quinta-feira, 16 de abril de 2026

When Hikaru was on the Earth... — Volume 01 — Capítulo 06

Volume 01: Aoi  Capítulo 06: Se aquela estrela sorrisse para mim


— Feliz aniversário, Aoi.

 

Asai, vestida com um pijama de seda simples, afastou a cortina floral francesa, virou a cabeça e falou com Aoi.

 

Aoi sentou-se na cama enquanto esfregava os olhos.

 

Era domingo de manhã.

 

O sol brilhante da manhã entrava pela janela e o tempo parecia bom.

 

Asai passou a noite na casa de Aoi desde sábado à noite.


Ela veio hoje para fazer bolo e comida para Aoi, por isso precisou vir e se preparar no sábado.

 

Asai era uma amiga de infância confiável e, embora fosse alguns meses mais nova que Aoi, era mais alta desde que se lembrava, mais inteligente, mais determinada e cuidava de Aoi como uma verdadeira irmã mais velha.

 

O pai de Aoi também tinha muita confiança em Asai.

 

Sempre que Asai vinha visitar, o pai de Aoi a elogiava e agradecia.

 

— Aoi sempre esteve sob seus cuidados.

 

— Por favor, continue cuidando da nossa Aoi.

 

— Coma só um pouquinho no café da manhã. Vou fazer panquecas sem açúcar para acompanhar um iogurte de frutas, que tal? Você deve conseguir comer tudo. Também vou fazer uma sopa de legumes para não sentir frio.

 

Asai havia decidido tudo isso com precisão.

 

E Aoi apenas precisava aceitar.

 

Aoi tirou sua camisola com detalhes de renda na barra e vestiu um vestido de algodão de uma peça, confortável para sua pele.

 

Essas roupas também foram compradas quando foi às compras com Asai.

 

— Essa roupa é boa. Combina com você, Aoi.

 

Mesmo nos primórdios da amizade, bastava que ouvisse Asai para evitar problemas.

 

Certo, mesmo que estivesse relacionado a Hikaru...

 

— As tendências de mulherengo do Hikaru jamais serão curadas. Ele é o tipo de pessoa que não sobreviverá se não encontrar uma nova parceira amorosa.

 

Asai falou de Hikaru com uma expressão bastante crítica.

 

Embora o trio brincasse junto com frequência quando eram mais novos, Asai não demonstrava nenhuma piedade por Hikaru. Ela mimava muito Aoi, mas tratava Hikaru com um tom e uma atitude gélidos.

 

— Hikaru não é páreo para você, Aoi.

 

Asai já havia comentado isso no passado.

 

— O Hikaru não é um homem honesto que só vai te proteger, Aoi. Ele vai continuar tendo relacionamentos superficiais com várias mulheres e vai continuar te magoando.

 

Aoi também achava que ela estava certa...

 

Que as palavras de Asa estavam sempre corretas.

 

— Você deveria dizer ao seu avô para cancelar seu casamento com Hikaru. Quer que eu te ajude a pedir?

 

Porém ela não podia concordar apenas com essa fala específica de Asai.

 

Estamos noivos apenas de fachada, e mesmo que eu não tente cancelar o noivado, Hikaru não se casará comigo de verdade.

 

É claro que não vou me casar com o Hikaru.

 

Foi o que disse, contudo Aoi nunca cancelou o noivado de maneira formal.

 

Isso aconteceu apesar de Asai ter lhe dito para fazê-lo várias vezes.

 

Ela repetia que Aoi não teria nenhuma infelicidade, nenhuma lembrança dolorosa.

 

Se tivesse escutado as palavras de Asai naquela época, talvez a morte de Hikaru não lhe fosse tão dolorosa agora.

 

Talvez não sentisse a angústia que lhe dilacerava o coração, e não se sentisse sufocada no meio da noite.

 

Ela recebeu os talos de lilás dois dias antes da morte de Hikaru e, assim que soube de seu falecimento, quebrou os talos e os jogou fora.

 

Este é o primeiro presente. Preparei mais 6 presentes para o seu aniversário. Aguarde ansiosamente.

 

Aoi sentiu dor ao perceber que essa promessa fazia seu coração disparar... E seu corpo parecia estar se despedaçando...

 

Não conseguia perdoar Hikaru por quebrar a promessa da pior maneira possível.

 

— Mentiroso!

 

Ela rasgou a carta, quebrou os talos e disse várias vezes com a voz rouca.

 

— Mentiroso! Mentiroso!

 

Assim, quando a pessoa que se proclamava um bom amigo de Hikaru, Koremitsu, apareceu na sua frente, alegando que celebraria o aniversário de Aoi no lugar de Hikaru, Aoi ficou furiosa.

 

Além do mais, Koremitsu tinha um cabelo ruivo chamativo, um olhar feroz e penetrante como o de um cão, e era muito grosseiro em suas palavras... Era impossível imaginar que uma pessoa tão primitiva e rude pudesse ser amigo de Hikaru.

 

Ele sem dúvida estava tentando a enganar, assim como Asai disse.

 

Não devo acreditar que ele está tentando transmitir os pensamentos de Hikaru.

 

Era isso o que pensava até então.

 

— Este é o segundo presente!

 

O olhar apaixonado penetrava Aoi profundamente.

 

Ele estendeu a mão para ela.

 

— É um ingresso para o parque temático! Vamos lá no domingo!

 

Koremitsu entregou o envelope com o bilhete a Aoi com firmeza e exclamou com voz séria.

 

— Estarei esperando! Com certeza! Você precisa vir! Entregarei os 5 presentes restantes!

 

Ela sentou-se delicadamente na cama, puxou a gaveta antiga com entalhes florais e olhou para ela com inquietação.

 

O objeto encontrado dentro da gaveta era o ingresso do parque temático que Koremitsu lhe entregou à força na sexta-feira.

 

Aoi disse a Asai que já o havia jogado fora, entretanto, na verdade, o guardou consigo.

 

Assim como não rompeu o noivado.

 

— Você precisa vir se quiser saber os sentimentos de Hikaru! Aoi!

 

Os sentimentos de Hikaru.

 

Será que eles existiram mesmo?

 

Os dois estavam noivos apenas de fachada, então que tipo de sentimentos Hikaru tinha por ela de verdade?

 

Quando ainda estava vivo, Hikaru dizia “A senhorita Aoi é muito fofa, eu realmente te amo” com a mesma naturalidade com que respirava, a ponto de ser quase sua saudação. Quando descobriu que Hikaru dizia essas coisas para outras garotas também, ficou muito irritada por ter sido enganada.

 

— Não consigo acreditar no seu “amor”, Hikaru.

 

Aoi inflou as bochechas e o encarou com raiva, mas Hikaru deu um sorriso angelical enquanto a olhava nos olhos, dizendo...

 

— O que devo fazer para que você acredite que eu realmente te amo, senhorita Aoi?

 

— Então, tente fazer as estrelas caírem do céu. Se não conseguir, não acreditarei em nada do que me disser. A culpa é sua por sempre dizer essas palavras vazias para zombar de mim.

 

Aoi virou as costas para Hikaru e ouviu sua risada vinda de trás.

 

— Então, preciso pensar em um jeito de fazer as estrelas caírem quando eu quiser confessar a você que “te amo muito”.

 

 

 

Ele disse tais palavras em tom de brincadeira.

 

Embora fosse impossível fazer as estrelas caírem.

 

É por isso que os sentimentos de Hikaru... Para mim... São como estrelas caindo no céu. Eles não existem.

