terça-feira, 29 de setembro de 2026

When Hikaru was on the Earth... — Volume 02 — Capítulo 10

Volume 02: Yugao — Capítulo 10: A efêmera flor branca ao pé do muro

 

— De toda forma, é uma menina muito introvertida. Desde o ano passado, nunca saiu de casa e nunca mais foi à escola.

 

Naquela noite...

 

Hikaru estava falando sobre Yu Kanai no quarto de Koremitsu.

 

— Na verdade, ela deveria estar no segundo ano nesta primavera, mas devido à sua falta de frequência não conseguiu passar para a próxima série e está no primeiro ano, assim como nós.


— Seus pais se divorciaram quando começou a se isolar. A mãe foi trabalhar na Austrália e o pai se casou com uma mulher mais jovem, então eles vivem separados. Sua mãe queria levá-la para a Austrália, porém a Yu tinha um relacionamento ruim com a mãe, então começou a morar sozinha naquele apartamento antigo... Ou melhor, decadente.

 

— Seu pai costumava arcar com todas as despesas, contudo sua nova família teve um filho recentemente, e o fardo se tornou pesado. Às vezes, ficavam meses sem dinheiro, então ela vivia uma vida extremamente frugal. Os serviços básicos foram cortados duas vezes até agora, no entanto ela nunca reclamou e insistiu em se esconder em casa, como uma flor de cabaça abrindo suas pétalas brancas na escuridão.

 

— Ah, sim, a flor de cabaça é uma trepadeira anual da família Cucurbitaceae. Elas florescem ao entardecer e irradiam silenciosamente sob o luar durante a noite. Quando o amanhecer surge, começam a murchar. São plantas delicadas, belas e encantadoras, os cachos em seus ramos também são muito bonitos. Sua linguagem floral é “memória de uma noite” ou “amor ilusório”, e algumas pessoas a chamam de “erva do crepúsculo”...

 

Ele costumava iniciar um longo discurso sempre que o assunto era flores e garotas, sem parar.

 

Talvez estivesse muito animado. Vestia uma camiseta branca, calças justas, estava descalço, flutuando no céu com roupas casuais e conversando cheio de ânimo.

 

(Caramba, o bom humor desse cara não acaba.)

 

Koremitsu, que havia trocado de roupa e agora vestia um suéter que usava em casa, estava sentado no tatame, franzindo a testa sem dizer uma palavra.

 

De fato não queria se lembrar do que aconteceu depois que aquela garota introvertida, coberta com cobertores, desmaiou.

 

Ao tentar ajudá-la, Koremitsu correu pela sala na escuridão total, esbarrou em muitas coisas, caiu várias vezes e até derrubou algumas caixas e virou outras coisas, causando uma bagunça.

 

A confusão toda chocou até a vizinha, que pensou que um ladrão tivesse invadido a casa, e a polícia quase foi chamada.

 

Se não fosse pela garota do cobertor ter acordado a tempo, sem dúvida teria sido indiciado. Se a situação tivesse chegado a esse ponto, a reputação já péssima de Koremitsu teria despencado muito mais e, na pior das hipóteses, poderia ter sido obrigado a abandonar os estudos.

 

— Por favor, Koremitsu.

 

Hikaru ajoelhou-se diante de Koremitsu com os joelhos juntos. Suas costas estavam eretas e suas mãos posicionadas com elegância, por sua postura, qualquer um podia perceber que tivera uma boa educação. Até mesmo Koremitsu ficou involuntariamente admirado com a delicadeza de seus gestos.

 

— Posso deixar os assuntos da Yu aos seus cuidados, assim como fiz com a senhorita Aoi? Nenhum homem suportaria deixar uma garota tão delicada e bonita sozinha assim, não é?

 

Hikaru exibiu uma expressão inocente enquanto implorava sinceramente a Koremitsu. A expressão inexplicável que demonstrava era primorosa.

 

— Como ela é? Não conseguia enxergar nada em um lugar tão escuro.

 

— Não se preocupe, garanto que é muito bonita. Posso até jurar.

 

— Não estou perguntando se é bonita ou não. Aliás, que tipo de promessa fez agora, seu demônio jurador?

 

Koremitsu lançou um olhar fulminante para Hikaru, todavia este respondeu com um sorriso silencioso e maduro.

 

— Não posso dizer agora.

 

— Hã?

 

Não pode dizer? Por quê?

 

Hikaru projetou o queixo para a frente, exibiu um sorriso inocente e travesso, típico de criança, e bateu palmas.

 

— Enfim, por favor. Você não prometeu à Yu que consertaria a porta quebrada? Dado o seu jeito, não vai deixaria uma garota sozinha depois de quebrar a porta da sua casa daquele jeito, né?

 

— Guh.

 

Koremitsu não conseguiu contestar depois que isso foi mencionado.

 

***

 

Na manhã seguinte, Koremitsu saiu de casa duas horas mais cedo do que o habitual.

 

— O que houve? Vai treinar de manhã para algum torneio de beisebol ou coisa do tipo?

 

Sua tia Koharu acabara de acordar com os cabelos despenteados, as mangas do suéter e as calças arregaçadas enquanto o encarava com desconfiança.

 

— Por aí.

 

Koremitsu respondeu sem explicar muito.

 

— Vai levar a caixa de ferramentas?

 

Perguntou, ao ver o objeto na mão de Koremitsu.

 

— Se quer brigar, lute desarmado. Só amadores que não conhecem as regras da luta é que recorrem a essas coisas.

 

Koharu discursava com os olhos semicerrados e girava os ombros ao entrar na cozinha.

 

— Será que a senhorita Koharu é especialista em lutas?

 

Hikaru perguntou, curioso.

 

— Não me pergunte.

 

Koremitsu respondeu com uma carranca.

 

***

 

Eles chegaram ao apartamento, que ainda parecia em ruínas depois da chuva, ao amanhecer.

 

Koremitsu bateu na porta do quarto de Yu. Uma mulher com bobes no cabelo e maquiagem carregada saiu do quarto ao lado e encarou Koremitsu.

 

— Você está aqui de novo? Vou dormir, então não faça barulho como fez ontem.

 

— Desculpe, estou aqui para consertar a porta. Pode haver um pouco de barulho, mas tentarei terminar o mais rápido possível.

 

Seria ruim se a polícia fosse chamada, assim como quase aconteceu no dia anterior, então, de forma intrigante e educada, baixou a cabeça.

 

A vizinha, que parecia ser de algum ramo da vida noturna, lançou um olhar de ódio para Koremitsu.

 

— Tá, então seja rápido.

 

Depois de responder, ela bateu a porta.

 

— Essa irmã mais velha também agiu feroz comigo, e até me repreendeu com coisas como “não apareça no meio da noite” ou “um pirralho saindo de casa no meio da noite? O que o pessoal da educação está fazendo?”. Porém ela é linda e tem um corpo bem bonito também. É como um gerânio vermelho brilhante.

 

Hikaru prosseguiu com algo que não preocupava Koremitsu.

 

— Ainda bem que você não fez promessa àquela vizinha.

 

Koremitsu disse com desprezo, lançando-o um olhar de soslaio, e depois bateu na porta de Yu outra vez.

 

As partes que danificou no dia anterior foram reparadas com fita adesiva de vinil e fita isolante.

