sábado, 22 de agosto de 2026

The Magnus Archives — Primeira Temporada — Capítulo 26

Primeira Temporada Capítulo 26: Distorção

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Jonathan Sims: Tem certeza de que está bem pra fazer isso agora? Você pode tirar alguns dias de folga pra se recuperar, se precisar.



Sasha: Não, tá tudo bem. O Tim foi pegar um café pra mim, e prefiro falar disso enquanto ainda tá fresco na minha mente. Aliás, não deu folga pro Martin quando ele teve uma experiência ruim.



Jonathan Sims: O Martin teve que começar a morar nos arquivos. Quer dizer, não tinha como eu dar a ele uma folga no escritório. De qualquer forma, ele não foi ferido.



Sasha: Foi só um arranhão, John. Vou ficar bem. Podemos começar?



Jonathan Sims: Ok. Depoimento de Sasha James, assistente de arquivo do Instituto Magnus, Londres, a respeito de...



Sasha: Vamos apenas chamar de “uma série de aparições paranormais”.



Jonathan Sims: Depoimento gravado direto do indivíduo em 2 de abril de 2016.



Sasha: Certo. Bem, tenho certeza de que você já sabe como eu estava cética sobre o quão perigosa essa Jane Prentiss é quando você sugeriu que o Martin ficasse no arquivo. Quer dizer, não que eu não tenha acreditado nele sobre o que aconteceu, só parecia... Bom, o Martin é um ótimo pesquisador, mas seus instintos de autopreservação não são lá muito fortes e, pra ser sincera, pensei que se essa Prentiss fosse mesmo esse perigo todo que todo mundo pensa, então ele com certeza já estaria morto.

Não me entendam mal... Digo, eu li os mesmos depoimentos e perfis que você, então sei quantas pessoas morreram por causa dela. Foram o quê, seis funcionários do hospital quando foi admitida pela primeira vez?



Jonathan Sims: Seis por infestação e um sétimo com o pescoço quebrado durante a sua fuga.



Sasha (Depoimento)

Porém isso foi dois anos atrás, e seja lá o que ela for agora, parece que sua condição está degenerando. Só não sabia quanto dano ela ainda seria capaz de causar. Então, acho que... Não tomei tanto cuidado quanto deveria quando estava entrando no Instituto ontem. A questão é... Ainda não tenho certeza do quão ameaçadora é. Já vi vários desses vermes prateados se contorcendo lá fora, assim como você, e fiz questão de pisar neles todas as vezes. O que aconteceu só tornou as coisas mais... Complicadas, acho. Não sei direito o que pensar.

Vou começar com a primeira coisa que notei. Moro perto de Finsbury Park e o meu prédio é antigo. Vitoriano, acredito. E apesar de ter sido reformado e muito bem conservado, ele tem várias peculiaridadezinhas estranhas. Uma é as janelas. As janelas de dentro dos apartamentos são boas, contudo as escadarias têm vidros ligeiramente distorcidos, onde as janelas têm aquelas bolhinhas. Olhar para a rua abaixo pode ser um pouco esquisito, pois o vidro desvia a luz e distorce o que quer que esteja abaixo. Nunca prestei muita atenção nisso até alguns dias atrás, no entanto não é uma coisa nova.

Foi anteontem que vi pela primeira vez. Quando desço as escadas pela manhã, às vezes gosto de passar alguns segundos olhando pela janela para as pessoas na rua lá embaixo. Mexo a cabeça para vê-las através do vidro distorcido, e elas se deformam como em um espelho de um parque de diversões. É meio idiota, só que tenho um trajeto bem monótono até chegar em Victoria, então me divirto como posso. Bem, naquela manhã parei diante da janela e notei que uma das figuras deformadas abaixo estava... Meio estranha. Parecia muito alta, os membros e o corpo eram muito finos e quase ondulados, como se não tivessem nenhuma estrutura ou ossos. Não conseguia distinguir um rosto, entretanto as mãos eram o mais bizarro. Elas pareciam estar esticadas e infladas pela luz distorcida, até ficarem quase do tamanho do resto do torso. Os dedos eram longos e rígidos e pareciam terminar em pontas afiadas. Ele estava completamente imóvel, e podia senti-lo me encarando.