 

Ela murmurou em um rouco tom, e seu peito estava visivelmente dilacerado.

 

O gato que tinha em casa, Shell Blue, miou ao pular no colo de Aoi.

 

Era rechonchudo, seu pelo preto e branco lembrava o de uma vaca, e seu rosto era achatado. Sem dúvida não era um gato bonito.

 

Porém ela se apaixonou por ele à primeira vista, quando o viu encharcado pela chuva enquanto estava dentro da caixa de papelão.

 

Aoi abraçou aquele corpo pesado com força.

 

Não quero saber nada sobre os sentimentos de Hikaru, nem nada do tipo.

 

***

 

— Argh...! Por que ela ainda não chegou?

 

Eram 13:15.

 

Koremitsu resmungou de repente enquanto estava parado nos portões da passarela da estação.

 

Os transeuntes que passavam pelos portões ficaram chocados e se afastaram, tentando evitá-lo.

 

— Droga, já se passaram mais de 15 minutos. Será que a Aoi está planejando me fazer esperar aqui?

 

— São meninas, então talvez estejam atrasadas porque passaram o tempo se arrumando. O máximo que esperei por uma garota foram 6 horas.

 

— Tch, você realmente tem paciência para esperar, hein? Aliás, é incrível que a garota tenha aparecido mesmo depois de ter te feito esperar por 6 horas.

 

Koremitsu ficou sem palavras.

 

No entanto, para ele, que nunca havia convidado ninguém para sair e não tinha muita paciência, uma espera de 15 minutos era tempo demais.

 

— Só para deixar claro, gostaria de perguntar: a Aoi é do tipo que se atrasa porque está se arrumando?

 

— Não, é do tipo que chega 30 minutos antes, dá uma volta pelo local, volta para o ponto combinado 10 minutos antes do horário marcado e faz beicinho quando você aparece, dizendo que só chegou mais cedo por coincidência.

 

— Isso significa que ela não vem!

 

Koremitsu passou pela catraca e embarcou no trem do metrô que acabara de chegar.

 

Não podia mais esperar.

 

— Se não vier, eu mesmo irei buscá-la!

 

Os passageiros do trem imediatamente olharam para Koremitsu em uníssono.

 

***

 

— O bolo já deve estar quase pronto.

 

Asai se deliciou saboreando o sanduíche e o chá vermelho sobre a mesa branca enquanto olhava para o relógio.

 

Eram 13:45.

 

O coração de Aoi doía a cada batida.

 

O horário combinado que Koremitsu lhe prometeu era 13h.

 

Ele deve ter voltado furioso.

 

Não se sentia com apetite para comer o sanduíche e beber o chá vermelho, e apenas se aconchegou em Shell Blue enquanto abaixava a cabeça.

 

Isso está realmente certo?

 

Asai já havia dito que não havia necessidade de dar ouvidos às palavras daquele homem.

 

Contudo...

 

Na sexta-feira, quando acordou na enfermaria, Asai trouxe uma lata de milk-shake e a entregou a contragosto para Aoi, dizendo.

 

— Está morno. Talvez não seja muito agradável para beber.

 

Asai não gosta do milk-shake vendido nas máquinas automáticas da escola e disse que era uma bebida com conservantes e açúcar misturados ao leite, que não fazia bem para o corpo e não recomendou que Aoi bebesse.

 

É verdade que não tinha um sabor refinado, mas Aoi adorava aquela doçura que não conseguia sentir em casa, e comprava para beber de vez em quando, escondendo-o de Asai.

 

— Tudo bem. Vou ficar com ele então. Obrigada, Asa.

 

O milk-shake já havia esfriado, porém ainda podia sentir o líquido acalmando seu corpo.

 

Enquanto Aoi tomava o milk-shake, Asai, sem querer, olhou-a com uma expressão severa.

 

Koremitsu deixou essa lata de milk-shake para trás?

 

De vez em quando, Hikaru lhe oferecia gentilmente uma lata de milk-shake.

 

— Mantenha isso em segredo da Asa.

 

— Não me trate como uma criança. Já parei de gostar de milk-shakes desde os primeiros anos do ensino fundamental.

 

Ela coraria ao retrucar. Todavia, Hikaru continuaria oferecendo milk-shakes para Aoi, em vez de café ou chá oolong.

 

Porque ele sabia que Aoi ainda gostava de milk-shake.

 

Portanto, quem deixou o milk-shake na enfermaria não foi Asa, e sim Koremitsu...

 

Não, não devo ficar pensando mais nisso.

 

O horário marcado já havia passado há muito tempo, e seria inútil continuar pensando a respeito.

 

Estaria apenas aumentando sua amargura.

 

Certo, só não pensaria em nada relacionado a Hikaru... E esqueceria tudo sobre ele, assim como fez durante aquele período após a sua morte.

 

— Vou lá ver como está o bolo.

 

Asa saiu da sala.

 

Ela acariciou o rosto de Shell Blue, que também parecia preocupado enquanto soltava um miado.

 

De repente, o telefone de Aoi, que estava em cima da penteadeira, tocou.

 

Ela atendeu o telefone e descobriu que era um número desconhecido ligando.

 

Normalmente, teria ignorado essa ligação.

 

Contudo talvez... Essa premonição surgiu em seu coração, e apertou o botão de chamada.

 

— Ei, Aoi!

 

Uma voz rouca chegou aos seus ouvidos.

 

— Já passou da hora marcada!

 

Por que Koremitsu sabia o seu número?

 

Essa suspeita, no entanto, era desnecessária, pois seu coração estremeceu no instante em que ouviu a voz... Não era um sentimento de medo ou perplexidade, era algo mais...

 

— Estou te chamando agora na frente da sua casa! Depressa, pegue o ingresso e venha para cá!

 

O tom de Koremitsu era muito desajeitado, embora ainda estava tentando o suavizar.

 

Era a mesma voz que usou quando Aoi estava cercada pelo leque de fãs de Hikaru, a mesma voz desesperada e suplicante.

 

— PARE AÍ MESMO...!

 

Ele gritou ao se colocar na frente de Aoi.

 

Mesmo enquanto Aoi exibia a feiura interior que havia dentro dela, ele a alcançou de qualquer maneira.

 

— Miau...

 

Shell Blue, deitado na cama, soltou um grito de tristeza.

 

Aoi abriu a gaveta, pegou o envelope com o ingresso dentro e saiu correndo do quarto sem levar a bolsa, o celular, a carteira, o passe mensal, disparando direto para a entrada.

 

O aroma doce de manteiga e açúcar invadiu o ar vindo da cozinha.

 

Asai devia estar tirando o bolo do forno.

 

Sinto muito, Asa.

 

Chegando à entrada, apertou apressadamente as fivelas das sandálias e abriu a porta.

 

Correndo em direção à entrada, aparentemente perdida em seus próprios pensamentos, quando enfim chegou à porta encontrou Koremitsu lá, esperando com o telefone junto à orelha.

 

— Você está atrasada.

 

Os olhos selvagens, semelhantes aos de um cão, encararam Aoi enquanto franzia a testa e resmungava essa frase com sua voz rouca.

 

Aoi sentiu uma sensação de incompletude no peito.

 

Uma onda de sentimentos subiu por sua garganta, e olhou para Koremitsu, estremecendo de leve.

 

— Certo, já pegou o ingresso, né? Vamos lá.

 

Aoi, porém, não se mexeu.

 

Koremitsu franziu a testa.

 

— Tch, ainda está hesitando?

 

— Eu...

