Capítulo 66: Caçadores de Mazokus
Rustle. A capa e o capuz vermelhos flutuaram para o céu, levados pelo vento. E antes que pudessem cair de volta no chão, se misturaram ao ar ao redor e desapareceram.
“E aí. Tenho que dizer, aquela coisa velha e abafada estava me atrapalhando um pouco.” sussurrou ele em seu tom habitual. Enquanto falava, o manto que usava se transformou em roupas leves e armadura.
Agora parecia justo como antes, com três diferenças principais: o cajado em sua mão, o tom avermelhado de suas roupas e a cor carmesim flamejante de seus cabelos.
“Oh... Isso?”
Talvez percebendo a direção do meu olhar, ele sorriu sem jeito e brincou com os cabelos com a mão livre.
“É, sou ruivo natural. Pintei, porque... Você sabe. Ela disse que não gostava de cabelo ruivo.”
Sua voz soava como sempre, exceto pela atmosfera de tristeza silenciosa em suas palavras.
“Porém, nossa... Conseguiram me pegar direitinho, né? Imaginei que fossem. Seu instinto é incrível e tudo mais. Aliás, sacou tudo tão rápido que está deixando a situação meio estranha.”
“O que é isso...?” murmurei, enfim conseguindo pronunciar as palavras. Minha voz estava quase inaudível. “O que... O que é...”
“É... Acho que te devo uma explicação, né?” ele disse. Falou hesitante, como uma criança que foi pega fazendo uma pegadinha. “Havia outro eu dentro de mim, sabe? A princípio sequer percebi que estava lá... Aposto que vocês sabem do que estou falando, já que estavam lá quando Rezo Shabranigdu meio que despertou e tudo mais.”
Não respondi nada. Nós... Gourry e eu não tínhamos discutido mais sobre esses eventos com Luke e Mileena. Luke sabia que tínhamos derrotado o Lorde das Trevas, contudo não deveria saber a identidade do hospedeiro. Os únicos seres que saberiam essa informação seriam as sete partes de Olhos de Rubi... Fragmentos do Lorde das Trevas separados há milênios, que compartilhavam uma única consciência. Os outros fragmentos.
Luke continuou.
“O que me diferencia de Rezo Shabranigdu é... Que aceitei de livre e espontânea vontade. Isso... O cara que sou...” // “...E aquilo que sou...” // “...Estão unidos como um só.”
Duas vozes saíram de sua boca em sucessão... A voz de Luke e a do Lorde das Trevas.
“Só pode estar brincando comigo.” me vi ofegando roucamente, minha voz levada pelo vento. “Mas... Você pode enxergar.”
“‘Enxergar’? Ah, aquilo é só um grande mal-entendido. Vindo do nome Olhos de Rubi, suponho. O fragmento não estava selado nos olhos de Rezo nem nada. Estava bem no fundo da sua alma. No minuto em que comeu a Pedra Filosofal... Um fragmento de Sangue Demoníaco que amplifica e libera poder mágico... Aquilo o libertou. No meu caso...” Luke começou, então parou com um suspiro pesado. “É como disse...” ele recomeçou, seus olhos solenes fixos em mim. “O ódio simplesmente não ia embora, não importava o que eu fizesse. Saí de Selentia esperando esquecer tudo... Entretanto apenas não conseguia. As menores coisas continuavam me lembrando. Sabe como dizem que o tempo cura todas as feridas? Heh, é uma grande besteira.”
Por um momento, vi nos olhos de Luke um reflexo do que tinha visto nos olhos de Rubia durante nosso reencontro em Atlas. Ela me disse que jamais esqueceria o que havia passado. Todavia Rubia carregava um fardo de amor e autodesprezo dentro de si... E Luke? Seu fardo era o ódio.
“Não culpo mais Ceres, mas, de repente... Comecei a culpar toda a humanidade. O mundo inteiro.” Luke não estava mais olhando para mim. Seus olhos estavam fixos em algo distante. Algo tão distante que jamais conseguiria alcançar. “Foi aí que percebi que havia algo mais adormecido dentro de mim. Eu me uni a isso de livre e espontânea vontade. E é basicamente o que aconteceu.”
“Por quê?” minha voz soou tão atônita que me odiei por isso.
“Luke...” Gourry começou em voz baixa, bem mais firme que a minha. “O que aconteceu naquele dia... Um mazoku estava por trás de tudo. Você sabia?”
“Sim. Pensando bem, aposto que aquele cara, Zord, só ficou perturbado quando se fundiu com um também. Porém mesmo ciente desse fato... Ou talvez por saber, guardo ainda mais ressentimento. Guardo ressentimento da humanidade por ter inventado essa história maluca de fusão com mazokus. E guardo ressentimento da raça demoníaca... Incluindo aquele idiota do Dinastia... Por ter arquitetado todo esse maldito plano para o seu joguinho sujo.”
“Jogo?” sussurrei.
Luke assentiu.
“Graushera nos disse que estava apenas fazendo uma refeição, contudo tudo estava levando a algo mais. Assim como Fibrizo fez há mil anos... Usando a guerra como um chamado para despertar a alma do Lorde das Trevas adormecida dentro de alguém por aí. Foi uma aposta muito arriscada, se me perguntarem. Mal havia um plano.”
Ah... Entendi. Então era disto que se tratava...
Por fim senti que entendi tudo. Por que a General Sherra havia criado uma espada demoníaca para corromper almas humanas e a deixado por aí para que as pessoas a encontrassem. Por que sorriu em seus momentos finais. Era porque estava buscando uma alma que não pudesse ser corrompida por uma mera General.
Em outras palavras, era um ritual para localizar o próximo hospedeiro do Lorde das Trevas. E nos momentos finais de Sherra, ela enfim o encontrou... Alguém que poderia empunhar a espada demoníaca Dulgoffa sem ser consumido. Encontrou Luke. Com um sorriso triunfante, transmitiu essa informação a Dinastia de alguma forma... E então pereceu.
Toda essa farsa foi o motivo pelo qual Dinastia Graushera causou um alvoroço na Cidade Gyria depois que partimos. Esperava nos chamar de volta. Então se deu ao trabalho adicional de fundir alguém que conhecíamos com um mazoku para enviar atrás de nós. Para tornar a luta mais dolorosa. Para usar a angústia e o ódio que inspirou para despertar a alma do Lorde das Trevas.
Pensando bem... Mesmo desconsiderando que Milgazia e Mephy estavam do nosso lado... Os ataques demoníacos que sofremos na época foram estranhamente fracos. Naquele momento, presumi que estavam apenas brincando conosco, no entanto acabei me enganando. Estavam tentando usar as emoções intensas que vinham com o combate para despertar o Lorde das Trevas na alma de Luke.
Eles também sabiam que seu grande plano seria em vão se acabassem matando Luke no processo. Dessa forma, não é como se os mazokus soubessem como lutar contra humanos enquanto se controlavam o suficiente para não matar. Então não conseguiam se conter, entretanto também não conseguiam matar... Assim, devido à sua natureza, essa condição os enfraqueceu. E, como resultado, vencemos aquela batalha impedindo o Lorde das Trevas dentro de Luke, que dormia profundamente.
Todavia, quando os problemas começaram em outra cidade, a morte de sua amada despertou seu ódio. Essa tragédia, de certa forma, não foi causada por mãos demoníacas. Humanos despertaram a alma de Olhos de Rubi Shabranigdu.
