem
querer, notava suas panturrilhas e tornozelos brancos e esbeltos, seu coração
disparava sem aviso prévio.
— Um presente.
Ele entregou uma sacola
da loja de conveniência.
Yu recebeu o presente,
deu uma olhada dentro e logo depois exibiu um sorriso radiante.
— Obrigada... Gostei
muito.
Koremitsu não esperava
que algo como balas de goma pudesse causar-lhe uma expressão tão feliz. Seu
coração disparou e seu rosto ficou mais quente.
Yu abriu o pacote e usou
os dedos para pegar um pedaço de doce de pedra translúcido. Ela estreitou os
olhos, aparentemente irritados pela luz, colocou o doce na boca e deu uma
mordidinha.
Ouviu-se um estalo quando
ela mordeu, e revelou um sorriso mais feliz e satisfeito.
Ao ver essa expressão, o
coração de Koremitsu quase explodiu devido às batidas aceleradas.
O quarto era pequeno e as
paredes finas. De vez em quando, ouviam-se os sons da porta do vizinho abrindo
e fechando, passos pesados e rosnados de uma mulher.
— QUE DIABOS! ESSES
HOMENS SÃO TÃO MESQUINHOS QUANDO HÁ UMA CRISE ECONÔMICA! NÃO TEM COMO EU
SOBREVIVER! HAAAH, MEU FUTURO É SOMBRIO E GELADO! QUE TODOS, EXCETO OS HOMENS
QUE ME APOIAM, MORRAM!!
Ao ouvir a voz alta,
Koremitsu estremeceu.
No entanto, mesmo nesse
ponto, Yu continuou apenas divagando.
— Esse é... O som das
ondas quebrando nas rochas.
— As baleias estão
espirrando.
Ela dizia essas coisas
com uma expressão vazia.
Ele sabia, depois de
todos esses dias juntos, que embora fosse tímida e introvertida, era serena,
determinada e capaz de enfrentar as dificuldades diárias com normalidade.
Koremitsu sentia que,
nesse sentido, Yu era muito semelhante a Hikaru.
Nesse momento, Hikaru seguia
agachado no chão, apoiado em um joelho, brincando com Lapis.
Parecia que Lapis
conseguia de fato ver Hikaru, e até estendeu as patas dianteiras para tocá-lo.
Depois de errar algumas vezes, o observou com surpresa.
Lapis era originalmente
uma gata de rua, que apareceu por aqui logo depois que Yu se trancou no
apartamento. Suas orelhas não eram muito sensíveis, então tinha o estranho
hábito de encarar pessoas e objetos, talvez fosse por causa dessa
característica que conseguia detectar com precisão o que pessoas normais não
conseguiam perceber.
Hikaru também olhava para
Lapis com ternura e, às vezes, usava os dedos para cutucar suas patas
dianteiras e fingia coçar seu queixo.
Realmente não consigo
entender esse cara. Por que não quer me contar qual promessa fez com a Yu? A
única coisa que faz aqui é brincar com a gata. Afinal, o que quer que eu faça?
Koremitsu lançou um olhar
fulminante para Hikaru, e ao perceber, Yu perguntou preocupada.
— O que foi...?
— Ah, não é nada. Bem... Como...
Como você e Hikaru se conheceram?
Koremitsu perguntou, visivelmente
atrapalhado. Nesse instante, os olhos de Yu brilharam e ela sussurrou.
— Hikaru... Apareceu pela
primeira vez uma semana depois de Lapis...
Era o verão anterior,
numa noite de garoa.
Havia um menino vestido
com o uniforme da Academia Heian, segurando um guarda-chuva, parado em frente
ao apartamento.
Ao ver aquele rosto
bonito e afeminado aparecer sob os postes de luz, ela o reconheceu no mesmo
instante como “Lorde Hikaru”.
Naquela época, Hikaru
estava em seu terceiro e último ano do Ensino Fundamental II, e Yu estava em
seu primeiro ano do Ensino Médio, embora não houvesse uma única garota na
escola que não reconhecesse o príncipe da escola, “Lorde Hikaru”.
(O que... Ele está
fazendo aqui?)
Hikaru segurava um guarda-chuva
lilás claro, encarando a cerca ao lado do apartamento. Essa atitude despertou a
curiosidade de Yu.
Por que está parado ali
esse tempo todo? Está tão frio, tão escuro lá fora e está chovendo. O que está
olhando?
Sua expressão era tão
terna, repleta de afeto.
Yu olhou fixamente para
Hikaru através da fresta da cortina e, nesse instante, ergueu de repente a
cabeça.
!