Arte por kazoosnow.

Movendo a cabeça para o lado, vi que a pessoa para quem eu estava olhando era um homem grande com longos cabelos loiros. Não estava parado e nem estava de frente para mim, na verdade andava ao redor da vitrine da floricultura em frente ao meu prédio. Nada sobre o cara parecia muito fora do normal, mas fiz uma nota mental pra ficar de olho. Olhei de novo por trás das bolhas do vidro distorcido, e de novo vi aquela figura alta com seus braços flácidos e mãos enormes.

Olha, você me conhece, John. Não sou lá a pessoa mais corajosa do mundo, costumo evitar o terror e tendo a ficar longe das montanhas-russas nas raras situações em que tenho a chance de andar nelas. Então fiquei tão surpresa quanto todo mundo que essa figura inegavelmente sinistra não estava me causando mais angústia. Quer dizer, fiquei um pouco nervosa, claro. Nunca tive nenhuma experiência direta com o sobrenatural antes e quanto mais olhava, verificava e verificava de novo, mais certeza tinha de que “sobrenatural” era exatamente o que aquilo era. Para ser sincera, fiquei surpresa com o quão rápido aceitei isso. Sempre me considerei meio cética e, até pouco tempo, diria que trabalhar no Instituto só me tornava mais cética.

Enfim, observei por cerca de dez minutos, até que o homem loiro comprou um pequeno ramo de lírios e foi embora. Assim que se foi, a figura distorcida com as mãos longas também desapareceu. Desci para a rua e fui até a floricultura. A mulher que trabalhava lá me lançou um olhar um tanto confuso quando perguntei se havia apenas um homem alto e loiro em sua loja. Ela disse que sim, havia... E não, não tinha notado nada de estranho, e se eu estava querendo comprar flores. Também fiquei bem confusa e meio nervosa quando saí. Já estava atrasada para o trabalho, então decidi ignorar e apenas ficar de olho.

Como esperado, não demorou muito para que eu o visse de novo. Há um pequeno café onde costumo ir quando vou para o trabalho de manhã. Amo o prédio do Instituto, claro, é lindo, porém do ponto de vista financeiro, gostaria que não fosse em Chelsea. Tudo por aqui é tão caro. Na maioria das vezes desço na estação Victoria. É uma caminhada longa, contudo muito bonita, e me dá a chance de pegar um café no caminho. Como falei, estava atrasada naquela manhã, então fiquei meio indecisa sobre se deveria comprar um, no entanto quando olhei pela janela, vi uma figura familiar em uma das mesas no canto. Mais uma vez, o loiro não estava olhando na minha direção, nem parecia dar qualquer indício de que sabia da minha existência. Só que estava lá, e eu estava prestes a entrar e confrontá-lo quando percebi a hora e decidi que ir para o trabalho era mais importante. Além do mais, como é mesmo aquele velho ditado? “Uma vez é acaso, duas vezes é coincidência, três vezes é ação inimiga”. Decidi que se aparecesse uma terceira vez, eu perguntaria... Alguma coisa. Não sei bem o que estava planejando perguntar. “Você secretamente é um monstro?” provavelmente teria sido um ótimo começo.

Quando cheguei aqui, percebi que não precisava ter me preocupado tanto com o tempo. Você estava discutindo com o Tim sobre... Hmm, quem é aquele arquiteto por quem ele está obcecado?



Jonathan Sims: Robert Smirke.



Sasha: É, esse mesmo. Então, estava começando a me arrepender de não ter pego um café e conversado com o monstro alto e loiro, já que não parecia que teria perdido muita coisa. Continuei meu trabalho, fiz alguns arquivamentos, comparei alguns depoimentos com relatórios de incidentes da polícia. Quer dizer, acho que não preciso dizer o que um dia de trabalho nos arquivos envolve. Foi um dia tranquilo, exceto quando o Martin pensou ter visto um daqueles vermes prateados e passamos meia hora procurando-o.