“Culpo os humanos. Culpo os mazokus. Culpo este mundo onde coexistem. Estou pensando que, se puder libertar meu outro eu no norte, juntos podemos reduzir toda existência a pó.”
Seu outro eu no norte... Luke se referia ao Shabranigdu adormecido nas Montanhas Katart, selado sacrificialmente no gelo por Aqualord durante a Guerra das Encarnações, mil anos atrás. O Lorde das Trevas do Norte.
Se duas das sete partes do Lorde das Trevas estivessem ativas ao mesmo tempo, isso poderia de fato significar o fim do mundo.
“Mazokus anseiam por destruição. Depois de destruirmos tudo o mais, nos destruiremos, e logo, não restará nada além de caos. Essa será minha vingança contra este mundo!” proclamou Luke.
“Este é o mundo que permitiu que você conhecesse Mileena, não é?” perguntei.
“Sim... Tem razão. É verdade.” ele coçou a cabeça sem jeito, como sempre fazia. “É por esse motivo que... Não sei mais o que fazer. Quer dizer, gosto de vocês. Há muitas outras pessoas boas no mundo. Mas o fato é que também existem pessoas horríveis. Além do mais, odeio este mundo agora. Então, estou perdido. É por essa razão que os chamei aqui e criei este lugar onde poderiam me matar. Esperava que me ajudassem a encontrar a resposta... É o mundo que deveria ser destruído, ou eu?”
“Não pode estar falando sério...” resmunguei, desviando o olhar. “Espera que a gente só aceite esse absurdo?”
Enfim entendi por que o supostamente neutro Xellos tinha aparecido para se livrar de Bradu. Para cumprir seu propósito demoníaco, o imperturbável Sacerdote não podia deixar que eu e Gourry encontrássemos o recém-ressuscitado Lorde das Trevas. Se, por uma pequena chance, o Lorde das Trevas fosse morto por humanos, o objetivo final dos mazokus... A destruição do mundo... Teria sofrido um enorme retrocesso. Nós dois representávamos essa ‘pequena chance’, sendo assim a melhor opção deles teria sido nos matar antes de chegarmos aqui.
Porém Xellos devia estar curioso. Ele sabia que o novo hospedeiro do Lorde das Trevas era um de nossos camaradas. Quando descobríssemos que teríamos que lutar contra Luke, como reagiríamos? Imaginei que era por esse motivo que Xellos insistira em sua neutralidade.
Sério... Que idiota, não é?
“Me desculpe. De verdade.” disse Luke.
“Não quero suas malditas desculpas!” gritei. “Tá bom, e daí? Quem mandou o Xellos e aqueles mazokus estranhos atrás de nós, sem falar do meu doppelganger... Foi tudo culpa sua?”
“Para falar a verdade, queria ter ido buscá-los pessoalmente. No entanto vocês têm um instinto tão bom que sabia que me desmascarariam muito rápido. Além de que, se viajássemos juntos de novo, só seria mais difícil enfrentá-los agora. Nunca imaginei que me pegariam só pelo meu estilo de luta... Enfim, foi por essa razão que precisei que outra pessoa os guiasse até aqui. Sabem, a moça de cabelos negros na entrada? Deixei os detalhes com ela. Entretanto o meu outro eu congelado em Katart... Acho que não queria que eu os encontrasse. Quer dizer, preso no gelo e tudo mais, está debilitado e tem dificuldade para se expressar, embora o sentimento... A sensação do seu desejo... Passou. Isto causou certa confusão entre os novatos. Alguns acharam que a vontade do cara congelado era mais importante e decidiram tentar impedi-los, enquanto outros me obedeceram quando mandei que os trouxessem aqui inteiros. Foi assim que as coisas ficaram meio complicadas. Acho que conseguiram sair são e salvos no final...”
“São e salvo, minha bunda.” sussurrei. Então percebi algo. “Espere um minuto. Falando em segurança e bem-estar, quem eram aquelas suas recepcionistas? Pareciam bem poderosas. Milgazia e Mephy estão bem?”
“Sim, eles vão ficar bem. Como falei, o cara congelado tem problemas de comunicação e não se sente tão ameaçado por aqueles dois. Então ordenei que minhas garotas os deixassem em paz, arrastassem vocês dois para este mundo, fechassem a entrada e fossem embora. Aposto que o dragão piadista e a elfa exigente estão meio confusos agora.”
Um sorriso travesso, dolorosamente familiar, cruzou seu rosto.
“Bem, isto é legal e tudo mais, mas...”
“Então...” Gourry interrompeu. “Os demônios inferiores surgindo em grande número e o clima estranho que vimos... Foram obras suas?”
“Não diria que fiz aquilo acontecer exatamente.” respondeu Luke, dando de ombros. “Porém aqueles carinhas... Só o fato de eu ter despertado já os deixou mais fortes, e eles começaram a se soltar de verdade. Não me senti na obrigação de impedi-los, então só os deixei em paz. Só isso. Quanto ao clima... Acho que é por causa de eu ter construído este mundo aqui, talvez? Não estava pensando muito a respeito.”
“Entendo...” a voz de Gourry ecoou enquanto se calava.
“Agora...” Foi Luke quem quebrou o silêncio. “Estão prontos para começar?”
Engoli em seco.
Sabia... Sim, sabia muito bem que chegaríamos nesse ponto. Afinal, é essa a razão que fez Luke nos convocar. Era um ritual para ele... Um ritual para cortar sua última conexão com o nosso mundo. Ele disse que gostava de nós. Que queria que lutássemos. Ou morreríamos pelas suas mãos, ou o enterraríamos nós mesmos. Aconteça o que acontecer, ele estaria se despedindo do mundo.
“Luke...”
“Olha, não tem como mudar as coisas agora.” Luke foi enfático. Havia tristeza em sua voz e um toque de libertação.
“Só pode estar brincando! Não pode só jogar essa bomba no nosso colo do nada... Achou que a gente ia dizer: ‘Ah, claro’? Tem... Tem que haver outro jeito! Não tem nada que a gente possa fazer?”
“Olha, não acredito em destino nem nada do tipo. Se alguém me dissesse ‘foi o destino que decidiu tal coisa’, eu riria na cara da pessoa e tentaria dar um jeito de escapar, assim como você está fazendo agora. Se o Lorde das Trevas estivesse tentando me forçar, lutaria com todas as minhas forças. Contudo não está predestinado, e ninguém me obrigou a fazê-lo... Foi minha escolha, simples assim. Vou lutar com você e obter minha resposta. Claro, não posso te obrigar a lutar se não quiser. Vou te mandar de volta para onde veio... E então libertarei o Lorde das Trevas do Norte e destruirei o mundo. Talvez eu te encontre de novo no processo. No entanto, quando acontecer, seremos inimigos e nada mais. Então, o que vai ser?”
“O que vai ser...?” não havia como responder esse absurdo. Também não havia como eu lutar com Luke até a morte só porque me pediu. Entretanto se recusássemos, estou certa que cumpriria sua palavra e começaria a destruir o mundo. Era um ultimato terrível. “Isto é absurdo! Está forçando Gourry e eu a tomarmos uma decisão impossível! Não concordo com nada do que disse! Tem... Tem que haver outro jeito! Seu ódio pelo mundo... Também deve ser o Lorde das Trevas dentro de você!”
