terça-feira, 30 de junho de 2026

I Was Caught up in a Hero Summoning, but That World Is at Peace — Capítulo 189

Capítulo 189: Parece ser muito compatível


Cheguei ao hospital/igreja acompanhado de Noir-san, que encontrei por acaso na cidade. Lá, encontramos a médica, Dra. Vier, que estava vestida com uma roupa de freira.



A Dra. Vier olhou para Noir-san, a quem eu carregava, e murmurou, atônita.



“Noir-san, será que...”



“Ah, sim. Estou me sentindo anêmica...”



“Haaah... Já lhe disse várias vezes, mesmo que seja difícil para você, não dá para ficar sem beber sangue.”



“Eu sei, porém é bem complicado...”



Err... Que tipo de conversa é essa? Hein? Não sabia que a forma comum de prevenir anemia era bebendo sangue... Não, não pode ser.



De qualquer forma, Noir-san parece frequentar o local com certa assiduidade, e a Dra. Vier pelo jeito está a par da sua situação.



“Noir-san, você tem consciência de que é uma ‘meio-vampira’, certo?”



Ao ouvir as palavras que a Dra. Vier disse em tom de espanto, fiquei bastante surpreso por dentro.



Meio-vampira? Então quer dizer que Noir-san tem metade do sangue daqueles sugadores de sangue das lendas? Q-Que coisa... Senti a mesma emoção fervendo dentro de mim que senti quando vi os dragões... Como esperado de um mundo diferente.



“É meio constrangedor dizer, contudo não penso muito a respeito.”



“Mesmo que fosse mentira, eu gostaria que tivesse dito que está ciente... Bom, de qualquer forma, vamos cuidar de você primeiro. Err, e você é...”



“Ah, err, sou Miyama Kaito.”



“Miyama-kun, certo. Entendi. Bem, nesse caso... Desculpe incomodar, contudo poderia trazer a Noir-san aqui para a sala de exames por um instante?”



“Com certeza.”



Hmmm, conversando com ela assim, parece ser uma mulher muito competente e madura, uma verdadeira médica. O fato de ter caído mais cedo pode ter sido apenas uma coincidência e, como a Dra. Vier ficaria envergonhada, não mencionarei o ocorrido.



Com essa ideia em mente, começamos a nos dirigir para a sala de exames, liderados pela Dra. Vier... Entretanto, justo quando estávamos prestes a sair, o pé da Dra. Vier bateu em um banco de madeira da igreja ao começar a caminhar... Além de que, a parte que bateu no banco foi o dedinho do pé... Com certeza doeu.



“Gyyuuuu... D-Doeu...”



“E-Err... Dra. Vier? A senhora está bem?”



“U-Unnn... Estou bem. A-Ahaha, sempre fui meio desajeitada... Bem, vamos lá, a sala fica por aqui.”



“Ah, sim.”



Ao ouvir minhas palavras, a Dra. Vier riu baixinho como uma criança enquanto coçava a bochecha com o dedo.



Considerando sua estatura, que é superior à de adultos comuns, ver esse contraste a deixa de certa forma fofa.



Noir-san e eu nos sentamos em uma cadeira redonda na sala de exames... Que tinha uma atmosfera mais parecida com a de um consultório médico local do que com a de um grande hospital... E aguardamos a Dra. Vier se preparar para o exame.



A Dra. Vier rapidamente fez os preparativos e me perguntou por que tinha vindo até ali com Noir-san nas costas; então, dei uma breve explicação da situação.



“Heeeh... Então, Miyama-san, você abordou a Noir-san preocupado logo que a viu, não é? Unnn, acho fantástico da sua parte ajudar naturalmente quem precisa.”



“O-Obrigado.”



“Deixe-me agradecer mais uma vez. Muito obrigada, Miyama-san.”



“Não, isso é... Err... De nada.”



Não é como se tivesse a intenção de fazer algo grandioso, entretanto acho que seria indelicado não aceitar os agradecimentos delas aqui, então vou apenas aceitá-los de bom grado.



