terça-feira, 7 de abril de 2026

Maou no Ore ga Dorei Elf wo Yome ni Shitanda ga, Dou Medereba Ii — Volume 01 — Capítulo 01

Capítulo 01: O primeiro amor é uma doença terrível da qual todos sofrem

Logo ao raiar do dia, um grito estridente ecoou em uma floresta silenciosa.

A densa folhagem das árvores agrupadas se estendia acima como um teto. Era uma floresta onde até mesmo a luz do dia era obstruída. As cidades vizinhas a chamavam de Floresta dos Perdidos. No centro dessa floresta, havia um antigo castelo abandonado coberto de hera, onde, segundo diziam os rumores, residia um feiticeiro, talvez um fantasma ou um demônio.

E dentro dessa floresta sinistra, Zagan caminhava.

Ele era um jovem que completaria dezoito anos este ano. Vestindo um manto preto com forro vermelho, tinha cabelos negros e olhos prateados, traços belos e nobres. Se viesse a se vestir um pouco mais arrumado, poderia até se apresentar como um nobre sem levantar suspeitas.

— Meyers, por favor, pare! Recobre o juízo...

Olhando ao redor, viu uma mulher sendo imobilizada por um homem vestido como um Cavaleiro Angelical.

Ela era bem jovem, talvez ainda na idade de ser chamada de menina. Tinha lindos cabelos ruivos como cobre polido e olhos azuis profundos. Sua pele era branca, quase transparente. Pelas linhas suaves do dorso do nariz, podia sentir nela um certo ar de refinamento, como o de uma nobre. Ainda assim, a impressão que passava de moleca era muito mais forte do que isso.

Porém, até mesmo aquele rosto vivaz agora estava contorcido de medo.

Seria correto supor que se tratava da filha de um nobre e seu acompanhante? Zagan considerou enquanto caminhava em direção a eles em um ritmo tranquilo.

E, nesse meio tempo, a garota resistiu com força e arranhou o rosto do homem.

— Urgh!

No entanto, quem empalideceu não foi o homem. Afinal, o rosto em que as unhas da garota se cravaram... Descascou de leve.

Sua pele se abriu e pedaços de carne misturados com sangue pingaram, gota a gota.

— Eek... — ao ver aquele espetáculo horripilante, a garota gritou.

Não havia rosto algum por trás da pele que fora arrancada. Como as orelhas e o nariz haviam sido raspados, ele perdera as maçãs do rosto, junto com quaisquer outras características distintivas.

Então o homem é um feiticeiro, hein? Zagan sabia que seu rosto era o preço que pagara pela feitiçaria.

Com aquele rosto grotesco projetado diante dos seus olhos de tão de perto, os dentes da pobre garota bateram enquanto tremia.

E enquanto o homem tirava uma faca da cintura, deslizou-a pelo peito da garota como se a estivesse acariciando.

— Ah!

Com um leve tremor, sua camisa foi rasgada e seus seios ficaram expostos. Era fácil imaginar o que aconteceria a seguir.

Encarando a jovem, que não conseguia mais emitir um som de vergonha e terror, o homem riu.

— Haha, você está fazendo uma cara bem provocativa, não é? Desculpe desapontá-la, não vou estuprá-la como está esperando. Uma virgem, sabe, é muito valiosa para um feiticeiro.

— De jeito nenhum vou profanar seu corpo. — ao ouvir suas intenções, a expressão da garota mostrou sinais de alívio por um instante.

Todavia, o que não sabia era que estava prestes a passar por algo muito mais repulsivo do que ser profanada.

— A pele do rosto de uma virgem, que foi arrancada enquanto ainda estava viva, é... Um bom catalisador, sim. Não morra tão rápido, entendeu?

Os pedaços de carne que caíram no chão se refletiram nos olhos da garota.

— N-Não... NÃÃÃÃÃÃÃOOOO!

Vendo a garota gritar, o homem sorriu como se seu humor estivesse jorrando de alegria.

— Além do mais, eu pessoalmente não me canso de arrancar a pele do rosto de uma mulher bonita como você. Relaxe, depois que terminar de arrancar sua pele, vou dar muito carinho ao seu corpo! Hihyahyahya!

E foi exatamente nesse momento que Zagan chegou bem atrás do homem.

Agarrando a cabeça deste como uma águia, ele o ergueu sem qualquer dificuldade com uma só mão.

— H-Hã...?

Ao ter a faca que pressionava contra o rosto da garota retirada, o homem emitiu um estúpido som.

— Q-Quem diabos é você?

Parecia que não entendia a situação em que se encontrava, e Zagan ficou exasperado com a raiva do homem.

— Digo o mesmo para você. Não me importo se está estuprando ou torturando-a, mas ir se meter no jardim de outra pessoa... Justo quando estava para tirar um cochilo, estou bem acordado agora.

Interrompendo seu cochilo... Ao ouvir aquelas palavras, que não demonstravam a menor piedade pela situação da garota, não só o homem, como a própria garota ficaram em choque.

