sábado, 18 de outubro de 2025

The Dragonbone Chair — Volume 02 — Capítulo 19

Capítulo 19: O Sangue de São Hoderund


Parecia que toda vez que Simon abria a boca para falar, ou mesmo para respirar fundo, ela se enchia de folhas. Não importava quantas vezes se mexesse e se abaixasse, não conseguia evitar os galhos que pareciam agarrar seu rosto como mãos gananciosas de crianças.

— Binabik! — queixou-se. — Por que não podemos voltar para a estrada? Estou sendo feito em pedaços!

— Não reclame tanto. Em breve retornaremos para a estrada.

Era irritante observar o pequeno gnomo abrindo caminho entre os galhos e ramos emaranhados. Fácil para ele dizer ‘não reclame!’. Quanto mais densa a floresta ficava, mais escorregadio Binabik parecia se tornar, deslizando com graciosidade pela vegetação rasteira espessa e agarradora, enquanto Simon seguia atrás. Até Qantaqa saltava com leveza, deixando apenas uma ondulação na folhagem atrás de si. Simon sentiu como se metade da Velha Floresta estivesse agarrada a ele na forma de galhos quebrados e espinhos.

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

The Haar — Capítulo 15

Capítulo 15


Muriel se olhou no espelho.

Cinco dias haviam se passado desde a visita de Billy. Durante esse tempo, a vida havia sido tão normal quanto possível, dadas as circunstâncias. O telefone tocou algumas vezes, mas não atendeu. Patrick Grant apareceu no noticiário, culpando o tabagismo (um hábito imundo e repugnante, como ele o chamava) e as precauções de segurança insuficientes pela morte de Arthur. Foi a única declaração crível que já fizera, porém Muriel sabia que não era verdade. Arthur havia sido assassinado. Billy lhe dissera isso.

Tudo parecia um sonho cruel agora. Às vezes, se questionava se aquilo de fato havia acontecido, contudo, a cada vez, tudo o que precisava para convencê-la era uma rápida olhada na criatura em sua banheira e nas manchas de sangue por toda a sala de estar. Ela as guardava lá como um lembrete. Não tinha medo de que ninguém as visse. Com Arthur fora, não haveria mais visitas.

terça-feira, 14 de outubro de 2025

The Dragonbone Chair — Volume 02 — Capítulo 18

Capítulo 18: Uma Rede de Estrelas


Com bolhas nos doloridos pés descalços e vestido com trapos, Simon conseguiu, pouco a pouco, vencer a sensação de desespero que tinha. Tanto a mente quanto o corpo estavam gravemente feridos pelo infortúnio, e desenvolvera um olhar assustado e um estremecimento reflexivo... Nenhum dos quais escapava ao olhar penetrante de seu novo companheiro, mas o horror que o atormentava fora brevemente repelido; tornara-se, por ora, apenas mais uma dolorosa meia-lembrança. A companhia inesperada ajudou a aliviar a dor dos amigos e do lar perdidos, pelo menos na medida em que permitiu. Uma grande parte de seus pensamentos e sentimentos secretos continuavam a ser reprimidos. Seguia desconfiado e também não estava disposto a investir outra vez e arriscar mais perdas.

Enquanto caminhavam pelas trilhas frescas e vibrantes da floresta matinal, Binabik explicou a Simon que havia saído de sua nobre casa em Yiqanuc, como aparentemente fazia uma vez por ano, a ‘negócios’, uma série de recados que o levaram ao leste de Hernystir e à Erkynlandia. Simon deduziu que envolvia algum tipo de comércio.

sábado, 11 de outubro de 2025

I Was Caught up in a Hero Summoning, but That World Is at Peace — Capítulo 172

Capítulo 172


No momento em que estendi a fruta dourada que recebi de Alice, o humor de Kuro mudou de forma visível.



Sua expressão desapareceu e seus olhos dourados me encararam sem qualquer tremor.



Vendo a aura diferente ao seu redor, parei de falar, mantendo-me em silêncio... Antes de Kuro lentamente virar o rosto para baixo.

terça-feira, 7 de outubro de 2025

The Haar — Capítulo 14

Capítulo 14


Vários meses após o desaparecimento de Billy, Muriel doou a maior parte de suas roupas velhas a um brechó. Claro, algumas das peças mais esfarrapadas jogou fora. Foi um dia doloroso para ela, e havia algumas peças de grande valor sentimental das quais se recusara a se desfazer.

Parando ao lado do armário do quarto, tirou uma bolsa verde, colocou-a sobre a cama e abriu o zíper. Dentro estava o terno de Billy. Ele o usara no casamento deles e em alguns funerais. Uma vida no mar o mantivera em forma, e nunca o deixara pequeno. Desempacotou as calças e o paletó do terno e encontrou uma camisa branca amassada no fundo do armário. Queria passá-la, mas não podia deixar Billy parado nu.

Avalon, lembrou a si mesma. Não Billy.

Escolheu algumas meias grossas de lã e o único par de sapatos elegantes que tinha. Precisavam de um polimento, porém, mais uma vez, não queria deixá-lo esperando.

domingo, 5 de outubro de 2025

The Dragonbone Chair — Volume 02 — Capítulo 17

Capítulo 17: Binabik


Quando Simon enfim olhou para a fonte da nova voz, seus olhos lacrimejantes se arregalaram de surpresa. Uma criança caminhava em sua direção.

Não, não uma criança, mas um homem tão pequeno que o topo de sua cabeça de cabelos negros provavelmente não alcançaria muito mais alto que o umbigo de Simon. Seu rosto tinha algo de infantil: os olhos estreitos e a boca larga se estendiam em direção às maçãs do rosto em uma expressão de simples bom humor.

— Este não é um bom lugar para chorar. — disse o estranho. Ele se afastou do ajoelhado Simon para examinar por um momento o lenhador caído. — Também sinto que não vai adiantar muito, pelo menos para este sujeito morto.

Simon limpou o nariz na manga da camisa grossa e soluçou. O estranho havia se aproximado para examinar a flecha branca, que se erguia do tronco da árvore perto da cabeça de Simon como um galho rígido e fantasmagórico.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

The Haar — Capítulo 13

Capítulo 13


Muriel sabia que não era ele. Não poderia ser. Billy estava morto, e já estava havia mais de uma década. Embora seu corpo nunca tivesse sido encontrado, a guarda costeira realizou uma busca completa e a polícia vasculhou as praias sem sucesso. Seu marido apenas desapareceu nas profundezas geladas do Mar do Norte e nunca mais voltou. Eles até realizaram uma cerimônia em sua memória, porque Billy McAuley estava morto e enterrado. E, ainda assim...

Lá estava.

— Não! — ela conseguiu dizer. Respirar era difícil, como se tivesse esquecido como.

— Muriel. — o ser se aproximou com passos lentos e pesados, sangue espalhado pelo rosto e pelo peito. Pingava de seus dedos.

— Não é você. — disse Muriel. — Não pode ser.