“Não, não é!” disse Luke, balançando a cabeça. “No fim das contas, acolhi o Lorde das Trevas dentro de mim. Mas mesmo sem ele, meu ódio pelo mundo arderia forte. Sei disso. Esta é a minha vontade e de mais ninguém. Ainda que houvesse um jeito de me separar do Lorde das Trevas e você conseguisse, não mudaria o que sinto. Se o Lorde das Trevas estivesse me manipulando, acho que nem teria te chamado aqui e te desafiado para um duelo. Teria ido direto acordar o cara lá no norte e começado a destruir o mundo. Em outras palavras, sim... O que está acontecendo aqui agora é tudo culpa minha.”
“Então...”
“Tem que ser dessa forma. É o único jeito de parar esses sentimentos.”
“Tudo bem!” disse Gourry em voz baixa e longa. “Vou entrar no seu jogo.”
“Gourry?” me peguei gritando. “Espera aí! Será que não percebe o que está acontecendo aqui?”
“Percebo...” disse meu companheiro, olhando para mim com olhos gentis. “E também não entraria no jogo se fosse predestinado ou a vontade do Lorde das Trevas. Porém... Essa é a escolha que Luke fez para si mesmo, certo? Sendo assim, acho que não vai recuar, não importa o que a gente diga. Já deve saber o que quer melhor do que ninguém e é o único que pode tomar essa decisão. O que significa que temos duas opções: entrar no jogo ou não. Tem que ser uma coisa ou outra. E já que é o Luke quem está perguntando, pensei... Por que não entrar no jogo? Claro, não quero enfrentá-lo. Contudo se disser que não vou fazer e Luke seguir o caminho que está tomando... Sinto que seríamos nós que estaríamos deixando as coisas nas mãos do destino e de outras pessoas.”
“Eu...” nesse momento, fiquei em silêncio.
“Além do mais, mesmo que nos mande de volta, até que os mazokus nos ataquem ou alguém faça algo para impedi-lo, ficaríamos preocupados com esse problema até o dia da nossa morte. Não vou viver desse jeito. E também... Sou seu guardião, então não posso deixar sua segurança por conta da sorte. Nesse caso... Enquanto ainda tenho a chance de fazer algo a respeito, vou fazer. Se você não aguenta, Lina, pode ficar de fora. Vou assumir por conta própria, mesmo que tenha que fazer sozinho.” Gourry foi bastante claro, com o olhar fixo em Luke. Pude ver uma luz determinada em seus olhos.
“Isso não é justo, Gourry.” sussurrei com a voz pesada. “Quando coloca dessa forma, não posso só dizer: ‘Ok, vá em frente. Boa sorte. Não é da minha conta, então faça o que quiser.’”
Pelo meu futuro e pelo do Gourry... Pelo futuro de todos que já conhecemos, também não podia deixar ao acaso. Sabia que, se realmente existisse algum tipo de ‘destino’ em jogo e fosse tentar mudá-lo de alguma forma, tinha que ser agora. A tristeza, o ódio e a angústia de perder a pessoa que mais ama... Se essa fosse de fato a única maneira de libertar o coração de Luke desse fardo, então...
“Tudo bem!” respondi, olhando para Luke com um sorriso forçado. “Vou entrar no seu joguinho egoísta.”
“Desculpe por isso.”
“Tudo bem, de verdade. Contudo só para que saiba... Quando eu jogo, jogo pra valer.”
Lutar contra um amigo com tudo o que tenho... Engolir meus verdadeiros sentimentos...
“Desculpe.” Luke fez uma careta para mim, uma máscara branca aparecendo em sua mão. Era um pouco diferente da anterior. As joias brilhantes em seus olhos não eram do carmesim profundo do Lorde das Trevas, e sim da cor sépia dos próprios olhos de Luke. Sua mão fixou a máscara firmemente em seu rosto e então virou sua face para Gourry. “Talvez seja muito difícil para você se eu usar meu rosto antigo. No entanto vou dar um aviso... Não vou pegar leve como fiz em Selentia.”
“Certo.”
“Nem nós.”
Ele assentiu e deu alguns passos para trás. O cajado em suas mãos mudou de forma, tornando-se uma espada com uma joia vermelha no cabo. E então, com a voz do Lorde das Trevas, anunciou o início da batalha...
“Que comecemos!”
Luke nos deu o poder de derrotá-lo. Mudei minha mente para o modo de batalha, silenciei minhas emoções e fiz alguns cálculos mentais rápidos.
Com base no que Luke havia dito, a Espada Explosiva de Gourry podia canalizar a magia próxima para sua lâmina. Tal recurso lhe dava a opção de usar o poder mágico abundante desta dimensão ou a própria magia de Luke contra ele. Quanto a mim, podia ativar feitiços aqui sem um encantamento. Minha espada do vazio, a Lâmina Ragna, também duraria mais tempo que o normal.
Em termos numéricos, esta era uma luta de dois contra um, todavia mal tínhamos alguma vantagem. A esgrima de Gourry em condições normais seria superior à de Luke, assim como meu uso de feitiços, tanto em termos de poder bruto quanto de repertório. Mas, após se fundir com o Lorde das Trevas, Luke era páreo tanto para a força física de Gourry quanto para minha magia. O que significava que nossa vitória dependia do nosso trabalho em equipe... E da escolha dos feitiços.
Já sabia que feitiços que utilizavam o poder do Lorde das Trevas não funcionariam em suas encarnações. Era senso comum para qualquer um que já tivesse estudado um pouco de feitiçaria. Porém levantava uma questão... O poder emprestado dos tenentes do Lorde das Trevas funcionaria em seu superior? Mesmo com o poder amplificado devido à natureza rica em magia desta dimensão, era difícil imaginar. Feitiços elementais nunca funcionaram em mazokus puros, então estavam descartados. Isto deixou a magia xamânica astral... E feitiços que invocavam o poder do vazio.
Giga Slave era um desses feitiços que convidava o Lorde dos Pesadelos para dentro de mim, e era proibido. Luke havia dito que este mundo era separado do nosso apenas por uma camada finíssima, e que todo o lugar estava imerso em poder mágico. Em outras palavras, mesmo se usasse o imperfeito Giga Slave aqui, havia uma chance muito real de meu corpo ser possuído. E, ao contrário do Mestre do Inferno, o Lorde das Trevas provavelmente não faria algo tão tolo quanto me confundir com ela e atacar.
O que me deixou com minha espada do vazio, a Lâmina Ragna. Mas ela tinha uma falha fatal... Precisava me aproximar para usá-la.
Talvez conseguisse manter a Lâmina Ragna, cuja duração costuma ser muito curta, por um bom tempo, porém seu alcance segue sendo o de uma espada básica. Seria inútil se não conseguisse me aproximar o suficiente para acertar um golpe. Além do mais, minha esgrima era bem mediana. Não tinha a menor chance contra alguém do nível do Gourry. Será que conseguiria acertar um ataque no Luke? Essa era a questão. Se tentasse e algo desse errado, eu morreria na hora.
Isso significava que nossa melhor chance de vitória... Realmente estava com o Gourry, então? No mínimo, achava melhor que ele ficasse no combate corpo a corpo enquanto eu oferecia suporte à distância.
Decidi minha tática durante o breve confronto. Em seguida, como se estivesse esperando por esse momento, Luke... Não, o Lorde das Trevas fez sua jogada.