 

— Ei, Yu Kanai... Está acordada? Vim consertar a porta.

 

Após um momento de silêncio, a porta abriu-se um pouco, cerca de um centímetro.

 

Um par de olhos negros e um par de olhos azuis espreitavam de dentro.

 

Os olhos negros aterrorizados pertenciam à garota hikikomori¹, e os olhos azuis pertenciam ao gato de olhar frio.

 

Koremitsu mostrou a caixa de ferramentas que tinha na mão.

 

A porta abriu mais um centímetro.

 

Ela o observou com timidez.

 

Koremitsu achou que não seria bom para nenhum dos lados continuar se encarando sem nenhum progresso.

 

 — Com licença.

 

Ele empurrou a porta com força.

 

A garota frágil, envolta em um cobertor azul, recuou e se retirou para um canto do quarto.

 

Yu se enfiou entre a cama de beliche e a parede enquanto continuava a olhar para Koremitsu.

 

Koremitsu sabia, por experiências passadas, o efeito que seu cabelo ruivo e sua expressão selvagem teriam sobre uma garota comum. As garotas da escola não ousavam olhar em seus olhos.

 

Essa garota frágil estava visivelmente horrorizada, contudo continuou o encarando com uma expressão ambivalente.

 

Seu gato branco enrolou o rabo enquanto se sentava aos pés de Koremitsu, seus olhos azuis frios o observando.

 

Koremitsu abriu a caixa de ferramentas e pegou um martelo e alguns pregos. Era insuportável trabalhar sob os olhares da humana e do animal, e se sentia apreensivo.

 

O culpado por isso, Hikaru, continuava o observando com um olhar despreocupado.

 

— Nossa, sua técnica de martelagem é incrível. Como esperado, é digno de respeito. Você é um cara muito capaz.

 

(Não importa quantos elogios me faça, não vai me enganar. Tudo que está fazendo é me observar.)

 

O som das marteladas ecoou na manhã tranquila. Koremitsu temia que a vizinha saísse correndo para repreendê-lo pelo barulho.

 

Yu seguia escondida no vão entre a cama e a parede, imóvel como um enfeite. Ela não moveu os cabelos que caíam sobre o rosto e encolhia o corpo silenciosamente no quarto.

 

Era manhã e as cortinas da janela seguiam fechadas, no entanto a luz do sol que entrava por elas deixava o quarto um pouco mais iluminado do que no dia anterior.

 

Havia fotos de mares e peixes, além de impressões de imagens, que pareciam ter sido coloridas por computador, coladas na parede. O vento que entrava pela porta fazia os papéis ondularem como ondas quebrando na costa.

 

O ventilador, os cabides, a bolsa de golfe e o fogão elétrico estavam juntos. Havia conchas, bolinhas de gude e fragmentos de vidro. E nas bordas da cama de beliche, cordas de vinil azuis e vermelhas pendiam como algas marinhas.

 

(Nossa... Que design de interiores estranho.)

 

Hikaru afirmou que Yu se trancou no quarto por um ano e que todas as suas compras de itens essenciais, como água e comida, eram feitas pela internet. Ela normalmente não saía nem um único passo de lá.

 

(Sempre mantém as cortinas fechadas, está coberta com o cobertor e não sai de um lugar tão escuro e úmido. Será que não tem medo de que fungos cresçam? Esse estilo de vida é muito prejudicial à saúde.)

 

A pele da menina, vagamente visível por baixo do cobertor, era branca como a neve, os dedos expostos eram pálidos, e até as unhas. Isso devia-se à falta de exposição à luz solar.

 

(Ah, é mesmo... Será que ela sabe que Hikaru está morto?)

 

Ao pensar nisso, Koremitsu sentiu, sem querer, um choque dentro de si.

 

Como estava isolada dentro de casa e não interagia com ninguém, talvez não soubesse que Hikaru havia morrido.

 

(Isso é ruim.)

 

Seu coração disparou de repente.

 

Não havia dúvidas de que Yu era uma das muitas namoradas de Hikaru. Em outras palavras, Hikaru seria seu amante.

 

Seria bom para Koremitsu, um desconhecido, dizer pessoalmente que seu amado morreu?

 

Ele parou o que estava fazendo, desviou o olhar de Yu e disse com indiferença, embora sua voz fosse estridente.

 

— Eh... Bem, comentei ontem, mas o motivo de eu estar aqui é porque o Hikaru me pediu para cumprir sua promessa. Quanto ao motivo de o próprio Hikaru não poder estar aqui... Hikaru, bem, morreu estupidamente em um acidente há pouco tempo.

 

— Koremitsu, eu não morri “estupidamente”, sabe?

 

Hikaru protestou, contrariado.

 

— Eu sei.

 

Era uma voz suave.

 

Koremitsu olhou para trás e viu que Yu, coberta pelo cobertor azul, estava o observando.

 

Algumas mechas finas de cabelo repousavam sobre aquele rosto branco. Sua expressão facial ia além do desânimo e da tranquilidade, aproximando-se da resignação.

 

A voz suave, que quase se dissipava no ar, continuou sem se alterar.

 

— Recebi um e-mail.

 

— E-mail? Entendi. Algum amigo te avisou?

 

Yu baixou os olhos e balançou a cabeça de leve.

 

— Era... Um endereço desconhecido, e não havia... Nenhum nome junto.

 

— Yu, você ainda tem esse endereço? Poderia me mostrar?

 

Hikaru perguntou, com uma expressão séria no rosto.

 

— Ainda tem a mensagem? Se importaria de me mostrá-la?

 

Yu pareceu muito hesitante e baixou a cabeça para ponderar por um momento, antes de se afastar e arrastar o cobertor.

 

Havia um laptop sobre a pequena mesa redonda e um celular azul turco ao lado.

 

Os dedos brancos e finos saíram de debaixo do cobertor, pegaram o telefone, abriram a capa, manuseou as teclas por um tempo e o entregou, hesitando, a Koremitsu.

 

Koremitsu recebeu o celular, e Hikaru também o leu.

 

A mensagem foi enviada um dia antes do funeral de Hikaru. O obituário era bastante conciso e desprovido de qualquer indício de emoção, o local e a hora também foram informados.

 

Não havia assinatura do remetente, tal qual Yu havia dito.

 

O início do endereço de e-mail constava como “upvkpv”...

 

A intenção era vaga, e pareciam ser uma seleção aleatória de caracteres em vez de letras com um significado oculto.

 

— ...

 

Hikaru franziu a testa, mordeu os lábios e ficou pensativo.

 

— Obrigado.

 

Koremitsu estava prestes a devolver o telefone para Yu, contudo de repente se assustou.

 

— !

 

Yu chorava baixinho.

 

Gotas transparentes escorriam por seu rosto branco.

 

Não havia sinal de dor intensa, no entanto seus claros olhos negros estavam marejados de lágrimas enquanto chorava silenciosamente. Ela continuou a chorar, e parecia que as lágrimas não iriam parar sem aviso prévio.

 

— Wa-Wah, tudo bem, não chore.

 

Koremitsu entrou em pânico.

 

Ele tinha muito medo de ver mulheres chorando, pois o fazia lembrar da cena de sua mãe chorando.

 

Ela também já chorou baixinho assim.

 

— Sinto muito, Mitsu.

