Capítulo 12.5: Contos Extras
— O que será isto? — Nephy inclinou a cabeça para o lado enquanto pegava a garrafa que o senhor do castelo havia trazido. Ela ainda estava cerca de metade cheia de líquido e apresentava sinais de já ter sido aberta antes. Ao remover a rolha, Nephy tentou sentir o aroma do conteúdo e notou um cheiro um tanto incomum vindo da garrafa. Uma sensação estimulante percorreu o caminho do nariz à garganta, embora também parecesse, de certa forma, doce.
— Será que é... Bebida alcoólica?
Era um artigo precioso na vila dos elfos; portanto, aquela era a primeira vez que Nephy tinha a chance de ver uma de perto.
— Preciso pensar na refeição perfeita para acompanhar... — Nephy decidiu perguntar à sua amiga Manuela, quando tivesse oportunidade, que tipos de comida combinavam com esse tipo de bebida. Por enquanto, sabia apenas que existiam inúmeras variedades. E, para conseguir pensar em pratos que harmonizassem com ela, Nephy derramou um pouco do líquido da garrafa em seu dedo para verificar o sabor.
— Erk, ack... Ugh...
Uma sensação de queimação na garganta a atingiu antes mesmo que conseguisse sentir qualquer gosto. Parecia que aquela bebida tinha um teor alcoólico particularmente alto. Mesmo tendo provado apenas uma gota, já se sentia tonta.
Por enquanto, preciso fechar a garrafa... Ela não podia permitir que a bebida que Zagan se dera ao trabalho de trazer fosse desperdiçada. E assim, ao vedar a garrafa de novo, Nephy percebeu algo. Restava apenas metade do conteúdo. Em outras palavras, Zagan já havia bebido um pouco.
— A bebida... Que o Mestre Zagan deixou pela metade...?
Então, como será que bebeu? Quando Zagan voltou, não trazia nada parecido com um copo; será que encostou os lábios direto na garrafa? O coração de Nephy disparou, sua cabeça ficou atordoada e seu corpo esquentou. Então, espontaneamente, tocou os próprios lábios.
— Ah, no que estou pensando...? Será...
Balançando a cabeça, afastou a garrafa. Ainda assim, se fosse só um pouquinho, não haveria problema, desde que limpasse tudo depois?
Nephy penteou para trás os cabelos brancos como a neve e aproximou a ponta do frasco do rosto, enquanto seu corpo tremia devido a pensamentos imorais.
— Hã, Nephy? Você ainda está acordada?
Nephy deu um pulo ao ouvir a voz de Zagan vindo de trás. Enquanto fechava a garrafa às pressas, visivelmente nervosa, ele se aproximou para olhar o rosto dela.
— Hã...? Você está bem? Seu rosto está bem vermelho, sabia?
— Awawa, n-não é nada!
Ela estava ardendo em calor e, embora já tivesse passado o efeito da bebida, por um breve momento, Nephy não conseguiu olhar para o rosto de Zagan.
Apenas um Gole
— O que é... Isso?
Ao amanhecer, Foll inclinou a cabeça para o lado ao ver uma garrafa deixada na cozinha. Provavelmente fora Nephy quem a colocara ali. Foll vinha ajudando Nephy na cozinha todos os dias, porém nunca havia notado aquele objeto até então. Ao abri-la para dar uma olhada, um aroma que era, ao mesmo tempo, doce e forte chegou ao seu nariz.
— Tem um cheiro bom. É uma bebida?
Ouviu-se o som de sua garganta engolindo em seco. A jovem Foll não sabia, contudo tratava-se de uma bebida alcoólica forte, capaz de deixar uma pessoa comum inconsciente com apenas uma dose.
— Um gole não deve fazer mal... — Foll olhou ao redor e, após confirmar que não havia ninguém por perto, tentou servir um pouco em um copo. O líquido dourado lembrava mel, parecendo doce aos seus olhos.
— O que é isso...? É incrível... — Foll pôs a língua para fora e lambeu um pouco do líquido, descobrindo ser uma bebida surpreendentemente estimulante. Uma onda de calor percorreu sua garganta até o peito, e sentiu como se todo o seu corpo estivesse sendo estimulado. E, num piscar de olhos, o copo já estava vazio.
— Wow... — Foll soltou uma exclamação de espanto sem querer. Sua visão começou a oscilar e girar. No entanto, não era uma sensação desagradável; pelo contrário, era tão prazerosa que sentia vontade de cair na gargalhada a qualquer momento.
