Primeira Temporada — Capítulo 15: A Caverna do John Perdido
Rusty Quill apresenta “Os Arquivos Magnus”
Episódio Quinze: A Caverna do John Perdido
JONATHAN SIMS
Depoimento de Laura Popham, referente à sua experiência explorando o Sistema de Cavernas dos Três Condados com sua irmã, Alena Sanderson. Depoimento original prestado em 9 de novembro de 2014. Gravação de áudio por Jonathan Sims, Arquivista-Chefe do Instituto Magnus, Londres.
Início do depoimento.
JONATHAN SIMS (Depoimento)
Espeleologia sempre foi um dos meus passatempos. Meu principal passatempo, na verdade... Todo o equipamento pode ficar bem caro depois de um tempo e não ganho o suficiente para ter mais de uma atividade cara como essa na minha vida. Alena, minha irmã, veio comigo em uma viagem alguns anos atrás. Ela tinha perdido o emprego e a casa em rápida sucessão e estava ficando comigo. Achei que isso a animaria. E animou, e temos continuado desde então. Ideia estúpida, na verdade. Gostaria de tê-la deixado chorando no sofá. Pelo menos assim ainda estaria viva.
Nós não tínhamos dinheiro para explorar cavernas com muita frequência, então eu passava muito tempo lendo, planejando e apenas olhando coisas online. Em média, visitávamos uma caverna por ano. Alena nunca se interessou tanto quanto eu. Não me interpretem mal, não é que fosse claustrofóbica e não a estava forçando a me seguir na escuridão sob ameaça de uma briga familiar, mas seu maior interesse era em escalar, e sempre acabei indo um pouco mais fundo do que ela queria. Acho que, para ser honesta, ela teria preferido se exercitar ao ar livre ou, na falta disso, em uma academia acima do solo. Talvez devêssemos ter tentado penhascos ou uma parede de escalada, porém espeleologia era a nossa praia. A ajudou quando estava em uma fase ruim, e ela sabia o quanto eu adorava. Ela também não gostava muito dos arranhões e hematomas que sempre se ganha em expedições. Costumava brincar que parecia que a própria terra estava tentando lhe dar uma surra. Se ao menos soubesse. Nós nos divertimos, no entanto, e sempre foi sua escolha vir junto. Nunca a forcei a estar lá. Nunca o fiz.
Já tínhamos explorado um pouco do Sistema de Cavernas dos Três Condados antes, uma viagem curta de apenas algumas horas pelas cavernas da Gruta do Rift. O sistema todo é enorme, afinal, não é à toa que se chama Sistema dos Três Condados. Havia muito mais para explorar e nos divertimos tanto da primeira vez que queria tentar de um ângulo diferente. Íamos entrar pelo Buraco da Cabeça da Morte, depois atravessar a Caverna do John Perdido até chegar à Gruta do Martelo, antes de voltarmos. A ideia me animou, pois para viajar entre a Caverna do John Perdido e o sistema da Gruta do Martelo, teríamos que mergulhar em cavernas. Nunca tinha mergulhado em cavernas antes, e nem a Alena, embora tenha me dito que a ideia a assustava menos do que algumas das passagens apertadas que tivemos que passar para chegar lá.
Fizemos todos os preparativos, conseguimos as nossas autorizações com o CNCC e pedi ao meu marido, Alistair, que anotasse todos os detalhes caso algo desse errado. Nunca se vai explorar cavernas a menos que alguém saiba para onde se está indo e qual é o plano. Também pesquisei o máximo possível sobre a nossa rota, pois não tinha intenção de me desviar das cavernas bem exploradas e mapeadas. Para ser honesta, nunca fui muito de desbravar cavernas e estava feliz em seguir as rotas principais. Não, o que amava na exploração de cavernas era a sensação de estar no fundo da terra; as paredes frias e sólidas se fechando ao meu redor. Sempre me dava a sensação de que elas estavam me protegendo, embora não pareça mais assim.
Foi no sábado, 14 de junho, que fomos. Tirei a sexta-feira anterior de folga do trabalho para me preparar e planejava passar o domingo cuidando dos hematomas. Nós duas dirigimos até Lancashire, em direção ao Buraco da Cabeça da Morte. Moro em Manchester, então não foi uma viagem muito longa. Estacionamos em Leck Fell, o mais perto possível de onde era permitido estacionar legalmente. Fiquei surpresa ao ver que éramos as únicas lá quando chegamos. Era um dia ensolarado no final da primavera e a previsão era de tempo bom por dias, sem chance de chuva tornar as cavernas muito perigosas. Era um dia perfeito para espeleologia, entretanto parecia que éramos as únicas aproveitando.