Seus olhares se cruzaram,
e seu coração ficou petrificado.
Seu primeiro pensamento
foi fechar as cortinas às pressas, no entanto Hikaru sorriu em resposta.
Aquele sorriso era muito
amigável, terno e parecia derreter em seu coração.
Depois disso, Hikaru
colocou seu guarda-chuva na cerca por algum motivo e caminhou até o apartamento
na chuva.
Cética, Yu não sabia o
que havia acontecido lá fora, entretanto para sua surpresa, alguns segundos
depois...
Toc, Toc...
O som de batidas ecoou em seus ouvidos.
Envolta num cobertor, ela
se aproximou com timidez da porta, encostou o ouvido na maçaneta e ouviu uma
voz doce falar com ela.
— Desculpe incomodá-la a
esta hora, mas você se importaria de me deixar abrigar da chuva aqui? Emprestei
meu guarda-chuva para as lindas flores encharcadas e não sei o que fazer agora.
Não havia qualquer sinal
de fingimento no tom de Hikaru, e a voz clara e calorosa atraiu Yu. Ela abriu a
porta e encontrou Hikaru encharcado, com água transparente escorrendo pelo
corpo, os cabelos e a camisa molhados, e com um sorriso radiante.
— Esse foi... O nosso
primeiro encontro.
A voz de Yu era suave e
lenta enquanto seguia murmurando...
— Hikaru disse... Que
notou as flores de cabaça crescendo aos pés do muro... Aquelas flores são
frágeis, porém corajosas... Tão belas quanto um sonho fugaz... Então ele ficou
estupefato...
— Você ve as flores
brancas desabrochando aos pés do muro? As flores, trêmulas e delicadas, estão
encharcadas pela chuva.
Koremitsu lembrou-se do
tom e da expressão de Hikaru enquanto este encarava a base da parede em frente
ao apartamento.
Ele disse que aquelas
flores eram delicadas e bonitas.
Assim como Yu.
— Elas florescem ao
entardecer e irradiam silenciosamente sob o luar durante a noite. Quando o
amanhecer surge, começam a murchar.
Nesse momento, Hikaru
tinha uma expressão nostálgica enquanto acariciava a cabeça de Lapis,
semelhante ao momento em que encarava a base da parede.
Seus dedos já não
conseguiam tocar Lapis, contudo sempre que sua mão branca se movia com
elegância, os bigodes de Lapis tremiam de leve.
Yu não percebeu que seu
falecido amado estava naquele quarto, ainda assim continuou olhando para onde
Hikaru estava com aquela expressão sonhadora.
Esse devia ser o lugar
onde Hikaru costumava ficar.
Sua expressão amorosa, embora
solitária, era de partir o coração de qualquer um que a visse.
Hikaru também demonstrava
um olhar terno para Yu de vez em quando.
Ao vê-los se entreolhando
daquela forma, Koremitsu começou a se sentir inquieto e teve a súbita noção de
que estava atrapalhando.
No entanto, Hikaru não
revelou que tipo de promessa fez a Yu, nem falou com ela. Apenas se importava
em brincar com Lapis, parecendo não se preocupar com a promessa...
— Então, Yu... Você e
Hikaru se tornaram amantes assim?
O tom de Koremitsu era
sombrio e distante, a ponto de surpreendê-lo.
Sua barriga começou a
doer por causa das cólicas. Será que não quero que a Yu saia com Hikaru? Ou
será que só não consigo aceitar o fato de que Hikaru só se preocupa em brincar
com a gata e deixar a namorada com outro homem?
Droga, por que estou tão
irritado?
Yu percebeu que Koremitsu
estava com uma expressão sombria... Então, permaneceu em silêncio, olhando para
ele com preocupação. Enquanto Koremitsu se esforçava para parecer calmo, ela
moveu a boca impacientemente e falou com uma voz bem baixinha.
— Você parece... Estar
enganado... Hikaru e eu... Não éramos amantes...
— O que quer dizer?
Assustado, Koremitsu
inclinou o corpo para a frente.
— O Hikaru não costumava
te procurar? A vizinha até comentou, irritada, que ele voltava para casa de
manhã antes de...
Ao ver o rosto de Yu
ficar vermelho, o rosto de Koremitsu também começou a corar.
— Desculpe, estou sendo
muito intrometido.
Yu balançou a cabeça,
olhando para baixo, e seu rosto corou. Juntando as mãos, hesitou por um
instante e sussurrou.
— Nós dois... Realmente
não tínhamos esse tipo de relacionamento... Sei... Que o Hikaru teve
relacionamentos com muitas garotas... Uma vez... Até perguntei por que... Não
fazia nada comigo... Achei estranho...