— Parece algo que... O pai gostaria. — Foll ficou triste de repente ao pronunciar essas palavras sem querer. Seu pai já não estava mais ali. Ela se tornou uma feiticeira para vingá-lo, entretanto nem mesmo isso foi suficiente para enterrar a tristeza que sentia. Enquanto remoía esses pensamentos, Foll deixou o copo para trás e saiu da cozinha, caminhando de forma um tanto instável.
E o lugar para onde se dirigiu... Foi a sala do trono, onde o senhor do castelo, Zagan, passava a maior parte do tempo.
— Hm? O que você quer a esta hora, Foll?
— Não consigo dormir.
Ela não conseguia dizer que tinha ficado solitária e viera até ali. Zagan soltou um suspiro baixo ao ouvir a sua resposta, todavia não a mandou embora. E, enquanto Foll se sentava aproximava do trono, acabou se encostando no colo de Zagan.
— Ei, esse cheiro... Não pode ser... Você bebeu alguma bebida alcoólica?
— Bebida alcoólica? Só tomei um suco na cozinha.
— Suco, é...? Haaah... Aquela era uma bebida de primeira, sabia? — Zagan acariciou com carinho a cabeça de Foll enquanto dizia isso, apesar do tom um tanto nostálgico. E, achando o toque da mão dele agradável, os olhos de Foll se fecharam naturalmente.
— Criar uma filha dá bastante trabalho, não é?
Foll teve a impressão de ouvi-lo dizer isso, mas já havia mergulhado no mundo dos sonhos.
A Terceira Vítima
— A Nephy... Não está aqui, né? — Chastille espiou a cozinha querendo perguntar onde jogar o lixo, porém não havia ninguém lá. No momento, devido a certas circunstâncias, estava morando no castelo de Zagan.
— Ela saiu? O que eu faço...
O castelo era enorme. Além do mais, se Chastille andasse por ali, havia uma grande chance de que acabasse acionando alguma armadilha; tendo essa ideia em consideração, era difícil explorar o local.
— Não tenho outra escolha, então. Acho que vou apenas esperar aqui.
Já era quase meio-dia, então Nephy deveria voltar em breve. Chastille então notou um aroma no ar. Olhando mais de perto, viu uma garrafa e um copo deixados sobre a mesa. Havia também um pouco de líquido no copo, e sua cor lembrava mel.
— Bebida alcoólica...? Acho que a Nephy não bebe, então será que é do Zagan?
Sem nenhuma intenção específica, Chastille pegou o copo. Nos últimos dias, só havia passado por experiências horríveis. Zagan era... Bem, deixando isso de lado, Nephy sempre a tratava com gentileza, no entanto cicatrizes emocionais não são fáceis de curar. Foi por esse motivo que Chastille recostou-se e virou de uma vez o líquido que restava no copo... Uma quantidade que não passava de uma colherada.
— Hmm, isso caiu muito bem!
Não era a sua primeira vez bebendo algo alcoólico, entretanto nunca havia provado nada tão delicioso.
— S-Só mais um pouquinho não tem problema, né?
A garrafa ainda estava um terço cheia. Observando os arredores, Chastille não sentiu a presença de mais ninguém. Também não parecia haver sinais de que alguém estivesse apenas pregando uma peça nela.
— Quer saber? Vou tomar mais um gole!
Depois de encher o copo até a metade, bebeu tudo de uma vez. Em seguida, uma sensação de queimação desceu da garganta para o peito, e seu corpo começou a esquentar.
— Hnnngh, aquele maldito Zagan, guardando uma bebida tão gostosa só para si... Ãh, hã?
A visão de Chastille começou a girar. Parecia ser uma bebida forte o suficiente para derrubar uma pessoa comum com apenas um copo.
— Haaah...
O chão... Está frio... Meu corpo... Não se move... Será que estou... Morrendo?
Enquanto Chastille desabava em lágrimas, ouviu a voz desesperada de Zagan.
— Ei, droga, você está bem...? Haaah, até você acabou bebendo um pouco?
O corpo de Chastille ficou tenso, achando que ele ficaria bravo com ela, contudo, em vez disso, sentiu seu corpo flutuar suavemente no ar. Zagan a carregava nos braços. Ela acabou mostrando seu lado patético mais uma vez, porém, apesar disso, Chastille sentiu uma pontinha de felicidade com o desfecho de tudo aquilo.
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