Com o castelo abandonado no centro, toda aquela floresta era o domínio de Zagan. E, ao mesmo tempo, ninguém jamais havia derrotado Zagan naquele lugar.

Precisamente por ser um feiticeiro, o homem ao menos entendia o significado daquilo. Logo em seguida, jogou fora sua faca e ergueu as duas mãos.

— E-Espere! Você é um feiticeiro como eu, não é? Ainda que me mate, não terá nada a ganhar. Se me deixar ir, entregarei os resultados da minha pesquisa! — ele implorava por sua vida. Além disso, era nesse nível que não se importava em abrir mão de todos os seus bens.

Para um feiticeiro, a pesquisa era equivalente ao seu próprio poder. Porque, apenas por adquirir conhecimento, era possível acessar ainda mais feitiçaria.

E apesar disso, Zagan encarou o homem com olhos desconfiados e disse o seguinte, como se estivesse cuspindo em sua face.

— Essa feitiçaria de merda que só funciona arrancando pele fresca? Não preciso.

E, logo em seguida, a cabeça do homem se estilhaçou como uma fruta esmagada.

— Ah, acho que exagerei.

O corpo do homem seguia montado sobre a garota. Como sua cabeça estava esmagada, os pedaços de carne e sangue espirravam sobre ela.

Completamente ensanguentada, a jovem perdeu a consciência. Se acordasse, era provável que carregaria um ou dois traumas emocionais consigo.

E, como era de se esperar, tratar uma garota tão jovem tão mal deixou um sentimento de culpa no peito de Zagan.

— C-Calma. Sou um feiticeiro. Posso restaurar algo desse nível sem problema.

Se todo o sangue tivesse desaparecido, a garota poderia acabar esquecendo tudo como um pesadelo. Enquanto Zagan respirava fundo, como se tentasse acalmar os nervos, ergueu o dedo indicador e começou a girá-lo.

— Anel Impetuoso.

Após pronunciar essas palavras em voz alta, um grande círculo se estendeu no chão. Era um delicado círculo mágico tecido com letras e figuras. E como se o tempo tivesse retrocedendo, todo o sangue e a carne espalhados pelo corpo da garota foram arrancados dela e se acumularam no cadáver do feiticeiro. É claro que aquilo também se aplicava ao sangue coagulado que grudava na mão de Zagan.

Isso era feitiçaria. Um recurso usado desenhando um círculo mágico. E dentro deles, um feiticeiro era capaz de manifestar fenômenos que ignoravam as leis da física como bem entendesse. Ao conceber a sua construção e o processo, a diferença no poder individual se tornava aparente.

Havia também um método para omitir o trabalho de desenhar um círculo mágico, entoando sobre seu significado com um feitiço, embora, em princípio, a mesma coisa era realizada.

Apesar de esse feitiço ser apenas um que movesse a localização de um objeto, a massa de carne que se acumulou no toco onde a cabeça estava faltando logo se desfez em pedaços.

Mas mesmo assim, o corpo da garota e suas roupas rasgadas voltaram a ser como eram antes. Olhando para o rosto da jovem mais uma vez, Zagan soltou um suspiro profundo.

Que beleza, hein? E então, notou que um único pingente pendia de seu pescoço.

— Uma cruz? Wow, ela é da igreja?

Por igreja, se referia aos apóstolos do autoproclamado deus que guardavam rancor contra os feiticeiros, bem como à Ordem da Cavalaria que executava sua justiça.

Originalmente cavaleiro era um título que identificava soldados que se dedicavam de forma leal a um rei, porém eram incapazes de se opor ao poder de um feiticeiro. Contudo, a igreja tinha poderes que podiam se opor aos feiticeiros. Milagres de Deus, segundo diziam.

Aqueles que lutavam contra os feiticeiros não eram os cavaleiros que serviam à realeza, e sim os Cavaleiros Angelicais da igreja. E antes que alguém percebesse, a palavra cavaleiro acabou identificando apenas os membros da igreja.

Em outras palavras, a igreja era a arqui-inimiga dos feiticeiros.

O que eu faço aqui...? Sinto que eles vão pensar que sou o culpado se deixar as coisas como estão...

Por enquanto, Zagan de fato salvou essa garota, no entanto o outro lado poderia ver aquilo apenas como uma briga entre feiticeiros vilões. Além do mais, acabou a encharcando com um banho de sangue.

Mesmo que ela acordasse, era pouco provável que pudesse desfazer o mal-entendido. De qualquer forma, matar a garota que havia salvado o deixaria com um gosto amargo na boca.

— Bem, tanto faz. — depois de se preocupar um pouco, Zagan decidiu só se livrar.

Se a abandonasse na estrada principal que se estendia ao lado da floresta, alguém provavelmente a encontraria. Se por acaso um vilão a encontrasse e a machucasse ainda mais, isso só significaria que teve azar. Ele não tinha obrigação de cuidar dela a esse ponto.

Zagan deu uma leve batida com a sola do pé no chão. E então, outro círculo mágico, diferente do anterior, foi desenhado ao redor do corpo da garota.

