Capítulo 13: Epílogo
O mar ao entardecer. Um momento de paz.
As ondas, brilhando em vermelho sob o sol poente, vinham de longe para banhar a costa e retornar ao seu ponto de partida.
Assim como antes, estava sentado sozinho no quebra-mar, contemplando o mar ao pôr do sol.
Chiori...
Ele repetia o nome dela em sua mente há algum tempo.
Chiori, Chiori...
Fechou os olhos e o fogo daquela noite voltou à vida com vivacidade. Uma chama gigante de lembrança, que envolvia a armadilha decagonal que capturou sua presa e ardeu durante a noite.
A imagem dela se juntou àquela visão em sua mente. Tentou chamá-la. Porém ela estava olhando para o lado e não respondeu.
O que foi, Chiori?
As chamas dançaram com mais fúria e brilharam com mais intensidade. A imagem de seu amor foi capturada pelo fogo, até que seu contorno foi completamente engolido e desapareceu.
Em silêncio, se levantou.
Várias crianças brincavam na água. Ficou ali parado, encarando a paisagem com os olhos semicerrados.
— Chiori.
Murmurou seu nome mais uma vez, desta vez em voz alta. Contudo não apareceu mais, quer fechasse os olhos ou olhasse para o céu. Uma sensação insondável de vazio o atormentava, como se algo tivesse sido arrancado de seu coração.
O mar estava prestes a se fundir com a noite. As ondas, carregando a última luz do pôr do sol, se moviam em silêncio.
De repente, sentiu um toque no ombro. Virou-se surpreso.
— Ei, já faz tempo.
Um homem alto e magro, com um sorriso amigável, estava parado ali.
— Perguntei ao zelador do seu prédio e ele me disse que você costuma vir aqui à praia.
— Oh.
— Você parece estar olhando para baixo. Estive te observando há um tempo, no entanto não queria te incomodar. Parecia que estava pensando em algo.
— Ah, não é nada importante. Mas por que veio me procurar?
— Ah, nada importante. — o homem sentou-se ao lado de onde estava. Colocou um cigarro na boca enquanto murmurava. — Um por dia.
— Já faz um tempo desde que tudo aconteceu. — continuou o homem. — A polícia parece ter encerrado a investigação. O que acha?
— O que eu acho? Foi o Ellery.
— Não, não, estou perguntando se acha que pode haver uma verdade diferente por trás de tudo aquilo.
O que esse homem está tentando me dizer?
Voltou a olhar para o mar em silêncio. O homem o encarou enquanto acendia seu “um por dia”.
— Eu já lhe disse que achava que o Ko poderia ser o assassino, entretanto como tenho muito tempo livre, tentei expandir os horizontes da minha imaginação e tive uma ideia interessante. E gostaria que a ouvisse.
Será que havia percebido tudo?
Ele não respondeu e desviou o olhar do homem.
Este homem... Impossível.
— Não seja tão frio e, por favor, me ouça por um instante. É uma ideia bastante incrível e pode até achar graça dela. Pode até me repreender de novo, mas considere-a só um produto da minha imaginação.
— Por favor, guarde suas ideias para si mesmo. — disse ele em tom monótono. — Sr. Shimada, isso já é passado.
Ele se virou, ignorando os chamados do homem, e desceu até onde as crianças brincavam.
Achou lamentável o quão desconcertado se sentia.
Impossível.
Balançou a cabeça pesadamente e tentou se acalmar.
Impossível. Não pode ter percebido. Mesmo que a fértil imaginação daquele homem o tivesse levado à verdade por acaso, e daí? Não havia provas. Não havia nada que pudesse fazer agora.
Certo, Chiori?
Perguntou à namorada. Porém ela não respondeu. Nem sequer apareceu.
Por quê?
Sua ansiedade se transformou num tsunami num instante. A areia pesada e molhada grudava em seus pés. E então, ali, aos seus pés, viu algo brilhando.
Isto é...
Ele se agachou com uma expressão atônita no rosto. Sua boca se contraiu e soltou um suspiro profundo.
Era uma pequena garrafa de vidro verde. Estava meio enterrada na areia à beira-mar. Havia vários pedaços de papel dobrados dentro.
Ah.
Pegou a garrafa com um sorriso frágil e amargo. Virou-se para o homem que ainda estava sentado no quebra-mar, o observando.
Então este será o meu julgamento?
As crianças estavam prestes a ir para casa. Ele caminhou lentamente até elas com a garrafa na mão.
— Ei, garoto.
Ele parou um dos meninos.
— Você poderia me fazer um favor?
O menino o encarou com olhos confusos. Sorrindo tão calmo quanto o mar ao entardecer, entregou a garrafa ao menino.
— Poderia entregar isso para aquele homem ali?
***
Link para o índice de capítulos: The Decagon House Murders
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