 

— Desculpe.

 

As emoções fervilhavam em seu coração, e sua voz estava rouca.

 

Caramba, por que estou pensando nisso...?

 

Koremitsu cerrou os dentes com toda a sua força e contraiu o rosto e os olhos o máximo que pôde.

 

Yu falou, com a voz fraca enquanto as lágrimas rolavam por suas bochechas.

 

— Estava chovendo... Naquele dia, quando o funeral de Hikaru aconteceu... Não pude ir. Não pude vê-lo uma última vez... Não pude ver...

 

Sua voz gaguejante era efêmera demais, solitária demais, causando uma dor profunda no coração de Koremitsu ao ouvi-la...

 

Queria contar a Yu que Hikaru estava presente, todavia Yu não conseguia vê-lo e talvez pensasse que estava apenas tentando confortá-la.

 

Hikaru abraçou Yu pelos ombros enquanto a observava com um olhar sombrio. As pontas dos dedos delicados, que não combinavam com um homem, penetraram o cobertor que cobria Yu.

 

— Sinto muito... Yu, se eu tivesse vindo aqui para te ver mais cedo. Você e Lapis deviam estar se sentindo sozinhas, não é? Sinto muito.

 

A voz suave ecoou profundamente, fazendo com que a dor crescente na garganta de Koremitsu se tornasse ainda mais intensa.

 

Yu não sabia que Hikaru a estava abraçando.

 

O gato de olhos azuis estava a seus pés, aparentemente tentando confortá-la.

 

Yu baixou a cabeça, sem força.

 

Gotas de água cristalina escorreram uma vez mais pelo seu rosto.

 

— Por favor, não chore! Entendo como se sente. Aquele idiota do Hikaru morreu de repente, e você deve ter ficado com vontade de chorar. Também fiquei assim, desabei em lágrimas no momento em que pensei que ele pudesse desaparecer, então sei que é insensível pedir para que não chore, mas por favor, não chore!

 

Koremitsu implorou com fervor. Realmente não suportava ver uma mulher chorando.

 

Seu coração estava prestes a se despedaçar.

 

Porém Yu continuou a chorar, e a resistência de Koremitsu cedeu até que por fim gritou.

 

— Muito bem! Vou cumprir essa promessa no lugar do Hikaru! Assumirei toda a responsabilidade aqui!

 

Yu ergueu a cabeça ao ver Koremitsu.

 

Ela devia ter ficado surpresa.

 

Seus olhos, marejados, se arregalaram um pouco, e as lágrimas cessaram.

 

Koremitsu olhou direto nos seus olhos e declarou outra vez com um tom apaixonado.

 

— Eu o ajudarei a cumprir sua promessa!

 

Suas veias estavam saltando, seus olhos franziam a testa, e sua expressão devia ser muito assustadora. Esperava não ter assustado aquela garota introvertida.

 

Hikaru, que estava abraçando Yu, estreitou os olhos suavemente, curvou os lábios num sorriso e encarou Koremitsu.

 

Os olhos de Yu demonstraram de novo preocupação e perplexidade.

 

Ela perguntou em um suave tom de voz...

 

— Promessa... Que promessa?

 

— Hein?

 

Koremitsu exibiu uma expressão de surpresa.

 

(Como... É?)

 

— Ah, sobre isso... — Hikaru murmurou enquanto se afastava lentamente de Yu.

 

— Hikaru não te fez uma promessa?

 

— Ele disse isso algumas vezes... Porém não tenho muita certeza.

 

(Algumas vezes?)

 

Koremitsu lançou um olhar furioso para Hikaru.

 

E este último...

 

— E aí, Lapis, tudo bem?

 

Continuou a acariciar a cabeça do gatinho.

 

O gatinho fez uma careta de confusão.

 

— Acho que ele disse que queria colocar uma coleira de vidro na Lapis? Ou talvez quisesse colorir o leque? Ou talvez quisesse jogar algum “jogo de Shiritori com tema marítimo” de novo? Ou talvez quisesse colocar dois canudos no copo de suco azul e beber juntos? Sempre que o Hikaru estava prestes a ir embora, me fazia um juramento de dedinho e dizia “é uma promessa”...

 

— Fufu, os olhos da Lapis são da cor da Terra, aquele azul-arroxeado parecido com o da Commelina é muito bonito. Ah, sim, a linguagem floral da Commelina é “respeito” e “amizade nostálgica”, sabia?

 

(Ei! Por que está rindo? Pare de brincar com o gato! É hora de usar a linguagem das flores? Seu pilantra que só faz promessas!)

 

— O que Hikaru pediu que você fizesse?

 

Yu olhou para Koremitsu com os olhos embaçados, obviamente curiosa para saber o que Hikaru havia incumbido Koremitsu de fazer.

 

— Uuh.

 

Koremitsu murmurou algo enquanto olhava para Hikaru.

 

Este último sorriu sem jeito e bateu palmas, implorando a Koremitsu.

 

— Droga, é aquilo, aquilo... A mais importante de todas as promessas! Deveria haver uma, não é? Você sabe?

 

— A mais importante...?

 

— Certo, a promessa mais importante.

 

A aula estava prestes a começar e a porta não havia sido consertada.

 

Por favor, se apresse e pense. Apenas me diga. Não importa o quão difícil seja, farei o meu melhor para conseguir.

 

— Talvez...

 

Yu baixou a cabeça.

 

— Conseguiu pensar em alguma? Ótimo! É justo essa!

 

Koremitsu inclinou o corpo para a frente...

 

— Talvez... Seja a de trocar a lâmpada para mim?

 

Enquanto isso, Yu ergueu o rosto e disse com um olhar sério.

 

O martelo caiu da mão de Koremitsu.

 

***

 

— O que exatamente você está planejando? O que quer que eu faça?

 

Koremitsu enfim conseguiu consertar a porta e correu pelo caminho de terra que levava à escola, resmungando.

 

— Só quero cumprir uma promessa.

 

Hikaru flutuou ao lado de Koremitsu de forma caprichosa e respondeu com aquela expressão irritantemente elegante.

 

— Estou perguntando que tipo de “promessa” foi a que fez? É alguma promessa importante com ela que precisa ser cumprida, certo? Se for uma bobagem como Shiritori, não vou me incomodar em te ouvir nunca mais.

 

A expressão de Hikaru demonstrou imediatamente maturidade.

 

— Hmm, essa é uma promessa muito importante, e só posso pedir a você, meu bom amigo. Pense nisso junto com a Yu.

 

Ele olhou para Koremitsu com uma expressão clara, repleta de confiança, e disse isso em um tom de voz suave. Essa expressão deixou Koremitsu sem jeito, e quase caiu ao tropeçar acidentalmente.

 

(O que esse cara está pensando?)

 

Ainda queria perguntar muitas coisas, contudo o mais importante era chegar à escola na hora certa.

 

Koremitsu enfim conseguiu chegar a tempo e tentou recuperar o fôlego enquanto trocava de sapatos em frente ao armário de calçados.

 

— Haa... Haa... Enfim... Se você quer que alguém te ajude... Pelo menos explique o que fazer... Como é que vou fazer isso... Haa...

 

— Koremitsu, você acabou de correr dois quilômetros. Recupere o fôlego antes de falar...