Enquanto o Lorde das Trevas disparava em corrida, Gourry avançou para interceptá-lo. Comecei a entoar um feitiço, como de costume... E o Lorde das Trevas desapareceu!
Teleportou no espaço? Então vai reaparecer... Instintivamente, me virei e encontrei a figura vermelha bem na minha frente! Droga! Espera, isso faz todo o sentido. Luke sabe que terá vantagem me enfrentando em combate corpo a corpo e mantendo Gourry à distância! Como não percebi?
Em um instante, várias coisas aconteceram.
“Lança...!” comecei a liberar minhas palavras de poder, todavia a figura vermelha havia sumido.
Teleportou de novo? Não... Usou sua agilidade à queima-roupa para contornar meu ponto cego. E mesmo sem vê-lo, eu sabia, sem sombra de dúvida, que estava prestes a brandir sua espada. O cheiro da morte me envolveu, mais denso do que jamais senti.
“Não tão rápido!” uivou Gourry.
O grandalhão ergueu sua espada. Claro, estava longe demais para atacar. Presumi que pretendia arremessar a lâmina... Uma aposta arriscada, se me perguntarem. E, ainda assim... O cheiro de morte desapareceu. Percebi em seguida o que havia acontecido. O Lorde das Trevas havia adivinhado o que Gourry estava tramando e, em vez de se arriscar contra um mestre espadachim, optou por recuar.
Com essa constatação, me virei.
“... Elemekia!”
No instante em que me virei, lancei meu feitiço contra a figura vermelha. Ele usou a espada em sua mão para cortá-lo. Crash! Houve um clarão. Naquele instante, saltei para trás.
A figura vermelha atravessou o clarão, aproximando-se de mim. Saltei para trás outra vez... Enquanto outra figura passava por trás de mim! Gourry!
Zing! Sua espada, capaz de cortar magia, colidiu com a lâmina do Lorde das Trevas, fazendo o próprio ar da dimensão paralela tremer. Os dois trocaram golpes num piscar de olhos.
O cheiro persistente da morte ainda pairava sobre mim, mas me recompus para me concentrar na batalha que se desenrolava. Golpear. Cortar para baixo. Cortar para cima. Esquivar. Aparar. Pressionar. Os dois lutadores trocavam de posição em velocidades estonteantes enquanto desferiam golpes. E no instante em que se separaram...
“Bepheth Bring!”
O feitiço de terra que lancei removeu o chão sob os pés do Lorde das Trevas. Foi como abrir um buraco sob ele. Aquilo teria deixado a maioria das pessoas fatalmente vulneráveis, jogando-as lá embaixo... Porém o Lorde das Trevas pareceu começar a flutuar. Sequer se abalou um pouco, como se nem tivesse notado o chão desaparecendo sob seus pés.
Foi então que Gourry entrou em ação. Mesmo que o Lorde das Trevas estivesse flutuando para evitar a queda, não ter onde firmar os pés deveria colocá-lo em desvantagem em um combate direto com espadas.
Zing! Clang! Clash!
Contudo, contrariando todas as minhas expectativas, o Lorde das Trevas encontrou apoio firme no vazio enquanto lutava com Gourry. Suas lâminas se chocaram várias vezes, com o Lorde das Trevas sendo repelido aos poucos. Gourry continuou avançando até alcançar a borda do buraco que eu havia feito. Nem mesmo meu garoto aqui conseguiria andar no vazio.
“Whew!” em vez disso, com um suspiro agudo, Gourry saltou para trás e saiu do confronto.
O Lorde das Trevas também recuou e... Fwash! Começou a emanar uma escuridão oculta. Não sabia se era perigoso ou não, no entanto Gourry recuou por algum excesso de cautela. A coisa escura começou a se condensar em cinco pontos... E, de repente, cinco Lordes das Trevas se formaram diante de nós.
Uma distração? É provável que apenas um deles seja real. Os outros quatro eram apenas iscas feitas de... Seja lá o que for aquela coisa preta. Embora, iscas ou não, eram criações do Lorde das Trevas. Não havia como saber o quão poderosos seriam. Descartá-los seria imprudente. De qualquer forma, tudo o que podia fazer era tentar reduzir o seu número!
“Zellas Bullid!”
Desta vez, usei um feitiço que emprestava o poder da Grande Besta Zellas Metallium. Não tinha grandes esperanças de que funcionaria no próprio Lorde das Trevas, entretanto pensei que poderia ser uma maneira inteligente de destruir seus brinquedos.
Visualizei o feitiço se dividindo em cinco. Sendo mais precisa, reescrevi mentalmente o encantamento e o apliquei à minha visualização. Era fácil alterar encantamentos, assim como se divide um único raio flamejante em várias flechas. Claro, no mundo real, era impossível dividir o Zellas Bullid. Todavia, neste mundo onde a magia era muito densa, valia a pena tentar...
Mas, apesar dos meus esforços, só consegui produzir um único feixe de luz. Este atravessou um dos Lordes das Trevas e o transformou em névoa. Uma isca!
Nesse instante, os quatro restantes atacaram Gourry. Em meio àquela confusão, qualquer ataque que eu disparasse corria o risco de atingi-lo. As espadas negras dos Lordes das Trevas se voltaram para Gourry ao mesmo tempo...
“Não vai funcionar!” Vavavroosh! Zing! A espada de Gourry cortou três dos Lordes das Trevas instantaneamente e, em seguida, aparou o golpe do quarto. “As sombras são mais lentas!”
“Nesse caso...” o Lorde das Trevas, ainda negro, empurrou a espada de Gourry para longe e se dividiu em três figuras que atacaram Gourry!
“Ainda muito lento!” Gourry uivou e cortou as duas novas iscas ao meio. Porém, ao fazê-lo... Fwoom! Elas explodiram!
Não foi uma explosão muito grande, apesar de que foi o suficiente para desequilibrá-lo. Também não devia ser de natureza mágica, porque o Lorde das Trevas permaneceu impassível enquanto erguia sua espada!
Gourry!
O Lorde das Trevas atacou Gourry na altura da coxa. Conforme a explosão aumentava, Gourry... Percebendo que não conseguiria se esquivar completamente do golpe... Usou a força da explosão para mergulhar para trás e ganhar distância. Seu corpo rolou pelo chão algumas vezes e tentou se levantar de novo. Sua perna cedeu e acabou caindo de joelhos.
O Lorde das Trevas realmente o pegou? Gourry era um alvo fácil se o Lorde das Trevas avançasse para terminar o serviço...
“Dynast Blas!”
Então lancei meu feitiço!
Raios crepitaram ao redor do Lorde das Trevas... Contudo, com um único golpe de sua espada, os raios foram desviados em direção a Gourry! O grandalhão tentou usar os braços para escapar, no entanto... Crackle! O raio furioso o consumiu!
Thud. Ouvi o som terrível de algo pesado atingindo o chão.
“Gourry! Gourry!” gritei, embora seu corpo apenas se contraiu em resposta.
“Não está morto!” disse o Lorde das Trevas em um tom inalterado.
Eu deveria ter imaginado... Nosso trabalho em equipe dificultou as coisas para o Lorde das Trevas, então optou em agir como se estivesse atrás de mim para encurralar Gourry e nos impedir de coordenar nossos ataques.