O Buraco da Cabeça da Morte não é nem de longe tão impressionante ou intimidador quanto o nome sugere. Se você não souber o que está procurando, pode acabar não o encontrando. Quando fomos, grande parte dele estava coberta por plantas silvestres e samambaias. Era pouco maior do que nós, e me lembro que na hora a frase “um encaixe perfeito” me veio à mente de forma espontânea. Ainda assim, as âncoras de resina estavam em boas condições e prendemos e descemos nossas cordas sem incidentes, apesar de algumas torções inesperadas no buraco. Era um dia claro; era quase meio-dia quando descemos, então a luz penetrava muito mais longe do que estava esperando. Demorou um pouco até que precisássemos ligar as lanternas do capacete, todavia enfim o fizemos. Quando chegamos ao fundo, não havia mais nenhum vestígio daquele sol e a escuridão silenciosa da caverna nos engoliu. Sob nossos pés, as águas suaves do riacho subterrâneo corriam seu curso, como faziam há milhares de anos, intocadas pelo passo áspero da humanidade, e nós as seguimos. Foi uma descida muito mais suave do que a da subida, mas estava muito escorregadia, e fiquei feliz por ter investido em uma capa impermeável para mapas, embora tenha dificultado um pouco a leitura às vezes.
Alena se afastou para me deixar fazer meu ritual. Havia algo que sempre fazia quando entrava em uma caverna pela primeira vez: desligar todas as luzes e colocar as duas mãos nas paredes frias e terrosas. Lembro de uma vez, quando criança, em uma excursão escolar à Caverna Cicatriz Branca, em Yorkshire. Era uma caverna adorável, segura, acessível e absolutamente linda, o que suponho ser o motivo de ser popular para esse tipo de passeio. Depois de alguns minutos lá embaixo, a guia nos levou mais fundo e nos pediu para ficarmos em silêncio absoluto. Ela apagou as luzes para nos mostrar, crianças, o que é a verdadeira escuridão. Nunca tinha visto nada igual. Era um preto tão puro, tão envolvente, e no calor do subterrâneo, me vi tomada por uma alegria que jamais esqueci. Mesmo em meio a uma turma de trinta crianças, senti que a única presença que importava era a da caverna. Desde então, sempre reservo um momento em minhas expedições espeleológicas para fazer o mesmo e sentir outra vez aquela escuridão total, sem nenhum som além do rio que corre suavemente e da minha própria respiração. Acho que não é uma prática incomum, na verdade, porém como era raro ir explorar cavernas com alguém além da Alena e, embora me acompanhasse, não acho que ela tirasse algum proveito disso.
Acendemos as luzes de volta e começamos a nos aprofundar na caverna. Tinha um mapa comigo, que começamos a seguir o mais fielmente possível. Sou bastante experiente nessas coisas, contudo até eu às vezes acho difícil combinar as linhas e ângulos irregulares das passagens subterrâneas com as formas muitas vezes abstratas escritas no mapa. Havia várias junções que eram significativamente menores do que o mapa parecia mostrar, e o ponto de entrada na Caverna do John Perdido era o que chamaríamos de aperto. Não estava no mapa, no entanto parecia ser a única maneira de passar.
Agora, a maioria das passagens pelas quais você se enfia ao explorar cavernas são muito menores do que normalmente seria confortável para as pessoas se moverem. Afinal, foram erodidas por pequenos riachos e eventos tectônicos menores, então acomodar humanos nunca foi uma de suas prioridades. Todavia um aperto é algo diferente. Um aperto pode ser um buraco com menos de 30 centímetros de largura, às vezes se estendendo por um longo caminho, a rocha pressionando você de todos os lados e seu capacete batendo sempre que tenta virar a cabeça. Em trechos mais apertados, há partes onde as paredes e o teto estão tão próximos que não se consegue mover os braços nem dobrar as pernas para se impulsionar para a frente, e apenas pode se contorcer para o outro lado como uma minhoca. Este era um trecho particularmente estreito. Perto do final, ficou tão ruim que, se Alena não tivesse entrado primeiro, teria dito a ela para voltar e esquecer a Caverna do John Perdido.