 

Hikaru fez uma expressão irônica ao falar.

 

— Ouvi dizer que esse cara é o principal suspeito do assassinato de Lorde Hikaru.

 

— !

 

Koremitsu levantou a cabeça.

 

O assassino de Hikaru está por perto?

 

Seu olhar percorreu a sua volta e percebeu que uma parede humana o cercava sem que soubesse, com todas as pessoas o encarando.

 

— Será que esse é o perseguidor do Lorde Hikaru?

 

— Ouvi dizer que ele anda por aí dizendo que é amigo do Lorde Hikaru.

 

— Deve tê-lo assassinado porque estava absorto demais em seus próprios delírios.

 

— O amor homossexual é realmente intenso.

 

(Espere aí!)

 

Os olhares de dúvida de todos eles fizeram o rosto de Koremitsu se contrair.

 

(Eu? Perseguindo o Hikaru? Eu o matei porque sou delirante? Amor homossexual...?)

 

Após processar as informações que ouviu, Koremitsu ficou surpreso.

 

(Será que todo mundo pensa que fui eu quem matou o Hikaru?)

 

Parecia ser esse o caso.

 

Os alunos da escola pareciam ter considerado Koremitsu Akagi o principal suspeito do assassinato de Hikaru, e até mesmo formavam um caminho para ele sempre que passava pelos corredores. Essa era uma cena comum, entretanto antes, as pessoas o viam apenas como filho de algum membro da Yakuza ou como um delinquente, e agora...

 

— Essa pessoa e Lorde Hikaru...

 

— Que amor distorcido.

 

Koremitsu sentiu um formigamento nas costas ao ouvir aqueles murmúrios vindos de trás.

 

Finalmente havia chegado à sala de aula, todavia o ambiente barulhento não cessou e seus colegas o encaravam.

 

A representante de turma de cabelos trançados, que sempre cumprimentava Koremitsu ainda morrendo de medo dele, voltou para o seu lugar e não ousou encará-lo.

 

Honoka, que estava sentada ao lado de Koremitsu, franziu a testa ao vê-lo. Ela estava hesitante, mas entrou em pânico e desviou o olhar assim que Koremitsu se aproximou, e não ousou encará-lo durante a aula.

 

Durante o intervalo da aula.

 

— Ouvi dizer que aquele cara matou Lorde Hikaru.

 

As fofocas continuaram, e Koremitsu sentiu que não conseguiria suportá-las por mais tempo se continuasse a ouvi-las.

 

(Como eu poderia ter matado o Hikaru?)

 

— Porque você chama muita atenção. É por isso que todo mundo está fazendo palpites aleatórios. Estou preocupado. Existe alguma maneira de resolver essa situação?

 

Hikaru franziu a testa com um olhar apologético ao lado de Koremitsu.

 

— Bem, seria muita estupidez levá-los a sério.

 

Koremitsu lançou um olhar deliberadamente indiferente.

 

Porém, na verdade, já estava ofendido e suas têmporas latejavam.

 

Neste momento...

 

— Que estupidez.

 

Uma voz soou severa ao seu lado.

 

Honoka, que tinha as sobrancelhas arqueadas em sinal de desdém, de repente cobriu o celular.

 

Ela proclamou com ousadia, enquanto os colegas de classe a observavam perplexos.

 

— Vocês não são crianças, e mesmo assim estão se deixando levar por uma mensagem tão caluniosa. Se essa pessoa quisesse dizer algo, poderia ter assinado. Não vou acreditar nas palavras de um covarde que só se atreve a espalhar boatos às escondidas.

 

Logo depois, a sala de aula mergulhou em completo silêncio.

 

Honoka não olhou para Koremitsu, e seus olhos, aparentemente furiosos e penetrantes, fitaram o vazio. Seu tom e expressão eram desprovidos de medo, contudo havia uma sensação de indignação oculta. Se alguém observasse com atenção, notaria que suas mãos, pressionadas contra a mesa, tremiam de leve.

 

A representante de turma com tranças levantou-se apressadamente e disse.

 

— É verdade! A Hono tem razão. É errado suspeitar dos outros com base em suposições sem fundamento.

 

Os colegas de classe trocaram olhares constrangidos.

 

Essa atmosfera tensa persistiu por um bom tempo, antes que todos voltassem ao que estavam fazendo. Honoka, no entanto, estava cercada pela representante de classe e por algumas outras amigas.

 

— O que foi, Honoka?

 

— Por que falou essas coisas de repente?

 

Todas perguntaram, preocupadas.

 

— Não é nada. Só não suportava ver aquilo.

 

Ela respondeu fazendo beicinho, e Koremitsu sentiu alívio ao ouvi-la falar sem ser notado.

 

— Ainda existe outra pessoa nesta turma que te apoia além de mim, Koremitsu.

 

Hikaru disse, encantado.

 

— Shikibu!

 

Após a aula, assim que Honoka estava saindo da sala de aula, Koremitsu a chamou.

 

— Obrigado por falar por mim.

 

Ele se sentiu muito constrangido por precisar da ajuda de uma mulher, todavia ainda assim ficou comovido com sua proatividade... Essas duas emoções conflitantes colidiram em seu coração, e não sabia que expressão deveria fazer.

 

Honoka corou.

 

(Por que ela está corando de repente?)

 

— Não precisa me agradecer, não disse essas palavras para te agradar. Só disse o que pensei. Não se engane, não tenho a menor intenção de ajudar um delinquente como você.

 

Ela afirmou friamente e repreendeu.

 

— Não te conheço. Não fale comigo.

 

Então se virou e foi embora.

 

Koremitsu permaneceu imóvel, sem conseguir dizer nada.

 

(Por que está tão brava comigo? E ainda me diz para não falar com ela...)

 

— Droga! As mulheres são difíceis de entender!

 

Ele reagiu com violência, com as veias saltando.

 

— A personalidade da senhorita Shikibu... É bastante lamentável. Acho fácil entendê-la e tenho muita vontade de provocá-la até que seu rosto fique vermelho como uma flor boca-de-leão, mas isso é muito difícil para você.

 

Hikaru suspirou enquanto continuava a tagarelar.

 

Neste momento...

 

— Sr. Akagi!

 

Uma voz estridente soou nos ouvidos de Koremitsu, e uma garota pequena de cabelos curtos e seios grandes e firmes veio correndo em sua direção.

 

Era Hiina Oumi, do clube de notícias.

 

Ela tinha uma enorme variedade de expressões, e seus grandes olhos brilhavam como os de um menino. Sua mão agarrou Koremitsu pelo braço e continuou falando sem parar.

 

— Todos estão dizendo que você é o principal suspeito do assassinato do Lorde Hikaru! Nossa, o Rei Delinquente não tem para onde fugir! Parece um sábado à noite no Teatro de Mistérios! Quer limpar seu nome trabalhando com esta parceira bonitinha para desmascarar o verdadeiro culpado? Enfim, o que mais suspeito agora é...

 

Não se sabia se estava pressionando os seios contra Koremitsu de propósito, contudo Koremitsu apenas cobriu a da garota boca sem dizer nada.

 

— Hum...

 

Hiina arregalou os olhos em surpresa ao olhar para Koremitsu. Este retribuiu o olhar e disse.

 

— Tudo o que preciso saber é o que Hikaru disse, nada mais importa.