“Não está morto, embora está gravemente ferido. Você poderá salvá-lo se conseguir me derrotar e retornar ao seu mundo para receber tratamento imediato. Todavia, se não conseguir... Sabe o que vai acontecer!”
Ele vai morrer...? Meus pulmões se contraíram quando o pensamento passou pela minha mente. Não vou deixar isso acontecer... Nunca!
“Um duelo um contra um... Com limite de tempo, então.” minha voz estava tão baixa que até me surpreendi.
Pouco a pouco, o Lorde das Trevas se aproximou.
“Vamos nessa!” juntei minhas mãos. “Lança Elemekia!”
Vwing! Lancei minha lança de luz. O Lorde das Trevas nem tentou se esquivar. Ele a recebeu de frente sem pestanejar.
“Por favor. Não está esperando que algo assim me machuque, não é?”
“Até parece! Foi só um pequeno teste!” falei, juntando minhas mãos de novo.
“Sangue dos Lordes dos quatro mundos, conceda-me magia além da minha!”
Ao chamado deste encantamento abreviado... Ou melhor, destas palavras caóticas... Os Talismãs Sangue de Demônio começaram a brilhar. As gemas dos Lordes das Trevas de quatro mundos... Olhos de Rubi, Estrela Negra, Azul Caótico e Névoa da Morte... Brilharam em suas cores distintas, amplificando meu poder mágico. Então...
“Lança Elemekia!”
O Lorde das Trevas recebeu o golpe de frente mais uma vez.
“Entendo... Um teste digno. Isso foi realmente mais forte.” comentou, com leveza.
Argh, que irritante! Nesse caso...
“Zellas Bullid!” disparei um feixe de luz amplificado, que Luke dispersou sem problemas com um golpe de espada.
“Você pode presumir que só tem uma chance.” disse o Lorde das Trevas, ainda caminhando em minha direção. “E essa chance é me cortar com sua lâmina do vazio. Feitiços básicos não funcionarão em mim. Com esse feitiço, poderá me cortar ao meio, junto com minha espada. Contudo...”
“Dynast Blas!”
Crackle, crackle! O relâmpago mágico o envolveu, no entanto o feitiço foi afastado com mais um golpe casual de espada.
“Eu já sabia...” continuou o Lorde das Trevas.
Sei que isso não vai funcionar, porém...
“Congele Bullid!”
O feitiço de gelo que lancei aprisionou o Lorde das Trevas em um grande bloco de gelo. Esperava que o mantivesse no lugar, mas ele o atravessou como se nem existisse.
Sabia... Mesmo que os efeitos da magia sejam mais fortes, os princípios básicos permanecem os mesmos. Magia xamânica elemental também não funciona contra mazokus nesta dimensão. Recuei rapidamente.
“Assim, esquivarei de sua espada e atacarei, e em nosso duelo sairei vitorioso. Você acertará o alvo ou errará? Só tem uma chance.”
Continuei a recuar enquanto o Lorde das Trevas continuava a avançar em minha direção. Ele não parecia ter pressa em diminuir a distância entre nós. Era como se... Estivesse esperando que eu criasse coragem.
“Quer um grande confronto dramático, hein? Que másculo da sua parte! Pena que sou uma mulher!” gritei, as engrenagens da minha mente girando na velocidade da luz. A aposta que o Lorde das Trevas havia proposto tinha probabilidades terríveis para mim. Teria que ser meu último recurso. Na verdade, dada a discrepância em nossas habilidades, era menos uma aposta e mais um ato de puro desespero... Não havia outra maneira?
Que tal esta?
“Ra Tilt!”
Este feitiço não fazia parte do meu repertório padrão. Magia de alto nível exigia não apenas encantamentos e gestos com as mãos, como certo grau de visualização, e tenho dificuldade em conceber feitiços como Ra Tilt. Entretanto...
Vwsh! Consegui liberá-lo. A coluna de luz azul pálida envolveu o Lorde das Trevas... Até que a dissipou com outro golpe de sua espada.
“Eu a elogio por reunir um feitiço que em outras condições estaria além de suas capacidades... No entanto, é quase inofensivo contra mim.”
Isso também não funcionou? Ainda assim, uma coisa estava clara para mim agora. O Lorde das Trevas havia usado sua espada para dissipar feitiços como Zellas Bullid, Dynast Blas e até mesmo aquele Ra Tilt. Esse comportamento me sugeriu que não queria ser atingido por eles. Embora se o machucariam um pouco ou muito... Não tinha como saber até conseguir atingi-lo.
O que me deixa com duas estratégias. Posso atingi-lo com um feitiço de morte instantânea como a Lâmina Ragna ou desgastá-lo com múltiplos golpes de feitiços como Zellas Bullid. Pro meu azar, nenhuma das duas era nada realista. Seria difícil acertá-lo com a Lâmina Ragna, e com certeza não ficaria parado enquanto eu encadeava vários Zellas Bullids nele.
Além do mais... Havia o poderoso feitiço de cura Ressurreição, que eu normalmente não podia usar. Tenho certeza de que curaria Gourry, mas também estava fora de questão. Levaria tempo para usar, e o Lorde das Trevas sem dúvida não me daria esse tempo. Mesmo com a amplificação dos talismãs de Sangue de Demônio em uma dimensão repleta de poder mágico, seu poder era esmagadoramente...
...
Parei no lugar. Era apenas um pensamento passageiro, mas valia a pena tentar antes de usar tudo o que tinha com a Lâmina Ragna.
“Já está pronta?” ele perguntou.
O Lorde das Trevas estava prestes a avançar sobre mim quando... Clink! Mordi o talismã no meu braço esquerdo... A joia azul do Sangue de Demônio!
A pedra que parecia dura como uma rocha, por algum motivo, apenas estourou na minha boca e desapareceu. O Lorde das Trevas havia dito que um talismã de Sangue de Demônio era essencialmente uma Pedra Filosofal completa... Um amplificador incrível de poder mágico.
“Regente de outro reino, Azul Caótico!” o que saiu da minha boca não foi um encantamento. Apenas um apelo proferido em palavras caóticas. “Em troca da tua pedra de sangue, revela-me o teu poder!”
“O quê?” exclamou o Lorde das Trevas, chocado.
Se este mundo estava separado do nosso por um fio de cabelo, então também estava a uma distância semelhante de outros mundos.
Roarrr! O céu acima de mim se encheu de luz. Ondas se expandiram como ondulações na superfície de um lago, e um pilar azul pálido disparou em direção ao Lorde das Trevas.
“Graaaaah!” a pressão silenciosa arrancou um grito de seus lábios. Sua figura carmesim foi banhada pela luz brilhante, e...
“Aaaaah!” então, um clarão carmesim forçou a luz de volta para o azul do céu! O céu se acalmou, e o Lorde das Trevas permaneceu de pé. “Um feitiço... De um Lorde das Trevas de outro mundo?”
Essa o pegou direitinho! Eu sei! Nesse caso...
“Regente de outro reino, Névoa da Morte!” desta vez, usei a joia branca em meu braço esquerdo. “Em troca da tua pedra de sangue, revela-me o teu poder!”
Bwsh! O ar ao redor do Lorde das Trevas ficou branco com uma substância que realmente parecia névoa. Vrrrrsh! A névoa rodopiava e o ar uivava, rasgando o Lorde das Trevas do nosso mundo.
