terça-feira, 12 de maio de 2026

The Decagon House Murders — Capítulo 13

Capítulo 13: Epílogo


O mar ao entardecer. Um momento de paz.

As ondas, brilhando em vermelho sob o sol poente, vinham de longe para banhar a costa e retornar ao seu ponto de partida.

Assim como antes, estava sentado sozinho no quebra-mar, contemplando o mar ao pôr do sol.

Chiori...

Ele repetia o nome dela em sua mente há algum tempo.

Chiori, Chiori...

Fechou os olhos e o fogo daquela noite voltou à vida com vivacidade. Uma chama gigante de lembrança, que envolvia a armadilha decagonal que capturou sua presa e ardeu durante a noite.

A imagem dela se juntou àquela visão em sua mente. Tentou chamá-la. Porém ela estava olhando para o lado e não respondeu.

O que foi, Chiori?

As chamas dançaram com mais fúria e brilharam com mais intensidade. A imagem de seu amor foi capturada pelo fogo, até que seu contorno foi completamente engolido e desapareceu.

Em silêncio, se levantou.

Várias crianças brincavam na água. Ficou ali parado, encarando a paisagem com os olhos semicerrados.

— Chiori.

Murmurou seu nome mais uma vez, desta vez em voz alta. Contudo não apareceu mais, quer fechasse os olhos ou olhasse para o céu. Uma sensação insondável de vazio o atormentava, como se algo tivesse sido arrancado de seu coração.

O mar estava prestes a se fundir com a noite. As ondas, carregando a última luz do pôr do sol, se moviam em silêncio.

De repente, sentiu um toque no ombro. Virou-se surpreso.

— Ei, já faz tempo.

Um homem alto e magro, com um sorriso amigável, estava parado ali.

— Perguntei ao zelador do seu prédio e ele me disse que você costuma vir aqui à praia.

— Oh.

— Você parece estar olhando para baixo. Estive te observando há um tempo, no entanto não queria te incomodar. Parecia que estava pensando em algo.

— Ah, não é nada importante. Mas por que veio me procurar?

— Ah, nada importante. — o homem sentou-se ao lado de onde estava. Colocou um cigarro na boca enquanto murmurava. — Um por dia.

— Já faz um tempo desde que tudo aconteceu. — continuou o homem. — A polícia parece ter encerrado a investigação. O que acha?

— O que eu acho? Foi o Ellery.

— Não, não, estou perguntando se acha que pode haver uma verdade diferente por trás de tudo aquilo.

O que esse homem está tentando me dizer?

Voltou a olhar para o mar em silêncio. O homem o encarou enquanto acendia seu “um por dia”.

— Eu já lhe disse que achava que o Ko poderia ser o assassino, entretanto como tenho muito tempo livre, tentei expandir os horizontes da minha imaginação e tive uma ideia interessante. E gostaria que a ouvisse.

Será que havia percebido tudo?

Ele não respondeu e desviou o olhar do homem.

Este homem... Impossível.

— Não seja tão frio e, por favor, me ouça por um instante. É uma ideia bastante incrível e pode até achar graça dela. Pode até me repreender de novo, mas considere-a só um produto da minha imaginação.

— Por favor, guarde suas ideias para si mesmo. — disse ele em tom monótono. — Sr. Shimada, isso já é passado.

Ele se virou, ignorando os chamados do homem, e desceu até onde as crianças brincavam.

Achou lamentável o quão desconcertado se sentia.

Impossível.

Balançou a cabeça pesadamente e tentou se acalmar.

Impossível. Não pode ter percebido. Mesmo que a fértil imaginação daquele homem o tivesse levado à verdade por acaso, e daí? Não havia provas. Não havia nada que pudesse fazer agora.

Certo, Chiori?

Perguntou à namorada. Porém ela não respondeu. Nem sequer apareceu.

Por quê?

Sua ansiedade se transformou num tsunami num instante. A areia pesada e molhada grudava em seus pés. E então, ali, aos seus pés, viu algo brilhando.

Isto é...

Ele se agachou com uma expressão atônita no rosto. Sua boca se contraiu e soltou um suspiro profundo.

Era uma pequena garrafa de vidro verde. Estava meio enterrada na areia à beira-mar. Havia vários pedaços de papel dobrados dentro.

Ah.

Pegou a garrafa com um sorriso frágil e amargo. Virou-se para o homem que ainda estava sentado no quebra-mar, o observando.

Então este será o meu julgamento?

As crianças estavam prestes a ir para casa. Ele caminhou lentamente até elas com a garrafa na mão.

— Ei, garoto.

Ele parou um dos meninos.

— Você poderia me fazer um favor?

O menino o encarou com olhos confusos. Sorrindo tão calmo quanto o mar ao entardecer, entregou a garrafa ao menino.

— Poderia entregar isso para aquele homem ali?

***

Link para o índice de capítulos: The Decagon House Murders

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