Este era um círculo mágico de teletransporte, que se conectava ao exterior do território de Zagan.

Todavia, antes que a garota pudesse ser teletransportada, algo veio do outro lado do círculo mágico.

— Tch?

Os olhos de Zagan se arregalaram.

Meu círculo mágico... Foi tomado? Isto aconteceu dentro do domínio de Zagan.

Em preparação para intrusos, Zagan havia preparado muitos círculos mágicos dentro de seu próprio castelo e nas terras ao redor.

Era uma barreira.

Uma barreira que o informava sobre a localização de intrusos. Uma barreira com o propósito de capturar esses intrusos. Uma barreira que enfraquecia os poderes de todos os feiticeiros, exceto ele próprio. E também, uma barreira que fortalecia seu próprio poder.

Em outras palavras, tudo dentro dela era domínio de Zagan, onde reinava supremo.

Portanto, roubar um círculo mágico dentro dele não era uma façanha que qualquer feiticeiro comum pudesse realizar. Era um intruso de talento extraordinário e, ainda assim, a reação de Zagan foi despreocupada.

— Não use o círculo mágico de alguém como bem entender, Barbatos.

O que apareceu foi um jovem alto e magro.

Parecia ter por volta de seus vinte anos, uns dois ou três anos mais velho que o próprio Zagan e consideravelmente mais alto. Entretanto, havia uma sombra profunda ao redor de seus olhos. Vestindo um manto que se estendia até um capuz ao redor da cabeça, também tinha vários amuletos pendurados no pescoço.

Acrescentando o fato de que rompeu a barreira, Zagan sabia que aquele homem possuía um poder extraordinário.

— E aí, Zagan. Vejo que está com uma aparência bem doentia, como sempre.

— Se estamos falando de aparência doentia, a sua não está igualzinha, Barbatos?


Entre os feiticeiros, este era o único que ousaria invadir o domínio de Zagan sem pudor. E também, era o único amigo indesejável de Zagan.

— Além disso, não use meu círculo mágico como bem entender.

— Se não o fizer, não vou conseguir nem me teletransportar para cá, certo?

O poder de um feiticeiro era, em resumo, círculos mágicos. Este homem havia se apropriado do círculo mágico de Zagan e era capaz de invadir seu domínio. Era algo muito mais difícil do que aparentava.

Mesmo que este domínio fosse vantajoso para Zagan, era duvidoso que conseguisse vencer este homem em um confronto direto. Ele era exatamente esse tipo de feiticeiro.

Barbatos então olhou para a garota inconsciente e o cadáver estendido seu lado, e estreitou os olhos.

— O que houve? Estava no meio de uma festa?

— Tudo o que fiz foi aplicar uma leve punição ao vilão que estava se divertindo no meu jardim.

— Hehehe, como se estivesse em posição pra julgar alguém.

Feiticeiros eram vilões sem exceção. Tudo o que lhes interessava era acumular seu próprio poder, e davam pouco valor à vida dos outros ou a qualquer fortuna. Se achassem necessário, também não sentiriam culpa em roubar.

Embora o motivo pelo qual Zagan salvou a garota agora não foi por causa de sua virtude, e sim apenas porque não tinha interesse no que estava acontecendo.

Barbatos continuou a encarar a garota.

— Hmm, essa garota... Ela possui bastante mana, não é? Vai usá-la como sacrifício ou algo do tipo?

— Não é do meu agrado usar feitiçaria que exige sacrifícios. — dizendo isso, Zagan bateu a sola do pé no chão mais uma vez.

Uma luz fraca envolveu o corpo da garota, e esta desapareceu. Desta vez, deveria ter sido levada para fora do domínio de Zagan.

— Que desperdício. Você deveria tê-la me dado se não a queria.

— Não vá sequestrar pessoas no meu domínio. Serei tratado como o culpado.

— Hehehe, soa bem pra mim. Acho que farei justo isso da próxima vez.

— Se ousar fazê-lo, vou reduzir sua base a escombros, entendeu?

Esse homem era sem dúvida capaz de fazer o que havia dito, e Zagan o encarou com um brilho perigoso nos olhos.

Mas, mesmo isso durou apenas alguns segundos, e Zagan soltou um bocejo sonolento.

— Ei, o que houve? Você parece muito sonolento.

— Passei a noite toda absorto lendo livros sobre feitiçaria. Vou dormir. Se precisar de alguma coisa, volte mais tarde.

— Caramba, não precisa se preocupar com sonolência se só mexer um pouco com a adrenalina no cérebro, certo? Eu me dei ao trabalho de sair do meu caminho para te visitar, então não seja tão frio.

— É justamente por fazer esse tipo de coisa que sua aparência tem esse aspecto doentio.

Feiticeiros eram aqueles que dedicavam suas vidas inteiras à pesquisa da feitiçaria e almejavam superar a humanidade.