 

Ele se lembrou das palavras que Honoka acabara de dizer.

 

Seria muita tolice se deixar enganar por tais rumores. Só precisava acreditar nas pessoas importantes, e mesmo que cometesse um erro, não se arrependeria.

 

Hiina arregalou os olhos.

 

Ela soltou a mão de Koremitsu e o encarou com um olhar atônito.

 

Koremitsu se afastou de Hiina e, antes de sair, disse em tom de brincadeira.

 

— Além do mais, estou acostumado a ouvir essas bobagens desde criança. Esses boatos são tão indolores quanto uma picada de mosquito.

 

Hiina observou, sem expressão, o ruivo caminhar pelo corredor e, de repente, virou-se para dizer, animada.

 

— Foi isso o que ele disse, presidente.

 

Uma mulher alta e bonita, de longos cabelos negros... A presidente do conselho estudantil, Asai Saiga, saiu de trás da esquina.

 

Hiina então disparou uma série de palavras sem parar para Asai, que estava carrancuda.

 

— Esta já é uma amizade que transcende a vida e a morte, não é? Seu tom indica que ouviu algo do Lorde Hikaru. Com certeza não é só um delinquente qualquer. Pensando bem, é verdade, aqueles que conseguem entrar nesta escola através dos exames de admissão sem dúvida não são estúpidos. Todos sabem que os alunos desta escola são compostos por alunos de programas internos afiliados, cujas famílias têm conexões, e alunos externos com notas excepcionais... Ah, claro que existem pessoas como você, com essa linhagem de terem crescido entre a nobreza desde o jardim de infância e terem notas excepcionais! Enfim, parece que o Sr. Akagi descobriu algo importante sobre o Lorde Hikaru, meus instintos sempre foram aguçados.

 

Asai ouviu as palavras de Hiina friamente, e ela a encarou de maneira zombeteira, parecendo tentar provocá-la para que dissesse algo.

 

— Para mim, parece que você também está no topo da lista de suspeitos de quem matou Lorde Hikaru, presidente! Já que os dois estão na mesma posição, o que acha do Sr. Akagi?

 

Asai não caiu na sua armadilha.

 

Sua expressão permaneceu tão gélida como sempre.

 

— É apenas um cachorro selvagem cujo latido me irrita.

 

Ela respondeu com arrogância e saiu.

 

Nesse momento, Hikaru, que estava ao lado de Koremitsu, ficou muito animado.

 

— Estou tão emocionado! Se eu fosse uma garota, teria te pedido em casamento na hora! Nossa, foi demais! Estou tão emocionado que estou até arrepiado!

 

(Que tipo de fantasma teria arrepios? E por que estou corando?)

 

Koremitsu continuou com uma expressão sombria enquanto dizia em tom frio.

 

— Não seja bobo, não é que eu não me importe que você esteja escondendo algo de mim. É só que sinto que, bem... Mesmo sendo amigos, ainda existem coisas que sei que não quer dizer. Também tenho algumas coisas das quais não quero falar... Enfim, diga quando quiser... Já que somos amigos.

 

Koremitsu ficou ainda mais envergonhado enquanto continuava, e seu rosto começou a arder de vergonha. Realmente achava muito difícil dizer essas coisas.

 

— Coisas que não quer falar? Quer dizer, quantos anos tinha quando molhou a cama pela última vez? Alguma redação constrangedora que escreveu quando era criança? Lembro que comentou que era o representante de criação de animais na escola primária... Ah! Está insinuando que sua primeira paixão foi uma professora de jardim de infância?

 

— NÃO! Agora não é hora de falar de mim, né?

 

Hikaru exibiu uma expressão despreocupada no rosto, e estreitou os olhos enquanto dava um sorriso radiante.

 

— Ah, entendi. Também esperarei que você diga isso quando quiser, Koremitsu.

 

— Por que está sorrindo com essa cara de idiota? Nunca gostei da minha professora do jardim de infância, e tem alguma ideia de quanto está me causando problemas aqui? De quem acha que é a culpa de todos estarem pensando em mim como um suspeito de assassinato e um perseguidor?

 

Koremitsu resmungou em silêncio.

 

Mas não tinha escolha. Apenas teve o azar de ser importunado por uma pessoa tão problemática, e até mesmo, tolamente, acabou se tornando amigo dela.

 

— Está preocupado com aquela mulher introvertida agora, não é? Se eu a ajudar, você estará um passo mais perto de ascender ao Céu, certo?

 

— Sim, acho que posso estar 100 metros mais perto.

 

Hikaru assentiu com um sorriso radiante.

 

— Sério, só 100 metros? Quantos milhares de anos-luz faltam para chegar ao espaço?

 

— Bem, não existe um ditado que diz que é preciso dar o primeiro passo antes de embarcar numa longa jornada?

 

— Caramba, vou ficar velho no dia em que terminar essa jornada. De qualquer forma, vamos nos apressar e resolver isso primeiro.

 

Koremitsu disse isso com relutância e, ao ouvir, Hikaru assentiu outra vez com um sorriso doce e feliz no rosto.

 

— Muito bem, então, que tal enviar um e-mail para Yu primeiro?

 

— Hã? Um e-mail?

 

***

 

Durante o intervalo de almoço.

 

Por que tenho que fazer uma coisa dessas...? Koremitsu rangeu os dentes, contrariado, enquanto começava a mexer no celular, sentado à sua mesa.

 

(E acabei sendo levado na conversado até lá pelo Hikaru, né?)

 

— Se for uma visita repentina, Yu pode ficar com medo de abrir a porta, então precisa construir um relacionamento com ela primeiro. Este é o momento ideal para enviar um e-mail, pois é o método mais adequado para se aproximar de uma garota introvertida. Também pode usar isto para praticar e encarar como uma preparação para sair com uma garota que gosta de rir.

 

(O quê? Ainda está tentando encontrar uma mulher que goste de rir? Quantas vezes preciso te dizer que não preciso de uma namorada e que não tenho interesse em uma mulher que goste de rir!)

 

Koremitsu resmungou baixinho em seu coração enquanto digitava a mensagem com o suor escorrendo pela testa.

 

— Se quer que ela responda, a estratégia mais básica é terminar a mensagem com uma pergunta. Além do mais, tente falar mais sobre coisas que a interessam.

 

Hikaru irradiava alegria enquanto estava sentado na mesa de Koremitsu com as pernas cruzadas, começando a ensinar ao aluno as habilidades necessárias para enviar mensagens para garotas. Seus cabelos castanho-claros continuavam a ondular suavemente na brisa calma da sala de aula, e seus olhos estavam cheios de entusiasmo.

 

Koremitsu, no entanto, parecia letárgico.

 

(Hã? Uma pergunta? Algo que lhe interesse?)

 

“Aquele gato é muito bagunceiro?”

 

— Koremitsu... Lapis não é um macho, mas sim uma fêmea.

 

“Será que essa bola de pelos está de bom humor?”

 

— Bola de pelo... Que apelido antiquado é esse? Seja mais natural com as suas palavras.

 

“Qual o nome do seu gato? Lapse? Lapel? Lupus?”

 

— Ei, eu não disse que se chama Lápis? Está me ouvindo?

 

— Cale a boca. Eu estou.