Bem, não deixo de ser homem... É claro que fico feliz em ser elogiado pela Dra. Vier e pela Noir-san, duas mulheres lindas.



“Muito bem, então, Noir-san. Vou começar a administrar o soro.”



“Hã?”



“Hã?”



Parece que ela entendeu tudo errado quando a Dra. Vier apareceu com uma seringa; por algum motivo, Noir-san pareceu assustada ao olhar para mim, com as bochechas coradas.



“Noir-san? O que houve?”



“Errr... Hmmm... P-Por mais incrível que ele seja, tirar a roupa na frente de um homem que acabei de conhecer é meio...”



“Não, é só um soro intravenoso, ok? Basta arregaçar as mangas, certo?”



“Ara?”



Errr, como posso dizer... Será que a Noir-san é meio avoada como a Shiro-san, embora de um jeito diferente? Sinto que a Dra. Vier também estava exausta...



B-Bom, a Dra. Vier parece a ter convencido; ela arregaçou as mangas de seu vestido de tons sóbrios e aplicou o soro.



“Falando nisso, Noir-san, não está com a Lu-chan hoje?”



“Sim, ela tem trabalho para fazer hoje.”



“Lu-chan?”



“Ah, é minha filha.”



“Filha? Hã? Noir-san, errr, você é casada?”



Quando inclinei a cabeça ao ouvir a Dra. Vier mencionar o nome Lu-chan, Noir-san me explicou que era sua filha... Mas, embora pudesse parecer muita indelicadeza, fiquei absurdamente surpreso e não pude deixar de perguntar.



Achava que tinha entendido que ela era uma meio-vampira... Um Demônio, porém, com a aparência da Noir-san... Que parecia ter apenas uns 12 a 14 anos... Fiquei surpreso quando disse que tinha uma filha.



“Sim... Contudo meu marido já faleceu...”



“Ahh, d-desculpe!”



“Não, não, isso aconteceu há mais de 50 anos, então não precisa se preocupar.”



Pelo visto, o marido da Noir-san já havia falecido; por isso, pedi desculpas por fazê-la recordar um evento tão terrível, no entanto ela mostrou um sorriso calmo, sem parecer se importar.



Então, como se quisesse mudar de assunto, a Dra. Vier falou.



“Noir-san. Já disse várias vezes, entretanto o poder mágico no sangue desaparece com o tempo. Precisa ingerir sangue fresco por via oral, não apenas por soro intravenoso, está bem?”



“Eu sei... É só que tenho dificuldade em beber sangue...”



Ao ouvir as palavras de preocupação da Dra. Vier, Noir-san baixou a cabeça em sinal de desculpa.



Uma meio-vampira anêmica que tem dificuldade em beber sangue... Como posso dizer... A sua raça não deveria se alimentar de sangue?



Talvez percebendo minhas dúvidas, a Dra. Vier virou-se para mim com um pequeno sorriso no rosto.



“Os vampiros têm a fama de serem uma raça que bebe sangue, todavia mesmo eles possuem tipos sanguíneos específicos com os quais são compatíveis. E, se o sangue não for compatível, eles o rejeitam.”



“É mesmo...”



“Sim, mas no meu caso... Bom, pode parecer irônico, porém o sangue do meu marido não era compatível comigo... E, depois de rejeitar o seu sangue, não consegui mais beber sangue de jeito nenhum.”



“...”



As palavras pesadas, ditas com naturalidade e uma risadinha... Tratavam de como ela havia rejeitado o sangue de seu amado companheiro.



Noir-san disse que não parecia se importar, porém é provável que tenha sofrido um choque terrível naquela época.



“Como ela tem o sangue do meu marido, o sangue da minha filha é incompatível com o meu... E, como raramente saio de casa, não tenho muitas oportunidades de beber sangue.”



“Noir-san. Você pode apenas beber sangue de animal, sabe?”



“Hmmm, sangue de animal é meio... Amargo, então...”



“Bem, visto isso, a Noir-san é bem exigente na hora de beber sangue... E, como sua médica, é bastante preocupante.”



Ao ver a Noir-san com aquela cara de criança dizendo aos pais que não gosta de pimentão, reclamando que o sangue de animal não tem um gosto bom, não consigo evitar uma risadinha.