“Raaaaah!” ele soltou um grito de esforço. Ou seria de dor?
Crick! O som suave de algo quebrando ecoou, e então... Fwish! Com um som como o de um respingo na água, a névoa branca se dissipou. O Lorde das Trevas cambaleou um passo à frente. Rachaduras tênues, embora visíveis, apareceram ao longo da espada mágica em sua mão.
Peguei o talismã do meu cinto e coloquei a joia negra na boca.
“Regente de outro reino, Estrela Negra! Em troca da tua pedra de sangue, revela-me o teu poder!”
Vrumm... O ar ao nosso redor emitiu um zumbido baixo. A escuridão se manifestou, expandindo-se e contraindo-se repentinamente com a figura vermelha dentro! Ela sugou até mesmo a sua voz enquanto encolhia em um ponto infinitesimalmente pequeno. No nada.
Então, sem um som, o ponto escuro explodiu. Cambaleante, o Lorde das Trevas carmesim recuperou o equilíbrio. De fato parecia estar ferido, contudo só tenho um talismã restante. E pertencia a ele... Olhos de Rubi Shabranigdu, Lorde das Trevas do nosso mundo. Isso não me ajudaria muito, o que não me deixava com muitas opções...
Na verdade, eu tinha a minha resposta. Talvez a tivesse desde o início. Aliás, acho que sim.
“É tudo que têm?” o Lorde das Trevas olhou para mim. Inúmeras rachaduras finas se formaram em sua máscara. Havia pouco vigor em sua voz agora. “Então chegou a hora de resolvermos as coisas... Esse é o fim!” o Lorde das Trevas uivou e partiu em disparada.
Meus três golpes o haviam desacelerado de forma significativa, no entanto vinha se aproximando em grande velocidade. Me preparei e o encarei.
Ainda não... Ainda não! A distância entre nós diminuiu. A mão do Lorde das Trevas, envolta no cabo de sua espada, moveu-se. Agora!
“Lâmina...” levantei minha mão direita bem alto! “Ragnaaaaaaaa...!”
Minha espada negra cortou o ar vazio. O Lorde das Trevas saltou para trás no último instante para desviar do golpe, entretanto logo em seguida voltou a saltar para mim. Movi minha mão direita para o lado, girei meu corpo com o impulso... E brandi a espada negra em minha mão esquerda!
“Uma segunda lâmina?” exclamou o Lorde das Trevas, surpreso.
Nossos traços vermelhos e negros se cruzaram. Nrrrm! Não senti nenhuma resistência enquanto a minha avançava, todavia a única coisa que minha lâmina do vazio cortou foi a espada na mão do Lorde das Trevas!
“Eu venci!” ele declarou, recuando. Sua arma se regenerou diante dos meus olhos.
Abaixei-me e coloquei o talismã em meu peito na boca.
Tu que és mais sombrio que o crepúsculo...
A pedra explodiu entre meus dentes... A última do Sangue de Demônio, de Olhos Rubi Shabranigdu.
Tu que és mais vermelho que o sangue...
Levantei minhas mãos, extinguindo minhas duas lâminas do vazio.
Olhos Rubi, enterrado no fluxo do tempo...
Um brilho vermelho apareceu em minhas palmas.
“Dragon Slave!”
Rooooar! Minha explosão carmesim consumiu o Lorde das Trevas. Um brilho vermelho incendiou a terra do mundo desconhecido.
Um pequeno suspiro escapou dos meus lábios, e então... Uma figura apareceu quando as chamas diminuíram. Já tinha visto a mesma cena antes. Déjà vu.
“Certamente, você deve saber...” dançando sobre o rugido do vento, a voz do Lorde das Trevas chegou até mim. “Um feitiço que usa meu próprio poder não pode funcionar em mim...”
É verdade, estou ciente disso. Nunca teria funcionado... Em circunstâncias normais.
“Então por que o fez? E por que...” a forma do Lorde das Trevas emergiu da chama rodopiante. “Por que... Estou morrendo?”
Porque... Caí de joelhos.
A cor vermelha que pintava o corpo do Lorde das Trevas já estava desaparecendo, e a espada que usava para se apoiar estava se quebrando em suas mãos.
“Acho que já sabe a resposta...” respondi. O vento chicoteava meus cabelos e minha capa. “Um feitiço que invoca o poder do Lorde das Trevas nunca funcionaria contra o Lorde das Treva em questão... É idiotice pedir sua ajuda para matá-lo, certo? A menos que...” depois de tudo o que havia feito, senti um grito escapar dos meus lábios. Mas o reprimi e continuei falando. “E se você mesmo desejasse a morte?”
Uma rajada de vento soprou.
“Ah... Entendi.” a voz que passou por mim não era a do Lorde das Trevas, e sim a de Luke. Seu semblante estava tomado por uma profunda exaustão, porém em paz. “É, acho que eu só... Só queria ir para onde ela estava. E que vocês me mandassem para lá.” ele se sentou no chão. “Sabe, lá no templo... Quando Mileena pediu para você nos deixar em paz... Ela me disse... ‘Não odeie as pessoas’.”
Outra rajada de vento soprou, carregando suas palavras.
“Contudo... Não consegui parar.” sua voz foi ficando cada vez mais fraca. “Desculpe...”
Para quem era aquele pedido de desculpas?
Uma última rajada de vento soprou. Seu corpo se transformou em areia, que começou a desmoronar. E então... O mundo que havia criado desapareceu.
———
Ouvi uma batida na porta.
“Sou eu!” anunciou Milgazia.
“Oh?” Gourry tentou se sentar, no entanto o impedi.
“Está aberto!” gritei sem me virar.
Depois de tudo, eu e o ferido Gourry reaparecemos no centro da Cidade de Sairaag. Bem, chamo de cidade, entretanto era mais como uma pequena vila, ainda em processo de reconstrução. Por sorte, Gourry não estava tão mal quanto pensei, então conseguimos um quarto em uma pousada e começamos a cuidar de suas feridas.
Era o dia seguinte. Estive sentada em uma cadeira ao lado da cama onde Gourry se recuperava, e tinha acabado de explicar o que havia acontecido depois que desmaiou quando ouvi a porta se abrir e senti duas presenças entrarem. Não precisei olhar para saber que eram Milgazia e Mephy.
“Com licença! Como vocês puderam só desaparecer daquele jei... Espera, você está ferido?” perguntou Mephy por cima do meu ombro.
“Ele já está todo remendado. Só está de repouso por precaução.” respondi.
“O que aconteceu?” Milgazia perguntou hesitante.
Houve um período de silêncio antes que respondesse da mesma forma.
“Nós... Derrotamos o Lorde das Trevas. Só isso.”
“O quê?” exclamaram os dois, boquiabertos.
“Sério?” Milgazia insistiu.
“Por que mentiria?” respondi, cansada.
“Se for verdade...” disse Mephy, atônita. “Seria incrível. Vocês dois realmente são... Os Caçadores de Mazokus!”
“Acha que quero um título idiota desses?” cuspi as palavras.
Seguiu-se outro período de silêncio.
“Vamos ficar num quarto nesta estalagem também.” disse Milgazia, por fim, com certa timidez. “Assim que as coisas se acalmarem, gostaria de ouvir a história toda. Vamos, Mephy.”
“Ah... Certo.”
