Capítulo 188: Conheci alguém novo outra vez
Era o décimo dia do Mês da Terra. Eu havia pedido a Lilia-san que reservasse um tempo pela manhã para que pudesse visitá-la em seu escritório.
“Então, Kaito-san? Sobre o que quer conversar?”
“Bem, é o seguinte.”
O que ia relatar a Lilia-san desta vez era que Kuro e Isis-san haviam se tornado minhas namoradas... Bom, como se tratava da minha vida pessoal, não era exatamente obrigado a informar esse tipo de coisa, mas achei que deveria explicar adequadamente a ela antes que ficasse chocada ao descobrir mais tarde.
Expliquei a Lilia-san, que me observava com a cabeça um pouco inclinada, como comecei a namorar Kuro e como fiquei confuso com as diferenças entre este mundo e o meu, porém que, no final, decidi me adaptar e também comecei a namorar Isis-san.
“E essa é a situação.”
“...”
“Hmm, Lilia-san?”
“...”
“Minha dama?”
“...”
Lilia-san, que havia terminado de me ouvir, parecia ter ficado paralisada enquanto me encarava com olhar fixo em silêncio.
Lunamaria-san e eu tentamos chamá-la, intrigados com a situação, contudo não obtivemos resposta.
“Parece que ela desmaiou.”
“Como posso dizer isso... Sinto muito.”
Era uma situação inédita, no entanto, pelo visto, Lilia-san havia desmaiado de olhos abertos... Dormir de olhos abertos parecia algo bem útil, só que, falando sério, sinto muito.
Depois de algum tempo, Lilia-san recuperou a consciência e segurou a cabeça com as mãos, exibindo uma expressão de choque.
Ela segurava um frasco pequeno em uma das mãos; tirou de dentro dele algo que parecia uma pílula e a ingeriu.
“Eu... Imaginava que um dia assim chegaria em breve, entretanto...”
“Minha dama, não tome tantos remédios para o estômago...”
“Impossível!!! Não consigo nem pensar direito sem tomar alguns!!!”
“Bem, entendo como se sente, mas...”
Lilia-san exclamou com amargura, todavia parecia já ter previsto a possibilidade de eu me tornar amante de Kuro e das outras, então não ficou brava comigo.
Embora, por algum motivo, ela parecia estar tremendo e seu rosto estava pálido.
“Isso é um absurdo... Se algum nobre idiota desrespeitasse seriamente o Kaito-san... O país desapareceria... Por exemplo, como o meu irmão mais velho, ou talvez o meu irmão mais velho, e também o meu irmão mais velho...”
“E-Errr...”
Na verdade, foi Ryze-san quem me deu conselhos muito encorajadores, e sou extremamente grato a ele pela ajuda... Contudo, ao ver a expressão de horror de Lilia-san, lembrei-me do que Lunamaria-san havia dito antes sobre ele agir como um tolo na frente dela.
“Bem, é meu dever controlar essa situação, então devo só dar minha bênção... Kaito-san, parabéns.”
“M-Muito obrigado.”
Lilia-san segurava a cabeça com as mãos, no entanto, como é uma pessoa gentil, logo mudou de expressão e me parabenizou com um sorriso no rosto.
Lunamaria-san também deu um passo à frente e me parabenizou respeitosamente.
“Miyama-sama é sem dúvida uma pessoa maravilhosa. Esta Lunamaria está feliz por você.”
“Errr, obrigado.”
“Luna, qual é a sua verdadeira intenção?”
“Estou tão feliz em ouvir que Vossa Excelência, o Rei do Submundo, nos visitará com mais frequência.”
“Eu deveria ter imaginado.”
Lunamaria continuava a mesma de sempre, entretanto, de qualquer forma, agora que eu havia terminado de relatar tudo, agradeci outra vez a Lilia-san antes de sair da sala
“A propósito, minha dama, parece que você ficou feliz ao ouvir o que ele relatou agora há pouco, não é?”
“Hãã? O-O quê?”
Pouco depois de Kaito sair, Lunamaria murmurou algo, e Lilia olhou para trás, visivelmente perturbada.
“Não sei dizer, mas talvez, se o Miyama-sama se familiarizar com os costumes deste mundo... Então a minha dama também poderá ter uma chance, não é...?”
“D-D-Do que está falando? E-E-Eu... Não é como se...”
“Por sinal, fiquei sabendo outro dia que a minha dama comprou algumas ‘roupas masculinas’...”
“O-Onde ouviu isso?”
Ao ouvir as palavras de Lunamaria, o rosto de Lilia ficou vermelho-vivo, como se tivesse acabado de comer algo muito apimentado.
De fato, como Lunamaria disse, ela havia saído escondida sozinha para a cidade não muito tempo atrás e comprado roupas masculinas... Uma roupa formal masculina um tanto cara.
Uma roupa que ninguém se envergonharia de usar em um baile da nobreza...
“E-E-Esse ato não tem nenhum significado especial... É-É apenas um agradecimento pela ajuda dele...”
“Ahh, vejo que você realmente planeja dar isso ao Miyama-sama, então.”
“...?”
“Meu Deus, até a minha dama se tornou uma verdadeira donzela apaixonada... Está sendo tão adorável.”
“Luna!!!”
Depois de dar o relatório à Lilia-san, decidi ir à cidade comprar algumas coisas.
Não é como se fosse comprar nada importante, apenas alguns petiscos para beliscar... Algo para comer enquanto estivesse no meu quarto; então, decidi dar um passeio sem um objetivo específico em mente.
Aliás, pensei em visitar a loja da Alice mais tarde.
Como a Alice costuma ficar me protegendo, fiquei imaginando como a loja estaria indo nesse meio-tempo... Parece que ela também consegue criar clones, então era um clone seu que cuidava da loja.
Bom, parece que a maioria dos clientes nem chega a aparecer por lá...
Com esses pensamentos, saí da avenida principal e entrei em uma via menos movimentada... Embora com tráfego suficiente para não ser considerada um beco escuro... E vi algo que chamou minha atenção.
À minha frente, na beira da estrada, uma mulher de porte pequeno estava agachada. Não conseguia ver sua expressão, pois estava de costas para mim, mas parecia estar passando mal; então, corri apressadamente até ela e a chamei.
“Hmm... Aconteceu alguma coisa? Você está bem?”
“Hã? Sim, desculpe... É só que estou me sentindo um pouco anêmica...”
A mulher que se virou para mim era linda, com cabelos longos e azuis como o céu de primavera. Também tinha olhos cor de jade e uma pele pálida, quase doentia.
Com aquele vestido elegante e os cabelos sedosos, será que era filha de algum nobre? Parecia graciosa, porém seu rosto estava muito pálido.
“Anêmica? E-Err... N-Nesse caso... H-Há algo em que eu possa ajudar?”
“Obrigada pela preocupação... Contudo estou a caminho do hospital, então ficarei bem.”
“N-Não, no seu estado... Você consegue andar?”
“Acho que vai ser um pouco difícil.”
Ei. Isso não parece nada bom... O-O que devo fazer? Nunca tive anemia antes, então não tenho conhecimento médico sobre o que fazer.
Devo levá-la até lá usando Magia de Teletransporte? Não, em vez de levá-la para a mansão, não seria melhor levá-la ao hospital...?
Por um momento, pensei em chamar a Alice, no entanto... Embora não pareça, a Alice ainda é o Rei Fantasmal. Se aparecesse na forma de Rei Fantasmal diante de alguém que não está se sentindo bem, a pessoa ficaria tão surpresa que a situação poderia se agravar mais... Dito isto, não é como se pudesse só deixá-la sozinha...
“Hum... Esse hospital fica longe daqui?”
“N-Não, fica logo ali na esquina.”
“Entendo.”
“Eh?”
Ao ouvir a mulher dizer que o hospital ficava logo ali na esquina, agachei-me na sua frente.
“Sinto muito, não sei o que mais fazer. Talvez possa não gostar, todavia vou levá-la ao hospital.”
“N-Não, isso...! Não posso incomodar alguém que acabei de conhecer...”
“Sinto muito... Minha personalidade não me permite ignorá-la; pode parecer um pouco invasivo da minha parte, então, por favor, deixe-me ajudá-la.”
“Você é uma pessoa gentil... Sinto muito. Bem, então, por favor, permita-me aceitar sua gentileza.”
Pode ser falta de educação da minha parte sugerir de repente carregar uma mulher nas costas, mas, no momento não consigo nem pensar em outra maneira de ajudar; e, se perder tempo pensando em uma solução, o seu estado pode piorar ainda mais.
De fato pode estar com anemia, como disse, só que também é possível que seja algo pior, então acho que devo levá-la ao hospital o mais rápido possível.