Na metade do caminho, percebi que era muito mais apertado do que havia imaginado. Gritei para frente, para ter certeza de que Alena tinha conseguido sair bem. Ela respondeu, disse que tinha sido difícil, mas que estava bem. Queria respondê-la, entretanto naquele momento a rocha estava tão perto de mim que me impedia de fazer qualquer coisa além de prender a respiração e me forçar a seguir em frente. Uma mão me agarrou com firmeza pelo ombro e me puxou para fora. Assim, num piscar de olhos, me encontrei fora do trecho. Alena me deu um sorriso irônico, como se comentasse o fato de que tinha conseguido passar sem ajuda e eu, a verdadeira aficionada por cavernas, precisei de uma mãozinha. Queria responder com algum comentário sarcástico sobre ela ser mais magra, porém quando consegui controlar minha respiração, a raiva havia diminuído e consegui esboçar um pequeno sorriso.
Atravessamos a caverna até chegarmos à Catedral. É uma caverna grande e arqueada de tirar o fôlego, embora seja preciso descer algumas quedas íngremes para acessá-la, uma delas com cerca de 12 metros. Tínhamos experiência e equipamento suficientes para lidar com aquilo com relativa facilidade e logo estávamos sob a Catedral, no que é chamado, de forma criativa, de Cripta. Paramos ali para descansar e comer algo, e Alena me contou uma história interessante sobre a Caverna do John Perdido. Enquanto estive preocupada em encontrar mapas e o máximo de informações possível sobre como atravessá-la, ela me disse que estava pesquisando a história do lugar.
Contou que todos esquecem de colocar os “s” ao falar da Caverna do John Perdido, pois, segundo a história, foram dois homens, ambos chamados John, que foram os primeiros a explorar as profundezas da caverna. Contudo ambos foram longe demais e as velas se apagaram. Perderam-se juntos no labirinto de túneis e nunca mais saíram. Alena disse que achou aquilo até meio fofo, de um jeito estranho, e brincou dizendo que, se um dia ficasse presa no subsolo, gostaria que fosse comigo. Sorri e concordei com a cabeça, embora, secretamente, a ideia me apavorasse. Não era a ideia de ser sepultada lá embaixo... Na época, não me pareceu um destino tão terrível, e sim a ideia de ter que passar meus últimos dias com Alena que era demais. Desculpe, é horrível dizer isso sobre os mortos. Eu amava minha irmã e adorava passar tempo juntas, no entanto se perder debaixo da terra é algo tão profundamente íntimo. Talvez tivesse percebido isso no fim.
Após nossa breve parada, descemos pelo Domo. Era lindo, e essa era a parte que mais temia, pois todos os espeleólogos experientes com quem conversei disseram que essa era a descida mais difícil. Foi fácil. Muito fácil, na verdade, e na hora me lembro de ter uma sensação estranha, como se estivesse sendo engolida. Por fim, atravessamos a caverna de xisto e chegamos à caverna principal. Enquanto estávamos lá, senti expectativa e apreensão na mesma intensidade. Diante de nós estava a passagem, cheia da água parada do sifão. Estávamos prestes a fazer nosso primeiro mergulho em uma caverna.
Sempre ouvi mergulhadores de caverna experientes dizerem que nunca se consegue estipular a distância corretamente. Nas primeiras vezes que tenta subir à superfície, sempre bate a cabeça na pedra acima, então é melhor tentar não se alarmar muito com isso. Lembrei Alena sobre enquanto preparávamos nosso equipamento, e esta me disse que se lembrava, e então me surpreendeu ao pedir para ser a primeira a passar, dizendo algo sobre vencer os medos. Respondi que sim, por que não, e a deixei passar. Enquanto estava lá sozinha, esperando, comecei a sentir uma coisa que nunca havia sentido tão fundo no subsolo. Comecei a me sentir inquieta. Estava tão silencioso como sempre, mas havia algo mais ali, sob o silêncio. Quase como um sussurro.
Afastei essa sensação quando chegou a hora de seguir Alena e mergulhei na piscina. Não era longe da junção que nos levaria à Gruta do Martelo. Me espremi pelo espaço estreito, meio nadando, meio andando, até achar que tinha ido longe o suficiente e tentei emergir. Ploc. Meu capacete bateu de leve no teto do túnel. Tudo bem, era o esperado. Continuei nadando mais alguns metros e tentei de novo. Ploc. Aquilo me deu um susto, pois já deveria ter passado do final deste primeiro túnel. Continuei até chegar ao final do canal subterrâneo e fui em direção à superfície. Ploc. Comecei a entrar em pânico. Era um beco sem saída? Não havia mais para onde ir. Onde estava Alena? Não poderia ter voltado passando por mim; o túnel era estreito demais. Em desespero, tentei subir mais uma vez.