 

— Hã?

 

— Fiquei tão chocada que minhas pernas não conseguem se mexer... A culpa é toda sua.

 

Sua garganta e seus olhos estavam ardendo, e não conseguia processar os pensamentos confusos que a invadiam. Ela repreendeu Koremitsu por parecer prestes a chorar.

 

— Sério, você me causa muitos problemas, Princesa.

 

— Não me lembro de ter pedido seus cuidados... Kyah!

 

A boca de Aoi soltou um gritinho.

 

Koremitsu levantou Aoi em seus braços.

 

E as pernas dela se debatiam no ar.

 

— O-O-O-O que pensa que está fazendo?

 

Koremitsu carregou Aoi no colo, dando-lhe um carregamento de princesa.

 

— O que está fazendo? Por favor, me coloque no chão!

 

— Você não acabou de dizer que seus pés não conseguem se mexer? Estou te mexendo agora! Seu aniversário vai passar se ficar enrolando desse jeito!

 

— Mesmo que seja esse o caso, você está sendo muito imprudente! Me ponha no chão!

 

— Já te carreguei uma vez, então cala a boca. Além do mais, não é difícil para mim, já que você é levinha.

 

Ele disse mesmo que já me carregou antes...

 

As palavras de Koremitsu fizeram Aoi corar.

 

Por falar nisso, ela se viu deitada na cama da enfermaria quando acordou depois de desmaiar na escada... Asai também disse que não tinha certeza da situação de Aoi antes de ser levada para a enfermaria, então talvez, naquele momento...

 

Seu rosto, orelhas, pescoço e cabeça estavam em brasa, como se estivessem pegando fogo.

 

Seu corpo tremia enquanto Koremitsu a carregava, e quase caiu algumas vezes; inconscientemente, ela envolveu os braços no pescoço de Koremitsu.

 

Quando Aoi machucou o pé na quadra de tênis da casa de Asai no ano passado, Hikaru a carregou com cuidado, ainda com a roupa de tênis.

 

Essa dor não é nada. Posso andar sozinha! Não me carregue como se eu fosse uma criança!

 

Enquanto Aoi corava e protestava com raiva, Hikaru mostrou-lhe um sorriso gentil.

 

— Mas é porque você é uma garota muito importante para mim, senhorita Aoi.

 

Aoi se sentiu envergonhada, encantada e, ao mesmo tempo, furiosa consigo mesma, e cerrou os lábios enquanto abaixava a cabeça, demonstrando uma expressão infeliz.

 

— Uma garota muito importante!

 

Koremitsu disse a mesma coisa que Hikaru, e Aoi sentiu o peito ser transpassado enquanto seu coração estava confuso, sem saber o que fazer.

 

Não queria se lembrar.

 

O sorriso gentil de Hikaru, sua voz envolvente, suas mãos delicadas, sua expressão exuberante, seus movimentos familiares, cada palavra que lhe dizia, a dor... Queria esquecer tudo aquilo.

 

Porém seu corpo tremia nos braços de Koremitsu, seu coração vacilava e a paisagem mudava. O vento acariciava seu rosto, e continuava a recordar o passado, resgatando memórias profundas.

 

Quando conheceu Hikaru pela primeira vez, o achou tão fofo quanto um anjo. Quando este lhe disse “vamos brincar juntos”, Aoi ficou tão sem palavras que não conseguiu se expressar direito.

 

Ela acompanhava Asai sempre que esta visitava a casa de Hikaru e observou que Hikaru parecia ficar mais contente quando conversava com Asai.

 

Asa é mais inteligente do que eu, mais madura e seria uma combinação melhor para o Hikaru.

 

Esse pensamento nunca desapareceu por completo de sua mente.

 

Asai dizia com recorrência coisas cruéis para Hikaru, contudo mesmo assim, parecia que os dois tinham uma sintonia profunda, a ponto de Aoi se perguntar se existia algum tipo de laço único entre eles.

 

Por exemplo, sempre que ela via Hikaru se engraçando com outras garotas, lançava um olhar repreensivo sem demonstrar qualquer hesitação e dizia num tom frio.

 

— Vejo que seus maus hábitos estão agindo outra vez. Até quando pretende manter essa história de amor?

 

Em resposta, Hikaru dava um sorriso caloroso e dizia.

 

— Todas as flores, todos os romances continuarão a desabrochar em meu coração.

 

No momento em que respondia...

 

Aoi sentiu que havia um entendimento entre os dois, a ponto de não haver necessidade de ciúmes e desculpas, e seu coração começou a doer.

 

Independente de ter conhecido Hikaru ou não, Aoi continuaria a criticá-lo de forma dura.

 

Isso acontecia porque ele estava sempre com outra garota.

 

Não conseguia manter a mesma calma que Asai.

 

Para Hikaru, Asai era sem dúvida diferente das outras garotas... Uma existência especial.

 

No entanto Aoi continuava a se ver como uma noiva de nome, porque seus pais a haviam prometido em casamento; achava que não era bonita e não tinha nenhum charme atraente.

 

Ainda assim, Hikaru continuou a presenteá-la com um sorriso deslumbrante.

 

Ele falava com ela com uma voz cheia de amor.

 

Faria uma cara de brincalhão e lhe entregaria uma lata de milk-shake.

 

Costumava dizer palavras que Aoi não esperava, em um tom gentil, o que a deixava confusa.

 

Hikaru é demais.

 

Hikaru é muito astuto.

 

Ele sempre me engana porque ainda não me acostumei a interagir com o sexo oposto.

 

No instante em que pensava nisso, o peito de Aoi vacilava e seu rosto esquentava. Sempre que Hikaru a tratava com gentileza, respondia a isso com frieza.

 

Aoi não conseguia evitar se odiar por ter bebido café, a bebida que mais detestava, na frente de Hikaru, e por ter se colocado em uma situação tão lamentável.

 

— Mentiroso!

 

Jurou esquecer tudo sobre Hikaru ao se deparar com a foto deste sorrindo no obituário, cercada por flores brancas.

 

Se não o fizesse, não seria capaz de proteger o seu íntimo.

 

Não conseguia suportar o desespero causado pela ausência de Hikaru.

 

Não comemoraria aniversários nem nada do tipo.

 

Nunca mais acreditaria naquele cara.

 

Foi o que decidiu.

 

O amigo de Hikaru a carregou até a estação.

 

Havia mais pessoas passando por ali, e elas olhavam discretamente. O que é isso? Estão filmando uma série? Vozes podiam ser ouvidas.

 

— Está tudo bem... Já consigo andar sozinha, então, por favor, me coloque no chão.

 

Aoi implorou com uma voz bem baixinha.

 

— Tem certeza?

 

Koremitsu baixou os braços devagar e curvou a cintura.

 

Aoi olhou de relance para o rosto de Koremitsu e o viu encharcado de suor.

 

— Ah, esqueci de trazer minha bolsa.

 

— Já que é seu aniversário, eu pago.

 

Disse Koremitsu enquanto entregava a Aoi a passagem de trem que havia comprado.

 

— Considere isso um presente meu.

 

Ela se lembrou das palavras que Hikaru disse quando lhe entregou o milk-shake, e seu coração disparou ainda mais.

 

— Obrigada.

 

Essa pessoa era completamente diferente de Hikaru.

 

Todavia estava muito consciente disso e era tão tímida que não conseguia levantar a cabeça. Seu pescoço também estava tingido de vermelho.

 

Ao passarem pelo pórtico, Koremitsu segurou Aoi pela mão.