O pescoço de Yu também
ficou vermelho.
Ela agarrou com força um
canto do cobertor azul, encolheu o pescoço e gaguejou.
— E então, ao ouvir isso,
Hikaru... Sorriu com gentileza para mim e disse que eu... Não me apaixonei por
ele...
O rosto de Koremitsu
ainda ardia, entretanto seguia ouvindo Yu com a respiração suspensa.
Hikaru, por sua vez,
desviou o olhar com indiferença enquanto coçava o pescoço de Lapis.
— Miau...
Lapis ronronou baixinho.
Yu olhou para Koremitsu
com uma expressão inquieta.
— Hikaru disse... Olhando
nos meus olhos, que sabia se a outra pessoa estava apaixonada... Aqueles que
estão apaixonados, seus olhos mostram um desejo de ter a outra pessoa só para
si. Assim que via essa expressão, ele se apaixona por aquela pessoa, incapaz de
se afastar, e naquele momento, quer praticamente oferecer todo o seu ser...
Sua voz foi ficando mais
suave, mais fraca, e quando terminou, baixou a cabeça e permaneceu em silêncio.
Não parecia se preocupar
com o fato de Koremitsu não acreditar em suas palavras, mas estava relembrando
Hikaru com o coração apertado.
Koremitsu também teve
dificuldades para se recuperar mentalmente. Uma solidão inexplicável começava a
surgir em seu peito.
Talvez fosse porque Yu
parecia muito deprimida.
Além do mais, Yu não
descreveu apenas o lado radiante de Hikaru, como também seu lado solitário.
Ela baixou a cabeça e
murmurou.
— Hikaru disse que... Havia
apenas uma exceção... Que, embora estivessem profundamente apaixonados um pelo
outro, não podiam se abraçar... Quando me contou isso, seu rosto parecia
angustiado...
Hikaru aparentando não
ouvir as palavras de Yu continuou coçando o queixo de Lapis imutável e com uma
expressão profunda.
Lapis também encarou
Hikaru com seus olhos azul-púrpura.
Yu continuou com a cabeça
baixa, permanecendo em silêncio.
Nesse momento, Koremitsu
não sabia como reagir.
Ei, Hikaru, pare de
fingir que está morto e diga alguma coisa. O clima está estranho por sua causa!
Agora não é hora de brincar com a gata!
Koremitsu lançou um olhar
fulminante para o amigo, repreendendo-o enquanto suas veias saltavam.
Contudo, Hikaru continuou
fingindo-se de morto.
Não, na verdade, Hikaru
estava morto, um fantasma, aliás. Ainda que falasse, Yu não conseguiria ouvir
nada.
— Queria abraçar o Hikaru
para dissipar a solidão que levava consigo...
Yu falou com uma voz
suave que poderia se dissipar no ar.
— Porém ele disse... Que
isso não é amor.
Havia uma sensação de
instabilidade em seu tom de voz.
Se até Hikaru, que tinha
bastante experiência em relacionamentos amorosos, disse aquilo, então os
sentimentos de Yu por Hikaru não deviam ser amor.
Embora uma sensação doce
e aconchegante estivesse se infiltrando em seu coração, uma sensação semelhante
à ansiedade também se espalhava aos poucos.
Yu desejava de coração
ajudar Hikaru, a ponto de querer absorver toda a sua dor.
Se tivesse pedido, ela
talvez tivesse aceitado o pedido sem hesitar. Ela era tão gentil, porém tão
vazia por dentro.
A noiva de Hikaru, Aoi,
era uma garota pura. Uma flor branca e pura, jamais manchada.
Yu também era como uma
flor branca, no entanto uma flor que podia ser tingida com outras cores sem
aviso prévio. Parecia que se alguém a tocasse, danificaria e sujaria suas
pétalas.
Talvez fosse por esse
motivo que Hikaru nunca a viu como namorada, pois queria que mantivesse sua
pureza.
Poderia haver outros
motivos? Koremitsu lançou um olhar fulminante para o rosto
afeminado de Hikaru, que continuava olhando para o lado.
— Você já se apaixonou
antes?
Yu perguntou de repente,
assustando-o.
Ela ergueu a cabeça e
encarou Koremitsu com uma expressão impassível.
Koremitsu respirou fundo
e respondeu.
— N-Não.
Suas palmas estavam
encharcadas de suor.
(Qual a diferença
entre o amor e outros sentimentos? Como posso diferenciá-los?)
Também não entendia o que
era aquele sentimento que fervilhava no fundo do seu coração.
