Volume 01: Aoi — Capítulo 06: Se aquela estrela sorrisse para mim
— Feliz aniversário, Aoi.
Asai, vestida com um
pijama de seda simples, afastou a cortina floral francesa, virou a cabeça e
falou com Aoi.
Aoi sentou-se na cama
enquanto esfregava os olhos.
Era domingo de manhã.
O sol brilhante da manhã
entrava pela janela e o tempo parecia bom.
Asai passou a noite na
casa de Aoi desde sábado à noite.
Ela veio hoje para fazer
bolo e comida para Aoi, por isso precisou vir e se preparar no sábado.
Asai era uma amiga de
infância confiável e, embora fosse alguns meses mais nova que Aoi, era mais alta
desde que se lembrava, mais inteligente, mais determinada e cuidava de Aoi como
uma verdadeira irmã mais velha.
O pai de Aoi também tinha
muita confiança em Asai.
Sempre que Asai vinha
visitar, o pai de Aoi a elogiava e agradecia.
— Aoi sempre esteve sob
seus cuidados.
— Por favor, continue
cuidando da nossa Aoi.
— Coma só um pouquinho no
café da manhã. Vou fazer panquecas sem açúcar para acompanhar um iogurte de
frutas, que tal? Você deve conseguir comer tudo. Também vou fazer uma sopa de
legumes para não sentir frio.
Asai havia decidido tudo
isso com precisão.
E Aoi apenas precisava
aceitar.
Aoi tirou sua camisola
com detalhes de renda na barra e vestiu um vestido de algodão de uma peça,
confortável para sua pele.
Essas roupas também foram
compradas quando foi às compras com Asai.
— Essa roupa é boa.
Combina com você, Aoi.
Mesmo nos primórdios da
amizade, bastava que ouvisse Asai para evitar problemas.
Certo, mesmo que
estivesse relacionado a Hikaru...
— As tendências de
mulherengo do Hikaru jamais serão curadas. Ele é o tipo de pessoa que não
sobreviverá se não encontrar uma nova parceira amorosa.
Asai falou de Hikaru com
uma expressão bastante crítica.
Embora o trio brincasse
junto com frequência quando eram mais novos, Asai não demonstrava nenhuma
piedade por Hikaru. Ela mimava muito Aoi, mas tratava Hikaru com um tom e uma
atitude gélidos.
— Hikaru não é páreo para
você, Aoi.
Asai já havia comentado
isso no passado.
— O Hikaru não é um homem
honesto que só vai te proteger, Aoi. Ele vai continuar tendo relacionamentos
superficiais com várias mulheres e vai continuar te magoando.
Aoi também achava que ela
estava certa...
Que as palavras de Asa
estavam sempre corretas.
— Você deveria dizer ao
seu avô para cancelar seu casamento com Hikaru. Quer que eu te ajude a pedir?
Porém ela não podia
concordar apenas com essa fala específica de Asai.
Estamos noivos apenas de
fachada, e mesmo que eu não tente cancelar o noivado, Hikaru não se casará
comigo de verdade.
É claro que não vou me
casar com o Hikaru.
Foi o que disse, contudo
Aoi nunca cancelou o noivado de maneira formal.
Isso aconteceu apesar de
Asai ter lhe dito para fazê-lo várias vezes.
Ela repetia que Aoi não
teria nenhuma infelicidade, nenhuma lembrança dolorosa.
Se tivesse escutado as
palavras de Asai naquela época, talvez a morte de Hikaru não lhe fosse tão
dolorosa agora.
Talvez não sentisse a
angústia que lhe dilacerava o coração, e não se sentisse sufocada no meio da
noite.
Ela recebeu os talos de
lilás dois dias antes da morte de Hikaru e, assim que soube de seu falecimento,
quebrou os talos e os jogou fora.
Este é o primeiro
presente. Preparei mais 6 presentes para o seu aniversário. Aguarde
ansiosamente.
Aoi sentiu dor ao
perceber que essa promessa fazia seu coração disparar... E seu corpo parecia
estar se despedaçando...
Não conseguia perdoar
Hikaru por quebrar a promessa da pior maneira possível.
— Mentiroso!
Ela rasgou a carta,
quebrou os talos e disse várias vezes com a voz rouca.
— Mentiroso! Mentiroso!
Assim, quando a pessoa
que se proclamava um bom amigo de Hikaru, Koremitsu, apareceu na sua frente,
alegando que celebraria o aniversário de Aoi no lugar de Hikaru, Aoi ficou
furiosa.
Além do mais, Koremitsu
tinha um cabelo ruivo chamativo, um olhar feroz e penetrante como o de um cão,
e era muito grosseiro em suas palavras... Era impossível imaginar que uma
pessoa tão primitiva e rude pudesse ser amigo de Hikaru.
Ele sem dúvida estava
tentando a enganar, assim como Asai disse.
Não devo acreditar que
ele está tentando transmitir os pensamentos de Hikaru.
Era isso o que pensava
até então.
— Este é o segundo
presente!
O olhar apaixonado
penetrava Aoi profundamente.
Ele estendeu a mão para
ela.
— É um ingresso para o
parque temático! Vamos lá no domingo!
Koremitsu entregou o
envelope com o bilhete a Aoi com firmeza e exclamou com voz séria.
— Estarei esperando! Com
certeza! Você precisa vir! Entregarei os 5 presentes restantes!
Ela sentou-se
delicadamente na cama, puxou a gaveta antiga com entalhes florais e olhou para
ela com inquietação.
O objeto encontrado
dentro da gaveta era o ingresso do parque temático que Koremitsu lhe entregou à
força na sexta-feira.
Aoi disse a Asai que já o
havia jogado fora, entretanto, na verdade, o guardou consigo.
Assim como não rompeu o
noivado.
— Você precisa vir se
quiser saber os sentimentos de Hikaru! Aoi!
Os sentimentos de Hikaru.
Será que eles existiram
mesmo?
Os dois estavam noivos
apenas de fachada, então que tipo de sentimentos Hikaru tinha por ela de verdade?
Quando ainda estava vivo,
Hikaru dizia “A senhorita Aoi é muito fofa, eu realmente te amo” com a mesma
naturalidade com que respirava, a ponto de ser quase sua saudação. Quando
descobriu que Hikaru dizia essas coisas para outras garotas também, ficou muito
irritada por ter sido enganada.
— Não consigo acreditar
no seu “amor”, Hikaru.
Aoi inflou as bochechas e
o encarou com raiva, mas Hikaru deu um sorriso angelical enquanto a olhava nos
olhos, dizendo...
— O que devo fazer para
que você acredite que eu realmente te amo, senhorita Aoi?
— Então, tente fazer as
estrelas caírem do céu. Se não conseguir, não acreditarei em nada do que me disser.
A culpa é sua por sempre dizer essas palavras vazias para zombar de mim.
Aoi virou as costas para
Hikaru e ouviu sua risada vinda de trás.
— Então, preciso pensar
em um jeito de fazer as estrelas caírem quando eu quiser confessar a você que “te
amo muito”.
Ele disse tais palavras em
tom de brincadeira.
Embora fosse impossível
fazer as estrelas caírem.
É por isso que os
sentimentos de Hikaru... Para mim... São como estrelas caindo no céu. Eles não
existem.
Ela murmurou em um rouco
tom, e seu peito estava visivelmente dilacerado.