 

— Acho que o trem está chegando.

 

— Er-Erm, a mão...

 

Koremitsu também pareceu não saber o que fazer ao ver Aoi perturbada, e ficou tenso.

 

— Bem, ele me disse para dar as mãos.

 

Ele lançou um olhar diagonal para cima.

 

— Hikaru, quero dizer.

 

— Vamos dar as mãos, senhorita Aoi.

 

Aoi lembrou-se da mão branca e delicada que Hikaru lhe estendeu, e seu coração disparou.

 

Foi nessa época que todos iam fazer piquenique nas montanhas ou nadar na praia. Sempre que Hikaru a convidava, ela recusava, dizendo que não havia necessidade.

 

A mão de Koremitsu estava suada e áspera.

 

A mão de Hikaru, a mesma que segurou na adolescência, deveria ser mais suave e delicada.

 

Mesmo assim, Aoi sentiu o calor e a tensão na palma da mão e nos dedos dele, e apertou-os de volta com força.

 

Koremitsu arregalou os olhos em surpresa.

 

Aoi desviou o olhar com timidez.

 

Os dois continuaram de mãos dadas durante toda a viagem de trem.

 

***

 

Eles passaram pela entrada do parque temático, e a primeira atração que visitaram foi a montanha-russa.

 

— Sou meio ruim nessas coisas emocionantes que me fazem gritar.

 

— Não se preocupe, nunca ouvi falar de nenhum incidente como o trilho da montanha-russa quebrando, a montanha-russa caindo no ar ou saindo dos trilhos.

 

— Só de pensar já me sinto incomodada. Por favor, não diga essas coisas!

 

— Por isso digo que é impossível um trilho quebrar. Seria um acidente grave se acontecesse.

 

— Ahhh, por favor, não fale mais! Minha mente está cheia da imagem do trilho se partindo em dois!

 

Os dois conversavam animadamente enquanto esperavam na fila.

 

Quando chegou a hora de se levantarem, apertaram os cintos de segurança.

 

— Depois de tudo eu não deveria estar aqui.

 

— Ei, não é bom desistir agora.

 

Koremitsu segurou a mão tímida de Aoi.

 

A montanha-russa começou a se mover.

 

— Não, vai cair, com certeza vai cair. Sinto que vai cair.

 

— Não diga coisas tão assustadoras. Agora estou entrando em pânico também.

 

— Viu? Falei que com certeza íamos cair!

 

— O que você quer dizer com “com certeza”?

 

O carro deu um solavanco, GATANK! Depois começou a descer em alta velocidade.

 

— KYAAAH!

 

Aoi gritou.

 

Ela se agarrou ao braço de Koremitsu como se estivesse se agarrando a uma tábua de salvação.

 

E Koremitsu também gritou...

 

— WOOOOOOAAHHH...!

 

A montanha-russa despencou até o fundo, começou a subir devido à inércia e girou no ar uma vez. Enquanto isso, a dupla continuava a gritar.

 

— NÃO! VAMOS CAIR!

 

— UWAAAAAAAAHHHH!!

 

A montanha-russa enfim parou.

 

Aoi estava caída sobre seu assento, aterrorizada e incapaz de sair da montanha-russa.

 

Com a ajuda de Koremitsu, por fim conseguiu chegar ao chão.

 

— Sério, nunca mais vou... Andar nessa coisa selvagem.

 

Enquanto os olhos de Aoi se enchiam de lágrimas...

 

— Você não estava todo feliz tagarelando “kyah, kyah” desse jeito?

 

— Eu estava tremendo de medo! Você também não deu uns gritos constrangedores?

 

— Bem, nunca andei numa montanha-russa desde o ensino fundamental, e estou um pouco chocado também. Porém uma montanha-russa é feita para nos fazer gritar, então não deveríamos gritar a plenos pulmões e fazer barulho? Não tem graça se não tivermos medo.

 

Koremitsu disse enquanto entregava a foto.

 

— Veja, você não parece estar gostando na foto?

 

Era uma foto dos dois andando na montanha-russa, comprada na loja perto da entrada da atração.

 

Aoi estava agarrada ao braço de Koremitsu, com a boca escancarada e os olhos arregalados.

 

— Sério, o que significa essa expressão estranha?

 

Até suas orelhas estavam coradas.

 

— O que está dizendo? Essa expressão é muito mais fofa do que essa sua cara de beicinho.

 

Koremitsu retirou um marcador dourado fino de sua foto e escreveu algo sobre ela. As palavras brilhantes e deslumbrantes eram nítidas e bonitas, muito diferentes da imagem que a foto de Koremitsu poderia sugerir.

 

As palavras escritas eram...

 

“Sua expressão de surpresa é muito fofa. Senhorita Aoi, com 17 anos.”

 

Koremitsu continuou escrevendo timidamente, desenhou uma seta apontando para a expressão de Aoi na foto e finalizou escrevendo.

 

“Feliz aniversário!”

 

Então entregou a foto a uma Aoi corada.

 

— Este é o terceiro presente de aniversário.

 

Aoi arregalou os olhos ao receber a foto com as duas mãos.

 

— Sua expressão de surpresa também é muito fofa, senhorita Aoi.

 

No pátio de sua casa, Aoi ouviu alguém chamá-la pelo nome e virou a cabeça para trás. Um gato gordo, parecido com um gado da raça Holstein, com o focinho achatado, foi entregue a ela em seu carro, assustando Aoi. Hikaru disse com uma expressão doce.

 

— Adotei este gato no parque, contudo acho que ele gosta mais de meninas do que de meninos. Poderia cuidar dele para mim? O vovô e os outros já concordaram.

 

Hikaru provavelmente sabia que Aoi estava alimentando o gato deixado na caixa de papelão no parque.

 

Por favor, não faça nada necessário. Pretendo pedir ao meu pai que me deixe criá-lo.

 

Aoi insistiu.

 

No entanto, Hikaru não pareceu se preocupar muito com o fato de Aoi estar diminuindo seu entusiasmo.

 

— Seus olhos estavam bem arregalados, senhorita Aoi. São muito bonitos. Se eu pudesse ter tirado uma foto...

 

Ele deu uma risadinha ao dizer isso.

 

Como é que uma expressão dessas pode ser fofa? Por favor, não zombe de mim! Retrucou Aoi, abraçando o gato gordo que se tornou parte de sua família.

 

Ela relembrou esse momento no dia em que Shell Blue se juntou à sua família, enquanto olhava para sua foto gritando na montanha-russa, e quase caiu em lágrimas.

 

Hikaru ainda se lembra daquele incidente?

 

Estava diferente do habitual; seus olhos e boca estavam bem abertos. Ela pressionou esta foto contra o peito.

 

O gosto da tristeza, misturado com um toque agridoce, espalhou-se profundamente em seu coração.

 

— Então, vamos para o próximo! Ainda temos muitos presentes! Vamos lá!

 

Koremitsu agarrou a mão de Aoi e a puxou em direção à atração da xícara de café. Aoi soltou um suspiro de alívio, pois não era um tipo de atração emocionante.

 

Todavia, Koremitsu girou o volante da xícara de café rápido demais, fazendo com que girassem fora de controle, deixando os olhos de Aoi turvos pela tontura.

 

Suas pernas estavam bambas e sentia tontura.

 

Ela sentiu náuseas.

 

— Ack... Desculpe, nunca brinquei naquilo antes.

 

Koremitsu pediu desculpas apressadamente.