Jonathan Sims: Sim. Eu lembro.



Sasha: Qual é, não é culpa dele estar sendo perseguido por uma colmeia ambulante esquisita.



Jonathan Sims: Eu sei, contudo tinha que ser o Martin, né? Quer dizer, tudo que dá errado por aqui, sempre parece acontecer com ele. Enfim, estamos saindo do assunto. Por que não relatou isso?



Sasha (Depoimento)

Sério? Se uma pessoa normal viesse com essa história, você teria rasgado esse depoimento em pedaços. Não, decidi que conseguiria mais evidências ou nem valeria a pena comentar. Nada mais aconteceu até eu sair do trabalho. Devia ser cerca de seis e meia, então o sol estava quase começando a se pôr e voltei para Victoria. A primeira coisa que notei fora do comum foi que o café seguia aberto. Eles costumam fechar por volta das seis horas, entretanto as luzes estavam acesas e a porta aberta. Todavia não consegui ver ninguém atrás do balcão, e havia apenas um cliente. Ele estava sentado na exata mesma posição que estivera naquela manhã, bebendo o que poderia facilmente o mesmo café.

Olhei em volta para ver se havia mais alguém que pudesse confirmar o que estava vendo. A rua estava vazia, mas quando olhei, um carro passou. No vidro curvo das janelas escuras, eu o vi ali... O corpo estranho e distorcido, magro e flácido, as mãos enormes e afiadas. E então o carro passou e me virei para ver um homem normal. Porém agora, pela primeira vez, seu olhar estava voltado para mim. Ele gesticulou para a cadeira na sua frente, claramente me convidando para entrar. Não sei por que não estava com mais medo de entrar lá, contudo não estava. Minha curiosidade parece ter superado meu nervosismo.

Ele não falou quando me sentei e vi que sua xícara de café estava vazia. O que quer que estivesse dentro havia secado horas atrás. Parecia estar esperando que eu lhe fizesse uma pergunta, então perguntei o que ele era. Ele riu disso, o primeiro som que o ouvi fazer, e parecia... Anormal. Como se estivesse rindo baixinho, só que alguém tivesse aumentado o volume para que eu pudesse ouvir. Disse que não importava o que era, que não poderia descrever ainda se quisesse. Qual foi a frase que usou? “Como uma melodia se descreveria quando questionada?”

Aquilo me deixou um pouco desconcertada, pra ser sincera, e falei que se fosse falar em charadas idiotas, iria embora. No fim, acabou se desculpando e disse que poderia chamá-lo de Michael. Não queria chamá-lo de Michael. Não parecia encaixar, de alguma forma, e a maneira como falou me fez pensar que aquele com certeza não era o seu nome. Ainda assim, não era como se eu tivesse qualquer outro nome para usar. Não, não pra ele. Para aquilo.

Ele ficou lá, claramente esperando que fizesse outra pergunta, então fiz. Perguntei o que queria, e me disse que queria ajudar.



Jonathan Sims: Ajudar? Com... O quê?



Sasha (Depoimento)

Foi o que perguntei. Ele queria deter a Jane Prentiss? Ele riu aquela risada estranha de novo e me disse que não fazia ideia do que de fato estava acontecendo. Mas não parecia que tinha qualquer intenção de me dizer, só parecia que estava se divertindo com as minhas tentativas de entender. Aí disse que não se importava se eu ou os meus companheiros vivêssemos ou morrêssemos, porém que “a colmeia de carne era sempre imprudente”. Disse que queria fazer amizade. Quando me falou isto, colocou a mão sobre a minha, e podia até parecer uma mão humana, contudo era pesada. Parecia uma... Bolsa de couro molhada cheia de pedras pesadas. Pedras afiadas.

Puxei minha mão rápido e me levantei para sair. A essa altura, já estava cansada dessa coisa estranha que parecia uma pessoa, e que não era uma pessoa, e falava em enigmas. Ele nem se moveu pra me impedir quando me dirigi para a porta. No entanto quando estava prestes a sair, me chamou e disse que se estivesse interessada em salvar a sua vida, ele estaria esperando no Cemitério de Hanwell.