Os olhos de Yu mostravam
uma expressão de compreensão, semelhante à tristeza.
Koremitsu sentiu o
coração se apertar ao ver aquilo, e ela murmurou com um tom melancólico que
ninguém jamais esqueceria.
— Então, no fim das
contas, somos iguais.
***
— Amor... O que é isso?
No caminho de volta...
Tinha chovido antes,
então as estrelas cintilantes espalhadas pela tela noturna cor de tinta estavam
mais brilhantes do que o normal.
Com as costas curvadas,
Koremitsu murmurou enquanto caminhava de cabeça baixa. Hikaru, que o seguia na
mesma velocidade, respondeu com uma voz suave.
— É uma saudade de uma
pessoa específica. Essa saudade é tão forte que pode mudar o estado mental de
uma pessoa, e... É fugaz.
— Fugaz...
O coração de Koremitsu
começou a doer outra vez ao se lembrar da expressão vazia de Yu.
Hikaru prosseguiu com uma
expressão madura...
— Sim... Mesmo sabendo
que chegará o momento em que nossos sentimentos desaparecerão, ainda sentimos
uma alegria imensa ao falar de amor... Por mais doloroso que esse amor seja.
Havia uma única pessoa
que Hikaru não conseguia abraçar.
(Ele está se referindo
à Aoi?)
Aquela garota
representava a esperança de Hikaru.
Ele disse certa vez, em
tom autodepreciativo, que não ousava cortejá-la de forma imprudente, pois temia
ser odiado por Aoi.
Entretanto Koremitsu não
pôde perguntar.
Diferentemente de Yu, ele
podia ver e ouvir Hikaru, este último estava sempre ao seu lado.
Somos amigos...
Hikaru disse isso certa vez.
Mesmo assim, Hikaru
ocasionalmente demonstrava uma expressão de profunda reflexão, a expressão de
um adulto que não permitia que Koremitsu perguntasse, o que fazia com que este
último não o questionasse por medo.
Em momentos como esse,
Koremitsu não conseguia discernir o que estava pensando ou para onde estava
olhando. Embora tivessem idades semelhantes, pareciam tão distantes, e não
sabia o que fazer.
(Se eu me apaixonar...
Entenderei o que o Hikaru está pensando...?)
(Se for esse o caso,
verei o que Hikaru está vendo?)
Ao se lembrar do rosto de
Yu, Koremitsu foi atormentado por uma dor como se seu coração estivesse sendo
apertado.
***
No dia seguinte, depois
da aula.
Koremitsu estava na
papelaria, encarando os quebra-cabeças de vidro. As peças transparentes e
brilhantes de um azul intenso se encaixavam, formando um misterioso cenário
subaquático.
Seu olhar se manteve fixo
na imagem final impressa na caixa.
— Ahh, Yu vai gostar
disso.
Koremitsu ouviu uma voz
de repente.
— !
Assustado, desviou o
olhar, corando. Koremitsu franziu a testa, erguendo os olhos, mas não disse uma
palavra. Nesse instante, Hikaru sorriu para o amigo e disse.
— Então você entendeu
o que a Yu gosta.
— ...
Koremitsu guardou o
quebra-cabeça, virou-se e foi embora.
— Hã? Não vai
comprá-lo?
Hikaru perguntou.
Ao ouvir isso...
— Estou só dando uma
olhada.
Koremitsu respondeu.
— Hmph!
Todavia se virou para
outra direção, pegou um quebra-cabeça e caminhou até o balcão.
Hikaru achou graça da
atitude desajeitada dele e riu em segredo.
***
Ao ver o quebra-cabeça
sendo retirado da embalagem azul, os olhos de Yu brilharam imediatamente.
Ela olhou fixamente para
o quebra-cabeça azul na caixa e disse, encantada.
— É lindo.
Ela colocou cuidadosamente
uma peça do quebra-cabeça na palma da mão, maravilhou-se com o brilho que
refletia as luzes, pareceu absorta em seus pensamentos enquanto observava, e
sorriu.
Essas ações e essa
atitude fizeram o coração de Koremitsu disparar.
Parecia que tinha acabado
de tomar banho, pois seus cabelos ainda estavam encharcados. Sua pele branca
exalava um leve cheiro de sabonete, fazendo Koremitsu engasgar, com a cabeça
quente.
(Por que meu coração
anda tão acelerado sem motivo? Eu odeio garotas... Só estou cuidando dela a
pedido do Hikaru...)
As provas de meio de
semestre começariam no dia seguinte.
Deveria estar
incentivando Yu a se lembrar da “promessa importante”, a resolvê-la o mais
rápido possível e a terminar esse relacionamento.