Eles viviam para pesquisar feitiçaria. Era por essa razão que os feiticeiros começavam estudando à fundo como manipular sua própria carne e sangue. Isto não era tão simples como aumentar sua força física. A essência da feitiçaria era manipular o interior do próprio corpo em nível celular. Por essa razão, os feiticeiros estavam muito avançados em questões como doenças e expectativa de vida.

Após atingir esse estágio, alguém por fim poderia se autodenominar feiticeiro.

Porém, se não tivessem água ou alimento, ainda poderiam morrer de fome. Eles conseguiam enganar a necessidade de dormir, contudo não conseguiam se livrar dela por completo. E assim, o resultado dessa feitiçaria foram as feições que Barbatos possuía.

Foi por esse motivo que Zagan não se envolvia muito com esse tipo de feitiçaria.

Barbatos soltou uma risada como se achasse a ideia estranha.

— Não seja assim. Vim com uma história interessante para te contar.

Apesar de manter uma postura maliciosa, Barbatos passou o braço em volta de Zagan de forma amigável.

— Uma história interessante?

Enquanto se afastava do braço do seu amigo irritante, Zagan perguntou em resposta.

Um sorriso então surgiu no rosto magro de Barbatos.

— Com certeza. Imagino que já saiba que um dos Arquidemônios, Marchosias, morreu recentemente, não é?

Ao ouvir esse nome, os olhos de Zagan se arregalaram.

O termo Arquidemônio não se referia ao rei dos monstros como algo saído de um conto de fadas. Na verdade, era um nome dado aos mestres da feitiçaria que ocupavam o ápice de sua hierarquia.

Junto com esse título, eles possuíam uma quantidade imensa de mana e eram capazes de subjugar feiticeiros de nível inferior como seus servos. Isto por si só era o ápice de todo o poder e autoridade que os feiticeiros desejavam.

Originalmente, havia treze “Arquidemônios”, porém um deles, com mais de mil anos, enfim deu seu último suspiro. Ainda que usassem feitiçaria para prolongar suas vidas, parecia que mil anos era o limite absoluto.

Quando se tratava de notícias sobre esses Arquidemônios, nem mesmo Zagan conseguia ignorá-las.

— Oh? O que acha? Sua cara parece a de quem quer saber mais, sabia? Não, espera aí. Você disse que queria dormir, certo? Hmm, embora seja uma pena, eu não quero incorrer na sua ira, sabe.

— Pare de bancar o esperto e me conte logo.

— Cara, você continua sendo o mesmo babaca antissocial de sempre.

Depois de soltar um suspiro desconcertado, Barbatos continuou falando.

— Existe uma cidade chamada Kianoides, certo? Ficava dentro do domínio de Marchosias, e vai ter um leilão enorme lá. Tudo, desde mercadorias legítimas até coisas ilegais, está sendo vendido lá.

— Não está querendo dizer... — o som de Zagan engolindo em seco ecoou.

— Exato! Tenho certeza de que vai aparecer. O legado do Arquidemônio, quero dizer.

Parece muito suspeito, foi o primeiro pensamento que veio à mente de Zagan.

Contudo, o Arquidemônio Marchosias tinha mais de mil anos. Mesmo que Barbatos o tenha chamado abertamente de seu legado, é provável que não se limitasse a apenas uma ou duas coisas simples. Por esse motivo, o fato de um deles ter vazado para um leilão não parecia algo fora de cogitação.

Barbatos então cutucou Zagan com o cotovelo.

— Então olha, você deveria vir também. Se quiser, posso te deixar escolher uma ou duas mulheres. Aliás, como posso dizer... Já que estamos tocando no assunto, me ajudaria se pudesse me dar uma ajudinha, entendeu?

Dizendo isso, Barbatos imitou o formato de uma moeda com dois dedos.

Em outras palavras, parecia que não tinha dinheiro para participar do leilão.

E embora tenha soltado um suspiro, Zagan não o rejeitou.

— Se for esse o caso, vou ficar com a legado dele, sabe?

— Ei, sério? Fui eu que te contei sobre.

— Se não gostar, tente outra pessoa.

— Não tem como haver outro feiticeiro por aí que me empreste o ouro, né?

Enquanto Barbatos se agarrava a ele, à beira das lágrimas, Zagan acabou o seguindo até o leilão.

Contudo, um pensamento passou pela cabeça de Zagan.

Mulheres... Hein.

Zagan também era um homem. Não era como se não tivesse interesse no corpo feminino.

Na verdade, a garota que acabara de ver o atingiu em cheio.

No entanto, em vez de sentir o charme da cena de cativar uma mulher normalmente, a impressão de que seria muito trabalhoso era muito mais forte.

Havia também a possibilidade de tratá-las como uma ferramenta. Mas, nesse caso, imaginou que seria melhor usar um aparato de feitiçaria que cumprisse a função para a qual foi designado sem precisar abrir a boca.

Não era como se não desejasse ser amado, porém pensar em como teria que fazer a outra pessoa se sentir assim também era só trabalhoso demais.