 

Koremitsu resmungou irritado e continuou enviando mensagens.

 

“O que comeu no almoço?”

 

“Você comeu carne?”

 

“Lembre-se de ingerir vitamina C suficiente.”

 

Cada frase era ininteligível e, como esperado, Yu não respondeu.

 

— Koremitsu, pense em que tipo de mensagem gostaria de receber se fosse uma garota. Você precisa escrever com mais elegância e emoção, assim como os nobres da Era Heian.

 

— Nobres da Era Heian?

 

O uniforme escolar no corpo de Hikaru transformou-se na vestimenta de um nobre do período Heian.

 

Era um manto azul-púrpura de grande imponência régia.

 

Hikaru, que se tornara um fantasma, adquiriu a habilidade completamente inútil de “trocar de roupa”. Este conjunto de vestes nobres do período Heian era o seu favorito, e sempre adorava mudar as cores e os padrões. Seu perfil não podia ser visto no espelho, então não conseguia se ver, embora continuava a trocar de roupa com o mesmo entusiasmo.

 

— Ki no Tsurayuki ² mencionou no “Kokin Wakashu” que recitar poemas é sobre derramar a alma nas palavras e trazer as emoções para as flores, a lua, as montanhas. Às vezes, ao ver a fumaça no Monte Fuji, pensamos em nosso amor romântico, às vezes, quando ouvimos o canto dos grilos, pensamos em nossos amigos próximos. Às vezes, quando vemos o orvalho na grama ou as bolhas na água, lamentamos que a vida seja tão fugaz... Um Waka curto é repleto de emoções, certo, assim como este poema...

 

Hikaru então recitou com uma voz suave e serena...

 

— Desde o primeiro momento em que ouvi os tênues chamados dos gansos, minha mente se deteve nos céus... Enquanto eu aparentemente ouvia os vagos sons dos gansos do Norte, e depois de ouvir sua voz, minha alma permanece inquieta o dia todo, e meu coração continua a ansiar³. As princesas da Era Heian estão escondidas no fundo dos Boudoirs, seria impossível encontrá-las a menos que tivessem relacionamentos próximos. Este poema é usado para expressar o amor e a admiração após ouvir a voz da outra pessoa, uma sede ardente de encontro, e qualquer jovem que recebesse este Waka sem dúvida desejaria convidar o homem para passar a noite.

 

— Ah, e tem também este... A maré alta durante o dia pode não ser vista, e o mar se espalha ao longo da costa, esperando pela noite... A maré alta durante o dia não pode ser vista, então só se pode esperar na costa onde o mar cobre... E esperar que se encontrem à noite. A escrita deste poema é muito detalhada e difícil de entender. De qualquer forma, deve se trata de perguntar a uma certa dama se poderia encontrá-la no meio da noite. É bem romântico!

 

Koremitsu jamais imaginaria ouvir o termo piegas “romântico” da boca de um garoto adolescente.

 

(Só se encontrem se quiserem. Será que precisa mesmo de um poema sobre isso? Aquelas pessoas do Período Heian eram muito indiretas.)

 

A paciência de Koremitsu estava se esgotando enquanto se dedicava àquela tarefa desconhecida de compor uma mensagem. Na verdade queria enviar uma mensagem direta, dizendo “Irei aí depois da aula. Abra a porta mais tarde!”. Mas, ao pensar no rosto pálido de Yu sob o cobertor azul, em sua expressão inquieta e com os olhos marejados, ele inadvertidamente parou de escrever de novo.

 

— ...

 

Não entendia nada sobre as mulheres e não queria tentar conquistá-las.

 

Porém...

 

Essa garota hikikomori tinha uma pequena semelhança com sua mãe, que havia abandonado o lar. Realmente não queria magoá-la, nem a assustar.

 

— Yu é muito tímida.

 

— Se for uma visita repentina, pode ficar com muito medo de abrir a porta.

 

— Kuu.

 

Do que a Yu gosta? O que ela espera?

 

Aquela expressão fugaz continuou a persistir na mente de Koremitsu.

 

Sua voz, quando disse “talvez seja para trocar a lâmpada para mim?”, depois de refletir bastante, continuava ecoando em seus ouvidos.

 

Certo. Primeiro, preciso melhorar a iluminação do quarto, senão será impossível andar e qualquer um acabaria esbarrando em tudo depois de alguns passos. Lâmpadas fluorescentes... Luz... Algo brilhando... O quarto tem fotos do mar coladas nas paredes internas. Algo que brilha no mar...

 

“Comprei um peixe-diabo. Quer que eu leve para você depois da aula?”

 

Ele digitou as palavras e depois enviou a mensagem.

 

— Koremitsu, como você encontra um peixe-diabo à beira da estrada? Mesmo que seja uma comparação, precisa encontrar um tema mais sentimental, mais elegante, mais romântico. Diga pelo menos que é um vaga-lume ou coisa parecida.

 

Hikaru o repreendeu em seguida.

 

— Cale a boca.

 

Koremitsu resmungou, contudo se sentiu envergonhado.

 

Koremitsu murmurou. — Que tipo de coisa infantil estou fazendo aqui? — no entanto, na verdade, estava envergonhado e não sabia o que estava escrevendo. Nesse momento, o telefone tocou.

 

— Ah...

 

A resposta chegou.

 

Koremitsu abriu a mensagem.

 

— “Ok!”

 

Essa foi a única mensagem que chegou.

 

Koremitsu aparentemente ouviu um suave “sim” em seus ouvidos e ficou perplexo com isso.

 

— Erm, esse tipo de conteúdo é aceitável? Ele deveria ter elevado seus padrões e tentado mais algumas vezes.

 

Hikaru murmurou para si mesmo, parecendo desaprovar muito aquilo.

 

***

 

— Qual é o problema, Hono? O que você está olhando?

 

Michiru gritou, e Honoka virou a cabeça surpresa.

 

— N-Não é nada!

 

Ela ficou constrangida em admitir que estava encarando Koremitsu porque o encontrou digitando mensagens atentamente.

 

— Não é nada mesmo.

 

Honoka respondeu descontente e abriu o celular com o rosto corado.

 

(Akagi está enviando e-mails... Para quem?)

 

***

 

— Koremitsu, você parece bem feliz.

 

— Hmm? Sério? Não pareço normal?

 

— Seus lábios estão sorrindo.

 

— Cala a boca. Já disse que estou agindo normal.

 

Koremitsu negou isso, constrangido.

 

Depois da escola...

 

Com a lâmpada que comprara numa loja por onde passara na mão, dirigiu-se ao apartamento de Yu.

 

Koremitsu ficou um pouco feliz por enfim receber uma resposta depois de ter pensado muito sobre o que escrever em seus e-mails, contudo ficou muito envergonhado quando Hikaru lhe apontou esse fato.

 

Ele franziu a testa para esconder a alegria em seu coração, e justo quando estava prestes a atravessar a cerca ao lado do apartamento...

 

(Hm?)

 

— O que foi?

 

Ao ver Koremitsu parar de repente e olhar para trás, Hikaru perguntou surpreso.

 

— Não, apenas senti um olhar desconfortável.

 

— Desconfortável?

 

— Sinto uma coceira na nuca. Sempre que isso acontece, é muito provável que algum desgraçado com uma corrente ou uma faca apareça.