Porém, sem saber, seu
objetivo havia mudado para o desejo de conhecer Yu.
Estava bastante frustrado
consigo mesmo.
(O que diabos estou
fazendo aqui?)
Yu espalhou as peças do
quebra-cabeça pelo chão.
Ela se ajoelhou, curvou a
cintura para a frente e começou a brincar com as peças do quebra-cabeça. O
cobertor se desenrolou e seu vestido sem mangas revelou a pele branca do seu
pescoço na altura da gola. O aroma de xampu e sabonete invadiu o nariz de
Koremitsu.
— Seu cabelo...
— ?
Yu levantou a cabeça.
— Seque logo o cabelo!
Sem querer, ele falou num
tom ríspido, suas bochechas estavam rígidas, suas sobrancelhas arqueadas, e sua
expressão talvez fosse tão selvagem quanto a de um cão vadio.
Ao perceber o quão
aterrorizada Yu parecia, se deu conta de que não deveria ter feito aquilo.
(Que idiotices estou
fazendo aqui?)
— E-E-Eu não estou bravo!
Não estou te repreendendo, só acho seu cabelo muito comprido. Se você não o
secar logo, pode pegar um resfriado...
Nervoso, Koremitsu tentou
se explicar.
— Desculpe, não tenho
secador de cabelo... Só posso deixar secar naturalmente...
Yu disse com um tom hesitante,
com os ombros encolhidos enquanto demonstrava desânimo.
— Na verdade, também não
uso o secador com frequência! Só deixo meu cabelo como está depois de lavá-lo! Não
estou bravo de verdade! Posso não parecer feliz, e minha expressão pode parecer
selvagem, no entanto é tudo hereditário... Sempre fui assim, ok? Então não sei
sorrir, e raramente o faço. Hikaru disse que queria apresentar uma garota que
gosta de rir, contudo acho que ela se assustaria imediatamente ao me ver... Não
faz sentido... Não é o que quero dizer...
Koremitsu fez o possível
para explicar, entretanto quanto mais tentava, mais desanimada ela ficava.
Se eu conseguir sorrir
gentilmente como a Hikaru agora, posso acalmar a Yu, em vez de gastar tanto
tempo explicando.
Por que meu rosto não
pode expressar o que quero?
Por que não posso rir
sempre que quero?
Acho que essa cara de
constrangimento agora parece tão distorcida quanto uma cara de choro, né?
Isso só vai aterrorizá-la
ainda mais!
Nesse instante, Yu disse
em silêncio...
— Eu não... Odeio sua
aparência...
Koremitsu engasgou.
Yu olhou para ele com os
olhos cheios de inquietação. Todavia, parecia que não estava apavorada com sua
expressão, mas sim queria encorajá-lo.
Koremitsu estava imóvel,
com os olhos fixos em Yu. Ela disse com uma voz suave e delicada.
— Você é uma pessoa
gentil... E muito carinhosa... Comigo.
Seu peito tremia silenciosamente.
Parte do calor retornou
às pontas de seus dedos gelados.
— Um dia desses, vai
conseguir rir.
Ela disse isso em tom de
oração.
— Também... Acho
angustiante sair de casa...
A tristeza transparecia
em seus olhos transparentes. Sua cabeça abaixou, permaneceu em silêncio por um
instante e se virou, com um olhar suplicante, na direção do ventilador e das
bolsas de golfe.
Havia conchas e peças de
majólica que serviam como torres de oração e túmulos de peixes, e Yu disse que
elas tinham o propósito de proteger o mundo subaquático.
Koremitsu lembrou-se do
divórcio dos pais de Yu enquanto ela permanecia trancada em seu quarto. Seu
coração se apertou com a lembrança.
Yu também guardava uma
ferida profunda.
— Porém quando converso
aqui com Lapis e Hikaru... Me sinto tão relaxada... Então... Sei que poderá rir
ficando aqui...
As palavras de Yu tocaram
o coração de Koremitsu, assim como a garoa que caía silenciosamente,
infiltrando-se na terra.
Yu usou o dedo indicador
e o dedo médio para pegar um pedaço de doce de pedra do recipiente de vidro e o
levou até a boca de Koremitsu.
Seu rosto corou sem
jeito, e se sentiu como um cão selvagem sendo alimentado enquanto abria a boca
rigidamente. O cristal doce e translúcido tocou seus lábios e língua.
Assim que entrou em sua
boca, logo sentiu uma doçura intensa.
Koremitsu, que preferia
comida picante, sentiu a língua ficar dormente.