Em vez dos encantos do corpo, todos os possíveis deméritos produzidos pela satisfação desse desejo passaram pela sua mente. Era por essa razão que Zagan não sabia nada sobre mulheres até hoje.

Mais importante ainda, se os humanos não forem fortes o suficiente, eles também morrerão em algum momento.

Não importava o que fizessem a um humano fraco, este não podia reclamar.

Se quisesse se proteger, precisava se tornar forte.

Foi por isso que... Zagan se tornou um feiticeiro por pura força de vontade aos dezoito anos.

Bom, mesmo que um feiticeiro tão distante se mostrasse arrogante, seus pensamentos sobre o assunto só se mantiveram verdadeiros até este ponto.



***



Kianoides é uma cidade de canais.

Com ramificações que se estendiam em todas as quatro direções do continente, era uma cidade que devia sua prosperidade à distribuição de mercadorias por meio de barcos que navegavam pelos canais. Não apenas mercadorias, como também diversas raças se reuniam neste lugar.

Além dos humanos, havia os teriantropos, que possuíam presas e pelagem como a de feras. Os aviários, que possuíam asas nas costas. E os anões, que, apesar de parecerem baixos e grosseiros, se orgulhavam de seus ornamentos ricamente detalhados.

Com cada uma dessas raças ostentando seu próprio brasão em seus navios à vela, nem mesmo o vento que soprava no canal conseguia apagar o cheiro da terra em meio à agitação. Naquele país, era uma das cidades mais vistosas. Dizia-se até que, em um único dia, mais de um milhão de pessoas chegavam e partiam.

E naquela mesma cidade, havia uma fila de várias pessoas usando coleiras com correntes presas ao pescoço.

Escravos.

Havia humanos, assim como pessoas de outras raças. Quem os liderava também não era necessariamente humano. Havia um anão batendo em um homem humano grande com uma bengala, e havia também uma bela mulher aviária ao seu lado. Havia até um teriantropo bebendo leite de um prato deixado no chão como um cachorro.

Uma parte deles sem dúvida seria vendida no leilão como mercadoria, por assim dizer.

A diferença entre os que eram escravos e os que não eram residia apenas na diferença de riqueza e poder, ou se tinham boa ou má sorte.

Como Zagan não queria acabar em tal estado, buscou poder desesperadamente. Foi por esse motivo que sentimentos de compaixão não o alcançavam.

Por fim, Zagan murmurou algo estranho para si mesmo.

— Sinto... Um formigamento estranho no ar.

Era a atmosfera da cidade.

Não era a primeira vez que vinha a Kianoides, mas Cavaleiros Angelicais da igreja patrulhavam por ali. Também parecia que as pessoas da cidade estavam com medo de algo, e o ar parecia estar carregado de algum tipo de indignação, como se residisse ali alguma presença que estivesse fora de lugar.

Barbatos gargalhou, como se achasse agradável ouvir suas palavras.

— Pelo visto alguns idiotas por aí andaram reunindo apenas mulheres jovens para usar em experimentos, sabe?

— Como sacrifícios? Estão pisando em ovos, hein?

Se alguém usasse um sacrifício, seria possível manipular feitiçaria que não se ativaria com o próprio poder. Como catalisadores para feitiçaria, eram bastante comuns.

No entanto, conseguir sacrifícios assim exigia comprar escravos ou sequestrar garotas órfãs cujas identidades eram desconhecidas. No mínimo, era preciso encobrir os rastros.

Zagan não conseguia entender o sentido de se dar ao trabalho de sequestrar garotas comuns, enquanto enfrentavam o perigo de chamar a atenção da igreja. Era como se estivessem provocando a própria igreja.

Barbatos deu de ombros.

— Quem sabe? Quando começa a se restringir ao dia em que elas nasceram, às vezes coisas como sequestrar mulheres acontecem, não é?

— Eles planejam invocar um demônio ou algo assim?

“Demônio” era o termo que definia um monstro alado e com chifres que aparecia em contos. Não havia certeza se tal ser poderia de fato existir, todavia havia indícios de que “algo” digno de deuses e demônios existia neste mundo.

Se tal criatura fosse invocada, um ritual como aquele de que Barbatos falava seria necessário. Entretanto, Zagan acreditava que não passava de um sonho delirante.

Enquanto fazia uma expressão de exasperação, Barbatos soltou uma risada agradável.

— Isso me lembra, Zagan, parece que você é um dos suspeitos, sabia?

— Que tolice. Feitiçaria que exige um sacrifício é inútil em momentos de urgência, não é?

— Hehehe, sem dúvida. Aliás, não há nenhum companheiro esquisito que toparia acompanhá-lo.

Ao ouvir aquilo, Zagan involuntariamente deixou os ombros caírem.

Bem, não é como se eu precisasse de companheiros.

Já estava acostumado à solidão. Estava habituado a ela. E apesar de estarem falando dessas coisas, o objetivo desses feiticeiros não era fazer turismo.