O gato que tinha em casa,
Shell Blue, miou ao pular no colo de Aoi.
Era rechonchudo, seu pelo
preto e branco lembrava o de uma vaca, e seu rosto era achatado. Sem dúvida não
era um gato bonito.
Porém ela se apaixonou
por ele à primeira vista, quando o viu encharcado pela chuva enquanto estava
dentro da caixa de papelão.
Aoi abraçou aquele corpo
pesado com força.
Não quero saber nada
sobre os sentimentos de Hikaru, nem nada do tipo.
***
— Argh...! Por que ela
ainda não chegou?
Eram 13:15.
Koremitsu resmungou de
repente enquanto estava parado nos portões da passarela da estação.
Os transeuntes que
passavam pelos portões ficaram chocados e se afastaram, tentando evitá-lo.
— Droga, já se passaram
mais de 15 minutos. Será que a Aoi está planejando me fazer esperar aqui?
— São meninas, então
talvez estejam atrasadas porque passaram o tempo se arrumando. O máximo que
esperei por uma garota foram 6 horas.
— Tch, você realmente tem
paciência para esperar, hein? Aliás, é incrível que a garota tenha aparecido
mesmo depois de ter te feito esperar por 6 horas.
Koremitsu ficou sem
palavras.
No entanto, para ele, que
nunca havia convidado ninguém para sair e não tinha muita paciência, uma espera
de 15 minutos era tempo demais.
— Só para deixar claro,
gostaria de perguntar: a Aoi é do tipo que se atrasa porque está se arrumando?
— Não, é do tipo que
chega 30 minutos antes, dá uma volta pelo local, volta para o ponto combinado
10 minutos antes do horário marcado e faz beicinho quando você aparece, dizendo
que só chegou mais cedo por coincidência.
— Isso significa que ela
não vem!
Koremitsu passou pela
catraca e embarcou no trem do metrô que acabara de chegar.
Não podia mais esperar.
— Se não vier, eu mesmo
irei buscá-la!
Os passageiros do trem
imediatamente olharam para Koremitsu em uníssono.
***
— O bolo já deve estar
quase pronto.
Asai se deliciou
saboreando o sanduíche e o chá vermelho sobre a mesa branca enquanto olhava
para o relógio.
Eram 13:45.
O coração de Aoi doía a
cada batida.
O horário combinado que
Koremitsu lhe prometeu era 13h.
Ele deve ter voltado
furioso.
Não se sentia com apetite
para comer o sanduíche e beber o chá vermelho, e apenas se aconchegou em Shell
Blue enquanto abaixava a cabeça.
Isso está realmente
certo?
Asai já havia dito que
não havia necessidade de dar ouvidos às palavras daquele homem.
Contudo...
Na sexta-feira, quando
acordou na enfermaria, Asai trouxe uma lata de milk-shake e a entregou a
contragosto para Aoi, dizendo.
— Está morno. Talvez não
seja muito agradável para beber.
Asai não gosta do milk-shake
vendido nas máquinas automáticas da escola e disse que era uma bebida com
conservantes e açúcar misturados ao leite, que não fazia bem para o corpo e não
recomendou que Aoi bebesse.
É verdade que não tinha
um sabor refinado, mas Aoi adorava aquela doçura que não conseguia sentir em
casa, e comprava para beber de vez em quando, escondendo-o de Asai.
— Tudo bem. Vou ficar com
ele então. Obrigada, Asa.
O milk-shake já havia
esfriado, porém ainda podia sentir o líquido acalmando seu corpo.
Enquanto Aoi tomava o
milk-shake, Asai, sem querer, olhou-a com uma expressão severa.
Koremitsu deixou essa
lata de milk-shake para trás?
De vez em quando, Hikaru
lhe oferecia gentilmente uma lata de milk-shake.
— Mantenha isso em
segredo da Asa.
— Não me trate como uma
criança. Já parei de gostar de milk-shakes desde os primeiros anos do ensino
fundamental.
Ela coraria ao retrucar. Todavia,
Hikaru continuaria oferecendo milk-shakes para Aoi, em vez de café ou chá
oolong.
Porque ele sabia que Aoi
ainda gostava de milk-shake.
Portanto, quem deixou o milk-shake
na enfermaria não foi Asa, e sim Koremitsu...
Não, não devo ficar
pensando mais nisso.
O horário marcado já
havia passado há muito tempo, e seria inútil continuar pensando a respeito.
Estaria apenas aumentando
sua amargura.
Certo, só não pensaria em
nada relacionado a Hikaru... E esqueceria tudo sobre ele, assim como fez
durante aquele período após a sua morte.
— Vou lá ver como está o
bolo.
Asa saiu da sala.
Ela acariciou o rosto de
Shell Blue, que também parecia preocupado enquanto soltava um miado.
De repente, o telefone de
Aoi, que estava em cima da penteadeira, tocou.
Ela atendeu o telefone e
descobriu que era um número desconhecido ligando.
Normalmente, teria ignorado
essa ligação.
Contudo talvez... Essa
premonição surgiu em seu coração, e apertou o botão de chamada.
— Ei, Aoi!
Uma voz rouca chegou aos
seus ouvidos.
— Já passou da hora
marcada!
Por que Koremitsu sabia o
seu número?
Essa suspeita, no
entanto, era desnecessária, pois seu coração estremeceu no instante em que
ouviu a voz... Não era um sentimento de medo ou perplexidade, era algo mais...
— Estou te chamando agora
na frente da sua casa! Depressa, pegue o ingresso e venha para cá!
O tom de Koremitsu era
muito desajeitado, embora ainda estava tentando o suavizar.
Era a mesma voz que usou
quando Aoi estava cercada pelo leque de fãs de Hikaru, a mesma voz desesperada
e suplicante.
— PARE AÍ MESMO...!
Ele gritou ao se colocar
na frente de Aoi.
Mesmo enquanto Aoi exibia
a feiura interior que havia dentro dela, ele a alcançou de qualquer maneira.
— Miau...
Shell Blue, deitado na
cama, soltou um grito de tristeza.
Aoi abriu a gaveta, pegou
o envelope com o ingresso dentro e saiu correndo do quarto sem levar a bolsa, o
celular, a carteira, o passe mensal, disparando direto para a entrada.
O aroma doce de manteiga
e açúcar invadiu o ar vindo da cozinha.
Asai devia estar tirando
o bolo do forno.
Sinto muito, Asa.
Chegando à entrada,
apertou apressadamente as fivelas das sandálias e abriu a porta.
Correndo em direção à
entrada, aparentemente perdida em seus próprios pensamentos, quando enfim
chegou à porta encontrou Koremitsu lá, esperando com o telefone junto à orelha.
— Você está atrasada.
Os olhos selvagens,
semelhantes aos de um cão, encararam Aoi enquanto franzia a testa e resmungava
essa frase com sua voz rouca.
Aoi sentiu uma sensação
de incompletude no peito.
Uma onda de sentimentos
subiu por sua garganta, e olhou para Koremitsu, estremecendo de leve.
— Certo, já pegou o
ingresso, né? Vamos lá.
Aoi, porém, não se mexeu.
Koremitsu franziu a
testa.
— Tch, ainda está
hesitando?
— Eu...
— Hã?
— Fiquei tão chocada que
minhas pernas não conseguem se mexer... A culpa é toda sua.