Jonathan Sims: Espera, salvar a minha vida?



Sasha: É. Ele falou o seu nome. O seu... E o do Martin. E o do Tim.



Jonathan Sims: Isso é... Preocupante.



Sasha: Foi mesmo. Na hora, só tentei ignorar... Fui para casa e dormi o máximo que pude. Não sei se percebeu como eu estava cansada ontem, com as piadinhas de primeiro de abril do Tim e tal.



Jonathan Sims: Nem me lembre.



Sasha (Depoimento)

Bom, me sentia meio exausta. Dei uma olhada no café no caminho até aqui e no caminho de volta pra casa. Até fui lá durante o meu almoço, entretanto Michael não estava lá. Parte de mim queria te contar isso o quanto antes, prestar um depoimento, todavia mesmo se você acreditasse em mim, sabia que tentaria me convencer a não ir ao Cemitério de Hanwell, e eu tinha acabado de decidir que iria. Não sabia se o que Michael havia dito era uma ameaça, um aviso ou só uma mentira, mas decidi que não podia correr o risco. Então fui ao cemitério.

O sol estava começando a se pôr quando cheguei lá, e os portões do cemitério estavam iluminados com o laranja brilhante da luz desaparecendo. Tinha chovido mais cedo naquele dia, e as poças de água refletiam as cores vivas do céu. Hanwell é um cemitério antigo e, além dos muros, pude ver as lápides velhas e desgastadas em silêncio. No fim das contas, não precisei entrar.

Michael estava esperando por mim próximo aos portões altos de ferro quando cheguei. Vislumbrei seu reflexo em uma das poças fundas de água da chuva e estremeci ao ver de novo... O corpo deformado e as mãos ossudas e inchadas.

Ele não disse nada quando cheguei, apenas acenou para que o seguisse. Não faço ideia de quanto tempo ficou parado ali, esperando por mim. Esperava que fossemos para o cemitério, porém em vez disso Michael começou a descer a estrada em direção a uma fileira de casas ali perto. A placa na estrada dizia “Azalea Close”. A maioria dos prédios estava em bom estado de conservação, contudo havia um no final que parecia abandonado. Pode ter sido um pub em algum momento, e agora todas as janelas estavam forradas com placas de metal e cobertas de sujeira e pichações. A porta, no entanto, estava aberta e balançando suavemente. Michael entrou, esperando que o seguisse, então fui.

Arte por @Siarven.

O interior estava escuro e empoeirado. Fiquei brava comigo mesma por não ter pensado em trazer uma lanterna, entretanto só o suficiente do sol poente entrava pela porta para que pudesse enxergar. Era óbvio que tinha sido um pub, e o bar parecia estar intacto, apesar de estar repleto de carunchos. Em cima havia o que parecia ser um kit de construção, com uma caixa de ferramentas e um pequeno extintor de incêndio. Estava prestes a perguntar ao Michael por que estávamos ali, quando ouvi. Um gemido baixo e úmido vindo do outro lado da sala, onde a luz não alcançava. Parecia alguém com bastante dor.

Caminhei em direção ao barulho. Conforme me aproximava, meus olhos começaram a se ajustar e vi que o chão estava coberto de formas pálidas e contorcidas. Ouvi o depoimento do Martin depois que você o gravou, então sabia o que esperar. É só que ouvir sobre algo não chega nem perto do que é ver. Do que é sentir o cheiro. Esperava ver o que o Martin descreveu, uma massa contorcida que um dia já foi Jane Prentiss, todavia a figura caída contra a parede parecia ter sido um homem. Os vermes se contorciam para dentro e para fora através dos buracos em sua pele. A “colmeia de carne”, como Michael tinha chamado, e as coisas prateadas formavam bolas aglomeradas onde seus olhos costumavam estar. Não consegui evitar. Eu arfei.