Yu também pegou outro
pedaço e o colocou na boca. Ela brincou com o doce usando a língua por um
tempo. Sua boca emitiu pequenos estalos, e então um sorriso de pura felicidade
se abriu em seu rosto.
— Enquanto alguém
permanecer aqui... Poderá sentir... Felicidade.
O doce de pedra
permaneceu na boca de Koremitsu, pois não conseguia engoli-lo nem o cuspir.
Foi algo tão doce que pôde
ser descrito como felicidade.
Contudo era bom demais
para ele.
Seu peito latejava, seu
pulso acelerava, ele não se entendia e se sentia tão hesitante e impotente...
Yu encolheu o corpo,
fechou os olhos, encostou o ouvido no chão e fingiu ouvir o som de ondas que
não existiam.
— Dor... Tristeza... Há
coisas acontecendo em um mundo distante... Neste mundo, não importa se eu não
usar um guarda-chuva...
Ainda havia mais da
metade do doce de pedra dentro de sua boca.
Yu não murmurou nada e
não se mexeu.
Parecia que havia caído
num sono profundo.
Koremitsu a chamou,
contudo não houve resposta.
Ao curvar as costas para
se aproximar do rosto dela, sentiu o cheiro de xampu e ouviu um ronco fraco.
Ele franziu a testa,
cerrou os lábios, levantou-se e olhou para o teto.
Ele deixou escapar um
zumbido profundo de seus lábios cerrados.
Arregalou os olhos,
cerrou os dentes e olhou para cima como se estivesse lançando um olhar vingativo
a um inimigo jurado.
Koremitsu disse.
— Ei, Hikaru.
Uma voz suave respondeu.
— O que foi? Pensei que
tivesse se esquecido da minha existência aqui. Parecia que você não conseguia
me ver de jeito nenhum.
Hikaru olhou para
Koremitsu com uma expressão confusa, desceu até o chão, sentou-se de joelhos e
deixou que a ponta de seus dedos delicados tocasse a cabeça de Lapis.
Lapis estremeceu em
choque e olhou para Hikaru com uma expressão sombria.
— Você é quem está
fingindo que não ve. Por que está grudado no teto, se fazendo de morto ou algo
assim?
Koremitsu disse com as
bochechas infladas, e Hikaru exibiu aquele sorriso maduro que Koremitsu
repugnava.
— Estou observando vocês.
Os dois são pessoas importantes que estou protegendo agora.
(Está falando sério?)
Os lábios de Koremitsu se
curvaram ainda mais.
— Parece que está
realmente incomodado, herói.
— Não é por sua culpa?
— Yu está dormindo porque
consegue relaxar na sua presença. Quando estava comigo, ela costumava adormecer
enquanto conversávamos. Isso mostra que o quanto confia em você, então,
aconteça o que acontecer, não fique com tesão aqui.
— DE JEITO NENHUM! NÃO ME
COLOQUE NO SEU NÍVEL, SEU PERVERTIDO!
Na verdade, não estava só
sentindo desejo, estava se sentindo mole por todo o corpo, e seus batimentos
cardíacos estavam descontrolados.
A mão e os delicados pés
brancos que se revelaram debaixo do cobertor fizeram com que sua cabeça quase
fervesse.
E ao mesmo tempo...
Havia também outro sentimento,
outra dúvida, surgindo de dentro do seu peito.
A doçura que ainda
persistia em sua língua continuava a lhe perguntar naquele momento.
Koremitsu murmurou...
— Ei... Será que eu
realmente serei feliz ficando aqui?
No instante em que perguntou,
a sensação incômoda no fundo do seu coração se intensificou.
— Será que poderei mesmo
rir... Se continuar aqui?
Yu, que murmurou com um
sorriso tão fugaz...
— Você sentirá
felicidade...
— Será que esse estilo de
vida que a Yu leva é realmente felicidade? O que é a felicidade?
Viver esse tipo de vida,
trancada sozinha em casa, encontrando-se apenas com algumas pessoas escolhidas,
é mesmo felicidade?
Os olhos de Lapis estavam
fixos em Koremitsu.
Seus olhos davam a
impressão de que havia um globo girando naquele pequeno espaço dentro deles.
De repente, Hikaru exibiu
uma expressão distante semelhante à de Lapis.
— Sou apenas um fantasma.
Não posso responder a essa pergunta.
— Hã?
Koremitsu perguntou de
volta, surpreso.
Hikaru olhou para Koremitsu
em silêncio com uma expressão sábia.
Seu tom também se tornou
distante.
— Afinal, essa “felicidade”
é algo que apenas os vivos têm o privilégio de conceber.
