quinta-feira, 14 de maio de 2026

When Hikaru was on the Earth... — Volume 01 — Capítulo 07.3

Volume 01: Aoi — Capítulo Especial 07.3: O que você e eu pedimos em oração quando nossas infâncias terminaram — meu desejo


— O Hikaru é muito indecente! Eu o odeio!



— Eh, senhorita Aoi!



Hikaru, que estava no terceiro ano do ensino fundamental, ficou sem reação.



— Você irritou a Aoi de novo?



Sua prima Asai entrou no quarto das crianças, chamando Aoi para fora enquanto dizia em um tom frio.



Asai e Aoi estavam no 4º ano, um ano mais velhos que ele, e o trio costumava brincar junto.



Ultimamente, Aoi havia começado a dizer coisas como “Você é um mulherengo, Hikaru” ou “Você é mais feliz com outras garotas, não é?” com mais frequência do que antes. Ela o encarava com os olhos marejados e as bochechas infladas. Isso era tão fofo que Hikaru desejava poder levá-la para casa.



— A senhorita Aoi me perguntou quem estaria no meu grupo para a excursão escolar, e só respondi “Erika, Fumiyo, Yuna, Minami, Shiori”, só isso.



Mesmo sem entender a situação, Asai o questionou.



— Não tem nenhum garoto no seu grupo, Hikaru?



— Bem, os meninos me odeiam. Nenhum deles quer me levar junto. Meu colega Fujiwara me disse hoje, “Não ouse ser arrogante; você nasceu fora do casamento”. Erika os repreendeu bastante para que me ajudassem, mas a sala acabou em uma grande discussão entre meninos e meninas.



— Hikaru, você é especial! Não fale com aqueles garotos inconvenientes.



— Hikaru, ignore aqueles garotos e faça o dever de casa com a gente. Pode formar um grupo com a gente para a viagem.



Desde o jardim de infância, as meninas eram as que o ajudavam, o protegiam e lhe emprestavam os livros quando se esquecia. Todas as meninas eram muito gentis, e se sentia tão aliviado quanto em um campo florido quando estava com elas. Gostava muito de todas, embora também queria brincar com os meninos.



Contudo, quando esquecia o livro didático, os meninos desviavam o olhar quando pedia ajuda, dificultavam as coisas de propósito para ele, dizendo: “Vá pedir emprestado às meninas”.



— Ei, Asa, eu quero me dar bem com os meninos e fazer amizade com eles. A Erika fica dizendo coisas como “Quero ser sua noiva, Hikaru” ou “Quero ser sua namorada”, no entanto isso e ser amiga são duas coisas diferentes... Que tipo de pessoa estaria disposta a ser minha amiga?



A prima mais velha, mais sábia e mais calma ficou em silêncio por um instante e então respondeu sem hesitar.



— O seu maior defeito, Hikaru, é ser obediente demais aos seus desejos, e eu diria que isso acontece porque você é um mulherengo demais. Deveria arranjar um amigo mais prudente.



Asai usava termos adultos que Hikaru desconhecia. “Desejos” e “obediente” eram termos que ela usava quando o repreendia. Talvez estivesse dizendo que era direto demais sobre o que queria obter, o que queria fazer.



Mas...



— O que significa “pessoa prudente”?



— Significa uma pessoa sábia que pensa com sensatez antes de agir e refletir.



— Não é parecido com o seu jeito, Asa?



Hikaru olhou para Asai com uma expressão clara.



Embora sua expressão fosse distante, os ombros de Asai se contraíram levemente.



— Porque é a mais inteligente e confiável de todas as pessoas que conheço, Asa. Você ensinou muitas coisas para mim e à senhorita Aoi.



Ele deu uma risadinha.



— Ah, sim! Você não pode ser minha amiga, Asa?



— Sem chance!



— Hã? Por quê?



Hikaru franziu as sobrancelhas e Asai disse com uma expressão firme e fria.



— Meninos e meninas não podem ser amigos. Mesmo que seja algo temporário, é só superficial, não pode ser real. É uma amizade frágil que logo se romperá. É por isso que precisa fazer amizade com meninos.



— Frágil?



— Significa algo que se quebra muito fácil, como os pingentes de gelo no telhado no inverno.



— Será que sou tão... Frágil... Que não posso ser amigo de garotas? É uma pena.



Hikaru parecia completamente devastado. Ele pensou que tinha conseguido.



Asai permaneceu sem palavras enquanto olhava para Hikaru.



— Se ao menos você fosse um menino, Asa.



Os ombros de Asai estremeceram.



Contudo Hikaru balançou a cabeça, sorriu e olhou para Asai de novo.



— Não, acho ótimo que seja uma menina, Asa. Entendi! Vou me esforçar ao máximo para pensar em um jeito de fazer amizade com meninos.



Asai desviou o olhar, visivelmente desconfortável.



— Que bom. Se brincar com meninos em vez de meninas, é provável que não vai deixar a Aoi brava.



E então, ela disse secamente.



— Aoi ainda está esperando lá embaixo, sem saber o que fazer. Vá encontrá-la.



— Sim, obrigado, Asa.



Hikaru saiu correndo do quarto das crianças com uma expressão alegre e desceu as escadas disparado.



Tal qual Asai havia dito, a fita branca podia ser vista da esquina da escada.



— Senhorita Aoi!



Ele agarrou Aoi pelas mãos enquanto ela tentava fugir e sorriu, dizendo...



— Espere por mim. Se eu conseguir fazer um amigo homem, você não ficará com raiva. E então, continuaremos próximos um do outro.



Aoi corou enquanto olhava ao redor, seus lábios abrindo e fechando às vezes.



