sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Maou no Ore ga Dorei Elf wo Yome ni Shitanda ga, Dou Medereba Ii — Volume 05 — Capítulo 25

Capítulo 25: Prólogo















— Haaah... Haaah... Haah... — Nephteros corria pela floresta escura, ofegante. Algo inumano a perseguia, produzindo sons raspantes contra o solo. A criatura vestia um manto que parecia um trapo velho e possuía vários braços e pernas que se projetavam de seu corpo, movendo-se de forma rastejante, como uma aranha. Nephteros não fazia a menor ideia do que aquilo queria, mas era, sem dúvida, uma quimera.

— Desista logo... Selini Chavliodous!

Ao dizer isso, Nephteros virou-se e golpeou o ar com o braço direito, uma lâmina de cristal com as cores do arco-íris rasgou o solo. Instantes depois, a lâmina de cristal disparou, atravessando seu grotesco perseguidor sem lhe dar qualquer chance de esquiva. Porém, Nephteros não tinha tempo para celebrar a vitória. Aproveitando a vantagem que conquistara, começou a entoar seu próximo feitiço em Celestian.

— [Tu és aquele que governa o terror. Acompanhado pelo deus da guerra, torna-te aquele que traz a destruição e o caos.]

O perseguidor continuou a avançar, rastejando em direção a Nephteros, apesar dos cristais que lhe atravessavam o corpo. Mesmo com os estalos e ruídos de sua estrutura se partindo, a criatura não demonstrou qualquer sinal de desaceleração. E aquilo fazia todo o sentido. Afinal, se fosse um oponente que pudesse ser derrotado com tanta facilidade, uma alta-elfa como Nephteros não teria sido forçada a travar uma batalha tão penosa e brutal. Sem interromper sua concentração, Nephteros cortou o próprio polegar contra um de seus dentes caninos e espalhou o sangue pelo ar. Ao utilizar seu sangue como meio, sentiu sua própria vida ser drenada, perdendo a força necessária para permanecer de pé. Ainda assim, Nephteros estendeu as mãos e concluiu seu cântico de destruição.

— [Eis o badalar do sino que esmaga a alma!]... Phobos Ichos!

O espaço ao redor do perseguidor distorceu-se, como se a criatura tivesse sido aprisionada de repente em uma bolha. Logo em seguida, a distorção esmagou o corpo do perseguidor, transformando-o em uma massa de carne que explodiu. Após confirmar que aquilo enfim parara de se mover, Nephteros desabou no chão.

O misticismo celestial não era feitiçaria. O que entoava era uma “oração”, não um cântico. Seu poder só se manifestava após a recitação de vários versos de uma prece ritualística. A princípio, nada poderia substituir a oração. Contudo, se dedicasse tanto tempo aos preparativos, seu perseguidor a alcançaria. Foi por isso que Nephteros consagrou seu próprio sangue para arcar com o peso daquela prece. O preço de tal corrupção só poderia ser pago com a sua própria vida. Como utilizara o misticismo celestial em rápida sucessão, seu coração batia tão acelerado que corria o risco de parar a qualquer instante. Além disso, sua visão escureceu, dando-lhe a sensação de que perderia a consciência.

Dói. Minha garganta está seca... Não consigo respirar...

Não era de se admirar. Durante a última semana, fora perseguida por quimeras, sem conseguir dormir ou beber água adequadamente. A maioria dos feiticeiros conseguiria lutar por um dia inteiro sem perder o fôlego, no entanto era impossível manter esse ritmo por uma semana inteira, sem sono, descanso ou alimento.

Não dá... Não consigo ficar de pé...

Não havia a menor chance de aquele feiticeiro terrível ser benevolente com ela naquele momento. Precisava se afastar um pouco mais, antes que fosse tarde demais. Reunindo o que lhe restava de força de vontade, Nephteros tateou as bolsas em sua cintura. Retirou um odre de pele de ovelha, todavia não restava sequer uma gota de água lá dentro.

— Ah... — exclamou Nephteros, antes de desabar, com seus cabelos prateados espalhando-se pelo chão. Sua respiração tornou-se um sibilo, e seus olhos dourados se fecharam. Estava prestes a perder a consciência.

— Está tudo bem, moça? Quer um pouco de água?

Era uma voz jovem, que não dava para distinguir se pertencia a um menino ou a uma menina. Antes que percebesse, uma criança pequena espiou o rosto de Nephteros. A criança segurava um copo transparente cheio de água.

Entretanto, ao olhar para o seu rosto, o corpo de Nephteros enrijeceu.

— Mestre... Bifrons...

A figura que estava ali, vestida como uma criança inocente, não era ninguém menos que um dos treze Arquidemônios... O feiticeiro que também servia como mestre de Nephteros.