— Espere... Por que está
agindo como um mero espectador agora? Foi você quem me trouxe aqui!
Ao ouvir aquilo, ele
ficou perplexo e, sem querer, gritou.
— E por que não revela a
promessa que fez a Yu, aconteça o que acontecer? Quais são seus planos para
ela?
Ele não conseguia
entender por que o tom de Hikaru se tornou tão distante.
O belo e branco rosto de
Hikaru perdeu toda a expressão, como se contemplasse os eventos de um mundo
distante. Ele murmurou.
— Isso não vai funcionar,
Koremitsu... Não posso te dar a resposta.
Ao ouvi-lo, Koremitsu
sentiu a cabeça ferver de raiva. Em seu furor rugiu.
— Que tipo de piada é
essa! Seu desgraçado!
A vizinha começou a bater
na parede, não uma vez, mas várias vezes seguidas.
A parede tremeu e Yu
abriu um pouco os olhos.
— As ondas estão... Muito
grandes hoje... A baleia está batendo a cauda com força...
Ela disse isso em estado
de estupor.
Então, encontrou
Koremitsu paralisado com uma expressão severa e perguntou, preocupada.
— Qual é o problema?
Hikaru se afastou de
Koremitsu e continuou a acariciar a cabeça de Lapis.
Sem conseguir extravasar
suas frustrações em lugar nenhum, gritou de repente, exasperado.
— Yu, que tal irmos para
a escola?
— Eh?
Yu baixou as pálpebras.
Koremitsu ajoelhou-se em
frente a Yu, inclinando o corpo para a frente.
— Não é normal ficar
trancada no quarto todos os dias, e também não faz bem para a saúde. A linha
entre a realidade e os delírios vai ficar cada vez mais tênue. É melhor sair e
dar uma volta antes que suas pernas comecem a criar nadadeiras!
Realmente não sabia se
deveria ter dito aquelas palavras.
Porém, ao ver Hikaru tão
distante, ficou tão irritado por dentro que, sem se dar conta, proferiu essas
palavras impulsivas.
— Se alguém te intimidar,
vou dar uma surra nele. Se for para a escola, podemos nos encontrar a qualquer
hora! Podemos estar em turmas diferentes, contudo posso te fazer companhia no
intervalo do almoço se estiver se sentindo sozinha... Podemos almoçar juntos...
O que diabos estou
dizendo?
Koremitsu sentiu a
garganta seca e o rosto arder.
O rosto de Yu, no
entanto, empalideceu, e com uma voz bem baixinha...
— Não...
Ela respondeu.
Koremitsu ficou perplexo.
Yu puxou o cobertor com
força com as mãos trêmulas e recuou devagar.
— Não. Por que você
precisa dizer... Essas coisas? Não quero ir para a escola.
Normalmente, ela
conseguia conversar com calma na frente de Koremitsu. Entretanto, naquele
momento, estava apavorada. A ponto de todo o seu corpo sentir repulsa só de
pensar nisso.
— Não pode só ficar
escondida dentro de casa para o resto da vida, né? E precisa pensar em como
ganhar dinheiro para pagar o aluguel e as despesas. O que vai acontecer se seu
pai não te der dinheiro?
Yu arqueou os ombros.
Como uma criança repreendida, fez uma careta e disse com a voz embargada pelo
choro.
— E-Eu vou aguentar
firme, mesmo que esteja com fome.
— O gás e a eletricidade
podem não ser as únicas coisas cortadas da próxima vez. Eles podem cortar a
água.
— Vou aguentar firme.
— Você vai morrer.
— Vou aguentar firme. É
melhor do que ir para a escola. Se eu for, todos vão me olhar com desprezo e
até falar mal de mim. Vou ficar sozinha na escola...
Ela fez mais força ao
puxar o cobertor, recuou e se enfiou debaixo dele no canto. Koremitsu sentiu o
coração apertar, a cabeça ferver enquanto começava a perder a confiança.
(Eu disse alguma coisa
errada aqui?)
Ele não soube dizer.
Hikaru continuou a
acariciar a cabeça de Lapis, com as pálpebras semicerradas, seus dedos
delicados e afeminados deslizando suavemente... E não demonstrou nenhuma reação
às palavras de Koremitsu e à timidez de Yu.
Quanto mais Koremitsu
observava aquilo, mais se enfurecia. Sou diferente do Hikaru, eu realmente
me importo com a Yu aqui, pensou.
Não conseguindo se
controlar depois que perdeu a cabeça, prosseguiu.