Sua garganta e seus olhos
estavam ardendo, e não conseguia processar os pensamentos confusos que a
invadiam. Ela repreendeu Koremitsu por parecer prestes a chorar.
— Sério, você me causa
muitos problemas, Princesa.
— Não me lembro de ter
pedido seus cuidados... Kyah!
A boca de Aoi soltou um gritinho.
Koremitsu levantou Aoi em
seus braços.
E as pernas dela se
debatiam no ar.
— O-O-O-O que pensa que
está fazendo?
Koremitsu carregou Aoi no
colo, dando-lhe um carregamento de princesa.
— O que está fazendo? Por
favor, me coloque no chão!
— Você não acabou de
dizer que seus pés não conseguem se mexer? Estou te mexendo agora! Seu
aniversário vai passar se ficar enrolando desse jeito!
— Mesmo que seja esse o
caso, você está sendo muito imprudente! Me ponha no chão!
— Já te carreguei uma
vez, então cala a boca. Além do mais, não é difícil para mim, já que você é levinha.
Ele disse mesmo que já me
carregou antes...
As palavras de Koremitsu
fizeram Aoi corar.
Por falar nisso, ela se
viu deitada na cama da enfermaria quando acordou depois de desmaiar na escada...
Asai também disse que não tinha certeza da situação de Aoi antes de ser levada
para a enfermaria, então talvez, naquele momento...
Seu rosto, orelhas,
pescoço e cabeça estavam em brasa, como se estivessem pegando fogo.
Seu corpo tremia enquanto
Koremitsu a carregava, e quase caiu algumas vezes; inconscientemente, ela envolveu
os braços no pescoço de Koremitsu.
Quando Aoi machucou o pé
na quadra de tênis da casa de Asai no ano passado, Hikaru a carregou com
cuidado, ainda com a roupa de tênis.
Essa dor não é nada. Posso
andar sozinha! Não me carregue como se eu fosse uma criança!
Enquanto Aoi corava e
protestava com raiva, Hikaru mostrou-lhe um sorriso gentil.
— Mas é porque você é uma
garota muito importante para mim, senhorita Aoi.
Aoi se sentiu
envergonhada, encantada e, ao mesmo tempo, furiosa consigo mesma, e cerrou os
lábios enquanto abaixava a cabeça, demonstrando uma expressão infeliz.
— Uma garota muito
importante!
Koremitsu disse a mesma
coisa que Hikaru, e Aoi sentiu o peito ser transpassado enquanto seu coração
estava confuso, sem saber o que fazer.
Não queria se lembrar.
O sorriso gentil de
Hikaru, sua voz envolvente, suas mãos delicadas, sua expressão exuberante, seus
movimentos familiares, cada palavra que lhe dizia, a dor... Queria esquecer
tudo aquilo.
Porém seu corpo tremia
nos braços de Koremitsu, seu coração vacilava e a paisagem mudava. O vento
acariciava seu rosto, e continuava a recordar o passado, resgatando memórias
profundas.
Quando conheceu Hikaru
pela primeira vez, o achou tão fofo quanto um anjo. Quando este lhe disse “vamos
brincar juntos”, Aoi ficou tão sem palavras que não conseguiu se expressar direito.
Ela acompanhava Asai
sempre que esta visitava a casa de Hikaru e observou que Hikaru parecia ficar
mais contente quando conversava com Asai.
Asa é mais inteligente do
que eu, mais madura e seria uma combinação melhor para o Hikaru.
Esse pensamento nunca
desapareceu por completo de sua mente.
Asai dizia com
recorrência coisas cruéis para Hikaru, contudo mesmo assim, parecia que os dois
tinham uma sintonia profunda, a ponto de Aoi se perguntar se existia algum tipo
de laço único entre eles.
Por exemplo, sempre que
ela via Hikaru se engraçando com outras garotas, lançava um olhar repreensivo
sem demonstrar qualquer hesitação e dizia num tom frio.
— Vejo que seus maus hábitos
estão agindo outra vez. Até quando pretende manter essa história de amor?
Em resposta, Hikaru dava
um sorriso caloroso e dizia.
— Todas as flores, todos
os romances continuarão a desabrochar em meu coração.
No momento em que respondia...
Aoi sentiu que havia um
entendimento entre os dois, a ponto de não haver necessidade de ciúmes e
desculpas, e seu coração começou a doer.
Independente de ter
conhecido Hikaru ou não, Aoi continuaria a criticá-lo de forma dura.
Isso acontecia porque ele
estava sempre com outra garota.
Não conseguia manter a
mesma calma que Asai.
Para Hikaru, Asai era sem
dúvida diferente das outras garotas... Uma existência especial.
No entanto Aoi continuava
a se ver como uma noiva de nome, porque seus pais a haviam prometido em
casamento; achava que não era bonita e não tinha nenhum charme atraente.
Ainda assim, Hikaru
continuou a presenteá-la com um sorriso deslumbrante.
Ele falava com ela com
uma voz cheia de amor.
Faria uma cara de
brincalhão e lhe entregaria uma lata de milk-shake.
Costumava dizer palavras
que Aoi não esperava, em um tom gentil, o que a deixava confusa.
Hikaru é demais.
Hikaru é muito astuto.
Ele sempre me engana
porque ainda não me acostumei a interagir com o sexo oposto.
No instante em que
pensava nisso, o peito de Aoi vacilava e seu rosto esquentava. Sempre que
Hikaru a tratava com gentileza, respondia a isso com frieza.
Aoi não conseguia evitar
se odiar por ter bebido café, a bebida que mais detestava, na frente de Hikaru,
e por ter se colocado em uma situação tão lamentável.
— Mentiroso!
Jurou esquecer tudo sobre
Hikaru ao se deparar com a foto deste sorrindo no obituário, cercada por flores
brancas.
Se não o fizesse, não
seria capaz de proteger o seu íntimo.
Não conseguia suportar o
desespero causado pela ausência de Hikaru.
Não comemoraria
aniversários nem nada do tipo.
Nunca mais acreditaria
naquele cara.
Foi o que decidiu.
O amigo de Hikaru a
carregou até a estação.
Havia mais pessoas
passando por ali, e elas olhavam discretamente. O que é isso? Estão filmando
uma série? Vozes podiam ser ouvidas.
— Está tudo bem... Já
consigo andar sozinha, então, por favor, me coloque no chão.
Aoi implorou com uma voz
bem baixinha.
— Tem certeza?
Koremitsu baixou os
braços devagar e curvou a cintura.
Aoi olhou de relance para
o rosto de Koremitsu e o viu encharcado de suor.
— Ah, esqueci de trazer
minha bolsa.
— Já que é seu
aniversário, eu pago.
Disse Koremitsu enquanto
entregava a Aoi a passagem de trem que havia comprado.
— Considere isso um
presente meu.
Ela se lembrou das
palavras que Hikaru disse quando lhe entregou o milk-shake, e seu coração
disparou ainda mais.
— Obrigada.
Essa pessoa era completamente
diferente de Hikaru.
Todavia estava muito
consciente disso e era tão tímida que não conseguia levantar a cabeça. Seu
pescoço também estava tingido de vermelho.
Ao passarem pelo pórtico,
Koremitsu segurou Aoi pela mão.
— Acho que o trem está
chegando.