 

Aoi deitou-se inerte no banco ao lado da cerca da atração das xícaras de café.

 

— Vou molhar o lenço.

 

Ele disse isso enquanto saía correndo.

 

Não precisa continuar cuidando de mim assim... No momento em que ia dizer isso, o cabelo ruivo brilhante já havia desaparecido na multidão.

 

Por algum motivo, seu coração batia forte enquanto esperava por Koremitsu.

 

Parecia que estava esperando por Hikaru.

 

Mesmo que Hikaru não estivesse mais neste mundo.

 

E ela já percebeu isso.

 

Mas se Hikaru estivesse comemorando o aniversário de 17 anos de Aoi junto, certamente seria esse o sentimento.

 

Ele também escreveria uma mensagem na foto e a entregaria a Aoi com uma expressão travessa. Ao ver seu olhar de relutância, talvez dissesse algo como: “Eh, você é muito fofa, sabia?”

 

Só de pensar na ideia, seu coração já disparava.

 

Por fim, Koremitsu voltou correndo, ofegante, enquanto entregava o lenço frio.

 

— Muito obrigada.

 

Aoi, que enfim se acalmou, agradeceu ao receber o lenço.

 

Era um grande lenço de algodão bege, e a sensação ao tocá-lo no rosto era fresca e refrescante.

 

Não conseguiu evitar fechar os olhos.

 

Naquele instante, sentiu o perfume das flores.

 

Ao abrir os olhos, viu Koremitsu corando enquanto lhe entregava um pequeno buquê de flores.

 

— Este é o 4º presente.

 

Ele pareceu ficar muito constrangido ao dizer isso de forma rígida, porém continuou a manter os olhos fixos em Aoi.

 

— Muito obrigada.

 

O buquê de gérberas cor-de-rosa e rosas vermelhas estava rodeado por capim-mosquitinho. Aoi pegou esse buquê adorável e encontrou uma caixinha rosa bem no meio.

 

Ela colocou o buquê aos joelhos e abriu o estojo.

 

Um lindo pingente apareceu diante de seus olhos.

 

Ela soltou um longo suspiro.

 

A glamorosa corrente de prata tinha uma misteriosa pedra da lua branca leitosa incrustada.

 

— Hikaru escolheu pessoalmente este pingente e o deixou na floricultura do parque temático.

 

— Hikaru...

 

Koremitsu pegou o pingente das mãos de Aoi, querendo colocá-lo nela.

 

Para Koremitsu, essa também foi a primeira vez que fez algo assim.

 

Ao desfazer o pequeno gancho enquanto travava uma luta emocional furiosa que o deixou suando; passou a corrente por trás do pescoço de Aoi, acidentalmente prendeu um fio de cabelo, tentou desengatar o gancho, e no fim conseguiu prendê-lo uma vez, apenas para a corrente se torcer e ter que refazer tudo. Ele gemeu enquanto se esforçava ao máximo para colocar o pingente.

 

Durante esse tempo, o rosto de Aoi quase se enterrou no peito de Koremitsu algumas vezes, e teve vontade de dizer que ela mesma o colocaria. Contudo, ao ver Koremitsu se esforçando tanto, achou que seria ingrato da sua parte dizê-lo. Seu rosto estava ardendo e seu coração disparou.

 

Assim que o pingente foi colocado, tanto Koremitsu quanto Aoi soltaram um suspiro de alívio.

 

— Feliz aniversário. O pingente combina muito com você.

 

Koremitsu falou com o corpo todo encharcado de suor.

 

— Você é como uma princesa, senhorita Aoi.

 

Quando era mais nova, Hikaru fez para Aoi uma coroa de trevos brancos que pegou na natureza.

 

Ele disse isso com tanta inocência ao colocar o objeto na cabeça de Aoi.

 

Aoi pensou que não ficaria feliz quando um garoto mais bonito que ela dissesse tal coisa, e seu rosto corou enquanto falava com as bochechas infladas.

 

— Você deve ter muito mais princesas além de mim, Hikaru.

 

Naquele momento, Hikaru pareceu um pouco preocupado enquanto baixava o olhar.

 

Nesse momento, Aoi estava relembrando o passado.

 

Ainda se lembrava de cada momento de como Hikaru passava os dias com ela, cada palavra que lhe dizia, cada expressão que fazia, cada sorriso que lhe dirigia.

 

Koremitsu agarrou a mão de Aoi.

 

— Então, vamos para o próximo.

 

— Sim.

 

Seja na aparência ou no tom de voz, Koremitsu e Hikaru eram polos opostos.

 

No entanto, por algum motivo, a imagem de Hikaru aparecia com frequência diante dela quando olhava para Koremitsu. Por que a voz suave de Hikaru continuava ecoando em seus ouvidos?

 

Por que será que seu coração estava batendo tão descontroladamente?

 

Enquanto Koremitsu segurava a mão de Aoi, eles chegaram ao próximo destino: um restaurante dentro do parque temático.

 

A decoração interior tinha como tema o conto de fadas da festa do chá de Alice, e um mordomo de terno preto os convidou a entrar.

 

— Presumo que o senhor seja o Mestre Mikado, que marcou uma consulta conosco? Estávamos à sua espera.

 

O mordomo os conduziu até a mesa bem no meio.

 

Os dois se sentaram e o mordomo imediatamente serviu um pequeno bolo com velas e dois copos de milk-shake quente com alças de prata ao lado.

 

As velas tinham o formato dos números “1” e “7”, respectivamente, e suas chamas tremeluziam.

 

— Este é o 5º item.

 

Koremitsu disse.

 

— Hikaru disse que sua bebida favorita é milk-shake, Aoi.

 

Sua expressão gentil lembrava um pouco a de Hikaru. Hikaru também havia demonstrado essa expressão quando lhe entregou a lata de milk-shake certa vez.

 

— Foi você quem me entregou a lata de milk-shake no outro dia?

 

Ela perguntou.

 

— Quando estava na enfermaria? Bem... Fui, mas, bom, Hikaru me disse para fazê-lo.

 

Koremitsu respondeu, em um óbvio estado de desconcerto.

 

Então foi ele mesmo, afinal.

 

O coração de Aoi se encheu de doçura, assim como da vez em que recebeu a lata de milk-shake de Hikaru.

 

— Bem, agora...

 

Koremitsu gaguejou de repente.

 

Ele ergueu o olhar de soslaio, perturbado, e murmurou.

 

— Tenho mesmo que fazer isso?

 

Em seguida, baixou a cabeça, bufou e, de repente, olhou para Aoi.

 

— Este é o sexto presente. Droga.

 

O rosto de Koremitsu estava corado enquanto erguia a mão direita bem alto e estalava os dedos.

 

E então, a melodia de “Parabéns pra Você” tocou.

 

Inesperadamente, Koremitsu começou a cantar acompanhando o ritmo.

 

— Haaappy—baaaaaddaaay~~~ Senhorita Aoi!¹

 

Aquele garoto de aparência selvagem e primitiva parecia um delinquente em qualquer situação. Seu pescoço, orelhas e até mesmo seus olhos estavam vermelhos enquanto elevava a voz.

 

Seu canto certamente não era bom.

 

Estava sem dúvida um pouco desafinado também.

 

Mas ele apenas deu de ombros, ergueu as sobrancelhas e cantou com todo o coração.

 

— Haaappy baaaaaddaaay... Senhorita Aoi!

 

O canto de Koremitsu se sobrepôs à voz de Hikaru.

 

Era o seu terceiro ano no ensino fundamental II.