Emergi e vi Alena rindo sozinha, segurando uma pedra sobre a parte da água onde eu tentava emergir. Xinguei-a horrores, sem saber se batia nela ou se ria junto. Ela se desculpou, porém disse que tinha visto a pedra e não resistiu, já que eu sempre a alertava do capacete batendo no teto. Sentei ali, me sentindo exausta de repente. A adrenalina do meu pânico parecia ter drenado grande parte da minha energia, e acho que minha irmã percebeu, já que não insistiu para que continuássemos. Nós duas sabíamos que a passagem daquele ponto até a própria Gruta do Martelo era um mergulho muito mais longo, e nenhuma de nós estava realmente disposta para aquilo. Ficamos sentadas ali por um tempo em silêncio.
Tinha levado mais tempo para chegar até ali do que havíamos planejado, então sugeri voltarmos pelo mesmo caminho, em vez de continuarmos a descer mais fundo na caverna. Alena concordou, contudo, quando me virei, ela me perguntou, em voz baixa e irritante, o quão perdida eu estava. Respondi que não estávamos perdidas, que havia seguido o mapa à risca, e ela apenas me lançou um olhar como se não entendesse do que estava falando. Dei de ombros e disse que iria primeiro na volta, e ela concordou. Estava ansiosa para voltar e estar em contato com a superfície como nunca antes. Preparei meu equipamento e mergulhei de volta na água, em direção ao Buraco da Cabeça da Morte.
Foi aí que tudo começou a dar muito, muito errado...
Para começar, a água não acabava. Tentei emergir, como fiz da primeira vez, e tornei a ouvir aquele baque quando meu capacete bateu no teto do túnel. Continuei e tentei de novo, mas sem sucesso. Comecei a lutar contra o alarme crescente, dizendo a mim mesma que o túnel tinha um fim definido e que só precisava alcançá-lo, porém este simplesmente continuava. Sem luz, sem superfície, nada além dessa passagem estreita, pressionando por todos os lados, esperando para me engolir. Não sei por quanto tempo nadei em desespero para frente, até que quase gritei de alívio quando estendi a mão e senti-a romper a superfície da água.
Não era a caverna que esperava. O que se estendia diante de mim era um túnel ainda menor do que o coberto de água que eu havia deixado. Avancei com pressa para dentro, não porque quisesse continuar naquela passagem desconhecida, e sim porque estava preocupada com a possibilidade de Alena conseguir sair da água atrás de mim. Devo ter me perdido, só que isso não fazia sentido. Não tinha me virado nenhuma vez e, além do mais, não havia curvas ou bifurcações nesta parte da caverna. Consultei todos os mapas desta área repetidas vezes e todos indicavam que era uma linha reta. Esperei, querendo conversar com minha irmã quando ela emergisse e discutir para onde ir dali. Ela não emergiu. Não sei quanto tempo fiquei parada ali; era muito apertado para verificar as horas, no entanto pareceu que foram horas. Queria voltar e verificar, só que não conseguia sequer me virar para ver. Apenas esperei por um respingo que nunca veio.
Decidi continuar, seguir em frente até encontrar pelo menos um lugar largo o suficiente para que pudesse me virar. Enquanto rastejava, raspava contra as rochas irregulares até senti-las pressionando minha pele nua onde minhas roupas haviam rasgado. Posso lidar com isso quando estiver lá fora, continuava pensando, entretanto a passagem ficava cada vez menor, até que por fim não consegui me mover mais. Enfim aceitei que teria que tentar voltar pelo caminho que vim, sem nem me virar. Comecei a me arrastar para trás e meus pés tocaram a rocha sólida. O túnel havia desaparecido. Foi então que gritei. E minha luz se apagou.
Eu disse antes que gostava da escuridão pura da caverna. Estava enganada. Nunca havia conhecido uma escuridão como aquela. Incapaz de me mover, mal conseguindo respirar o suficiente para pedir ajuda. Mesmo deitada ali, sentia como se as paredes me pressionassem ainda mais, e sabia que a pedra que sempre acreditei ser minha amiga e protetora iria me sepultar ali.