Não foi um som alto, e considerando o quão enojada toda a situação me fez sentir, acho que estava até que bastante tranquila. Mas foi alto o suficiente. A cabeça girou para me encarar, jorrando uma pequena cascata de figuras retorcidas. A boca se abriu quando tentou gritar, porém não foi o que saiu de sua boca. Os vermes também pareciam ter percebido e começaram a se mover em minha direção em uma velocidade alarmante. Recuei, porém escorreguei em um pedaço de madeira solta e caí no bar. Olhei desesperada para Michael, contudo ele apenas assistia, seu rosto indecifrável.

Comecei a tentar pisar nos vermes enquanto eles se aproximavam, contudo havia muitos deles. Me levantei cambaleando, senti minha mão pousar em algo frio e metálico... O extintor de incêndio. Sem pensar, puxei o pino e apertei a alça. Uma nuvem de gás foi disparada e, pra minha surpresa, os vermes prateados começaram a estremecer e recuar, murchando e morrendo. Comecei a andar pra frente, pegando cada um deles com o jato de gás. Por fim, me vi de pé em frente à massa de pele esburacada e oca que um dia foi um homem. Ele estremeceu quando o gás o engoliu, e então ficou imóvel.

Fiquei respirando pesadamente e o CO2 do extintor de incêndio estava me deixando tonta. Por algum motivo, achei que deveria olhar nos seus bolsos. Eles estavam vazios, exceto por uma carteira. Estava manchado de sangue e outras substâncias, porém o nome na carteira de motorista ainda era legível: Timothy Hodge.

Enquanto estava lá, olhando a carteira, senti uma dor aguda no meu braço direito. Olhei para cima para ver Michael com a mão no meu ombro. Seus dedos eram longos e distorcidos enquanto agarravam a minha pele, cortando-a como papel. Eu gritei. Depois de alguns segundos, ele retirou a mão. Preso ali havia um único verme prateado, se contorcendo pateticamente nas suas garras. Sequer tinha sentido aquela coisa escavando o meu braço.

Depois disso, tudo fica um pouco embaçado. Lembro que ia ligar pra polícia, contudo o cadáver de Timothy Hodge havia sumido e fiquei preocupada em ser acusada de invasão, então só meio que me afastei. Michael, ou o que quer que aquilo fosse, também tinha ido embora. Por fim, encontrei o caminho de volta ao Instituto, onde devo ter acordado o Martin e, bom, aqui estamos nós.



Jonathan Sims: É, acho que estamos.



Sasha: E aí, o que acha?



Jonathan Sims: Eu, hmm... Não sei bem. Podemos pensar melhor nisso mais tarde.



Sasha: Eu devia mesmo pedir as contas, sabe? Todos nós deveríamos. Não acho que esse trabalho seja normal... Não acho que esse trabalho seja seguro.



Jonathan Sims: Você provavelmente está certa. Quer sair?



Sasha: Não. Só... Só estou curiosa pra caramba, eu acho. E você?



Jonathan Sims: Não. O que quer que esteja acontecendo, preciso saber. Descanse um pouco.



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Depoimento encerrado.

Obviamente, há pouco que possamos fazer para investigar a experiência da Sasha. Se fosse qualquer um dos outros poderia ter motivos para duvidar, no entanto ela sempre foi a mais sensata da equipe, e se diz que foi o que aconteceu, então acredito em suas palavras.

Isto pelo menos explica o que aconteceu com Timothy Hodge, cujo desaparecimento logo após fazer seu depoimento no final de 2014 tem sido algo preocupante desde que descobri sobre. Parece estranho como o efeito da infestação de Prentiss foi diferente nele e em Harriet Lee, todavia sem mais informações, não tenho uma teoria coerente sobre o motivo.

O que mais me inquieta no depoimento de Sasha é esse “Michael”. Ela parece bem convencida de que não era humano, pelo menos não no sentido convencional. Quase todos os depoimentos que cataloguei se envolveram com o paranormal em algum tipo de relacionamento antagônico. A ideia de que existem coisas assim por aí que querem nos ajudar... Por alguma razão, isto me deixa mais desconfortável do que a criatura infestada de vermes que persegue o Instituto.

Sasha tirou alguns dias de folga para se recuperar, e estou conversando com o Elias sobre arranjar alguns extintores de incêndio extras para o Arquivo.

Fim da gravação.

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