— Ora, ora, por que está tão assustada? Ahaha.

Nephteros tentou se levantar, mas, sem forças no corpo, acabou apenas se contorcendo. Ainda assim, rolou pelo chão para se afastar do Arquidemônio. Bifrons, por sua vez, apenas ria, observando Nephteros de um jeito encantador.

— Fufufu, que gracinha... Vamos, volte e descanse um pouco.

Essas palavras, ao mesmo tempo aterrorizantes e descaradas, fizeram com que Nephteros sentisse vontade de vomitar.

— Você... Não tem escrúpulos...

— Ora, não estou brincando, viu? Você é diferente de todos aqueles fracassos, posso garantir. Até desenvolveu o misticismo celestial que lhe ensinei, e consegue usá-lo sem precisar da oração. Deixando de lado a extensão do seu poder, sua habilidade no misticismo celestial supera até mesmo a de Nephelia. — afirmou Bifrons, sorrindo sem o menor vestígio de más intenções, e continuou. — Então, será que devo só perdoá-la por ter me desafiado e fugido?

Esse era o motivo pelo qual Nephteros estava sendo perseguida. Após descobrir a verdade na vila élfica escondida, Nephteros decidiu fugir de Bifrons. E assim, usando o braço trêmulo para apoiar o corpo, se ergueu e lançou um olhar furioso de volta para ele.

— Então... Deveria, pelo menos... Saber qual é a minha... Resposta...

— Ora, como é teimosa. Já passou da hora de aceitar isso. Estou cansado de ficar segurando. Ah, não coloquei nenhuma substância estranha nem nada do tipo. É só água pura, pode ficar tranquila.

Para aquele Arquidemônio, tudo não passava de um jogo. Uma brincadeira divertida que lhe permitia observar até onde Nephteros conseguiria ir e em que momento ela por fim desistiria. Não havia motivo algum para tornar a perseguição menos interessante.

Infelizmente, naquele momento, uma única gota de água parecia um presente dos céus, por isso, Nephteros estendeu a mão timidamente e...

— Opa, perdão! Minha mão escorregou! — disse Bifrons, derramando o copo de água no chão, bem diante dos olhos de Nephteros. No estado em que se encontrava, aquilo foi mais do que suficiente para deixá-la profundamente irritada.

— Ah...

Nephteros soltou um suspiro, arregalando os olhos ao se deparar com a risada irritante de Bifrons.

— Ahahahahaha, desculpe! Não foi por querer, prometo! Vou buscar outro copo, não precisa fazer essa cara assustadora, tá bom? Ahahahaha.

Maldito demônio... pensou Nephteros, lançando um olhar fulminante, uma tentativa mínima de resistência. Bifrons, por sua vez, continuou agindo como se o comportamento dela fosse algo muito divertido.

— Ei, vamos. Dá para não fazer essa cara tão assustadora? Sério, acho você uma gracinha. É por isso que não levantei a mão diretamente contra você... Embora também não vá te salvar... — Bifrons falou enquanto se virava. E então a quimera, que deveria ter sido reduzida a um amontoado de carne, começou a se contorcer de novo.

Não pode ser...

Nephteros ficou chocada. O misticismo celestial que disparou era a arma mais poderosa em seu arsenal. É verdade que o poder destrutivo foi reduzido porque encurtou a oração, contudo não tinha nenhum trunfo mais forte. Em outras palavras, não havia forma de matar aquela quimera.

— Essa “criança” é sua oponente. Bem, como não tem capacidade de raciocínio, não é nada fofa, no entanto possui imortalidade pelo menos. Digo, inseri nela fragmentos do Lorde Demônio de Lodo que coletei no incidente da última vez, por isso é tão poderosa!

Uma onda de pavor tomou conta de Nephteros ao ouvir as palavras de Bifrons. O Lorde Demônio de Lodo a que Bifrons se referia era aquele que usou Nephteros como núcleo para se manifestar. Após ser engolida por aquela coisa repulsiva, ela sufocou, e cada parte de seu corpo foi submetida a um tormento atroz. Naquela ocasião, chegou a sentir a dor de estar sendo dissolvida, mesmo estando viva. Não era algo que pudesse esquecer tão fácil. Diante dessa realidade, Nephteros virou as costas para os dois monstros e começou a rastejar pelo chão, tentando fugir.

— Ahahahaa, isso mesmo. Perfeito. Bem, volte antes que acabem com você, certo?

Para onde eu posso ir...? Nephteros corria enquanto tapava os ouvidos, tentando abafar a risada maníaca de Bifrons.

Antes que percebesse, o sol já havia se posto, e o caminho à sua frente estava tão escuro que parecia levar direto ao submundo.

***

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