quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Maou no Ore ga Dorei Elf wo Yome ni Shitanda ga, Dou Medereba Ii — Volume 04 — Capítulo 24.5

Capítulo 24.5: Contos Extras

Uma Demonstração de Gratidão

— Seja grato. Eu me dei ao trabalho de vir até aqui para entregar isto... Por que sou eu quem está agindo de forma arrogante? Ele é um Arquidemônio, não é? Então... Obrigada pelo manto. Não esquecerei a dívida que tenho com você por ter salvado minha vida... Por outro lado, ser modesta demais também é estranho...

Nephteros murmurava consigo mesma na floresta, nos arredores de Kianoides. O manto do Arquidemônio Zagan estava aninhado em seus braços. Poucos dias antes, fora salva por ele durante um certo incidente, e acabou ficando com o seu manto emprestado.

Foi o próprio Zagan quem me pediu para devolvê-lo, então não tenho outra escolha... No entanto, a própria personalidade de Nephteros acabava atrapalhando. Não fazia ideia de como expressar gratidão a alguém. Por esse motivo, permaneceu parada diante do castelo de Zagan, imersa em seus pensamentos, falando sozinha e ensaiando o que diria.

Nephteros já estava ali há um bom minuto quando, de repente, olhou para o manto em suas mãos.

— Espere um pouco... Este manto está terrivelmente esfarrapado, não está...? — Nephteros achou que aquilo parecia surrado demais para ser usado por um Arquidemônio.

O que será que a Nephelia está fazendo? Será que está tentando envergonhar o seu mestre...? Mas, assim que esse pensamento lhe ocorreu, percebeu que não era bem esse o caso.

— Entendo. É porque ele me salvou.

Zagan havia lutado contra o Lorde Demônio, um ser que superava em muito o poder humano... Bem, na verdade, lutou contra os resquícios dos pensamentos desse ser. Se não tivesse tentado salvar Nephteros durante a batalha, seu manto não teria ficado em um estado tão esfarrapado.

— Acho que, pelo menos, vou consertar isso.

Feitiços capazes de restaurar um objeto ao seu estado original eram extremamente comuns. O nível de sucesso dependia, como bem conhecido, das habilidades de quem realizava a feitiçaria, servindo portanto como uma boa medida de força. E, no momento em que ergueu o dedo para conjurar sua feitiçaria, por algum motivo, Nephteros baixou a mão.

— Há algo de errado em depender da feitiçaria o tempo todo.

A feitiçaria podia tornar o impossível possível, porém, se dependesse demais dela, acabaria se tornando mais parecida com seu mestre, Bifrons. Não queria ser assim, foi por essa razão que partiu rumo à cidade de Kianoides.

— Aquela cidade é bem grande, então alguém deve vender as ferramentas de que preciso para consertar isto, não é...?

Não que quisesse bajular o Arquidemônio para ganhar um elogio seu, contudo Nephteros decidiu enfrentar o desafio de costurar pela primeira vez em sua vida.

Infelizmente, levou um mês inteiro até chegar a um resultado que a deixasse satisfeita com seu trabalho.



A Ameaça da Torta de Peixe

— Oh? É raro ver a senhorita Chastille cozinhando.

Chastille assentiu com um ar orgulhoso ao ouvir o comentário de seus três subordinados.

— Hmm. Vou participar de um pequeno encontro no orfanato, então pensei que seria legal oferecer às crianças um pouco de comida caseira... Embora, para ser sincera, não acho que cozinho tão bem quanto a Nephy.

Sua voz foi perdendo a força ao final da frase, entretanto, ao ouvirem a resposta, os três cavaleiros olharam para ela com carinho e sorrisos no rosto.

— Isso é maravilhoso. Tenho certeza de que as crianças ficarão radiantes. O que a senhorita está preparando?

— Estou fazendo algo chamado torta de peixe.

Os cavaleiros congelaram ao ouvir a resposta.

— S-Senhorita Chastille, sei que é indelicado perguntar, mas a senhorita sabe que prato é esse?

— Claro. É uma torta de batata com peixe branco. É a primeira coisa que me vem à cabeça quando penso na comida da minha mãe.

Ela estava apenas parcialmente correta. Tratava-se de uma torta de batata circular, com uma cabeça de peixe espetada bem no meio. A simples visão daquilo era aterrorizante o suficiente para levar qualquer criança às lágrimas.

— Posso não parecer, porém venho de uma família nobre... Bem, nossa casa acabou entrando em ruína total, só que por causa disso minha mãe cuidou de todas as tarefas domésticas. A sua comida não era lá essas coisas, contudo esse era um prato de que sempre gostávamos.

Chastille acreditava, de fato, que o sabor da comida de uma mãe era o próprio sabor do lar. Por essa razão, tinha certeza de que as crianças ficariam felizes em provar a comida caseira de sua mãe. E, enquanto explicava tudo aos três cavaleiros, eles cobriram o rosto, incapazes de suportar a situação por mais tempo.

— Senhorita Chastille! Nós a ajudaremos a escolher pratos que as crianças realmente apreciariam. Por favor, reconsidere sua decisão!