Barbatos guiou Zagan até um lugar abaixo da cidade. Esse local subterrâneo era uma ruína antiga, provavelmente uma arena ou algo semelhante, que havia sido abandonada, e com uma parte dela reparada, era um lugar onde se negociavam mercadorias que não podiam ser vendidas na superfície.

O local do leilão ficava em uma parte da própria arena. Usando a estrutura circular como palco, os assentos dos convidados estavam dispostos ao redor. Parecia que o leilão já havia começado, e o som de várias vozes gritando números já ecoava.

O único lugar iluminado era o palco, e sequer haviam velas acesas entre os assentos dos convidados. Isto não era um ato hostil, e sim uma medida de consideração para que os convidados não pudessem ver os rostos uns dos outros.

Bem, não que tivesse muita importância para um feiticeiro.

Assim que eles garantiram seus lugares, Barbatos soltou um assobio.

— Ei, dá uma olhada, Zagan. O “Lâmina Negra” Kimaris, e ali está a “Feiticeira” Gremory. Além disso, temos até o “Aparição” Valefor bem ali. Com as luzes ainda apagadas, era natural que qualquer um que se intitulasse feiticeiro usasse pelo menos magia para que seus olhos funcionassem na escuridão.

Enquanto Zagan olhava nas direções que Barbatos apontava, avistou várias sombras envoltas em uma atmosfera extraordinária.

Zagan não os conhecia, mas todos eram feiticeiros bastante conhecidos. Humanos eram a raça mais comum, porém entre os presentes havia aqueles de outras raças. O Lâmina Negra, Kimaris, era um teriantropo com uma juba imponente. O Aparição, Valefor, escondia todo o seu corpo com um manto, capuz e máscara, então sua raça era desconhecida.

Lâmina Negra e outros prefácios semelhantes eram os segundos nomes dos feiticeiros. Poderia até ser considerado seus títulos. Era algo concedido a um feiticeiro com um certo nível de poder.

O mais famoso era provavelmente o segundo nome do Arquidemônio Marchosias, que era “O Mais Velho”. Até mesmo Barbatos era conhecido pelo nome “Purgatório”.

Zagan também era um feiticeiro bastante conhecido, contudo ainda não havia recebido um segundo nome.

Em parte se devia ao fato de ser jovem, com dezoito anos, no entanto o principal motivo era que aquele que supervisionava todos na área, o Arquidemônio Marchosias, havia falecido. Era papel do Arquidemônio conceder um segundo nome, embora havia perecido antes de conceder um a Zagan.

Em resumo, um segundo nome era a prova do poder de alguém.

Embora fossem estranhos, Zagan estava um pouco interessado nos feiticeiros que possuíam um segundo nome.

— Eles são fortes?

— Muito. Assim como nós dois, todos eles são nomes que surgem como candidatos a serem o próximo Arquidemônio.

Atualmente, devido à morte de Marchosias, havia apenas uma vaga em aberto entre os Arquidemônios.

Havia uma conferência entre os Arquidemônios restantes sobre como preencher essa vaga, entretanto o mais provável seria um dos feiticeiros recomendados que possuíam poder.

— Cara, se até esse pessoal apareceu, quer dizer que a conversa sobre o legado é séria, né?

— Espero que sim. Se não fosse o caso, não havia motivo para sacrificar o meu sono.

E mesmo enquanto tudo isso acontecia, o leilão prosseguia.

— A todos vocês que se reuniram aqui hoje. O próximo item é o último do dia, e também o nosso mais valioso!

Ouvindo a voz do anfitrião, Barbatos se inclinou para a frente, animado.

— Bem, parece que está na hora, Zagan.

— É.

Ele seguia sem saber ao certo se havia de fato algo como o legado de um Arquidemônio ali, todavia aquele era o momento em que a peça principal tomava o centro do palco.

E o que enfim surgiu no palco... Foi uma pessoa de baixa estatura com um capuz cobrindo a cabeça. Um manto se estendia até os pés, de modo que nem mesmo sua raça era conhecida. Não era tão pequena quanto um anão, mas se fosse de qualquer outra raça, teria o tamanho de uma criança.

Agora, quanto ao legado em questão, será que a pessoa encapuzada o estava segurando? Enquanto todos os presentes no local concentravam sua atenção naquela figura, o anfitrião começou a explicar.

— O que temos aqui é uma mercadoria que originalmente seria entregue ao Arquidemônio Marchosias. Porém, antes de chegar, Marchosias pereceu, e então a mercadoria não entregue em questão foi enviada para nós, dadas as circunstâncias.

Ao ouvir essas palavras, Barbatos fez uma careta.

— Então não é o legado?

— Imagino que seja um de seus catalisadores.

A prática da feitiçaria envolvia mais do que apenas desenhar um círculo mágico ou recitar um feitiço. Na verdade, em diversas ocasiões, também se utilizavam ferramentas. Desde a tinta usada para desenhar o círculo mágico, até os ornamentos usados ​​pelo feiticeiro, ou mesmo o uso de sacrifícios para fortalecer o poder da feitiçaria.