O clima ficou um pouco mais leve depois disso e, soltando um suspiro, a Dra. Vier também riu baixinho.



“De qualquer forma, se seguir assim vai continuar ficando anêmica, a Lu-chan vai ficar preocupada. Então precisa encontrar alguém para compartilhar sangue com você regularmente o mais rápido possível...”



“É verdade, porém... Não conheço muitas pessoas gentis o suficiente para compartilhar o sangue comigo...”



“Tem razão; mesmo que seja apenas uma doação de sangue, eu preferiria que fosse alguém disposto a compartilhar o sangue, ainda que vocês não sejam tão próximos...”



“...”



“...”



“Hein?”



Elas pareciam preocupadas enquanto conversavam, contudo, por algum motivo, pararam de falar no meio da frase e se viraram para mim.



Enquanto tentava entender aquela situação desconfortável de estar sendo encarado por duas mulheres lindas, a Dra. Vier falou devagar.



“Errr... Miyama-kun, tem algo que gostaria de te perguntar... Será que poderia compartilhar um pouco do seu sangue?”



“Errr, é para a Noir-san?”



“Hmm, estava pensando se o seu sangue poderia ser compatível com o da Noir-san... Claro, não vamos te forçar se não quiser!”



“Sim, eu sei que é extremamente ousado e indelicado fazer um pedido desses logo depois de nos conhecermos. Não me importarei nem um pouco se você recusar.”



Em outras palavras, resumindo o que a Dra. Vier está tentando dizer: se a Noir-san puder beber o meu sangue, ela quer que eu compartilhe um pouco. Como disse que equivale a uma doação de sangue, e, pela palidez do rosto da Noir-san, percebo que está sofrendo devido a anemia... Embora meu envolvimento com ela tenha sido mera coincidência, não me sinto à vontade para só ignorar a sua situação aqui e agora.



“Sim, não me importo.”



“Sério? Sei que não deveria ser eu a dizer, no entanto este não é um pedido educado, sabe?”



“Sim, sem problema. Se puder ajudar de alguma forma, colaborarei.”



“Miyama-san... Eu realmente não sei como agradecer o suficiente...”



Ao ouvir minha concordância, Noir-san demonstrou grande pesar e curvou a cabeça várias vezes me agradecendo.



Entretanto, como ainda não temos certeza absoluta, já que o procedimento só funcionaria se ela pudesse ingerir meu sangue, decidimos verificar nossa compatibilidade primeiro.



Fiquei imaginando o que faria caso meu sangue fosse rejeitado por incompatibilidade, todavia, como a Dra. Vier está conosco, acredito que estará relativamente preparada.



Assim, ficou decidido que faria um pequeno corte na ponta do dedo e daria uma gota de sangue para Noir-san beber.



Como a Dra. Vier aplicaria magia de cura no ferimento depois, cortei a ponta do dedo com uma faca e o posicionei sobre a boca de Noir-san, que aguardava o momento.



A cena me pareceu um tanto imoral, em parte porque ela tem a aparência de uma garota jovem.



Então, uma gota de sangue cai dos meus dedos e entra na boca da Noir-san...



“Hnn, ahhh, Hã? Fuaaaahhhhh…”



“N-Noir-san?”



“Whamfh!”



“Ehhh? Espere!”



Assim que a gota de sangue caiu na sua boca, os olhos da Noir-san se arregalaram de repente; agarrando minha mão e colocando meu dedo ferido na sua boca.


Não consegui reagir à rapidez da situação, mas logo recuperei o juízo e tentei mover a mão, porém... Ela não é muito forte?



“Hnnn, chhuuuu, shluupp...”



“O quê? N-Noir-san! O que diabos você está fazendo?”



Logo em seguida, senti algo que era, ao mesmo tempo, um pouco áspero e macio tocar meu dedo, e a Noir-san começou a chupá-lo com vigor.



Não fazia ideia do que estava acontecendo, mas sabia que algo desastroso estava rolando... Eu sabia, porém não conseguia mover a mão nem um milímetro sequer! Acho que, por ser meio-vampira, sua força era impressionante!