 

Aoi ficou desanimada após o término do concurso de canto promovido pela escola.

 

Na época, era a responsável por tocar piano na competição de coral da turma, porém cometeu um erro no meio da apresentação.

 

Ela abraçou os joelhos enquanto estava sentada em um canto do palco do ginásio, e naquele momento, Hikaru chegou e sentou-se ao lado.

 

— Vou cantar para você agora, senhorita Aoi.

 

Ele disse e então começou a cantar com uma voz encantadora.

 

— Senhorita Aoi, Senhorita Aoi, uma flor pura e branca...

 

Ele trocou “Edelweiss” por “Senhorita Aoi”, e não importava o quanto Aoi tentasse impedi-lo, dizendo “É constrangedor. Por favor, não cante mais”, Hikaru seguia cantando.

 

— Florescendo para sempre, na brisa da manhã...

 

— Senhorita Aoi, Senhorita Aoi, brilhando puramente, uma flor que desabrocha na terra da neve...

 

O palco do ginásio foi tingido de um vermelho avermelhado.

 

Hikaru inclinou um pouco a cabeça enquanto seus olhos claros fitavam Aoi. Seus cabelos longos e esvoaçantes brilhavam em um tom dourado deslumbrante.

 

Sem que percebesse, o rosto de Hikaru estava bem na sua frente.

 

Quase podia sentir a respiração que Hikaru soltava.

 

Sua expressão era repleta de gentileza e paixão.

 

Pensou que eles estavam prestes a se beijar, e seu coração acelerou.

 

Ainda sabendo que era impossível, se perguntou se o coração de Hikaru também estava acelerado, e se o dela também batia mais rápido.

 

Embora fosse impossível.

 

Ainda que fosse impossível para Hikaru ter sentimentos por ela.

 

Contudo...

 

No entanto...

 

Viu o rosto de Hikaru corar um pouco.

 

Seus olhos demonstravam uma hesitação vacilante, e seu coração batia tão forte que parecia prestes a se partir em pedaços.

 

Não conseguiu olhar diretamente para Hikaru até que este sorrisse e se afastasse.

 

Ele está zombando de mim de novo.

 

Era o que pensava, todavia a pulsação em seu coração não cessava.

 

Instantaneamente, Hikaru...

 

Hikaru era realmente...

 

Em que exatamente ele está pensando?

 

Está zombando de mim? Ou de fato está...

 

Nesse momento, o garoto, que tinha a mesma cor vermelha das chamas bruxuleantes em seus cabelos desgrenhados, amigo de Hikaru, estava se esforçando ao máximo para comemorar o aniversário de Aoi.

 

— Haaappy baaaaaddaaay... Senhorita Aoi!

 

Sua voz rígida e cantada preencheu seu coração, e sua respiração ficou trêmula.

 

Ele sequer conseguiu apagar as chamas das velas, mesmo depois de várias tentativas.

 

Os clientes e os funcionários da loja aplaudiram-na.

 

Era óbvio que Koremitsu estava constrangido, franzindo a testa.

 

— Nunca mais vou cantar. Esta é uma exceção.

 

Ele estava ofegante.

 

— Muito obrigada. Esta é a melhor música de aniversário que já ouvi.

 

Aoi tentou disfarçar a hesitação em seu coração enquanto forçava um sorriso de alegria, e Koremitsu desviou o olhar, seus lábios relaxando um pouco.

 

— Sério?

 

Mas então, ele prosseguiu com ênfase...

 

— Não vou cantar de novo.

 

O bolo de aniversário não tão doce e o milk-shake doce trouxeram aconchego e felicidade para Aoi.

 

No entanto...

 

— Tudo vai acabar depois deste último.

 

No instante em que disse isso, Aoi sentiu uma onda de solidão a atingir como água fria, enquanto seu coração esfriava, assim como Hikaru se levantou do palco do ginásio e se afastou dela.

 

O próximo item seria o sétimo.

 

Assim que o recebesse, o aniversário de Aoi teria acabado.

 

E a promessa que Hikaru fizera a Aoi até então desapareceria sem deixar vestígios.

 

Koremitsu percebeu de repente, e sua expressão ficou sombria.

 

Talvez também tenha sentido a solidão do fim desse evento, assim como Aoi.

 

— Sim, ainda falta mais um.

 

Ele parecia estar resmungando para si mesmo.

 

— ...

 

— ...

 

Ambos ficaram em silêncio. Recusavam-se a olhar nos olhos um do outro, baixando a cabeça.

 

O prato branco tinha sobre ele as velas ligeiramente derretidas com os números “1” e “7”.

 

— Sobre isso...

 

Koremitsu levantou a cabeça.

 

Encarando Aoi com uma expressão envergonhada e o rosto corado.

 

— O sétimo presente vai demorar um pouco, então vamos aproveitar qualquer atração que você queira experimentar, encontre qualquer coisa que queira ver e vamos ir em qualquer lugar que quiser. Vamos nos divertir.

 

Aoi também levantou o rosto e sorriu.

 

Este momento misterioso, porém acolhedor, logo chegará ao fim.

 

Contudo antes disso...

 

— Sim.

 

Aoi assentiu com a cabeça sem hesitar.

 

Depois disso, os dois foram encarar algumas das atrações emocionantes em que Aoi normalmente nunca andaria.

 

— Nunca mais vou andar nessa coisa! Essa atração é muito perigosa, gira sem parar, fica de cabeça para baixo e cai de repente!

 

Aoi insistiu, embora logo apontou para outra atração emocionante e disse.

 

— Seria muito desanimador reclamar sem dar uma volta. Vamos experimentar aquele navio viking também?

 

E então, ela começou a gritar outra vez, com lágrimas escorrendo pelo rosto.

 

— Na verdade, você não aprende nada com as suas lições.

 

Koremitsu quase ficou sem palavras ao olhá-la, no entanto ela retrucou.

 

— É só que eu gosto de desafios!

 

— Sério? Então vamos desafiar aquilo.

 

— Hã? Isso não está completamente de cabeça para baixo? Uuh... Vou tentar!

 

Koremitsu olhava para Aoi com uma expressão entretida e gentil, tal qual Hikaru costumava olhar para Aoi.

 

E então...

 

— Já é hora.

 

Enquanto estavam sentados nos camarotes da roda-gigante, um de frente para o outro, eles olhavam para o pôr do sol pela janela, e Koremitsu comentou com uma expressão melancólica.

 

Aoi também estava mentalmente preparada enquanto aguardava o fim.

 

***

 

Minha missão está prestes a terminar aqui.

 

Koremitsu pensou enquanto olhava pela janela da roda-gigante, que estava tingida de vermelho carmesim.

 

O rosto de Aoi estava radiante enquanto estava sentada no assento oposto, aparentemente embriagada enquanto contemplava o pôr do sol pela janela. Ela continuou a desfrutar do momento até o fim.

 

Eu também me diverti muito aqui.

 

Koremitsu murmurou algo para Aoi... E para o belo amigo sentado ao lado de Aoi em seu coração.

 

Hikaru também esboçou um sorriso gentil.

 

Os últimos dias foram repletos de altos e baixos.

 

O falecido Hikaru apareceu de repente na sua frente na banheira, flutuando ao seu redor, disse que havia algo de que não conseguia se desapegar e pediu ajuda.

 

Ele aceitou o pedido com relutância, mas como Aoi era teimosa demais, Koremitsu não conseguiu conquistar seu coração.

 

Após inúmeros questionamentos, recebeu em troca palavras duras e olhares condescendentes.