— Er-Erm, a mão...
Koremitsu também pareceu
não saber o que fazer ao ver Aoi perturbada, e ficou tenso.
— Bem, ele me disse para
dar as mãos.
Ele lançou um olhar
diagonal para cima.
— Hikaru, quero dizer.
— Vamos dar as mãos,
senhorita Aoi.
Aoi lembrou-se da mão
branca e delicada que Hikaru lhe estendeu, e seu coração disparou.
Foi nessa época que todos
iam fazer piquenique nas montanhas ou nadar na praia. Sempre que Hikaru a
convidava, ela recusava, dizendo que não havia necessidade.
A mão de Koremitsu estava
suada e áspera.
A mão de Hikaru, a mesma
que segurou na adolescência, deveria ser mais suave e delicada.
Mesmo assim, Aoi sentiu o
calor e a tensão na palma da mão e nos dedos dele, e apertou-os de volta com
força.
Koremitsu arregalou os
olhos em surpresa.
Aoi desviou o olhar com
timidez.
Os dois continuaram de
mãos dadas durante toda a viagem de trem.
***
Eles passaram pela
entrada do parque temático, e a primeira atração que visitaram foi a
montanha-russa.
— Sou meio ruim nessas
coisas emocionantes que me fazem gritar.
— Não se preocupe, nunca
ouvi falar de nenhum incidente como o trilho da montanha-russa quebrando, a
montanha-russa caindo no ar ou saindo dos trilhos.
— Só de pensar já me
sinto incomodada. Por favor, não diga essas coisas!
— Por isso digo que é
impossível um trilho quebrar. Seria um acidente grave se acontecesse.
— Ahhh, por favor, não fale
mais! Minha mente está cheia da imagem do trilho se partindo em dois!
Os dois conversavam
animadamente enquanto esperavam na fila.
Quando chegou a hora de
se levantarem, apertaram os cintos de segurança.
— Depois de tudo eu não
deveria estar aqui.
— Ei, não é bom desistir
agora.
Koremitsu segurou a mão
tímida de Aoi.
A montanha-russa começou
a se mover.
— Não, vai cair, com
certeza vai cair. Sinto que vai cair.
— Não diga coisas tão assustadoras.
Agora estou entrando em pânico também.
— Viu? Falei que com
certeza íamos cair!
— O que você quer dizer
com “com certeza”?
O carro deu um solavanco,
GATANK! Depois começou a descer em alta velocidade.
— KYAAAH!
Aoi gritou.
Ela se agarrou ao braço
de Koremitsu como se estivesse se agarrando a uma tábua de salvação.
E Koremitsu também gritou...
— WOOOOOOAAHHH...!
A montanha-russa
despencou até o fundo, começou a subir devido à inércia e girou no ar uma vez.
Enquanto isso, a dupla continuava a gritar.
— NÃO! VAMOS CAIR!
— UWAAAAAAAAHHHH!!
A montanha-russa enfim
parou.
Aoi estava caída sobre
seu assento, aterrorizada e incapaz de sair da montanha-russa.
Com a ajuda de Koremitsu,
por fim conseguiu chegar ao chão.
— Sério, nunca mais
vou... Andar nessa coisa selvagem.
Enquanto os olhos de Aoi
se enchiam de lágrimas...
— Você não estava todo
feliz tagarelando “kyah, kyah” desse jeito?
— Eu estava tremendo de
medo! Você também não deu uns gritos constrangedores?
— Bem, nunca andei numa
montanha-russa desde o ensino fundamental, e estou um pouco chocado também. Porém
uma montanha-russa é feita para nos fazer gritar, então não deveríamos gritar a
plenos pulmões e fazer barulho? Não tem graça se não tivermos medo.
Koremitsu disse enquanto
entregava a foto.
— Veja, você não parece
estar gostando na foto?
Era uma foto dos dois
andando na montanha-russa, comprada na loja perto da entrada da atração.
Aoi estava agarrada ao
braço de Koremitsu, com a boca escancarada e os olhos arregalados.
— Sério, o que significa
essa expressão estranha?
Até suas orelhas estavam
coradas.
— O que está dizendo?
Essa expressão é muito mais fofa do que essa sua cara de beicinho.
Koremitsu retirou um
marcador dourado fino de sua foto e escreveu algo sobre ela. As palavras
brilhantes e deslumbrantes eram nítidas e bonitas, muito diferentes da imagem
que a foto de Koremitsu poderia sugerir.
As palavras escritas eram...
“Sua expressão de
surpresa é muito fofa. Senhorita Aoi, com 17 anos.”
Koremitsu continuou
escrevendo timidamente, desenhou uma seta apontando para a expressão de Aoi na
foto e finalizou escrevendo.
“Feliz aniversário!”
Então entregou a foto a
uma Aoi corada.
— Este é o terceiro presente
de aniversário.
Aoi arregalou os olhos ao
receber a foto com as duas mãos.
— Sua expressão de
surpresa também é muito fofa, senhorita Aoi.
No pátio de sua casa, Aoi
ouviu alguém chamá-la pelo nome e virou a cabeça para trás. Um gato gordo,
parecido com um gado da raça Holstein, com o focinho achatado, foi entregue a
ela em seu carro, assustando Aoi. Hikaru disse com uma expressão doce.
— Adotei este gato no
parque, contudo acho que ele gosta mais de meninas do que de meninos. Poderia
cuidar dele para mim? O vovô e os outros já concordaram.
Hikaru provavelmente
sabia que Aoi estava alimentando o gato deixado na caixa de papelão no parque.
Por favor, não faça nada
necessário. Pretendo pedir ao meu pai que me deixe criá-lo.
Aoi insistiu.
No entanto, Hikaru não
pareceu se preocupar muito com o fato de Aoi estar diminuindo seu entusiasmo.
— Seus olhos estavam bem
arregalados, senhorita Aoi. São muito bonitos. Se eu pudesse ter tirado uma
foto...
Ele deu uma risadinha ao
dizer isso.
Como é que uma expressão
dessas pode ser fofa? Por favor, não zombe de mim! Retrucou Aoi, abraçando o
gato gordo que se tornou parte de sua família.
Ela relembrou esse
momento no dia em que Shell Blue se juntou à sua família, enquanto olhava para sua
foto gritando na montanha-russa, e quase caiu em lágrimas.
Hikaru ainda se lembra
daquele incidente?
Estava diferente do
habitual; seus olhos e boca estavam bem abertos. Ela pressionou esta foto
contra o peito.
O gosto da tristeza,
misturado com um toque agridoce, espalhou-se profundamente em seu coração.
— Então, vamos para o
próximo! Ainda temos muitos presentes! Vamos lá!
Koremitsu agarrou a mão
de Aoi e a puxou em direção à atração da xícara de café. Aoi soltou um suspiro
de alívio, pois não era um tipo de atração emocionante.
Todavia, Koremitsu girou
o volante da xícara de café rápido demais, fazendo com que girassem fora de
controle, deixando os olhos de Aoi turvos pela tontura.
Suas pernas estavam
bambas e sentia tontura.
Ela sentiu náuseas.
— Ack... Desculpe, nunca brinquei
naquilo antes.
Koremitsu pediu desculpas
apressadamente.
Aoi deitou-se inerte no
banco ao lado da cerca da atração das xícaras de café.
— Vou molhar o lenço.