— Eu já disse antes! Se
alguém te intimidar, vou dar uma surra nessa pessoa! Eu sou igual a você! Todo
mundo na escola fica me olhando com desconfiança, espalhando todo tipo de boato
sem fundamento, dizendo que sou um delinquente, suspeito de assassinato, e por
causa disso nem consigo ter um amigo! Ainda assim, continuo indo para a escola
todos os dias e vou terminar minha lição de casa direitinho!
Quanto mais sério falava,
mais o coração de Yu parecia se distanciar.
Ela não queria mais olhar
para o seu rosto.
Uma voz fraca veio de
debaixo do cobertor azul.
— Porque... Você é muito
forte... Eu definitivamente não consigo fazer isso... Se formos para a escola
juntos, vou morrer. Já que vou morrer de qualquer jeito, prefiro morrer de fome
aqui.
— NÃO FALE BOBAGEM!
Em um ato de desespero,
Koremitsu inclinou-se para a frente, entretanto seu braço acabou se prendendo
na bolsa de golfe por acidente.
Desestabilizada pelo seu
braço, a bolsa tombou em seguida. O ventilador e o fogão também viraram,
enquanto as conchas e as bolinhas de gude caíram por todo o chão.
Yu revelou o rosto por
baixo do coberto e olhou fixamente para o nada. Ela arrastou o cobertor
enquanto corria em direção à bolsa de golfe caída e ao ventilador.
— Ah, de-desculpa, foi um
erro meu...
Hikaru permaneceu imóvel.
Aquele esplêndido perfil
lateral permaneceu tão imóvel quanto uma escultura de mármore.
— Vai embora...
O rosto delicado de Yu
estava tomado pelo medo enquanto sussurrava.
Ela se ajoelhou, com as
mãos tremendo enquanto recolhia as conchas espalhadas.
— Vai, vai! Nunca mais
volte!
Yu continuou, e se
esparramou no chão, com o rosto colado nele. Era óbvio que estava chorando,
pelos ombros trêmulos e pela voz embargada.
Então, com voz magoada,
falou com o surpreso Koremitsu.
— Depois de tudo, você é
diferente do Hikaru.
(Droga, eu já sabia
disso!)
O céu estava escuro
enquanto seguia pelo caminho que levava para casa, e Koremitsu cerrou os
dentes, apertou os punhos e rugiu do fundo do seu coração.
(Eu e o Hikaru já
somos diferentes, não sou tão bom quanto ele com garotas. O Hikaru não faria
nada, então pensei que deveria fazer algo por ela...)
Não esperava que Yu se
mostrasse tão relutante em ir à escola.
— HIKARU! PARE DE SE
FINGIR DE MORTO E DIGA ALGUMA COISA! NÃO ME VENHA COM ESSA DE “NÃO POSSO TE DAR
A RESPOSTA”! YU NÃO É SUA MULHER TAMBÉM?
Ele gritou, com o peito
em chamas e a garganta seca.
Hikaru continuou
encarando Koremitsu, de pé, na escuridão azulada.
Os cabelos e a pele
despigmentados pareciam desvanecer-se na escuridão, transmitindo uma sensação
de distanciamento e ilusão. A tonalidade dos seus olhos estava mais clara do
que antes, e embora o tornasse excepcionalmente bonito, também o fazia parecer
mais desconectado do mundo, dificultando a compreensão dos seus sentimentos.
Koremitsu o encarou com
uma expressão furiosa e suplicante, e Hikaru enfim mostrou uma expressão um
pouco mais angustiada.
— No passado, alguém
importante... Certa vez me repreendeu... Por eu ter tomado certa decisão.
Naquele momento, senti que minha decisão poderia não ter sido a correta...
Koremitsu não entendeu o
que Hikaru estava dizendo.
Apenas sentiu uma porta
se fechando silenciosamente à sua frente.
Logo atrás dessa porta
transparente estava um rapaz bonito de pele branca... O rapaz que considerava
um amigo.
— E por causa disso... Você
quer me pedir para tomar uma decisão?
Hikaru não respondeu.
Suas pálidas pálpebras se
fecharam com força, estreitando os olhos e sorrindo de forma solitária.
(Por que está sorrindo
num momento como esse? Vai deixar a Yu sozinha desse jeito? A Yu ainda está
perseguindo sua ilusão no quarto, mesmo agora! Ela precisa de você, não de mim!)
Koremitsu lançou um olhar
furioso para Hikaru, com as pupilas quase saltando das órbitas, e então gritou
com uma expressão contorcida.
— TUDO BEM! NÃO VOU
DEPENDER DE VOCÊ!!
Link para o índice de capítulos: When Hikaru was on the Earth...
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