 

— É por isso que sempre digo, mulheres!

 

Ele gritou o bordão do avô várias vezes, embora não conseguiu mudar a situação.

 

Naquela ocasião, Hikaru até tentou acalmar Koremitsu.

 

— A senhorita Aoi é, na verdade, uma garota simples, porém boa. Ela é muito fofa.

 

Porém, Hikaru também desistiu por causa das lágrimas de Aoi e das palavras de sua prima Asai.

 

Contudo agora, Koremitsu e Hikaru estavam comemorando juntos o aniversário de Aoi.

 

A luz do pôr do sol iluminou o rosto delicado e branco de Aoi, tingindo-o de vermelho. Ela olhou pela janela, seus olhos brilhando enquanto um sorriso se formava em seus lábios macios.

 

— A senhorita Aoi é uma gracinha, não é?

 

Nesse momento, concordou de todo coração com as palavras de Hikaru.

 

Aaah, é verdade.

 

Aoi gritava sem parar enquanto andava nos brinquedos radicais, e apesar de suas pernas estarem bambas a ponto de não conseguir ficar de pé, continuou a se esforçar, resmungando enquanto segurava a mão de Koremitsu.

 

Ela fez aquela expressão envergonhada quando ele lhe entregou a foto e as flores.

 

Ficou completamente corada quando Koremitsu se esforçou para colocar o pingente em seu pescoço enquanto abaixava a cabeça, quase enterrando-a em seu peito.

 

Depois disso, sorriu cheia de alegria para ele.

 

Estremeceu um pouco, aparentando estar prestes a chorar, enquanto observava Koremitsu cantar desesperadamente uma canção de aniversário para ela.

 

Quando segurou o copo de milk-shake...

 

— Não consigo lidar com coisas picantes.

 

Ela deu algumas tragadas enquanto bebia.

 

— É doce e saboroso.

 

Ela estreitou os olhos, satisfeita.

 

Até mesmo Koremitsu, que observava tudo de longe, sentiu uma pontada de felicidade.

 

De vez em quando, Aoi mostrava uma expressão chorosa com os olhos marejados, o que fazia o coração de Koremitsu disparar ao sentir tanta doçura. Essa palpitação o fez se lembrar inesperadamente de algumas coisas importantes.

 

Ahh, é isso mesmo, Hikaru.

 

Sua Aoi é extremamente fofa.

 

A dupla sentada em frente a Koremitsu realmente parecia um casal perfeito.

 

Ela era uma namorada adorável, direta, no entanto um pouco teimosa, e ele era um namorado que aceitava todas essas qualidades com delicadeza, cuidando dela com carinho.

 

Pareciam um casal muito feliz.

 

Entretanto os olhos de Aoi não conseguiam ver Hikaru.

 

Deve ter sido doloroso para Hikaru.

 

Mas ele só conseguiu sorrir.

 

Koremitsu sentiu-se esmagado enquanto a tristeza o consumia por dentro, aquecendo seu corpo...

 

Eu transmitirei seus sentimentos em seu lugar, Hikaru.

 

Ele murmurou algo em seu íntimo.

 

A roda-gigante parou. Koremitsu segurou a mão de Aoi delicadamente, tratando-a como se fosse frágil, e a amparou quando a garota pisou no chão.

 

O céu lá fora escureceu e a primeira estrela cintilou no firmamento.

 

Os postes de luz acenderam no parque e os visitantes que vieram com suas famílias voltaram para casa.

 

Koremitsu seguiu segurando a mão de Aoi enquanto a conduzia até a fonte no meio do parque temático.

 

A coluna d’água disparou em direção ao céu noturno azul profundo, enquanto as gotas d’água dispersas e a coluna d’água azul, semelhante a uma cachoeira, eram iluminadas por luzes azuis, rosas e amarelas brilhantes, deslumbrando como em um conto de fadas.

 

Aoi ficou sem palavras, embriagada pelas luzes.

 

A luz incidia sobre seu rosto branco e delicado, e seus longos cabelos negros pareciam mais radiantes do que o normal, tornando-a ainda mais atraente.

 

Sua figura esguia parecia que ia se dissolver em uma luz semelhante a um arco-íris.

 

Hikaru parou em frente à fonte, bem na frente deles, Koremitsu e Aoi... E olhou para os dois com uma expressão serena. Seus olhos foram pouco a pouco se enchendo de tristeza.

 

Koremitsu compartilhava dos mesmos sentimentos que Hikaru ao olhar para Aoi.

 

Aoi olhou em direção à fonte e, de repente, falou.

 

— Agradeço muito por você ter comemorado meu aniversário no lugar do Hikaru. No começo, não acreditei que fosse amigo do Hikaru, porém sinto como se ele estivesse comigo quando você está ao meu lado, quando está falando comigo. Agora, posso acreditar nisso com toda certeza.

 

Aoi se virou e olhou para Koremitsu.

 

Seus olhos estavam cheios de confiança, e seu rosto exibia um leve sorriso.

 

— Você é amigo do Hikaru, Sr. Akagi.

 

O coração dormente de Koremitsu começou a aquecer.

 

Uma doce sensação se espalhou por todo o seu corpo.

 

As palavras de Aoi ressoaram com a lembrança que Koremitsu tinha de quando caminhava sob o luar com Hikaru de lado.

 

Neste momento, acho que estou com cara de quem vai chorar.

 

Contudo por mais feliz que eu esteja, não posso chorar agora. Preciso transmitir os sentimentos de Hikaru até o fim.

 

Koremitsu engoliu o calor que subia à sua garganta e falou.

 

— Então, como amigo de Hikaru, vou lhe apresentar o sétimo presente, Aoi. O sétimo item é... O “coração” de Hikaru.

 

Aoi arregalou os olhos, assustada.

 

Koremitsu conteve a paixão enquanto olhava para Aoi.

 

Hikaru estava atrás dela.

 

Ele a olhava com uma expressão terna, triste e apaixonada.

 

— Hikaru te amava desde pequeno. Como amigo, posso afirmar que não era mentira.

 

Aoi arregalou os olhos enquanto sua respiração se acalmava, ouvindo atentamente as palavras de Koremitsu.

 

— Hikaru queria comemorar seu aniversário de 17 anos assim, para te fazer uma surpresa e expressar seus verdadeiros sentimentos por você.

 

Koremitsu fez o possível para declarar.

 

Expressou os sentimentos de Hikaru, que permaneceu neste mundo com arrependimentos mesmo após a morte.

 

Revelou os verdadeiros pensamentos de Hikaru.

 

— Você é uma pessoa muito importante para o Hikaru, Aoi!

 

Lágrimas e perplexidade surgiram em seus olhos.

 

Ela não conseguia acreditar.

 

Seu rosto se contorceu, demonstrando incredulidade, e nesse momento, Hikaru a seguiu.

 

Ele expressou pensamentos que nunca teve a chance de expressar enquanto estava vivo.

 

— Senhorita Aoi, sempre senti que não podia sair com você com uma atitude indiferente. Por isso, quando enviei um dos presentes para a floricultura antes de ir para a Mansão Shinshu, decidi recomeçar com você. Naquele momento, esperava de verdade que se tornasse a minha amada. Se estiver comigo, Senhorita Aoi, acho que viverei cada dia de forma plena. Naquele momento, escrevi a carta com esperança e alegria.

 

Hikaru falou com uma voz suave, porém melancólica, enquanto encarava o rosto de Aoi, e narrou baixinho as palavras que Aoi não conseguia ouvir.

