domingo, 13 de setembro de 2026

Maou no Ore ga Dorei Elf wo Yome ni Shitanda ga, Dou Medereba Ii — Volume 04 — Capítulo 19

Capítulo 19: Prólogo















— Mestre Zagan, olhe só, caíram um monte de bolotas aqui!

A garotinha, que veio correndo em sua direção com passos rápidos e leves, trazia bolotas de vários tamanhos apertadas em ambas as mãos. Zagan olhou para ela com uma expressão confusa, não sabia se a elogiava ou se ficava preocupado. No entanto, Zagan não era um homem de aparência amigável, nem de longe. Na verdade, sua expressão neutra era tão sombria que até adultos tremiam de medo diante dele. Ainda assim, a garotinha sorriu de volta.

Após pensar um pouco, Zagan assentiu com um murmúrio e pegou uma das bolotas das mãos da menina.

— Esta maior é uma bolota de carvalho-serrilhado. É bastante amarga, então é melhor não a colocar na boca, a menos que esteja morrendo de fome.

— Dá para comer bolotas? — a garotinha o encarou com um ar vago e inclinou a cabeça para o lado ao fazer a pergunta.

— Sim. Mas duvido que alguém goste do sabor. Além do mais, se não tiver cuidado ao prepará-las, até as melhores podem causar um mal-estar terrível.

Na verdade, nos tempos em que vivia como um órfão abandonado, Zagan ia à floresta e tentava cozinhar quaisquer bolotas que conseguisse encontrar. E, no momento em que achava que estava de barriga cheia, era acometido por uma dor de estômago terrível, que o deixava agonizando.

Enquanto relembrava o passado, contendo a vontade de suspirar diante de memórias tão amargas, os olhos da garotinha brilhavam ainda mais.

— Mestre Zagan, isso é incrível! Você sabe de tudo, não é?

— Não sei de tudo, sei apenas o que sei.

A lembrança de ter se perdido na floresta e mastigado bolotas não era, de forma alguma, uma memória feliz. Porém, ao ouvir aquilo, a garotinha ficou encarando as bolotas fixamente.

— Será que o gosto é bom?

— Já vou logo avisando, o gosto é horrível... — Zagan soltou um suspiro e pegou uma delas enquanto falava, percebendo que a garota seria capaz de mastigar uma bolota se ele não interviesse. E assim, embora parecesse estar recusando o pedido dela de forma direta, Zagan foi até a cozinha, vestiu um avental e pegou uma frigideira. Antes de Nephy chegar ao seu castelo, Zagan não comia nada além de carne seca e leite, contudo não era por não saber cozinhar. Pelo contrário, ter alguma habilidade culinária era uma questão de vida ou morte quando se precisava viver das poucas sobras de comida que se conseguia encontrar.

— Mestre Zagan, eu te amo muito! — a jovem exclamou enquanto abraçava Zagan.

— H-Hmm... — Zagan teve de se esforçar ao máximo apenas para retribuir com um aceno de cabeça atordoado. E, enquanto permanecia ali sem jeito, uma garota com chifres de dragão aproximou-se, caminhando com passos incertos. Era Foll, a filha adotiva de Zagan.

— Deixe-me ajudar, Zagan.

— Desculpe por isso. Vou deixar com você... — Zagan estava sinceramente grato por haver alguém ali para provar a comida. Afinal, saber cozinhar e saber preparar uma refeição deliciosa eram coisas bem diferentes.

— Você também sabe cozinhar? — a jovem perguntou, impressionada ao observar Foll começar a trabalhar na cozinha.

— Um pouco...

Nephy era a responsável pelo preparo de todas as refeições, no entanto Foll vinha ajudando-a desde que se mudara para lá. Há pouco tempo, até havia assumido o preparo de vários itens do cardápio.

— Irmãzona, você também é incrível! — a garotinha saltitou no lugar e elevou a voz, visivelmente impressionada com a revelação.

— Irmãzona...! — Foll cambaleou ao ser chamada de “Irmãzona”. E, numa reação incomum, suas bochechas coraram enquanto olhava para a menina, maravilhada. Aquilo fazia todo o sentido. Afinal, Foll sempre fora mimada por todos ao seu redor, entretanto nunca havia retribuído esse carinho a ninguém. É verdade que era um dragão que vivia há muito mais tempo do que a maioria dos humanos, todavia sua aparência e seu comportamento ainda eram os de uma garotinha.

— Que fofa... — disse Foll, abraçando a menina com força.

— Hã? — os olhos da menina correram de um lado para o outro por um instante, mas logo abriu um sorriso e soltou um “eheheh” enquanto retribuía o abraço de Foll.

— Irmãzona, você é quentinha.

— Zagan, sinto que... Está tudo bem deixar as coisas como estão. — declarou Foll, esfregando a bochecha na menina e soltando um suspiro de satisfação.

— Hmm... Concordo.

— Não, isso não pode acontecer! Vocês dois, voltem a si agora mesmo!

Uma voz atônita ecoou pelo recinto enquanto os dois permaneciam de olhos semicerrados, entregues à satisfação. Era ninguém menos que Chastille, vestindo sua Armadura Ungida pela primeira vez em muito tempo.

— A Nephy virou criança! Não tem como estar tudo bem deixar as coisas assim! — gritou Chastille, parecendo prestes a chorar enquanto seus cabelos ruivos balançavam ao vento.

A menina que abraçava Foll com um sorriso inocente tinha, claramente, não mais do que cinco anos de idade. Porém, possuía orelhas pontudas, cabelos brancos como a neve e olhos azul-celeste. Estava na cara que era uma alta-elfa. E, o mais curioso de tudo, trazia uma coleira grande demais em volta do pescoço.

Sim, aquela criança era, sem sombra de dúvida, a mesma mulher que Zagan não conseguia evitar amar... Nephy.

Nephy havia se transformado em criança, o Arquidemônio usava um avental enquanto preparava bolotas, e Chastille tentava manter a ordem. Absolutamente tudo naquela situação era absurdo. O grupo de Zagan estava, naquele momento, dentro de uma vila élfica destruída. Sendo mais preciso, tratava-se da cidade natal de Nephy, em Norden.

Quanto à causa da situação estranha em que se encontravam... Bem, dois dias atrás...

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