Clack. A porta se fechou e pude sentir a presença deles se afastar.
“Lina...” sussurrou Gourry, olhando para mim. Esperava que me repreendesse pelo meu comportamento. “Você está chorando?” perguntou.
“Acho que é perfeitamente óbvio que não.”
“Na verdade, é perfeitamente óbvio que está.”
“Acho que você precisa consultar um oftalmologista...” comecei, mas parei. “Desculpe. Sim, estou chorando.”
“Só descontando a raiva, é?”
“Só agora me dei conta. Nós nunca soubemos os nomes completos de Luke e Mileena... E pensar nisso me fez... De repente...”
“Ei, tudo bem chorar.” Gourry gentilmente tocou meu rosto. “Mesmo que fosse o que Luke queria, não muda o fato de que o matamos. Porém... Não importa o quão pesados sejam os fardos que carregamos, ser humano significa que temos que continuar seguindo em frente. Rubia está trabalhando nisso agora. Já Luke não conseguiu superar. Contudo Lina, te conhecendo... Sei que vai conseguir. E para garantir que consiga, por enquanto... Tudo bem. Tudo bem chorar.”
“Idiota...”
Droga... Como é que esse idiota é tão confiável nos momentos mais estranhos?
E então, por um breve momento... Eu chorei.
———
“Acho que está na hora de seguirmos caminhos separados. Bem, Mephy?”
“Sim. Concordo, tio.”
Essa declaração inesperada veio em uma tarde, apenas alguns dias depois. Gourry havia se recuperado por completo e comido sua porção habitual no almoço (com os pimentões verdes removidos, como sempre), e agora estávamos na rua principal de Sairaag.
Bem, chamo de rua principal, no entanto, estou me repetindo aqui... Ainda é uma cidade pequena em reconstrução. A rua em si era larga o suficiente, entretanto as casas ao longo dela eram escassas, assim como as pessoas. Mesmo assim, tinha aquela energia única de uma cidade em recuperação.
Quando se perde algo, precisa fazer mais do que apenas lamentar. Para criar um amanhã melhor, em algum ponto, você precisa começar a caminhar novamente. Os humanos são criaturas de grande resiliência.
“Estão indo embora? Isso é bem repentino... Para onde?” perguntei.
“Vai hibernar?” Gourry perguntou.
“...”
“Aaaaah, desculpe, desculpe! Não vou dizer mais nada.” Gourry acenou com as mãos em sinal de desculpas enquanto Milgazia avançava em silêncio na sua direção.
Espere aí, Gourry... Foi de propósito?
Milgazia recuou e fixou o olhar em mim.
“Embora a causa esteja resolvida, o grande número de demônios gerados não desapareceu.” disse ele com seu estoicismo habitual. Claro, eu já havia explicado todo o incidente ao longo dos últimos dias. “Mephy e eu vamos continuar viajando por um tempo e eliminar os últimos.”
“E além disso, descobrimos que há muitos mazokus perigosos à espreita por aí. Tem o Xellos, sem falar daquelas duas mulheres.” acrescentou Mephy, virando-se para Milgazia. “A propósito, quem eram elas? Pareciam bem poderosas...”
“Não conseguiu as reconhecer, Mephy?” respondeu ele, surpreso.
“Você reconheceu, tio?”
“Não exatamente, mas suponho que eram a Grande Besta Zellas Metallium e o Golfinho das Profundezas.”
Bwuh? Mephy e eu quase cuspimos o que bebemos com a naturalidade com que Milgazia revelou aquilo.
“Senti um poder nelas muito maior que o do Xellos. E, falando em mazokus mais poderosos que o Xellos... Elas são as únicas possibilidades realistas.”
“Sério? Se for esse o caso, são recepcionistas impressionantes...” murmurei.
“Estou... Impressionada que tenhamos sobrevivido.” acrescentou Mephy. “De fato. Suspeito que não teríamos tido tanta sorte se tivéssemos tentado interferir outra vez. Por sorte elas desapareceram logo após te sequestrarem, porém só de imaginar já me dá arrepios.”
Na verdade, sua cara boba é a mesma de sempre. Tem certeza de que está com medo?
“De qualquer forma, essa é a nossa intenção. Talvez, humanos, nos encontremos de novo um dia.” concluiu o ancião dragão dourado.
“Com certeza. Se cuide...”
Então, com uma facilidade quase anticlimática, Milgazia e Mephy se viraram e partiram.
“Eles foram embora, assim, sem mais nem menos.” sussurrei.
“Acho que estão aliviados.” respondeu Gourry, observando-os partir.
“Aliviados?”
“Sim.” Gourry colocou a mão na minha cabeça. “Por você estar se sentindo melhor. Estão aliviados o suficiente para poderem cuidar de outros assuntos agora.”
“Eu parecia tão deprimida assim?”
“Um pouco, acredito.” disse Gourry, desviando o olhar de mim para a estrada. Milgazia e Mephy já estavam fora de vista. “Bem, então... O que faremos agora?”
“Boa pergunta. Não temos outro objetivo óbvio. Aliás, que tal você decidir por si mesmo, em vez de deixar tudo para mim, Gourry? Vamos lá! De sua opinião!”
“Hmm, ok. Vejamos...” Gourry olhou diretamente nos meus olhos. “Que tal me levar para conhecer sua família?”
“Hã?” senti meu coração dar um salto e rapidamente desviei o olhar. “Er, Gourry... Você sequer entende as implicações do que acabou de perguntar?”
“Sim... Entendo.” sua voz era terrivelmente gentil.
“Hã...?” tremi um pouco. Percebi que estava corando muito agora.
Gourry continuou num tom de voz suave.
“Você disse uma vez que Zephilia é famosa por suas uvas, certo? Acho que estão na época agora.”
“Você só quer comer?” gritei enquanto o golpeava com a chinela que tirei do bolso com a velocidade de um raio.
“O quê, você não gosta de uvas?”
“Não é isso! Eu só... Argh, tá bom! Tanto faz!”
“Então vamos para Zephilia.”
“Como assim?”
“Porque você disse que iríamos para onde eu quisesse.”
“Ah, qual é...”
“Além disso, acho que é bom visitar a família de vez em quando.”
Jeez... Bem, o cara tinha um pouco de razão. Ele estava sendo estranhamente insistente dessa vez também. Será que estava fazendo de propósito...?
“Tá bom, tá bom. Vamos visitar minha família. Para a cidade de Zephyr, a capital de Zephilia! Combinado?”
“Certo!”
E assim, nós dois partimos caminhando lado a lado.
Tinha a sensação de que nos envolveríamos em muitas outras aventuras pelo caminho. Conheceríamos pessoas. Perderíamos algumas. Poderíamos até passar por outra tragédia como essa. Porém... Eu não fecharia os olhos para a tristeza e a dor. Eu as acolheria e as superaria.
Sempre encararia o amanhã com um sorriso.
Slayers: O Fim
Posfácio:
Cena: O Autor e L
Au: Finalmente, chegamos ao livro final! Com Os Caçadores de Mazokus, a série de novels de Slayers chega ao fim!
L: A partir da próxima semana, a comédia emocional do Lorde das Trevas ‘Tokidoki☆Konton Magical L-rin’ começa...
Au: Não vai começar. Nunca!
L: Grr! Pelo menos me deixe dizer tudo!
S: Ele é terrivelmente rude, não é? Não pode te tratar assim, L-sama.
Au: Er, o que esse cara está fazendo aqui?
L: Bem, já que é o posfácio do final, decidi trazer o Subordinado S.
S: Hahaha. L-sama, você é tão generosa e linda.
Au: Hmm...
L: Essas novels de Slayers não seriam possíveis sem você, Subordinado S, então pensei em lhe dar a oportunidade de falar aqui no final.
S: Muito obrigado. Mas é claro, eu existo apenas para o seu radiante prazer, L-sama! Portanto, acho que não é exagero dizer que você é a verdadeira protagonista das novels de Slayers! Na verdade, acho que essa poderia ser a sua verdade moral mais profunda e grandiosa!
Au: Hmm...
L: Nossa, está me fazendo corar. É tão gentil da sua parte dizer isso!
S: Não precisa ficar envergonhada! Todos os elogios que recebe do mundo são mais do que merecidos!
Au: Posso perguntar uma coisa?
L: Hã? O que foi?
S: É tão rude fazer perguntas no meio de um elogio a alguém. O que foi?
Au: Bem, estou me perguntando se o fato de o Subordinado S não estar listado como personagem nesta cena sob o título ‘Posfácio’, aquele controle estranho na sua mão e aqueles eletrodos estranhos saindo da cabeça do S têm alguma relação entre si.
L: ...
Au: ...
L: Erk! Click.
S: Hahaha. Do qUe eSTá faLanDO? Não Há NadA dE ErRADo aconTecenDo Aqui. é pUra iMagInAçãO sUa.
Au: Ele é um robô? Ah! Ou você alterou o seu cérebro?
L: D-Do que está falando? Mexe, mexe. Click, click.
S: Que grosseria dizer tal coisa para L-sama! Agarra!
Au: Ei! Você digitou algum comando? Me solta! E o que é essa seringa?
L: Oh, hmm, sabe como é. Nada com que se preocupar.
Au: Eu definitivamente estou preocupado! Argh...
[Sons de cirurgia.]
L: Bem, então. Foi uma longa e árdua luta, no entanto este é o fim das novels.
Au (agora com eletrodos): Caramba, mas o fato de as novels e contos de Slayers terem durado tanto tempo certamente se deve a todos os leitores que nos apoiaram, e a L-sama, que assumiu esses posfácios. Muito obrigado!
L: Sei que era isso que eu queria, porém ainda é estranho ter o autor me bajulando... Talvez consiga fazer os seus pensamentos voltarem ao normal.
Au: Ah!!! O que você fez comigo?
L: Ah, nada. Nadinha de nada. Enfim, continue e termine o posfácio.
Au: C-Certo. Este é o fim das novels de Slayers. Quanto ao que acontece com Lina e Gourry depois disso... Ainda não decidi. Os jogos, séries de TV e quadrinhos são tratados como histórias paralelas da Parte 3, entretanto também podem existir futuros diferentes para eles. Queria terminar a história de uma forma aberta para dar a vocês bastante espaço para imaginar. Agora, leitores, permitam-me agradecer por terem me acompanhado até aqui.
S: Contudo enquanto os contos de Slayers continuarem, L-sama nunca estará longe!
L: Então, esperamos que vocês continuem comprando coletâneas de contos com títulos como Select e Smash.
Au: Entendeu? De qualquer forma, espero que nos encontremos de novo algum dia.
Posfácio: Fim.
Nota do Tradutor:
Só avisando, mas a história não acabou, visto que o abençoado autor, décadas depois, retomou a série, então nos vemos no volume 16!
L: A partir da próxima semana, a comédia emocional do Lorde das Trevas ‘Tokidoki☆Konton Magical L-rin’ começa...
Au: Não vai começar. Nunca!
L: Grr! Pelo menos me deixe dizer tudo!
S: Ele é terrivelmente rude, não é? Não pode te tratar assim, L-sama.
Au: Er, o que esse cara está fazendo aqui?
L: Bem, já que é o posfácio do final, decidi trazer o Subordinado S.
S: Hahaha. L-sama, você é tão generosa e linda.
Au: Hmm...
L: Essas novels de Slayers não seriam possíveis sem você, Subordinado S, então pensei em lhe dar a oportunidade de falar aqui no final.
S: Muito obrigado. Mas é claro, eu existo apenas para o seu radiante prazer, L-sama! Portanto, acho que não é exagero dizer que você é a verdadeira protagonista das novels de Slayers! Na verdade, acho que essa poderia ser a sua verdade moral mais profunda e grandiosa!
Au: Hmm...
L: Nossa, está me fazendo corar. É tão gentil da sua parte dizer isso!
S: Não precisa ficar envergonhada! Todos os elogios que recebe do mundo são mais do que merecidos!
Au: Posso perguntar uma coisa?
L: Hã? O que foi?
S: É tão rude fazer perguntas no meio de um elogio a alguém. O que foi?
Au: Bem, estou me perguntando se o fato de o Subordinado S não estar listado como personagem nesta cena sob o título ‘Posfácio’, aquele controle estranho na sua mão e aqueles eletrodos estranhos saindo da cabeça do S têm alguma relação entre si.
L: ...
Au: ...
L: Erk! Click.
S: Hahaha. Do qUe eSTá faLanDO? Não Há NadA dE ErRADo aconTecenDo Aqui. é pUra iMagInAçãO sUa.
Au: Ele é um robô? Ah! Ou você alterou o seu cérebro?
L: D-Do que está falando? Mexe, mexe. Click, click.
S: Que grosseria dizer tal coisa para L-sama! Agarra!
Au: Ei! Você digitou algum comando? Me solta! E o que é essa seringa?
L: Oh, hmm, sabe como é. Nada com que se preocupar.
Au: Eu definitivamente estou preocupado! Argh...
[Sons de cirurgia.]
L: Bem, então. Foi uma longa e árdua luta, no entanto este é o fim das novels.
Au (agora com eletrodos): Caramba, mas o fato de as novels e contos de Slayers terem durado tanto tempo certamente se deve a todos os leitores que nos apoiaram, e a L-sama, que assumiu esses posfácios. Muito obrigado!
L: Sei que era isso que eu queria, porém ainda é estranho ter o autor me bajulando... Talvez consiga fazer os seus pensamentos voltarem ao normal.
Au: Ah!!! O que você fez comigo?
L: Ah, nada. Nadinha de nada. Enfim, continue e termine o posfácio.
Au: C-Certo. Este é o fim das novels de Slayers. Quanto ao que acontece com Lina e Gourry depois disso... Ainda não decidi. Os jogos, séries de TV e quadrinhos são tratados como histórias paralelas da Parte 3, entretanto também podem existir futuros diferentes para eles. Queria terminar a história de uma forma aberta para dar a vocês bastante espaço para imaginar. Agora, leitores, permitam-me agradecer por terem me acompanhado até aqui.
S: Contudo enquanto os contos de Slayers continuarem, L-sama nunca estará longe!
L: Então, esperamos que vocês continuem comprando coletâneas de contos com títulos como Select e Smash.
Au: Entendeu? De qualquer forma, espero que nos encontremos de novo algum dia.
Posfácio: Fim.
Nota do Tradutor:
Só avisando, mas a história não acabou, visto que o abençoado autor, décadas depois, retomou a série, então nos vemos no volume 16!
***
Link para o índice de capítulos: Slayers
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