Ele disse isso enquanto
saía correndo.
Não precisa continuar
cuidando de mim assim... No momento em que ia dizer isso, o cabelo ruivo
brilhante já havia desaparecido na multidão.
Por algum motivo, seu
coração batia forte enquanto esperava por Koremitsu.
Parecia que estava
esperando por Hikaru.
Mesmo que Hikaru não
estivesse mais neste mundo.
E ela já percebeu isso.
Mas se Hikaru estivesse
comemorando o aniversário de 17 anos de Aoi junto, certamente seria esse o
sentimento.
Ele também escreveria uma
mensagem na foto e a entregaria a Aoi com uma expressão travessa. Ao ver seu olhar
de relutância, talvez dissesse algo como: “Eh, você é muito fofa, sabia?”
Só de pensar na ideia,
seu coração já disparava.
Por fim, Koremitsu voltou
correndo, ofegante, enquanto entregava o lenço frio.
— Muito obrigada.
Aoi, que enfim se
acalmou, agradeceu ao receber o lenço.
Era um grande lenço de
algodão bege, e a sensação ao tocá-lo no rosto era fresca e refrescante.
Não conseguiu evitar
fechar os olhos.
Naquele instante, sentiu
o perfume das flores.
Ao abrir os olhos, viu
Koremitsu corando enquanto lhe entregava um pequeno buquê de flores.
— Este é o 4º presente.
Ele pareceu ficar muito
constrangido ao dizer isso de forma rígida, porém continuou a manter os olhos
fixos em Aoi.
— Muito obrigada.
O buquê de gérberas
cor-de-rosa e rosas vermelhas estava rodeado por capim-mosquitinho. Aoi pegou
esse buquê adorável e encontrou uma caixinha rosa bem no meio.
Ela colocou o buquê aos
joelhos e abriu o estojo.
Um lindo pingente
apareceu diante de seus olhos.
Ela soltou um longo
suspiro.
A glamorosa corrente de
prata tinha uma misteriosa pedra da lua branca leitosa incrustada.
— Hikaru escolheu
pessoalmente este pingente e o deixou na floricultura do parque temático.
— Hikaru...
Koremitsu pegou o
pingente das mãos de Aoi, querendo colocá-lo nela.
Para Koremitsu, essa também
foi a primeira vez que fez algo assim.
Ao desfazer o pequeno
gancho enquanto travava uma luta emocional furiosa que o deixou suando; passou
a corrente por trás do pescoço de Aoi, acidentalmente prendeu um fio de cabelo,
tentou desengatar o gancho, e no fim conseguiu prendê-lo uma vez, apenas para a
corrente se torcer e ter que refazer tudo. Ele gemeu enquanto se esforçava ao
máximo para colocar o pingente.
Durante esse tempo, o
rosto de Aoi quase se enterrou no peito de Koremitsu algumas vezes, e teve
vontade de dizer que ela mesma o colocaria. Contudo, ao ver Koremitsu se
esforçando tanto, achou que seria ingrato da sua parte dizê-lo. Seu rosto
estava ardendo e seu coração disparou.
Assim que o pingente foi
colocado, tanto Koremitsu quanto Aoi soltaram um suspiro de alívio.
— Feliz aniversário. O
pingente combina muito com você.
Koremitsu falou com o
corpo todo encharcado de suor.
— Você é como uma
princesa, senhorita Aoi.
Quando era mais nova,
Hikaru fez para Aoi uma coroa de trevos brancos que pegou na natureza.
Ele disse isso com tanta
inocência ao colocar o objeto na cabeça de Aoi.
Aoi pensou que não
ficaria feliz quando um garoto mais bonito que ela dissesse tal coisa, e seu
rosto corou enquanto falava com as bochechas infladas.
— Você deve ter muito
mais princesas além de mim, Hikaru.
Naquele momento, Hikaru
pareceu um pouco preocupado enquanto baixava o olhar.
Nesse momento, Aoi estava
relembrando o passado.
Ainda se lembrava de cada
momento de como Hikaru passava os dias com ela, cada palavra que lhe dizia,
cada expressão que fazia, cada sorriso que lhe dirigia.
Koremitsu agarrou a mão
de Aoi.
— Então, vamos para o
próximo.
— Sim.
Seja na aparência ou no
tom de voz, Koremitsu e Hikaru eram polos opostos.
No entanto, por algum
motivo, a imagem de Hikaru aparecia com frequência diante dela quando olhava
para Koremitsu. Por que a voz suave de Hikaru continuava ecoando em seus
ouvidos?
Por que será que seu
coração estava batendo tão descontroladamente?
Enquanto Koremitsu
segurava a mão de Aoi, eles chegaram ao próximo destino: um restaurante dentro
do parque temático.
A decoração interior
tinha como tema o conto de fadas da festa do chá de Alice, e um mordomo de
terno preto os convidou a entrar.
— Presumo que o senhor
seja o Mestre Mikado, que marcou uma consulta conosco? Estávamos à sua espera.
O mordomo os conduziu até
a mesa bem no meio.
Os dois se sentaram e o mordomo
imediatamente serviu um pequeno bolo com velas e dois copos de milk-shake
quente com alças de prata ao lado.
As velas tinham o formato
dos números “1” e “7”, respectivamente, e suas chamas tremeluziam.
— Este é o 5º item.
Koremitsu disse.
— Hikaru disse que sua
bebida favorita é milk-shake, Aoi.
Sua expressão gentil
lembrava um pouco a de Hikaru. Hikaru também havia demonstrado essa expressão
quando lhe entregou a lata de milk-shake certa vez.
— Foi você quem me
entregou a lata de milk-shake no outro dia?
Ela perguntou.
— Quando estava na
enfermaria? Bem... Fui, mas, bom, Hikaru me disse para fazê-lo.
Koremitsu respondeu, em
um óbvio estado de desconcerto.
Então foi ele mesmo,
afinal.
O coração de Aoi se
encheu de doçura, assim como da vez em que recebeu a lata de milk-shake de
Hikaru.
— Bem, agora...
Koremitsu gaguejou de
repente.
Ele ergueu o olhar de
soslaio, perturbado, e murmurou.
— Tenho mesmo que fazer
isso?
Em seguida, baixou a
cabeça, bufou e, de repente, olhou para Aoi.
— Este é o sexto
presente. Droga.
O rosto de Koremitsu
estava corado enquanto erguia a mão direita bem alto e estalava os dedos.
E então, a melodia de “Parabéns
pra Você” tocou.
Inesperadamente,
Koremitsu começou a cantar acompanhando o ritmo.
— Haaappy—baaaaaddaaay~~~ Senhorita Aoi!¹
Aquele garoto de
aparência selvagem e primitiva parecia um delinquente em qualquer situação. Seu
pescoço, orelhas e até mesmo seus olhos estavam vermelhos enquanto elevava a
voz.
Seu canto certamente não
era bom.
Estava sem dúvida um
pouco desafinado também.
Mas ele apenas deu de
ombros, ergueu as sobrancelhas e cantou com todo o coração.
— Haaappy baaaaaddaaay...
Senhorita Aoi!
O canto de Koremitsu se
sobrepôs à voz de Hikaru.
Era o seu terceiro ano no
ensino fundamental II.
Aoi ficou desanimada após
o término do concurso de canto promovido pela escola.