Ao longe, vi um ponto de luz muito fraco. Parecia a chama de uma vela, lá no fundo do túnel, tão fraco que não iluminava nada além de si mesmo. Ele se aproximou, todavia qualquer esperança que pudesse me dar morreu rapidamente à medida que crescia. Vinha em minha direção tão lentamente, e no fundo sabia que pertencia... A este lugar. Que queria me fazer mal.
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| Arte por u/clockworkfoxart. |
Conforme se aproximava, vi a mão pálida que o segurava e ouvi algo. Era Alena. A voz parecia distante e abafada, embora tinha certeza de que estava pedindo ajuda. Fechei os olhos, por mais inútil que fosse naquele lugar, e tentei desesperadamente afastar tudo aquilo. Quando abri os olhos outra vez, a luz seguia estando lá, mas havia mudado de alguma forma. Parecia mais brilhante e, ao olhar, percebi que não vinha mais de uma vela. Mal podia acreditar, porém parecia a luz do dia.
Com cada grama de força que tinha, me impulsiono para frente. Será que estava escalando esse tempo todo? Minhas roupas estavam esfarrapadas e rasgadas, minha pele arranhada e ensanguentada, contudo depois de quase uma hora, consegui chegar à superfície por uma pequena abertura que não constava em nenhum dos mapas. Respirei o ar fresco e frio e gritei o mais alto e longo que pude. Foi assim que Alistair e a equipe de resgate da caverna me encontraram. Ao que parecia, estive no subsolo havia quase vinte e quatro horas, e ele havia acionado o serviço de resgate.
Fui bem cuidada enquanto aguardava notícias de Alena. Meus ferimentos foram tratados e recebi comida e água. Levou mais um dia até que a equipe de resgate me dissesse o que eu acho que já sabia: não havia sinal dela em lugar nenhum. Nunca mais a vi, e ela foi adicionada à lista de vítimas fatais, então suponho que seja o fim da história. Não voltei ao subterrâneo desde então e não pretendo voltar.
JONATHAN SIMS
Depoimento encerrado.
Esta é uma situação estranha. Raramente me deparei com um depoimento escrito com tanta convicção, embora com tantos detalhes comprovadamente falsos. O CNCC não tem registro de que a Sra. Popham tenha obtido uma permissão para esta expedição, e o número de outras permissões que emitiram para 14 de junho indica que com certeza não eram as únicas na caverna naquele dia. Além disso, o Buraco da Cabeça da Morte e a Caverna do John Perdido, como a Sra. Popham salientou, têm seu traçado bem documentado e, segundo a avaliação de Sasha, a rota que descreveu beira o absurdo.
O que é verdade é que, em 15 de junho, a Organização de Resgate em Cavernas de Yorkshire Dales foi contatada pelo Sr. Alistair Popham, que informou que sua esposa e cunhada haviam ido explorar cavernas no dia anterior e não haviam retornado. Enviei Tim para verificar os detalhes... Martin recusou-se a ajudar nesta investigação por ser “um pouco claustrofóbico”... E ele encontrou algumas discrepâncias ainda mais bizarras. A Sra. Popham não foi encontrada na superfície, como alegava. Foi encontrada a poucos metros do fundo do Buraco da Cabeça da Morte, inconsciente e ajoelhada ao lado de uma pequena pilha de velas queimadas.
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| Arte por kazoosnow. |
Alistair Popham afirma não ter visto nada parecido sendo embalado. Ela só saiu desse torpor quando foi trazida à superfície, momento em que começou a gritar sobre sua irmã Alena, exigindo que fossem “salvá-la”.
Há também a questão da gravação. Ela não a menciona em sua declaração, todavia a Sra. Popham levou uma câmera consigo para o sistema de cavernas. Nunca foi recuperada do CRO após seu resgate, e Tim conseguiu acesso suficiente para copiar as filmagens. Acho melhor não perguntar como. A maior parte são filmagens banais da Sra. Popham e sua irmã escalando cavernas, o que pareceu coincidir com sua declaração, mas a última gravação é... Um tanto alarmante. A marcação de tempo indica que foi pouco depois das duas horas da manhã do dia 15 de junho. Está completamente preto, embora não esteja claro se isto ocorreu porque estava em uma caverna toda escura ou apenas porque a tampa da lente seguia colocada. O que me preocupa é o áudio, e aqui vou reproduzir uma amostra:
[CLICK]
[Som de movimento aquático subterrâneo e a voz cada vez mais em pânico de Laura Popham.]
— Leva ela, não eu. Leva ela, não eu. Leva ela, não eu.
Fim da gravação.
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