 

— Você foi emboscado tantas vezes? Então realmente ganhou o título de Rei Delinquente depois de passar por tantas batalhas mortais, hein?

 

— Não sou um delinquente! Não tem ninguém por perto. Será que meus sentidos estão embotados?

 

Koremitsu estalou a língua em sinal de desgosto e seguiu pelo caminho que levava ao apartamento.

 

A porta ao lado do quarto de Yu estava aberta, e a mulher, aparentemente envolvida com o ramo da vida noturna, colocou a cabeça para fora e o lançou um olhar fulminante.

 

— Homens não são permitidos aqui.

 

— Nunca ouvi falar disso.

 

— Acabei de criar essa regra. Recentemente, algumas das minhas fontes de renda sumiram. Vocês, pirralhos, estão fazendo um alvoroço bem ao lado do meu quarto, se não houver mais nada a fazer, apenas sumam daqui.

 

Aquela mulher gritou sem motivo e bateu a porta com força.

 

— Afinal, quem se importa com o que você pensa?

 

A profusão de palavras impertinentes e a atitude agressiva demonstrada eram muito semelhantes às da tia divorciada que morava com ele. Será que todas as mulheres agiriam assim quando envelhecessem?

 

— Koremitsu, Yu ficará apavorada se você fizer muito barulho.

 

— O-Oh.

 

Depois que Hikaru o lembrou, ele bateu de leve na porta.

 

— Ei, eu trouxe o tamboril.

 

Depois de um tempo, a porta se abriu um pouco, e a garota com o cobertor azul sobre os ombros espiou por trás dela.

 

— O-Olá.

 

Ele cumprimentou, nervoso.

 

— Miau.

 

A gata de olhos azuis aos pés da menina respondeu friamente em seu lugar.

 

Yu saiu da porta e recuou para os fundos. Ao observá-la com mais atenção, percebeu que estava descalça e tropeçava ao caminhar.

 

(Falta de exercícios, hein? Isso não é bom.)

 

Koremitsu franziu a testa, mas não disse nada ao entrar em silêncio.

 

— Me empreste uma cadeira.

 

Tomou uma cadeira emprestada como plataforma e começou a trocar a lâmpada.

 

Yu ainda estava encolhida num canto da sala, observando Koremitsu começar a trabalhar, desconfortável com a situação.

 

Koremitsu removeu a lâmpada velha e, quando estava prestes a colocá-la no chão, viu uma mão esguia estender-se timidamente em sua direção.

 

Para sua surpresa, descobriu que era de Yu.

 

— Ah, obrigado.

 

— ...

 

Yu fez um pequeno aceno, pegou a lâmpada e a colocou no chão. Em seguida, recuou para o canto e olhou para Koremitsu com preocupação.

 

Koremitsu estava pensando se deveria dizer algo a ela.

 

— Quando é que esta lâmpada queimou?

 

Perguntou, e Yu apenas respondeu de maneira seca.

 

— Começou a piscar... Há cerca de um mês... E ficou inútil dois dias antes... De eu receber a carta falando sobre o funeral... Hikaru morreu nesse dia...

 

Ela baixou o olhar melancolicamente, parecia estar pensando que a vida útil da lâmpada estava relacionada à vida de Hikaru. Koremitsu estava apavorado com a possibilidade de vê-la desabar em lágrimas outra vez.

 

— Entendo, deve ter sido inconveniente. Contudo poderia ter trocado a lâmpada você mesma, não é?

 

— Desculpe.

 

— Não, não estou te repreendendo. Não peça desculpas.

 

Koremitsu tinha tanto medo de ouvir os outros pedirem desculpas quanto de vê-los chorar, e ficava ainda mais perturbado.

 

— Ok! Pronto! — exclamou e saltou da cadeira.

 

Sua mão abriu as cortinas e o quarto escuro se iluminou em seguida. Nesse momento, por fim percebeu que a cor das cortinas era um azul tão intenso quanto o de um mar tropical.

 

As fotos dos cardumes de peixes e as imagens impressas coladas na parede podiam ser vistas com clareza, e o ventilador, o fogão e a bolsa de golfe ainda pareciam interessantes sob a luz forte.

 

(Este ventilador e fogão estão com defeito. O ventilador não tem pás e o fogão não tem tampa interna nem panela. Não são eletrodomésticos, apenas meros objetos de decoração, certo?)

 

Yu se levantou e cambaleou em direção a Koremitsu.

 

O quarto era muito apertado, então ela deu apenas dois ou três passos.

 

No instante em que ergueu a cabeça, o cobertor que cobria seu corpo deslizou para baixo, seus cabelos macios e sedosos caíram em seguida, e seu pequeno rosto branco ficou à mostra.

 

Koremitsu arregalou os olhos.

 

Essa foi a primeira vez que viu o rosto de Yu claramente, e era como uma flor branca flutuando no mar.

 

Era muito linda... Justo como Hikaru dissera, era verdadeiramente uma garota tranquila e bela.

 

A expressão efêmera e sonhadora fitava Koremitsu, e os lábios claros estavam ligeiramente entreabertos como conchas cor de pêssego.

 

Era um sorriso discreto.

 

Todavia era óbvio que estava sorrindo.

 

Sorrindo para Koremitsu.

 

Um tímido sorriso.

 

— Obrigada.



No instante em que o agradeceu com uma voz suave, Koremitsu sentiu seu coração disparar.

 

(O que está acontecendo? Por que meu rosto está ardendo do nada...?)

 

Não entendia por que seu corpo estava passando por tal mudança e conseguiu emitir um som com a garganta seca.

 

— Não é nada, e Hikaru me pediu para cuidar de você de qualquer forma. Então, bem...

 

Hikaru estreitou os olhos e exibiu uma expressão entretida, deixando Koremitsu muito mais sem jeito, mas este continuou desajeitadamente.

 

— Posso voltar amanhã?

 

No instante em que fez um pequeno aceno com a cabeça, Koremitsu sentiu tontura.

 

No caminho de volta.

 

Hikaru disse com um olhar provocador.

 

— Ei, ela é com certeza uma garota bonita que você só encontra nos seus sonhos, não é?

 

Ao ouvir aquilo, o rosto de Koremitsu começou a corar de novo, estava sem fôlego, franziu a testa e não disse nada.

 

O dia seguinte foi igual...

 

— E aí.

 

— ...

 

Yu, enrolada no cobertor, surgiu por trás da porta junto com a gata branca.

 

— Com licença. — Koremitsu franziu a testa enquanto murmurava. Ela assentiu com uma expressão nervosa e recuou para os fundos, descalça.

 

(Ela não baixou a guarda...)

 

Koremitsu também tirou os sapatos, tenso, ao entrar.

 

As cortinas azuis ainda estavam fechadas, porém o quarto estava iluminado pela luz elétrica, então estava muito claro. Yu recuou para o vão entre a cama e a parede, e seus olhos negros e apáticos fitavam Koremitsu.

 

(O que digo agora...)

 

Já era seu costume vir aqui para tratar de assuntos importantes, como consertar a porta ou trocar a lâmpada, contudo naquele dia não tinha nada para fazer.

 

— Ah... Você já pensou na sua promessa para o Hikaru? Não estou falando de comprar uma coleira para a gata, e sim de algo mais importante.