— Hã? Mas...

— Olha só! Nós três somos conhecidos pelas crianças da cidade como os “três tios idiotas”, então nos damos muito bem com elas!

— É-É mesmo...? Então, por favor, fiquem à vontade. Ficarei feliz, contanto que as crianças se divirtam.

Era um fato pouco conhecido que, naquele belo dia, aqueles cavaleiros protegiam a cidade de uma ameaça que ia muito além de simples feiticeiros.



Super Estimulação

— Keeheehee, e então, Valefor? O que achou do sabor da iguaria que preparei no próprio caldeirão do inferno?

— Hmm, é gostoso... Gremory, você leva jeito para fazer doces! — exclamou Foll, devorando os quitutes que Gremory lhe dera, soltando um suspiro de satisfação. Em seguida, inclinou a cabeça para o lado ao notar que Gremory balançava a cabeça afirmativamente, de forma repetida.

— Parando para pensar... Por que está sempre na forma de uma velhinha, Gremory?

— Hmm, vejo que continua sendo um dragão. Essa é uma pergunta bem perspicaz... — Gremory abriu os braços de maneira exagerada ao dizer isso e, com um ar triunfante, declarou. — É porque desejo amar todas as criaturinhas adoráveis ​​de espécies raras. Só que não é como se eu quisesse ser amada por elas.

Sem entender absolutamente nada do que ouvia, Foll inclinou a cabeça mais. Gremory, por sua vez, não deu a mínima e continuou a falar.

— Em outras palavras, quero apenas continuar contemplando criaturas encantadoras, em uma relação de via única. Sendo bem radical, nem seria preciso que estivesse aqui, posso ser apenas um elemento do cenário... Como uma árvore ou uma rocha... Durante os momentos dramáticos. Todavia, se eu me transformasse em um objeto inanimado, não conseguiria observá-las do ângulo que bem entendesse. Por isso, escolhi esta forma.

— Não entendi. Então não quer chamar a atenção?

— Pode interpretar assim. Ninguém para e presta atenção em uma velhinha decrépita passando por perto. É por isso que consigo me aproximar o quanto quiser daqueles a quem desejo dedicar meu amor!

A explicação de Gremory não ajudou em nada a dissipar a confusão de Foll.

— Mas eu gosto de você, Gremory. Seria triste se virasse uma árvore ou uma pedra.

— Hnnngh!

Um jato de sangue escapou do nariz de Gremory enquanto tombava. Ao ver a cena, Foll correu até a velha, com o rosto pálido.

— M-Magnífico... Um ato tão puro... É estimulante... Demais... Até para mim... — Gremory parou de se mover completamente, porém sua expressão era de puro êxtase.

— Bom, tanto faz... — disse Foll, que acabou comendo, em silêncio, os quitutes assados ​​enquanto cuidava de Gremory.



A Sereia Bêbada

— Gaaaaaah! Tipo, o que exatamente você está dizendo que fiz de errado aqui?

Nephy ouviu uma voz familiar vindo de um bar e parou enquanto caminhava por Kianoides com Manuela.

— Que algazarra é essa?

— Quem sabe? E, na verdade, quem se importa? Ninguém que preste ficaria tão embriagado em plena luz do dia. Vamos, Nephy.

— Espere um instante, por favor. Acho que reconheço essa voz...

Nephy ignorou a sugestão da amiga e espiou dentro do bar. Lá, encontrou uma sereia afogando as mágoas na bebida.

— Você é... Aquela que estava cantando no baile noturno, no navio?

— Hwah? Ah, você é a... Do Sr. Arquidemônio...

A sereia jogou de lado a garrafa vazia e se agarrou a Nephy.

— Waaah! Me escuta, Srta. Nephy! Tipo, todos os estabelecimentos aqui dizem que uma cantora não combina com eles e não me contratam! Estou desempregada! E sem um tostão no bolso!

Ao ouvir que ela estava sem dinheiro, e vendo a montanha de comida e bebida que a sereia havia acumulado, os funcionários bloquearam a saída.

— Caramba... Por isso eu disse para você não se envolver...

A sereia começou a choramingar ao ouvir a declaração implacável, porém justa, de Manuela.

— Waaah! Tragam todas as garrafas que tiverem! Vou mergulhar nelas e, tipo, absorver tudo!

— Daria até para vender como “sereia em conserva”... Espera, a sua espécie consegue respirar esse tipo de coisa?

— Se estiver disposta a me pagar, então, tipo, qualquer coisa serve!

Independentemente de como se olhasse para a situação, aquilo não era uma fonte de renda nada confiável para uma sereia...

Manuela coçou a cabeça e voltou sua atenção para Nephy.

— O lugar do Zagan está precisando de gente, por causa de todos os novos habitantes, não é? Você não teria algum trabalho para ela fazer?

— Vou tentar perguntar.

— Sério? Vai mesmo me indicar para um trabalho? Eu topo qualquer coisa, até limpar banheiros ou o que você quiser!

E assim Nephy acabou levando a sereia de volta para o castelo.

***

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