Na época, era a
responsável por tocar piano na competição de coral da turma, porém cometeu um
erro no meio da apresentação.
Ela abraçou os joelhos
enquanto estava sentada em um canto do palco do ginásio, e naquele momento,
Hikaru chegou e sentou-se ao lado.
— Vou cantar para você
agora, senhorita Aoi.
Ele disse e então começou
a cantar com uma voz encantadora.
— Senhorita Aoi,
Senhorita Aoi, uma flor pura e branca...
Ele trocou “Edelweiss”
por “Senhorita Aoi”, e não importava o quanto Aoi tentasse impedi-lo, dizendo “É
constrangedor. Por favor, não cante mais”, Hikaru seguia cantando.
— Florescendo para
sempre, na brisa da manhã...
— Senhorita Aoi,
Senhorita Aoi, brilhando puramente, uma flor que desabrocha na terra da neve...
O palco do ginásio foi
tingido de um vermelho avermelhado.
Hikaru inclinou um pouco
a cabeça enquanto seus olhos claros fitavam Aoi. Seus cabelos longos e
esvoaçantes brilhavam em um tom dourado deslumbrante.
Sem que percebesse, o
rosto de Hikaru estava bem na sua frente.
Quase podia sentir a
respiração que Hikaru soltava.
Sua expressão era repleta
de gentileza e paixão.
Pensou que eles estavam
prestes a se beijar, e seu coração acelerou.
Ainda sabendo que era
impossível, se perguntou se o coração de Hikaru também estava acelerado, e se o
dela também batia mais rápido.
Embora fosse impossível.
Ainda que fosse
impossível para Hikaru ter sentimentos por ela.
Contudo...
No entanto...
Viu o rosto de Hikaru
corar um pouco.
Seus olhos demonstravam
uma hesitação vacilante, e seu coração batia tão forte que parecia prestes a se
partir em pedaços.
Não conseguiu olhar
diretamente para Hikaru até que este sorrisse e se afastasse.
Ele está zombando de mim
de novo.
Era o que pensava,
todavia a pulsação em seu coração não cessava.
Instantaneamente,
Hikaru...
Hikaru era realmente...
Em que exatamente ele
está pensando?
Está zombando de mim? Ou de
fato está...
Nesse momento, o garoto,
que tinha a mesma cor vermelha das chamas bruxuleantes em seus cabelos
desgrenhados, amigo de Hikaru, estava se esforçando ao máximo para comemorar o
aniversário de Aoi.
— Haaappy baaaaaddaaay...
Senhorita Aoi!
Sua voz rígida e cantada preencheu
seu coração, e sua respiração ficou trêmula.
Ele sequer conseguiu
apagar as chamas das velas, mesmo depois de várias tentativas.
Os clientes e os
funcionários da loja aplaudiram-na.
Era óbvio que Koremitsu
estava constrangido, franzindo a testa.
— Nunca mais vou cantar.
Esta é uma exceção.
Ele estava ofegante.
— Muito obrigada. Esta é
a melhor música de aniversário que já ouvi.
Aoi tentou disfarçar a
hesitação em seu coração enquanto forçava um sorriso de alegria, e Koremitsu
desviou o olhar, seus lábios relaxando um pouco.
— Sério?
Mas então, ele prosseguiu
com ênfase...
— Não vou cantar de novo.
O bolo de aniversário não
tão doce e o milk-shake doce trouxeram aconchego e felicidade para Aoi.
No entanto...
— Tudo vai acabar depois
deste último.
No instante em que disse
isso, Aoi sentiu uma onda de solidão a atingir como água fria, enquanto seu
coração esfriava, assim como Hikaru se levantou do palco do ginásio e se
afastou dela.
O próximo item seria o
sétimo.
Assim que o recebesse, o
aniversário de Aoi teria acabado.
E a promessa que Hikaru
fizera a Aoi até então desapareceria sem deixar vestígios.
Koremitsu percebeu de
repente, e sua expressão ficou sombria.
Talvez também tenha
sentido a solidão do fim desse evento, assim como Aoi.
— Sim, ainda falta mais
um.
Ele parecia estar
resmungando para si mesmo.
— ...
— ...
Ambos ficaram em
silêncio. Recusavam-se a olhar nos olhos um do outro, baixando a cabeça.
O prato branco tinha
sobre ele as velas ligeiramente derretidas com os números “1” e “7”.
— Sobre isso...
Koremitsu levantou a
cabeça.
Encarando Aoi com uma
expressão envergonhada e o rosto corado.
— O sétimo presente vai
demorar um pouco, então vamos aproveitar qualquer atração que você queira
experimentar, encontre qualquer coisa que queira ver e vamos ir em qualquer
lugar que quiser. Vamos nos divertir.
Aoi também levantou o
rosto e sorriu.
Este momento misterioso,
porém acolhedor, logo chegará ao fim.
Contudo antes disso...
— Sim.
Aoi assentiu com a cabeça
sem hesitar.
Depois disso, os dois
foram encarar algumas das atrações emocionantes em que Aoi normalmente nunca
andaria.
— Nunca mais vou andar nessa
coisa! Essa atração é muito perigosa, gira sem parar, fica de cabeça para baixo
e cai de repente!
Aoi insistiu, embora logo
apontou para outra atração emocionante e disse.
— Seria muito desanimador
reclamar sem dar uma volta. Vamos experimentar aquele navio viking também?
E então, ela começou a
gritar outra vez, com lágrimas escorrendo pelo rosto.
— Na verdade, você não
aprende nada com as suas lições.
Koremitsu quase ficou sem
palavras ao olhá-la, no entanto ela retrucou.
— É só que eu gosto de
desafios!
— Sério? Então vamos desafiar
aquilo.
— Hã? Isso não está
completamente de cabeça para baixo? Uuh... Vou tentar!
Koremitsu olhava para Aoi
com uma expressão entretida e gentil, tal qual Hikaru costumava olhar para Aoi.
E então...
— Já é hora.
Enquanto estavam sentados
nos camarotes da roda-gigante, um de frente para o outro, eles olhavam para o
pôr do sol pela janela, e Koremitsu comentou com uma expressão melancólica.
Aoi também estava
mentalmente preparada enquanto aguardava o fim.
***
Minha missão está prestes
a terminar aqui.
Koremitsu pensou enquanto
olhava pela janela da roda-gigante, que estava tingida de vermelho carmesim.
O rosto de Aoi estava
radiante enquanto estava sentada no assento oposto, aparentemente embriagada
enquanto contemplava o pôr do sol pela janela. Ela continuou a desfrutar do
momento até o fim.
Eu também me diverti
muito aqui.
Koremitsu murmurou algo
para Aoi... E para o belo amigo sentado ao lado de Aoi em seu coração.
Hikaru também esboçou um sorriso
gentil.
Os últimos dias foram
repletos de altos e baixos.
O falecido Hikaru apareceu
de repente na sua frente na banheira, flutuando ao seu redor, disse que havia
algo de que não conseguia se desapegar e pediu ajuda.
Ele aceitou o pedido com
relutância, mas como Aoi era teimosa demais, Koremitsu não conseguiu conquistar
seu coração.
Após inúmeros
questionamentos, recebeu em troca palavras duras e olhares condescendentes.
— É por isso que sempre
digo, mulheres!
Ele gritou o bordão do
avô várias vezes, embora não conseguiu mudar a situação.