Essas ferramentas eram chamadas de catalisadores, contudo a qualidade variável delas demonstrava uma diferença de poder.

Foi uma pena que não fosse o legado, no entanto o interesse de Zagan foi despertado pelo fato de ser um catalisador escolhido pelo próprio “Arquidemônio”.

Pouco depois, o manto foi removido da figura à sua frente. E o que foi revelado... Foi uma linda garota com orelhas pontudas e compridas.

Ele soube num único olhar. Ela era da lendária raça que vivia em Norden, uma terra onde ninguém jamais poderia pisar. Sim, uma elfa.

Ela tinha cabelos brancos como a neve que chegavam até a cintura, adornados por uma fita carmesim profunda. Tinha um rosto pequeno e grandes olhos azuis que pareciam o céu de verão, e seus lábios eram de um rosa pálido moderado. Um vestido branco envolvia seus membros delicados, e tinha uma aparência que fazia lembrar a filha de um nobre.

Todavia, tinha grilhões nas mãos e nos pés, e uma coleira que selava mana em volta do seu pescoço. Olhando nos olhos daquela garota, Zagan sentiu seu coração estremecer. Sentiu a sensação de algo percorrendo seu corpo da ponta dos pés até o topo da cabeça. Olhos escuros... E vazios.


Eram olhos que não refletiam nada, não pensavam em nada. Eram os olhos de alguém que havia desistido de tudo no futuro.

E, ainda assim, por algum motivo, Zagan não conseguia desviar o olhar.

— Esta é uma integrante da raça lendária, uma elfa capturada em Norden! E não é tudo, como podem ver, ela tem cabelos brancos como a neve. Não foram tingidos. Esta é uma elfa com cabelos brancos naturais!

Mais do que pessoas, dizia-se que os elfos eram mais próximos de uma espécie de deus ou espírito.

E, independentemente da espécie, indivíduos com cabelos brancos eram espécimes renegados, muitos dos quais possuíam quantidades extraordinárias de mana.

Usar uma elfa de cabelos brancos como sacrifício tornaria verdadeiramente possível alcançar um poder digno de um “Arquidemônio”.

Enquanto o anfitrião circulava a elfa, acariciou seus cabelos com fluidez usando o dedo.

— Não só isso, até mesmo como mulher, é uma visão e tanto, então, além de ser usada como sacrifício para feitiçaria, tem um valor extremamente alto como animal de estimação. Se vocês a provocarem ou a mastigarem, tudo fica aos seus critérios, meus caros clientes! — o anfitrião então fez uma declaração em voz alta. — Sem mais delongas, o leilão começará em dez mil...

— Um milhão.

Quando se deu conta, Zagan já havia feito essa proclamação.

Que ardor violento é esse no meu peito?

Adorável... Será que era apropriado usar essa expressão?

Ele queria salvar a elfa que estava ali. Queria vê-la sorrir. E então, queria tocar sua pele.

Impulsos que Zagan nunca havia sentido antes estavam se agitando em seu coração.

O local foi tomado pelo silêncio. Então, com um rangido, Barbatos estremeceu ao olhar para Zagan.

— Q-Que diabos, Zagan...?

— São um milhão de moedas de ouro de Curiothes.

Essa era toda a fortuna de Zagan.

Em algum momento, o anfitrião perplexo se recuperou do choque e elevou a voz enquanto enxugava o suor da testa com um lenço.

— Muito obrigado! É uma quantia magnífica! Um milhão! Há alguém que deseje continuar? Alguém mais?

Como os feiticeiros se dedicavam inteiramente à pesquisa da feitiçaria, tinham uma forte tendência a acumular riquezas.

Entretanto, não importava o quanto acumulassem, um milhão não era uma quantia que surgia com frequência. Se chegasse a possuir essa quantia, havia alguns que a possuíam, mas se a gastassem, não poderiam continuar suas pesquisas. Era um valor considerável.

— Olha, Zagan, o que está pensando? Mesmo que seja por uma elfa, gastar tanto dinheiro é um pouco...

— Há algo que sempre quis, porém nunca soube o que era. E finalmente sinto que encontrei.

Sem saber como explicar aquela sensação, Zagan murmurava como se estivesse delirando.

Contudo, olhando para seus olhos que reluziam com uma chama ardente de lado, parecia alguém maligno. Embora fosse de se esperar, já que estava sendo movido por seu desejo.

E como se estivesse assustado com tal cena, Barbatos arregalou os olhos.

— Você... Que tipo de feitiçaria pretende usar...? — Barbatos pareceu não entender.

No entanto, Zagan esclareceu a situação balançando a cabeça.

— Não é isso. Talvez eu a tenha comprado por algo além de feitiçaria. Não consigo descrever com exatidão, entretanto é algo desse tipo.

— Está dizendo que vai dominar um poder em um nível diferente da feitiçaria...?

Parecia que a maneira como Zagan explicou estava um pouco errada, e Barbatos começou a tremer de medo.