 

A esperança de Hikaru.

 

O futuro de Hikaru.

 

Aoi era muito, muito importante para ele... Como uma flor branca desabrochando em um campo sagrado.

 

Koremitsu continuou.

 

— Você é uma pessoa especial para o Hikaru, não o tipo de pessoa com quem poderia apenas entrar em contato casualmente. Ele te valoriza de todo coração. Você é essencial para aquele futuro feliz que o Hikaru descreveu! Ele realmente queria estar ao seu lado para sempre!

 

As sobrancelhas e os lábios de Aoi tremeram.

 

Hikaru abraçou Aoi por trás e se declarou para apaixonadamente.

 

— Você é minha amada, Srta. Aoi. E eu digo isso do fundo do coração.

 

Essas palavras não deveriam chegar aos ouvidos de Aoi...

 

Contudo ela ergueu as mãos lentamente.

 

Os jatos de água atingiram o céu noturno, e o arco-íris que iluminava a fonte desapareceu no ar.

 

Em vez disso, surgiram lampejos brancos e brilhantes que adornavam as cascatas de água que fluíam livre.

 

Pareciam estrelas preenchendo o céu!

 

A água, correndo para cima, era tão deslumbrante quanto as estrelas no céu, caindo de volta à terra em suspensão e evaporando-se em uma nuvem brilhante.

 

Os olhos de Aoi estavam arregalados.

 

— Estrelas...?

 

Murmurou com a voz trêmula e cobriu a boca com as duas mãos, como se estivesse engolindo o choro.

 

— Se você me ouvir, mesmo que seja só um pouquinho, por favor, coloque o dedo nos lábios para me avisar...

 

Sua voz enfim pareceu alcançá-la.

 

Aoi chorou enquanto levava os dedos aos lábios.



Hikaru também estreitou os olhos, quase em lágrimas. Ele moveu os lábios de leve e soltou uma voz suave e delicada.

 

— Eu não prometi fazer as estrelas do céu caírem se quisesse me declarar para você? Agora, com certeza, vou provar que te amei.

 

Lágrimas escorreram pelos grandes olhos de Aoi.

 

Ela levou os dedos à boca, engasgando algumas vezes enquanto respondia.

 

— Eu também te amo.

 

Aoi confessou com a voz rouca.

 

— Também queria passar mais tempo juntos, Hikaru... Eu amo o Hikaru mais do que qualquer outra pessoa... O amei mais do que qualquer outra pessoa desde que éramos crianças.

 

As deslumbrantes colunas de água dançavam, carregando agora as estrelas cintilantes. Elas brilhavam, sorrindo enquanto permaneciam ao lado dos dois apaixonados que por fim conseguiram expressar seus sentimentos.

 

O coração de Koremitsu parecia estar voando pelo céu enquanto se banhava na luz.

 

O sétimo presente, na verdade, é um beijo.

 

— Na verdade, eu pretendia me declarar para a senhorita Aoi em frente à fonte e beijá-la delicadamente. — Hikaru disse isso a Koremitsu com um sorriso radiante.

 

— E então, nós dois nos tornaríamos verdadeiros amantes.

 

— A partir de agora, só ela será meu tesouro.

 

— Não vou magoar a senhorita Aoi. Vou segurar a sua mão e construir um novo futuro juntos, criando todos os tipos de memórias importantes. Não importa se fizer chuva ou fizer sol, se estiver ventando ou não, vamos rir e nos amar sempre.

 

— Vamos rumo a um futuro maravilhoso... Um futuro repleto de amor.

 

— Será a minha maior felicidade se a senhorita Aoi se tornar minha amada.

 

— VOU ATESOURAR A SENHORITA AOI COM TODO O MEU CORAÇÃO!

 

Hikaru ficou atrás de Aoi e sussurrou palavras de despedida para ela.

 

— Eu te amo muito, Srta. Aoi, o jeito como tenta bancar a durona, o jeito desastrado que tem. Se ainda estivesse vivo, continuaria te amando. Quero muito fazer piqueniques e ir à praia como fazíamos quando éramos mais novos. Ainda quero fazer uma coroa de flores para você de novo, Srta. Aoi.

 

Aoi chamou seu nome num lamento baixo.

 

Hikaru não conseguiu beijá-la.

 

Assim, Koremitsu seguiu o exemplo de Hikaru e a abraçou.

 

Ele tentou transmitir o carinho e a paixão de Hikaru, mesmo que pouco, ao abraçar Aoi.

 

O corpo de Aoi era delicado e esguio, parecendo afundar em seu peito, e Koremitsu a segurava com gentileza em seus braços, com medo de que se quebrasse se exercesse força.

 

— Sinto muito por tê-la magoado tanto, Srta. Aoi. Por favor, continue a viver feliz e a florescer.

 

A voz de Hikaru estava embargada.

 

Não conseguiu continuar.

 

Aoi, Aoi, esses são os verdadeiros sentimentos de Hikaru, seus pensamentos mais íntimos. O último presente de aniversário que queria te dar, Aoi.

 

Aoi continuava chamando o nome de Hikaru enquanto permanecia nos braços de Koremitsu, chorando.

 

Embora Koremitsu a estivesse abraçando, parecia que era o próprio Hikaru quem a estava abraçando.

 

— Hikaru, Hikaru.

 

Sua voz rouca e entre soluços continuava a clamar.

 

Hikaru fez com que as estrelas acima de Aoi caíssem sobre ela.

 

Ele havia provado a ela que a amava do fundo do coração e lhe deu o melhor presente de aniversário em seu aniversário de 17 anos.

 

Aoi finalmente admitiu seu amor por Hikaru.

 

Ela amava Hikaru desde jovem, e seu pequeno ser era repleto de doçura, amargura e tristeza, mas continuava a ansiar pela união dos dois.

 

Porém, achava que Hikaru e Asai combinavam mais. Ele a chamava de “Asa”, enquanto se referia a Aoi como “Senhorita Aoi”, como se fosse uma estranha, o que a impedia de ser honesta consigo mesma.

 

Depois disso, costumava dizer coisas maldosas para Hikaru sempre que o via rodeado de tantas mulheres bonitas.

 

Cada pintura que Aoi desenhava era um lugar onde Hikaru havia aparecido antes.

 

A presença de Hikaru se fazia sentir nas pinturas que retratavam o ginásio vazio, a escadaria pela manhã e a máquina de venda automática à noite.

 

Ele sorriu ao olhar para Aoi.

 

— Eu te amo muito, Hikaru... Eu te amo muito... Te amo.

 

Aoi finalmente conseguiu dizer o “Eu realmente te amo” que estava escondido em seu coração há 10 anos.

 

Ela foi perdoada... Libertada.

 

Ela foi salva.

 

Decidindo manter a presença de Hikaru nesta pintura, naquela pintura, com o rosto sorridente que ele lhe dera.

 

Qual foi a expressão dele quando olhou para ela?

 

Agora, com certeza seria capaz de usar seus verdadeiros sentimentos para desenhá-lo, para deixar a prova de que Hikaru estava vivo.

 

Adeus, Srta. Aoi.

 

Um murmúrio distante chegou aos seus ouvidos. Talvez estivesse alucinando?

 

A voz de Aoi já estava rouca, e as lágrimas continuavam a escorrer. O gentil amigo de Hikaru continuava a abraçá-la com força.




Notas:
1. Ele está cantando em inglês, ou melhor, tentando.

***

Link para o índice de capítulos: When Hikaru was on the Earth...

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