 

Yu baixou os olhos e balançou a cabeça, negando.

 

— Bem, talvez seja muito difícil pedir que se lembre imediatamente. Aquele cara adorava fazer promessas o tempo todo.

 

Koremitsu terminou o que queria dizer enquanto encarava Hikaru, que apenas deu de ombros, agindo como se não tivesse nada a ver com aquilo.

 

(Sério, esse cara...)

 

Sempre que falavam de Hikaru, a gata de olhos azuis inclinava a cabeça na direção em que Hikaru estava.

 

Dizia-se que os animais possuem instintos aguçados, então talvez tenha detectado algo.

 

No entanto, para Koremitsu não importava, e sua prioridade no momento era encontrar algo sobre o que conversar.

 

O quarto estava em completo silêncio, e as palmas de suas mãos suavam devido à tensão.

 

Yu o observava por baixo do cobertor, parecendo também um tanto sem jeito. Ela ergueu as sobrancelhas, e o sorriso que exibira antes havia desaparecido, para decepção de Koremitsu.

 

— O fogão, o ventilador e a bolsa de golfe são algum tipo de decoração?

 

Koremitsu apontou para o amontoado de conchas e fragmentos de vidro enquanto perguntava. Yu olhou para Koremitsu com desconforto e sussurrou.

 

— Essas são as sepulturas dos peixes, as... Torres de oração.

 

— Hã?

 

— Para proteger... O mundo subaquático.

 

— ...

 

(Droga, como é que eu continuo?)

 

Será que sua mente está divagando? Será que ela entrou em algum mundo de conto de fadas depois de se trancar em casa por tanto tempo? Ou será que todas as meninas são desse jeito?

 

Koremitsu tentou mudar de assunto.

 

— Essas são fotos de peixe, não são? Você gosta delas? Também prefiro peixe à carne, o atum rabo-amarelo ou o saba salgado são muito bons.

 

(Eh... Acho que me desviei do assunto...)

 

Yu baixou o rosto, desanimada.

 

Não devia ter mencionado o atum rabo-amarelo. As garotas normalmente não preferem algo como salmão defumado? Ele se arrependeu.

 

— Hikaru trouxe... As fotos. Ele sempre trazia alguma coisa quando vinha à minha casa...

 

Yu disse com um tom solitário.

 

Koremitsu percebeu que ela estava com os olhos baixos. Estaria relembrando Hikaru de novo? Parecia prestes a chorar outra vez...

 

(I-I-Isso não é bom! Sobre o que as garotas gostam de conversar? Ei, príncipe mulherengo, pare de coçar o queixo da gata. Me ajude a pensar em algo!)

 

Hikaru, por sua vez, não respondeu, continuando a brincar com a gata com um sorriso tranquilo. Sem saber o que fazer, Koremitsu exclamou.

 

— Falando em Hikaru! Sobre o que vocês conversavam?

 

(Eu sou mesmo um idiota! Por que estou fazendo ela pensar no Hikaru de novo?)

 

No instante em que perguntou, arrependeu-se das suas palavras.

 

— A-A-Aquele cara sempre fala em arranjar uma namorada que goste de sorrir para mim... Ah, acho que me desviei do assunto.

 

Quanto mais queria puxar conversa, mais constrangedora a situação ficava.

 

Yu ergueu ligeiramente as sobrancelhas.

 

— Ele sempre falava... Sobre flores.

 

Ela disse baixinho.

 

— Flores? Oh, sempre está falando de coisas nojentas, como as violetas do jardim, ou os narcisos perto dos lagos, que são delicados como moças...

 

— Você realmente me chamou de nojento...

 

Hikaru, que estava brincando com a gata, fez beicinho, infeliz. Todavia Koremitsu estava pensando.

 

Se você estiver ouvindo, me ajude aqui!

 

A expressão de Yu permaneceu sonhadora enquanto continuava.

 

— Ele disse... Que as sakuras no jardim são rosadas como o rosto de um bebê... E que as tulipas parecem estar rindo quando florescem.

 

Seu rosto alva gradualmente revelou um brilho nítido, e Koremitsu ficou estupefato.

 

— E também como a majestosa íris começa a florescer... Como o dente-de-leão começa a crescer nas rachaduras ao lado das calçadas de concreto... Como o rododendro, o erigeron e o lírio-do-vale o encantam de maneira diferente a cada vez... Como aguardava ansioso o florescimento iminente da acácia e da piracanta... Ou algo parecido.

 

O corpo de Yu emanava uma presença suave, e seus olhos brilhavam.

 

Koremitsu conseguia imaginar como aqueles olhos reluziam ao ver Hikaru.

 

Ela observava com calma enquanto estava sentada com uma perna dobrada para dentro, a cabeça inclinada, com Hikaru na sala.

 

Na verdade, Hikaru estava coçando o queixo da gata, semicerrando os olhos gentilmente, lançando a Yu um olhar terno e carinhoso...

 

Havia uma menina falando baixinho, e um menino a observando com ternura.

 

Yu, que permanecia confinada em seu quarto por vontade própria, esboçou um leve sorriso que fez o coração de Koremitsu disparar, e até sentiu uma leve dor no peito.

 

Aquele sorriso suave e onírico o deixou incapaz de desviar o olhar.

 

— Sempre que ouço Hikaru falar sobre flores... Sinto como se estivesse passeando no jardim ao seu lado... Nós dois, lado a lado, observando as sakuras e as glicínias...

 

Yu exibiu uma expressão de felicidade que nunca havia mostrado antes.

 

Para ela, o tempo que passou com Hikaru foi repleto de tranquilidade.

 

Hikaru trouxe para Yu as cores e os aromas do mundo exterior.

 

Graças à voz suave de Hikaru, Yu conseguiu imaginar as flores desabrochando lá fora.

 

As formas...

 

As cores...

 

As fragrâncias!

 

E com essa imaginação fértil, conseguia adormecer enrolada no cobertor macio.

 

Aguardando em silêncio a próxima visita de Hikaru.

 

(Ela se confina a este apartamento dilapidado, é tão pobre que seus serviços básicos foram suspensos, vive uma vida miserável onde não consegue nem trocar uma lâmpada, e... E consegue sorrir tão feliz, tão plenamente...)

 

A tontura e a palpitação que surgiram no dia anterior se intensificaram, e seu rosto ficou mais quente...

 

Atônito, Koremitsu encarou o sorriso puro e branco, semelhante a uma flor, no rosto de Yu.

 

(O que está acontecendo? O que há com ela?)

 

Ele gritou repetidamente em seu coração.

 

Notas:

1. Hikikomori é um termo japonês que descreve o isolamento social extremo. Refere-se a indivíduos que se retiram da sociedade e permanecem reclusos em suas casas, ou até mesmo confinados em um único quarto, evitando o convívio social, escolar ou profissional por pelo menos seis meses.
2. Traduzido como “Coleção de Poemas Japoneses (Wakas) dos Tempos Antigos e Modernos”, é uma antologia de poemas encomendada pelo Imperador Uda. Ki no Tsurayuki foi um poeta imperial que liderou a compilação.
3. Waka número 481, escrito por Oshikochi no Mitsune, um dos 4 comissionados para formar a antologia.

***

Link para o índice de capítulos: When Hikaru was on the Earth...

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