Não sei se percebeu o que eu estava pensando, porém a mulher me agradece e se acomoda nas minhas costas... Ehh, ela é leve demais? Embora parecesse esbelta, seu corpo era, na verdade, surpreendentemente leve; até mesmo eu... Alguém que não é lá muito forte... Conseguia carregá-la com facilidade.
“Sério... Não sei como lhe agradecer o suficiente... Hmm? Não estou pesada?”
“Não, na verdade é bastante leve. Então, onde fica o hospital? Não sei onde é, então, por favor, me mostre o caminho.”
“Sim. Basta seguir em frente e virar à direita na esquina...”
A voz da mulher estava um tanto fraca, como se ainda não estivesse se sentindo bem; seguindo suas instruções, caminhei um pouco mais rápido em direção ao hospital.
Como ela havia dito, caminhamos por alguns minutos a partir do beco de onde tínhamos acabado de sair e chegamos ao que parecia ser o nosso destino.
“Hmm, é aqui?”
“Sim.”
“Esse lugar não parece uma ‘igreja’?”
“Sim, a médica também é uma sacerdotisa da igreja...”
O lugar onde cheguei parecia mais uma igreja... Ou melhor, era uma igreja. Cheguei a pensar que tinha ido na direção errada, contudo parecia ser o lugar certo.
É verdade que, em RPGs, sacerdotes são considerados curandeiros e, em um mundo onde a magia é comum, pode ser natural que um sacerdote atue como médico.
Enfim, não tenho tempo para pensar nisso. Preciso entrar e fazer com que ela seja examinada o quanto antes...
Com essa ideia em mente, abri a porta da igreja carregando a mulher nas costas e deparei-me com uma cena que parecia até divina.
As cruzes que adornavam as paredes estavam repletas da luz que entrava pelos vitrais, iluminando a igreja como se estivesse sob um céu estrelado.
Em frente ao altar, vi uma mulher com vestes de um azul profundo com bordados dourados, ajoelhada e em oração.
Assim que entramos, a mulher ouviu a porta abrir e, levantando-se, olhou para nós.
Seus cabelos grisalhos escuros, com mechas laterais, chegavam até a cintura, presos por uma presilha prateada.
Seus cabelos estavam cobertos por um véu da mesma cor de suas vestes, no entanto emanava algo de uma freira virtuosa, e seus profundos olhos âmbar acentuavam a atmosfera misteriosa.
A beleza misteriosa da mulher me deixou sem fôlego, e com um sorriso gentil que cativa a todos que a veem, ela caminhou lentamente em nossa direção.
“Bem-vindos. Como posso te ajudar... Fugyyyaaaahhhh!”
“Ehh?”
Assim que caminhava, a mulher pisou na barra de suas longas vestes... E tropeçou com força, batendo o rosto no chão.
Errr, o que faço...? Sinto que vi algo que não deveria ter visto. A atmosfera misteriosa ao seu redor e tudo o que tinha antes foi arruinado.
Quer dizer, ela bateu o rosto no chão, será que está bem?
Assim que essa pergunta me veio à mente, a sacerdotisa se levantou, segurando o rosto com as mãos.
“M-Meu rosto... Dói...”
“Errr, você está bem?”
“U-Unnn. Sinto muito por ter mostrado algo constrangedor... Errr, então, como posso ajudá-los hoje... Eh, Noir-san?”
“Já faz um tempo. Doutora Vier.”
A sacerdotisa, que se levantou coçando levemente a bochecha, como se estivesse envergonhada por ter caído, mudou sua expressão para uma de surpresa ao ver a mulher que eu carregava.
Pelo visto, é mesmo uma médica, e a mulher que estou carregando... Noir-san, pareceu aliviada ao chamar a sacerdotisa pelo nome.
Querida mãe, pai — enquanto caminhava pela cidade, vi uma mulher que parecia estar passando mal e tive que levá-la ao hospital. Ninguém sabe o que vai acontecer na vida, entretanto enquanto eu caminhava tranquilamente — conheci alguém novo outra vez.
Notas do Autor:
Serious-senpai: “Você não disse que só havia uma heroína? Mentiroooosoooo!!! Ainda consigo sentir o gosto do arco-íris na minha boca, então por que está adicionando mais duas pessoas?”
Na verdade, a existência da Noir já havia sido insinuada antes.
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Link para o índice de capítulos: I Was Caught up in a Hero Summoning, but That World is at Peace
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