Naquela ocasião, Hikaru
até tentou acalmar Koremitsu.
— A senhorita Aoi é, na
verdade, uma garota simples, porém boa. Ela é muito fofa.
Porém, Hikaru também
desistiu por causa das lágrimas de Aoi e das palavras de sua prima Asai.
Contudo agora, Koremitsu
e Hikaru estavam comemorando juntos o aniversário de Aoi.
A luz do pôr do sol
iluminou o rosto delicado e branco de Aoi, tingindo-o de vermelho. Ela olhou
pela janela, seus olhos brilhando enquanto um sorriso se formava em seus lábios
macios.
— A senhorita Aoi é uma
gracinha, não é?
Nesse momento, concordou de
todo coração com as palavras de Hikaru.
Aaah, é verdade.
Aoi gritava sem parar
enquanto andava nos brinquedos radicais, e apesar de suas pernas estarem bambas
a ponto de não conseguir ficar de pé, continuou a se esforçar, resmungando
enquanto segurava a mão de Koremitsu.
Ela fez aquela expressão
envergonhada quando ele lhe entregou a foto e as flores.
Ficou completamente corada
quando Koremitsu se esforçou para colocar o pingente em seu pescoço enquanto
abaixava a cabeça, quase enterrando-a em seu peito.
Depois disso, sorriu cheia
de alegria para ele.
Estremeceu um pouco,
aparentando estar prestes a chorar, enquanto observava Koremitsu cantar
desesperadamente uma canção de aniversário para ela.
Quando segurou o copo de
milk-shake...
— Não consigo lidar com
coisas picantes.
Ela deu algumas tragadas
enquanto bebia.
— É doce e saboroso.
Ela estreitou os olhos,
satisfeita.
Até mesmo Koremitsu, que
observava tudo de longe, sentiu uma pontada de felicidade.
De vez em quando, Aoi mostrava
uma expressão chorosa com os olhos marejados, o que fazia o coração de Koremitsu
disparar ao sentir tanta doçura. Essa palpitação o fez se lembrar
inesperadamente de algumas coisas importantes.
Ahh, é isso mesmo,
Hikaru.
Sua Aoi é extremamente
fofa.
A dupla sentada em frente
a Koremitsu realmente parecia um casal perfeito.
Ela era uma namorada
adorável, direta, no entanto um pouco teimosa, e ele era um namorado que
aceitava todas essas qualidades com delicadeza, cuidando dela com carinho.
Pareciam um casal muito
feliz.
Entretanto os olhos de
Aoi não conseguiam ver Hikaru.
Deve ter sido doloroso
para Hikaru.
Mas ele só conseguiu
sorrir.
Koremitsu sentiu-se
esmagado enquanto a tristeza o consumia por dentro, aquecendo seu corpo...
Eu transmitirei seus
sentimentos em seu lugar, Hikaru.
Ele murmurou algo em seu
íntimo.
A roda-gigante parou.
Koremitsu segurou a mão de Aoi delicadamente, tratando-a como se fosse frágil,
e a amparou quando a garota pisou no chão.
O céu lá fora escureceu e
a primeira estrela cintilou no firmamento.
Os postes de luz
acenderam no parque e os visitantes que vieram com suas famílias voltaram para
casa.
Koremitsu seguiu
segurando a mão de Aoi enquanto a conduzia até a fonte no meio do parque
temático.
A coluna d’água disparou
em direção ao céu noturno azul profundo, enquanto as gotas d’água dispersas e a
coluna d’água azul, semelhante a uma cachoeira, eram iluminadas por luzes
azuis, rosas e amarelas brilhantes, deslumbrando como em um conto de fadas.
Aoi ficou sem palavras,
embriagada pelas luzes.
A luz incidia sobre seu
rosto branco e delicado, e seus longos cabelos negros pareciam mais radiantes
do que o normal, tornando-a ainda mais atraente.
Sua figura esguia parecia
que ia se dissolver em uma luz semelhante a um arco-íris.
Hikaru parou em frente à
fonte, bem na frente deles, Koremitsu e Aoi... E olhou para os dois com uma
expressão serena. Seus olhos foram pouco a pouco se enchendo de tristeza.
Koremitsu compartilhava
dos mesmos sentimentos que Hikaru ao olhar para Aoi.
Aoi olhou em direção à
fonte e, de repente, falou.
— Agradeço muito por você
ter comemorado meu aniversário no lugar do Hikaru. No começo, não acreditei que
fosse amigo do Hikaru, porém sinto como se ele estivesse comigo quando você
está ao meu lado, quando está falando comigo. Agora, posso acreditar nisso com
toda certeza.
Aoi se virou e olhou para
Koremitsu.
Seus olhos estavam cheios
de confiança, e seu rosto exibia um leve sorriso.
— Você é amigo do Hikaru,
Sr. Akagi.
O coração dormente de
Koremitsu começou a aquecer.
Uma doce sensação se
espalhou por todo o seu corpo.
As palavras de Aoi
ressoaram com a lembrança que Koremitsu tinha de quando caminhava sob o luar
com Hikaru de lado.
Neste momento, acho que
estou com cara de quem vai chorar.
Contudo por mais feliz
que eu esteja, não posso chorar agora. Preciso transmitir os sentimentos de
Hikaru até o fim.
Koremitsu engoliu o calor
que subia à sua garganta e falou.
— Então, como amigo de
Hikaru, vou lhe apresentar o sétimo presente, Aoi. O sétimo item é... O “coração”
de Hikaru.
Aoi arregalou os olhos,
assustada.
Koremitsu conteve a
paixão enquanto olhava para Aoi.
Hikaru estava atrás dela.
Ele a olhava com uma
expressão terna, triste e apaixonada.
— Hikaru te amava desde
pequeno. Como amigo, posso afirmar que não era mentira.
Aoi arregalou os olhos
enquanto sua respiração se acalmava, ouvindo atentamente as palavras de
Koremitsu.
— Hikaru queria comemorar
seu aniversário de 17 anos assim, para te fazer uma surpresa e expressar seus
verdadeiros sentimentos por você.
Koremitsu fez o possível
para declarar.
Expressou os sentimentos
de Hikaru, que permaneceu neste mundo com arrependimentos mesmo após a morte.
Revelou os verdadeiros
pensamentos de Hikaru.
— Você é uma pessoa muito
importante para o Hikaru, Aoi!
Lágrimas e perplexidade
surgiram em seus olhos.
Ela não conseguia
acreditar.
Seu rosto se contorceu,
demonstrando incredulidade, e nesse momento, Hikaru a seguiu.
Ele expressou pensamentos
que nunca teve a chance de expressar enquanto estava vivo.
— Senhorita Aoi, sempre
senti que não podia sair com você com uma atitude indiferente. Por isso, quando
enviei um dos presentes para a floricultura antes de ir para a Mansão Shinshu,
decidi recomeçar com você. Naquele momento, esperava de verdade que se tornasse
a minha amada. Se estiver comigo, Senhorita Aoi, acho que viverei cada dia de
forma plena. Naquele momento, escrevi a carta com esperança e alegria.
Hikaru falou com uma voz
suave, porém melancólica, enquanto encarava o rosto de Aoi, e narrou baixinho
as palavras que Aoi não conseguia ouvir.
A esperança de Hikaru.
O futuro de Hikaru.
Aoi era muito, muito
importante para ele... Como uma flor branca desabrochando em um campo sagrado.
Koremitsu continuou.
— Você é uma pessoa
especial para o Hikaru, não o tipo de pessoa com quem poderia apenas entrar em
contato casualmente. Ele te valoriza de todo coração. Você é essencial para
aquele futuro feliz que o Hikaru descreveu! Ele realmente queria estar ao seu
lado para sempre!
As sobrancelhas e os
lábios de Aoi tremeram.
Hikaru abraçou Aoi por
trás e se declarou para apaixonadamente.
— Você é minha amada,
Srta. Aoi. E eu digo isso do fundo do coração.
Essas palavras não deveriam
chegar aos ouvidos de Aoi...
Contudo ela ergueu as
mãos lentamente.
Os jatos de água
atingiram o céu noturno, e o arco-íris que iluminava a fonte desapareceu no ar.
Em vez disso, surgiram lampejos
brancos e brilhantes que adornavam as cascatas de água que fluíam livre.
Pareciam estrelas
preenchendo o céu!
A água, correndo para
cima, era tão deslumbrante quanto as estrelas no céu, caindo de volta à terra
em suspensão e evaporando-se em uma nuvem brilhante.
Os olhos de Aoi estavam
arregalados.
— Estrelas...?
Murmurou com a voz
trêmula e cobriu a boca com as duas mãos, como se estivesse engolindo o choro.
— Se você me ouvir, mesmo
que seja só um pouquinho, por favor, coloque o dedo nos lábios para me
avisar...
Sua voz enfim pareceu alcançá-la.
Aoi chorou enquanto levava os dedos aos lábios.
Hikaru também estreitou
os olhos, quase em lágrimas. Ele moveu os lábios de leve e soltou uma voz suave
e delicada.
— Eu não prometi fazer as
estrelas do céu caírem se quisesse me declarar para você? Agora, com certeza,
vou provar que te amei.
Lágrimas escorreram pelos
grandes olhos de Aoi.
Ela levou os dedos à
boca, engasgando algumas vezes enquanto respondia.
— Eu também te amo.
Aoi confessou com a voz
rouca.
— Também queria passar
mais tempo juntos, Hikaru... Eu amo o Hikaru mais do que qualquer outra
pessoa... O amei mais do que qualquer outra pessoa desde que éramos crianças.
As deslumbrantes colunas
de água dançavam, carregando agora as estrelas cintilantes. Elas brilhavam,
sorrindo enquanto permaneciam ao lado dos dois apaixonados que por fim conseguiram
expressar seus sentimentos.
O coração de Koremitsu
parecia estar voando pelo céu enquanto se banhava na luz.
O sétimo presente, na
verdade, é um beijo.
— Na verdade, eu
pretendia me declarar para a senhorita Aoi em frente à fonte e beijá-la
delicadamente. — Hikaru disse isso a Koremitsu com um
sorriso radiante.
— E então, nós dois nos
tornaríamos verdadeiros amantes.
— A partir de agora, só
ela será meu tesouro.
— Não vou magoar a
senhorita Aoi. Vou segurar a sua mão e construir um novo futuro juntos, criando
todos os tipos de memórias importantes. Não importa se fizer chuva ou fizer
sol, se estiver ventando ou não, vamos rir e nos amar sempre.
— Vamos rumo a um futuro
maravilhoso... Um futuro repleto de amor.
— Será a minha maior
felicidade se a senhorita Aoi se tornar minha amada.
— VOU ATESOURAR A
SENHORITA AOI COM TODO O MEU CORAÇÃO!
Hikaru ficou atrás de Aoi
e sussurrou palavras de despedida para ela.
— Eu te amo muito, Srta.
Aoi, o jeito como tenta bancar a durona, o jeito desastrado que tem. Se ainda
estivesse vivo, continuaria te amando. Quero muito fazer piqueniques e ir à
praia como fazíamos quando éramos mais novos. Ainda quero fazer uma coroa de
flores para você de novo, Srta. Aoi.
Aoi chamou seu nome num
lamento baixo.
Hikaru não conseguiu
beijá-la.
Assim, Koremitsu seguiu o
exemplo de Hikaru e a abraçou.
Ele tentou transmitir o
carinho e a paixão de Hikaru, mesmo que pouco, ao abraçar Aoi.
O corpo de Aoi era
delicado e esguio, parecendo afundar em seu peito, e Koremitsu a segurava com
gentileza em seus braços, com medo de que se quebrasse se exercesse força.
— Sinto muito por tê-la
magoado tanto, Srta. Aoi. Por favor, continue a viver feliz e a florescer.
A voz de Hikaru estava
embargada.
Não conseguiu continuar.
Aoi, Aoi, esses são os
verdadeiros sentimentos de Hikaru, seus pensamentos mais íntimos. O último
presente de aniversário que queria te dar, Aoi.
Aoi continuava chamando o
nome de Hikaru enquanto permanecia nos braços de Koremitsu, chorando.
Embora Koremitsu a
estivesse abraçando, parecia que era o próprio Hikaru quem a estava abraçando.
— Hikaru, Hikaru.
Sua voz rouca e entre
soluços continuava a clamar.
Hikaru fez com que as
estrelas acima de Aoi caíssem sobre ela.
Ele havia provado a ela
que a amava do fundo do coração e lhe deu o melhor presente de aniversário em
seu aniversário de 17 anos.
Aoi finalmente admitiu
seu amor por Hikaru.
Ela amava Hikaru desde
jovem, e seu pequeno ser era repleto de doçura, amargura e tristeza, mas
continuava a ansiar pela união dos dois.
Porém, achava que Hikaru
e Asai combinavam mais. Ele a chamava de “Asa”, enquanto se referia a Aoi como “Senhorita
Aoi”, como se fosse uma estranha, o que a impedia de ser honesta consigo mesma.
Depois disso, costumava
dizer coisas maldosas para Hikaru sempre que o via rodeado de tantas mulheres
bonitas.
Cada pintura que Aoi
desenhava era um lugar onde Hikaru havia aparecido antes.
A presença de Hikaru se
fazia sentir nas pinturas que retratavam o ginásio vazio, a escadaria pela
manhã e a máquina de venda automática à noite.
Ele sorriu ao olhar para Aoi.
— Eu te amo muito,
Hikaru... Eu te amo muito... Te amo.
Aoi finalmente conseguiu
dizer o “Eu realmente te amo” que estava escondido em seu coração há 10 anos.
Ela foi perdoada... Libertada.
Ela foi salva.
Decidindo manter a
presença de Hikaru nesta pintura, naquela pintura, com o rosto sorridente que
ele lhe dera.
Qual foi a expressão dele
quando olhou para ela?
Agora, com certeza seria
capaz de usar seus verdadeiros sentimentos para desenhá-lo, para deixar a prova
de que Hikaru estava vivo.
Adeus, Srta. Aoi.
Um murmúrio distante
chegou aos seus ouvidos. Talvez estivesse alucinando?
A voz de Aoi já estava
rouca, e as lágrimas continuavam a escorrer. O gentil amigo de Hikaru
continuava a abraçá-la com força.
Notas:
1. Ele está cantando em inglês, ou melhor, tentando.
Para aqueles que puderem e quiserem apoiar a tradução do blog, temos agora uma conta do PIX.
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