— Não sei.



Ela respondeu, aparentemente irritada e, ao mesmo tempo, preocupada.



À noite, Hikaru deitou-se na cama e olhou para as estrelas lá fora. Ele fez um pedido.



— Espero conseguir fazer amizade com os meninos. Tenho sido obediente demais aos meus próprios desejos, e seria bom se eu pudesse fazer uma amizade com alguém prudente.



No entanto não havia nenhum menino na turma que fosse como Asa.



Parece que será difícil encontrar um amigo prudente como o que Asa descreveu.



E por falar nisso, se eu quero uma pessoa prudente, Asa não seria suficiente...?



Vou adicionar outra condição então.



— Uma pessoa corajosa também serve.



Certo, como um herói que ajuda a todos.



Esse tipo de amigo também deve ser ótimo.



Ele afundou o rosto no travesseiro e fechou os olhos, encantado.



Seria ótimo se pudesse fazer um amigo de verdade um dia desses.



Essa pessoa pode ser de outra classe social.



Nesse caso, assim que a aula terminar, ele correrá para a sala do amigo e gritará...



— Ei, esqueci de trazer meu livro didático. Você poderia me emprestar o seu, por favor?




Posfácio

Olá, eu sou Mizuki Nomura. Obrigada por ler o primeiro volume “Aoi” da nova série “'When Hikaru Was On the Earth...”.

Como mencionei em “Bungaku Shoujo” baseei esta história no “Conto de Genji”. Há também elementos de outra obra famosa na ambientação, e aos leitores que entenderem, por favor, continuem a leitura com um sorriso sincero.

Escrevi “Bungaku Shoujo” no final de março do ano passado e, embora tenha dedicado bastante tempo a esta nova série, uma série de compromissos públicos e privados me deixou desanimada, pensando: “Não vou conseguir cumprir o prazo e lançar isso em maio”. É realmente ótimo poder enfim lançá-lo com sucesso!

O design inicial do protagonista, Koremitsu, era o de um delinquente saudável (?) crescendo em uma família normal. Porém, como “um delinquente é o segundo maior inimigo de um otaku”, mudei para um garoto azarado que é confundido com um delinquente. Então, pensei: “se ele for alto e bonito, parecerá alguém que tem uma vida boa, e o maior inimigo de um otaku é alguém que tem uma vida boa”. Depois de ajustar e adicionar alguns detalhes, cheguei a este Koremitsu atual.

É por isso que...

O PROTAGONISTA NÃO É UM DELINQUENTE!

Pode parecer um pouco estranho agora, contudo vai melhorar em breve... Eu acho.

Por falar nisso, como ficaria o questionário depois do 3º lugar? Estou bastante curiosa.

O nome desta série é “When Hikaru Was On the Earth...”, inspirado na peça “When You Were On Earth” do grupo teatral Caramel Box. Quando vi o título pela primeira vez, fiquei curiosa para saber que tipo de história seria. Por infelicidade, a apresentação pública já havia terminado, no entanto por acaso tive a oportunidade de ler o roteiro depois. É uma história sem dúvida comovente e, por coincidência, a irmãzinha da protagonista também sabe pintar. O papel dela se sobrepõe ao de Aoi no clube de artes, o que é realmente inexplicável.

Muitas coisas aconteceram enquanto eu criava o primeiro volume de “Hikaru”.

Uma delas diz respeito ao meu local de trabalho. Eu não tinha queixas sobre o ambiente de trabalho e o tratamento que recebia, e queria continuar trabalhando lá até me aposentar. Entretanto o mau desempenho financeiro levou ao fechamento da empresa no final do ano.

Queria encontrar um novo emprego depois de escrever o novo trabalho, todavia ainda não tinha finalizado a história no final de abril. Estava ficando em casa por dias inteiros, e era inverno, então as contas de luz estavam aumentando muito. Quando vi o número astronômico desconhecido, que ultrapassou em muito minha imaginação, na conta, quase desmaiei.

Estive engordando, minha força estava diminuindo e não conseguia cuidar da minha beleza e saúde. Jurei para mim mesma: preciso encontrar logo um novo emprego de meio período!

Ultimamente, muitas pessoas têm me perguntado: “Ser escritora não é suficiente para te sustentar? É sério que vive uma vida angustiada?”. Talvez isso se deva ao fato de ter escrito, em um dos posfácios, sobre meu trabalho de meio período.

Peço desculpas por preocupar a todos, mas não é o caso. Desde que comecei a trabalhar na Famitsu Bunko, o salário tem sido suficiente para me proporcionar uma vida estável, o que é uma sorte. Porém de fato não gosto de ter problemas e prefiro ficar em casa; se não saísse para trabalhar e ficasse aconchegada em casa assim, poderia acabar dormindo 12 horas por dia... Portanto, acho que o melhor para mim encontrar um emprego de meio período nesta situação.

Vestir roupas impecáveis ​​e caminhar despreocupada pelas ruas de manhã é tão relaxante quanto dormir até tarde assim. É por esse motivo que preciso encontrar um emprego!

Conforme mencionado no final do volume, o segundo volume da série “Hikaru” é “Yuugao”.

“Hikaru” é uma história sobre separação. Ao terminar a leitura, poderá se sentir triste, mas também sentirá um calor reconfortante no coração. Seria ótimo se eu conseguisse escrever uma história assim. Depois de “Yuugao”, tentarei continuar com “Waka Murasaki” e “Oburozukiyo”. Por favor, continuem me acompanhando até o final.

30 de abril de 2011.

Mizuki Nomura.



***

Link para o índice de capítulos: When Hikaru was on the Earth...

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