Percebendo que, se continuasse falando, as ideias equivocadas de Barbatos só aumentariam, Zagan sorriu como se dissesse que havia um significado diferente, entretanto até esse simples gesto pareceu assustar Barbatos até o âmago. Era como o sorriso do diabo.

Com um baque, Barbatos caiu no chão. Foi como se sua coluna tivesse sido arrancada.

Será que entendeu tudo errado de novo? Enquanto a explicação para seu amigo indesejável ia se dissipando, por fim, o som do martelo de madeira anunciando o lance vencedor ecoou pelo local.

— Parabéns! O lance vencedor pela elfa de cabelos brancos vai para o feiticeiro, Zagan!

Zagan não se lembrava de ter se apresentado, mas o anfitrião adivinhou seu nome ao ver seu rosto. Aquilo só demonstrava o quão conhecido era nesses círculos, apesar de que nada disso importava.

Ao se levantar de seu assento, Zagan deixou para trás Barbatos, que havia afundado até o chão, e invocou magia de voo.

Saltando sobre as arquibancadas, pousou suavemente no palco.

Zagan parou diante da garota, porém ela continuava olhando para baixo, sem levantar o rosto.

O que eu faço? Como devo chamá-la? Não havia problema em saltar tão vigorosamente, contudo não havia pensado nem um pouco no que fazer em seguida.

E, enquanto estava tomado pela perplexidade, o anfitrião começou a falar em um tom persuasivo.

— Por favor, entregue o pagamento. É uma elfa sortuda por ter o lance vencedor dado pelo renomado feiticeiro Zagan, não é? Aliás, o vestido e a coleira de selamento de mana são brindes. Se remover a coleira, há o risco de que fuja, então, por favor, tenha cuidado.

— Sim.

Zagan não estava prestando atenção ao que o anfitrião tinha a dizer, apenas deu uma resposta evasiva e concordante.

Será que ela ao menos vai olhar para mim? Não, acho que está com medo, afinal. Ou melhor, ela não passou por nenhuma experiência amarga ou algo do tipo, certo? Já que era uma garota tão bonita, havia muitas experiências repulsivas pelas quais poderia ter sido submetida no passado. Havia também o caso da garota da manhã, o que levou os pensamentos de Zagan a lugares bastante horríveis.

Cheio de ansiedade, Zagan estendeu a mão até o queixo da garota.

Sua pele era macia como seda. Zagan agora entendia a preocupação de não poder causar uma ferida apenas tocando-a.

Mesmo assim, tentou tocá-la o mais delicadamente possível e inclinou o rosto da garota um pouco para cima.

Aqueles olhos fundos fitaram Zagan.

Um suspiro involuntário escapou dos lábios de Zagan. Como esperado, era uma garota adorável.

Contudo, ela parecia estar distraída. Era suspeito se sequer conseguia ver Zagan. Não, antes disso, não conseguia sentir nada parecido com vontade própria nela.

Será que está bem? Não estará sendo manipulada ou algo assim, certo? Feitiçaria que roubava a vontade de alguém não era tão estranha.

E enquanto Zagan empalidecia, o anfitrião falou em uma voz nervosa.

— Mestre Zagan? Há algo... Que desagradou ao senhor?

— Bem, ela tem vontade própria?

O que escapou de sua garganta trêmula, em vez de uma voz ansiosa, foi um tom de mau humor. Chegou ao ponto de se perguntar o que o havia irritado tanto.

No entanto, o anfitrião assentiu como se tivesse compreendido.

— Por favor, fique tranquilo. Esta elfa estava dócil ao ser capturada e foi mantida sob custódia em seu estado natural. Em primeiro lugar, o mana do espécime é tremendamente alto, e qualquer feitiçaria comum seria inútil. Sendo esse o caso, eu mesmo posso garantir sua frescura.

No caso de usá-la como sacrifício, se fosse submetida a lavagem cerebral por meio de feitiçaria, isto causaria uma impureza no ritual e diminuiria sua potência. O anfitrião deve ter pensado que esse era o ponto que preocupava Zagan.

Entretanto, olhando para a elfa, que estava vestida de forma extravagante como uma dama nobre, não parecia ter nenhum ferimento. Ainda que estivesse sendo tratada como escrava, a administração por trás do leilão não seria tola o suficiente para deixar um ferimento em uma “mercadoria” tão valiosa. Parecia que não havia problema em confiar na palavra deles.

Zagan finalmente soltou um suspiro de alívio.

— Confiarei em você. Ficaria preocupado se ela não conseguisse ao menos piar com uma voz agradável.

Por ora, tentou falar de uma forma que deixasse suas intenções claras... Todavia soou um tanto pretensioso e, francamente, perigoso.

O anfitrião então recuou, empalidecendo.

Ele também sentiu a elfa se contorcer, tremendo de medo.

Ah, bom. Parece que pelo menos consegue me ouvir.

Encontrando paz de espírito nesse fato, Zagan não conseguia entender o quão enganosas eram as coisas que havia dito.

Este era o primeiro amor do homem que, poucas horas antes, pensou...

“Mulheres são cansativas.”


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