“Noir-san, pare.”



“Ahh... M-Mais...”



A Dra. Vier intervém entre mim e a Noir-san, que lambia meu dedo apressada e entusiasticamente, e a afasta com facilidade... Conseguir separá-la assim tão fácil... Acho que a Dra. Vier também deve ser bem forte...



“Noir-san?”



“Ahhh... Hah! Ah, d-desculpe! É-É a primeira vez que bebo um sangue tão delicioso, então perdi o controle. Sinto muito mesmo, Miyama-san.”



“Ah, n-não... Está tudo bem.”



Não tenho certeza absoluta, contudo parece que meu sangue era muito saboroso para a Noir-san, e foi por esse motivo que agiu de forma tão estranha momentos antes.



Então, respondi à Noir-san, que se curvava repetidamente enquanto o rosto ficava vermelho, dizendo para ela não se preocupar com isso.



“O sangue do Miyama-kun... Era tão delicioso assim?”



“S-Sim... É tão doce que parece mel vindo do céu, e tão suave que chega a me enfeitiçar... Depois de conhecer o gosto de um sangue assim, acho que não consigo mais beber o sangue de outras pessoas.



“Hmmm, deixe-me examinar rapidinho, certo?”



Ao ouvir as palavras de Noir-san, dita com uma expressão meio extasiada, a Dra. Vier tocou as bochechas dela e desviou o olhar, como se estivesse confirmando algo.



“De fato, sua compleição melhorou e a circulação do seu poder mágico está incrivelmente fluida.”



“Err... Então, o que significa?”



“Bem, coincidências são coisas curiosas, não é? Parece que o sangue do Miyama-kun não poderia ser mais compatível com a Noir-san.”



Entendo. Em suma, está dizendo que sangue compatível tem um gosto bom para vampiros, enquanto sangue incompatível tem um gosto ruim.



“Unn. Isso pode ajudar na anemia crônica da Noir-san e, com tamanha compatibilidade, pequenas doses já devem bastar... Miyama-kun, se não se importar, poderia vir aqui a cada dez dias, mais ou menos, e dar à Noir-san algumas gotas de sangue fresco para beber?”



“Algumas gotas seriam suficientes?”



“Sim.”



“Entendi, tudo bem para mim.”



Se o fizer, Noir-san vai se sentir melhor, então não há problema algum da minha parte.



Não posso me dar ao luxo de ter meus dedos lambidos toda vez, contudo, como aprendi com a sua reação desta vez, devo conseguir tomar precauções com antecedência.



“Obrigada, seria de grande ajuda para mim... Ah, claro, já que está colaborando com a minha recuperação, também vou pagar devidamente.”



“Hã? Ah, não, não é como se eu precisasse de dinheiro...”



“Aceite. Caso contrário, a Noir-san se sentiria desconfortável.”



“E-Eu entendo.”



Ao me virar para a Noir-san depois de ouvir as palavras da Dra. Vier... Por algum motivo, Noir-san está lançando sobre mim um olhar apaixonado.



Seu olhar é apaixonado, embora seus olhos parecem tremeluzir e perder o foco, como se estivesse atordoada.



“Da próxima vez, vamos diluir um pouco... Receio que, antes de superar a anemia, ela acabe ficando viciada...”



Ouvi a Dra. Vier murmurar esse comentário e suspirei.



Querida mãe, pai — escutei sobre a Noir-san e a Dra. Vier, que conheci por acaso; por uma estranha coincidência, decidi ajudar a Noir-san a tratar sua anemia. Pelo visto meu sangue — é muito compatível com Noir-san.



Notas do Autor:
Dra. Vier... Ex-Lorde Demônio, sacerdotisa, médica e desastrada.
Noir... Meio-vampira, constituição frágil, viúva com aparência de garota jovem, a “mamãe da Lunamaria”.

***


Para aqueles que puderem e quiserem apoiar a tradução do blog, temos agora uma conta do PIX.

Chave PIX: mylittleworldofsecrets@outlook.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário