Volume 01: Aoi — Capítulo 07:Epílogo: Naquela época, quanto te conheci na Terra
Você é realmente meu herói, Koremitsu.
Agradeço por transmitir
meus sentimentos à Srta. Aoi.
Se não tivesse me
encorajado no telhado naquela época, Aoi nunca teria recebido esses presentes.
Ei, Koremitsu. Pode ser
que não se lembre, mas quando conversamos pela primeira vez no corredor do
pátio da escola, eu disse “Sr. Akagi, esqueci meu livro de Clássicos hoje. O
senhor poderia me emprestar o seu, por favor?”. Na verdade, essa foi uma
desculpa que inventei para te encontrar de novo.
A mesma coisa aconteceu
quando falei “Então irei à sua sala para pegar seu livro didático emprestado.”.
Naquela época, você olhou
para mim sem entender absolutamente nada do que estava acontecendo.
Mas eu queria falar com
você.
Queria tentar me
aproximar.
Isso porque pessoalmente
testemunhei quando usou seu corpo para bloquear o caminhão.
Imagino que isso tenha
sido no final de março.
Eu estava a caminho
quando te ouvi gritar de repente.
— Vovô! Cuidado! Volta!
Eu ouvi.
Quando olhei para trás,
vi um menino ruivo da minha idade correndo atrás de um senhor idoso.
— Isso é perigoso! Vovô!
Não por aí!
Você não parava de
gritar.
Quando o caminhão veio em
alta velocidade, estava prestes a atropelar o idoso, porém você avançou sem
hesitar e o empurrou para o lado, acabando sendo atropelado pelo caminhão.
— Cuidado!
Eu tentei avisar.
Você foi levado ao
hospital de ambulância e precisou ficar internado por um tempo. Contudo foi
incrível por conseguir trabalhar duro com tanto risco em prol dos outros.
Assim, quando descobri
que aquele herói no cruzamento era um calouro da minha escola, fiquei muito
animado e senti que era o destino agindo.
Ouvi todo tipo de boatos
a seu respeito.
Delinquente infame, cão
infernal, diabo vermelho, como espancou o exército de delinquentes de outra
escola até quase a morte.
No entanto não senti medo
nenhum.
Isto porque sabia que era
um herói.
Todos comentavam em voz
baixa como você sempre desafiava os outros, um contra muitos, e nunca
intimidava os fracos.
Foi assim que entendi que
era apenas um pouco desajeitado e facilmente mal interpretado, minha opinião a
seu respeito melhorou, e continuei esperando que pudesse receber alta e voltar
para a escola algum dia.
Então, naquela manhã,
quando soube que enfim havia aparecido na escola, me apressei e corri para o
pátio, fiquei na sua frente e esperei que passasse pelo grande pilar ao longo
do corredor.
Você certamente não
imaginava o quanto fiquei feliz em conhecer o herói que admirava, e meu coração
palpitou ao pensar em como poderíamos ser amigos.
Ah sim, fui eu quem
enviou as flores que gostou para o hospital.
O nome dessa flor é Magnólia
Kobus.
A flor branca pura sinaliza a chegada da primavera, e suponho que tenha esse nome porque seu botão e caule protuberantes parecem um punho.¹
Um dos significados da
flor é “boas-vindas”.
A outra é “amizade”.
A partir daquele momento,
sempre desejei ser seu amigo.
Pretendia ir até a sua
sala de aula e pegar o livro didático emprestado. Depois que me emprestasse o
livro e o devolvesse, queria perguntar “Você pode ser meu amigo?”.
Era esse o pedido que queria
te fazer.
Como morri antes que pudesse
fazê-lo, pensei que te incomodaria se pedisse para ser seu amigo como um
fantasma, então disse deliberadamente que havia esquecido.
Entretanto, nunca
imaginei que você seria a pessoa a dizer que “Somos amigos”.
Para mim, essa foi a
melhor coisa que já aconteceu na minha vida.
Senti uma profunda
alegria, uma verdadeira felicidade.
Por que continuo com
você?
No dia do funeral, minha
foto foi pendurada no altar, e as meninas chamavam meu nome, chorando. Eu
queria confortá-las, mas não pude fazer nada e, como consequência, senti um
profundo desespero.
Foi a mesma coisa quando
a senhorita Aoi gritou “mentiroso!”. Sabia muito bem o quanto a havia magoado e
tentei ao máximo pensar em algo que pudesse fazer para cumprir minha promessa.
Porém ninguém conseguia
ouvir minha voz, e não conseguia me mover. Quando pensei que minha alma
deixaria a Terra assim, vi você entre os visitantes.
— Sr. Akagi!
Perdi completamente o
controle de mim mesmo enquanto gritava.
— Por favor, me ajude! Me
empreste sua força, Sr. Akagi!
Pensei que, já que se
dispôs a defender um senhor idoso que não olhou antes de atravessar o
cruzamento, talvez pudesse me ajudar.
Foi por isso que gritei.
— Sr. Akagi, Sr. Akagi!
Gritei inúmeras vezes, e
você finalmente parou e virou a cabeça.
Nesse instante, meu
corpo, que não conseguia se mover independente do quanto eu tentasse,
dirigiu-se para você.
Naquele momento, você foi
quem respondeu aos meus apelos desesperados.
Depois disso, aceitou meu
pedido unilateral quando ainda não éramos amigos. Te causei muitos problemas e,
mesmo assim, continuou me ajudando.
A ponto de nos tornarmos
amigos.
Foi ótimo poder te
conhecer nesta Terra enquanto eu estava vivo.
Obrigado.
Muito obrigado.
Você é meu herói, o
melhor amigo que já tive.
Você está chorando,
Koremitsu?
Não tínhamos prometido?
Você deveria sorrir e se
despedir desejando uma boa viagem quando eu partisse rumo ao espaço.
É por isso...
***
Na manhã de
segunda-feira, Koremitsu encontrou Honoka em frente ao armário de sapatos e
curvou a cabeça para ela.
— Desculpe por causar
tantos problemas, Shikibu. Obrigado.
— Não, bem, não seja tão
formal. Ei, levante a cabeça. As pessoas vão pensar que sou sua chefe se virem
isso.
Honoka falou, ansiosa.
Koremitsu ergueu o rosto
com um “Uuh”, e ela ficou sem palavras. Gaguejou, baixou a voz e disse com um
tom um pouco nervoso.
— Por sinal, o que
aconteceu entre você e Sua Alteza Aoi? Hum, vocês saíram juntos no domingo?
— Ahh.
Koremitsu respondeu com a
voz rouca.
Recordar os acontecimentos
de ontem lhe trouxe tristeza e angústia.
Honoka entrou em pânico.
— Ah! Tudo bem se não
quiser falar sobre. Então Sua Alteza Aoi não apareceu afinal. Seus... Olhos,
eles parecem vermelhos... Não tem jeito. É verdade, a vida não é como gostaríamos.
Até eu tenho muitas adversidades na minha vida.
— Não, fui ao parque
temático.
— Oh, sozinho?
Os olhos de Honoka se
encheram de lágrimas.
— Com a Aoi.
— Hããã? Espera aí, quer
dizer que tudo correu bem? Conseguiu se tornar amante de Sua Alteza Aoi?
Honoka, chocada,
arregalou os olhos e fez um alvoroço.
Koremitsu balançou a
cabeça negativamente.
— Não somos amantes; não
é o que está pensando. Eu só tinha algumas coisas que precisava dizer a ela,
acontecesse o que acontecesse, e já disse o que tinha que dizer. É tudo.
— É mesmo... Então o
parque temático é a última lembrança.
— Sim.
— É ótimo estar
apaixonado de uma maneira tão esplêndida.
O que você quer dizer com
“apaixonado”? Koremitsu se perguntou, enquanto Honoka
parecia extremamente aliviada.
Ela estendeu a mão e deu
um tapinha na cabeça de Koremitsu.
Era uma expressão
calorosa e gentil. A mão dela no seu rosto era reconfortante.
— Mulheres.
Em qualquer outro dia, Koremitsu
teria gritado para parar de tocá-lo, mas agora, só conseguia murmurar.
— Hã?
— Até agora, sempre achei
que não existiam mulheres decentes, porém minha visão mudou... Existem boas
moças como você também, Shikibu.
— É, de jeito nenhum,
eu...
— As mulheres... São
delicadas e fofas...
Ele se lembrou de Aoi em
seus braços, e do seu rosto enquanto soluçava e chamava pelo nome de Hikaru,
sentiu uma pontada no coração e murmurou.
A mão de Honoka, que
estava acariciando a mão de Koremitsu, parou, e seu rosto ficou vermelho.
— !
— Ela parecia muito
frágil quando a abracei, como um galho que pode quebrar se eu não tomar
cuidado.
— !!
— E eu estava prestes a
beijá-la...
Koremitsu foi arrancado
de seu devaneio por um chute.
— Ugh! O que você está
fazendo?
— VOCÊ É O PIOR! É-É-É
POR ISSO QUE LEVOU UM FORA!
Honoka corou ao gritar e
saiu correndo.
— O que há com ela?
E, mais uma vez,
Koremitsu achou as mulheres ridículas.
— Bom dia, Sr. Akagi.
Uma voz doce chamou.
Ao olhar para o lado, viu
Aoi parada ali timidamente.
— B-Bom dia.
Koremitsu a cumprimentou
de maneira um pouco constrangida.
— Obrigada por ontem.
— Você dormiu bem na
noite passada?
Os olhos de Aoi ainda
estavam vermelhos, provavelmente por ter chorado tanto na noite anterior. No
entanto, um sorriso surgiu em seus lábios e ela respondeu.
— Sim, também tomei um
café da manhã decente esta manhã.
— Entendo.
Os olhos de Koremitsu
estavam tão vermelhos quanto os de Aoi, e sorriu de volta para ela.
— Bem, quero desenhar um
retrato... Do Hikaru. O senhor poderia dar uma olhada quando estiver pronto,
Sr. Akagi?
— Sim.
Koremitsu respondeu sem
hesitar, e isso trouxe alegria aos olhos de Aoi.
— É uma promessa.
Aoi saiu correndo, aparentando
estar envergonhada.
Koremitsu observou-a
partir com alívio.
Que ótimo, Hikaru.
Seus pensamentos alcançaram
a Aoi. Ela está cheia de energia agora, e você pode ir para o céu em paz.
— A senhorita Aoi sabe
pintar retratos? O desenho que ela fez da Asa no ensino fundamental ficou bem
ruim. Espero mesmo que não me desenhe assim!
— EI! POR QUE VOCÊ AINDA
ESTÁ POR AQUI?
Koremitsu gritou
apontando para o teto, assustando os alunos ao redor.
— NÃO SE DEVE ENTRAR NO
CÉU QUANDO SEU DESEJO É REALIZADO?
Era para ser assim.
Todavia naquele momento, Hikaru
flutuava acima de Koremitsu, aparentemente despreocupado.
Como fazia antes, seguia
Koremitsu até no banheiro e no chuveiro, dizendo “Bem, não me importo, já
que estou mais ou menos acostumado agora”, com um sorriso contagiante.
— Por que veio para a
escola com essa expressão tão radiante? E seu cabelo está todo arrumado!
As veias saltavam das
têmporas de Koremitsu, e os olhos de Hikaru brilharam com alegria.
— É porque ainda preciso
encontrar uma namorada que ria bem do seu lado, Koremitsu. Como posso deixar a
Terra assim, depois de te ver chorar até os olhos ficarem vermelhos?
Koremitsu corou com as
palavras de Hikaru.
Na noite passada, depois
de acompanhar Aoi até em casa, Koremitsu teve uma conversa sincera com Hikaru e
não conseguiu conter as lágrimas ao pensar que era hora deste partir. No
entanto, Hikaru disse...
— Não prometemos? Que
você sorriria e me veria partir quando eu fosse para o espaço. É por isso que
preciso curar seu hábito de chorar e que você precisa aprender a sorrir antes
de eu ir embora.
— Eu... Estou bem comigo
mesmo agora. De qualquer forma, não preciso de uma namorada.
— Mas quero te fazer
feliz. Além do mais...
Os olhos de Hikaru
estavam um pouco sombrios, e parecia estar escondendo algo enquanto suas
pálpebras se fechavam um pouco, porém seu olhar se ergueu logo em seguida.
— Na verdade, ainda há
outras 4 ou 5 meninas com as quais estou muito preocupado. Não, talvez 40 ou
50?
Koremitsu, atormentado
por Hikaru, arregalou os olhos e urrou.
— O QUE VOCÊ DISSE?
— Você com certeza vai me
ajudar, né? Afinal, somos amigos próximos, não é?
Hikaru desceu até o chão
e, aparentemente, bajulou Koremitsu, segurando-o pelos ombros e sorrindo.
Depois que Koremitsu percebeu que aquele seu amigo irritante ainda estava na
Terra, não conseguiu evitar levar as mãos à cabeça e gemer.
— Argh, que tipo de piada
é essa? VÁ LOGO PARA O CÉU, SEU BASTARDO MULHERENGO!
***
Os outros alunos se afastaram,
assustados, ao verem Koremitsu Akagi se dirigir para a sala de aula com uma
expressão azeda.
Asai observava tudo com
um olhar penetrante.
Aoi voltou tarde na noite
anterior e, embora seus olhos estivessem vermelhos, sua expressão era de calma.
— Desculpe por ter saído
sem te avisar, Asa.
Ela não se desculpou
timidamente como costumava fazer.
— Você saiu com o Akagi?
E quando Asai perguntou,
Aoi respondeu com um sorriso.
— Sim. Fiquei muito
feliz. Senti como se tivesse renascido.
Asai sentiu uma sensação
de derrota que não conseguia descrever.
Koremitsu Akagi... O que
exatamente ele disse para Aoi?
Por mais que Asai
insistisse, Aoi não disse nada.
O que Hikaru lhe disse?
Não me diga, até
aquilo...
— Você está muito
preocupada com o Akagi? Presidente Saiga?
Sem perceber, uma garota pequena
e de cabelos curtos... Hiina Oumi, do clube de notícias... Aproximou-se de Asai
e parou ao seu lado. Com uma expressão sincera, deu uma risadinha ao ver Asai
franzindo a testa.
— Quase não há ninguém ao
seu redor que seja tão honesto, e mesmo que ele não pareça decente, isso é
revigorante para você, eu acho? É o mesmo para mim; há muitos alunos na nossa
escola que parecem bem-educados, no entanto são horríveis e desprezíveis.
Suponho que os nobres sejam assim, certo? Sou uma camponesa que entrou no
ensino médio, então não estou muito familiarizada com essas coisas.
Ela ignorou a expressão
gélida de Asai e continuou.
— Também...
A expressão de Hiina
brilhava com a luz deslumbrante de jovialidade.
— Akagi se declara amigo
do Lorde Hikaru, então talvez saiba como o Lorde Hikaru morreu. Ah, mas sobre
aquele boato; acho que você pode ter uma ideia, Presidente Saiga.
Asai pretendia ignorar, todavia
Hiina se apressou e ergueu a tela do celular na direção de Asai.
Asai deu um suspiro de
espanto.
Hiina continuou com um
tom de assédio na voz.
— Porque a Presidente
Saiga sorriu durante o funeral do Lorde Hikaru.
A tela mostrava Asai,
sentada sozinha entre as muitas garotas que soluçavam, com um sorriso estranho
nos lábios.
Notas:
1. Kobushi significa punho.
Link para o índice de capítulos: When Hikaru was on the Earth...
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