quinta-feira, 7 de maio de 2026

When Hikaru was on the Earth... — Volume 01 — Capítulo 07.2

Volume 01: Aoi — Capítulo Especial 07.2: O que você e eu pedimos em oraçãoquando nossas infâncias terminaram — seu desejo


Em seu terceiro ano do ensino fundamental, Koremitsu não tinha um único amigo.



Quando foram fazer uma trilha nas montanhas da última vez, ele foi quem sentou no último banco do ônibus. Ao chegarem ao destino, seus colegas estavam reunidos em grupos, conversando e rindo enquanto caminhavam, mas Koremitsu continuava calado, com a expressão séria fixa no rosto enquanto seguia sozinho em direção ao topo da colina, sem dizer uma palavra.



Havia lindas flores ao lado de seu caminho, pássaros empoleirados nos galhos, porém não olhou para eles.



Sabia, com apenas 9 anos de idade, que se olhasse nos olhos dos pássaros, eles se assustariam com ele e fugiriam, tal qual seus colegas de classe.



Mesmo quando chegavam ao topo da colina, não falava com ninguém e procurava um lugar onde ninguém o notasse. Assim que encontrava um lugar assim, estendia sua toalha de piquenique e comia seu bento sozinho.



Isso porque, se o professor o visse, era provável que dissesse...



— Pessoal, por favor, deixem o Akagi participar também.



Poderia acabar nesse tipo de situação.



Nesse caso, os alunos que estavam conversando e comendo alegremente se calariam e desviariam o olhar, abaixando a cabeça e se mexendo inquietos.



— Akagi parece realmente assustador. Aquele cabelo ruivo pertence a um delinquente.



— Ouvi dizer que ele brigou com um aluno do quinto ano e o machucou.



— Ouvi dizer que mordeu o buldogue Shingen, que pertencia ao Tanaka, em frente à escola.



Conhecia muito bem esses rumores que circulavam a seu respeito.



Você é arrogante demais, mesmo sendo apenas um calouro. O veterano do quinto ano, procurando confusão, disse isso, e Koremitsu se abaixou para passar por um buraco na cerca de metal para escapar. O veterano também tentou passar, contudo ficou preso lá dentro, e, ao se debater, as pontas da cerca de arame cortaram seus braços e costas, fazendo-o sangrar por todo o corpo e gritar de dor.



O famoso buldogue, Shingen, que latia para os alunos, saltou em direção a Koremitsu assim que a argola de sua coleira foi solta.



Ele tentou conter Shingen e pressionou a cabeça contra o rosto do animal. Os transeuntes, ao verem aquilo, gritaram: “O Akagi, do terceiro ano, mordeu o Shingen!”, e a multidão se reuniu, causando um grande alvoroço.



— Tu... Tudo bem mesmo que eu não tenha um amigo.



— Você comeu seu bento com seus amigos? — perguntou sua tia Koharu quando voltou da trilha, sem pensar em nada do que sentia, e respondeu baixinho.



Todo mundo diz que sou arrogante, antissocial, um delinquente, quando veem meu rosto.



A mãe me deixou para trás quando foi embora. Definitivamente, tenho um rosto que ninguém gosta. É melhor nem ter esperança de que os outros gostem de mim. Se disser desde o início que não quero fazer amigos, não terei nenhum sentimento de solidão.



No entanto sua tia, que fora divorciada e retornara à sua casa de solteira, falou com um semblante sério.



— Koremitsu, você pode parecer um pouco menos fofo do que a média, mais violento e um pouco menos gentil, mas não pode ser desculpa para não conseguir fazer amigos. Seu avô se parece com você, ele faz aulas de caligrafia há 40 anos e tem vários amigos jogadores de Go¹ na vizinhança. Até eu tenho amigos que me ouvem divagar.



Koremitsu arregalou os lábios em choque.



Era verdade, tanto seu avô quanto Koharu tinham uma aparência selvagem como a de Koremitsu.



Quando os três estavam reunidos à mesa de jantar, parecia que estavam discutindo algum plano ardiloso. Quando iam juntos ao santuário durante o Ano Novo, algo raro para eles, os outros turistas que os acompanhavam se apressavam em os evitar.



Há alguns dias, a casa dos Akagi foi invadida por um ladrão que desmaiou de medo ao ver o avô segurando a faca de trinchar com uma expressão selvagem no rosto enquanto trabalhava em sua gravura. Ele tentou fugir, mas ao chegar à cozinha, encontrou Koharu cortando cavala com uma faca ensanguentada e foi contido em seguida.



Pensei que tinha acabado de entrar no covil de um demônio... Quando foi interrogado pela polícia, o ladrão estremeceu ao admitir sua culpa.



Os vizinhos murmuraram, aparentemente com pena dele... Por ter entrado naquela casa em particular para roubar.



Porém, apesar disso, seu avô e Koharu tinham amigos de verdade.



Koharu ensinou-lhe que, apesar de sua aparência selvagem e assustadora, isso não deveria ser usado como desculpa para não conseguir fazer amigos. Não deveria procurar desculpas, reclamar ou desistir sem tentar, pois não era coisa de homem.



Essas foram palavras de uma veterana que percorreu o mesmo caminho árduo, e elas ficaram gravadas no coração do jovem Koremitsu.



Ao mesmo tempo, ergueu a cabeça, esperançoso.



— Eu também posso fazer amigos?



Koremitsu perguntou com uma expectativa pulsante.



— Sim, é por essa razão que precisa se esforçar ao máximo para criar laços com os outros. Não será fácil conseguir, contudo é assim que fará “amigos de verdade”.



— Amigos de verdade?



— Amigos que estão juntos para a eternidade são “amigos íntimos”.



Amigos íntimos.



Essas palavras causaram um tremor em seu coração.



Koremistu consultou o significado da expressão “amigo íntimo” no dicionário e dirigiu-se à sala de aula de caligrafia. Assim que os alunos saíram, sentou-se sozinho à mesa.



Ele moeu a tinta e escreveu “amigo íntimo” em letras grandes no papel de carta.



Continuou escrevendo as mesmas palavras em cada pedaço de papel, uma e outra vez, e a cada pedaço em que escrevia, seu coração se enchia de alegria.



No final, havia pedaços de papel com as palavras “amigo íntimo” espalhados por toda a mesa.



Que palavras maravilhosas.



Que palavras incríveis.



Ele enxugou o suor da testa, e seu rosto estava todo corado enquanto olhava para os muitos “amigos íntimos” de sua vida.



Vou pegar as melhores palavras escritas e colocá-las debaixo do travesseiro quando for dormir.



Talvez eu finalmente consiga sonhar com esse amigo querido.



Notas:
1. Go é um jogo de tabuleiro de estratégia para duas pessoas. O jogo se originou na chama há mais de 2500 anos.

***

Link para o índice de capítulos: When Hikaru was on the Earth...

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