terça-feira, 21 de abril de 2026

When Hikaru was on the Earth... — Volume 01 — Capítulo 07

Volume 01: Aoi  Capítulo 07:Epílogo: Naquela época, quanto te conheci na Terra


Você é realmente meu herói, Koremitsu.

 

Agradeço por transmitir meus sentimentos à Srta. Aoi.

 

Se não tivesse me encorajado no telhado naquela época, Aoi nunca teria recebido esses presentes.

 

Ei, Koremitsu. Pode ser que não se lembre, mas quando conversamos pela primeira vez no corredor do pátio da escola, eu disse “Sr. Akagi, esqueci meu livro de Clássicos hoje. O senhor poderia me emprestar o seu, por favor?”. Na verdade, essa foi uma desculpa que inventei para te encontrar de novo.

 

A mesma coisa aconteceu quando falei “Então irei à sua sala para pegar seu livro didático emprestado.”.

 

Naquela época, você olhou para mim sem entender absolutamente nada do que estava acontecendo.

 

Mas eu queria falar com você.

 

Queria tentar me aproximar.

 

Isso porque pessoalmente testemunhei quando usou seu corpo para bloquear o caminhão.

 

Imagino que isso tenha sido no final de março.

 

Eu estava a caminho quando te ouvi gritar de repente.

 

— Vovô! Cuidado! Volta!

 

Eu ouvi.

 

Quando olhei para trás, vi um menino ruivo da minha idade correndo atrás de um senhor idoso.

 

— Isso é perigoso! Vovô! Não por aí!

 

Você não parava de gritar.

 

Quando o caminhão veio em alta velocidade, estava prestes a atropelar o idoso, porém você avançou sem hesitar e o empurrou para o lado, acabando sendo atropelado pelo caminhão.

 

— Cuidado!

 

Eu tentei avisar.

 

Você foi levado ao hospital de ambulância e precisou ficar internado por um tempo. Contudo foi incrível por conseguir trabalhar duro com tanto risco em prol dos outros.

 

Assim, quando descobri que aquele herói no cruzamento era um calouro da minha escola, fiquei muito animado e senti que era o destino agindo.

 

Ouvi todo tipo de boatos a seu respeito.

 

Delinquente infame, cão infernal, diabo vermelho, como espancou o exército de delinquentes de outra escola até quase a morte.

 

No entanto não senti medo nenhum.

 

Isto porque sabia que era um herói.

 

Todos comentavam em voz baixa como você sempre desafiava os outros, um contra muitos, e nunca intimidava os fracos.

 

Foi assim que entendi que era apenas um pouco desajeitado e facilmente mal interpretado, minha opinião a seu respeito melhorou, e continuei esperando que pudesse receber alta e voltar para a escola algum dia.

 

Então, naquela manhã, quando soube que enfim havia aparecido na escola, me apressei e corri para o pátio, fiquei na sua frente e esperei que passasse pelo grande pilar ao longo do corredor.

 

Você certamente não imaginava o quanto fiquei feliz em conhecer o herói que admirava, e meu coração palpitou ao pensar em como poderíamos ser amigos.

 

Ah sim, fui eu quem enviou as flores que gostou para o hospital.

 

O nome dessa flor é Magnólia Kobus.

 

A flor branca pura sinaliza a chegada da primavera, e suponho que tenha esse nome porque seu botão e caule protuberantes parecem um punho.¹

 

Um dos significados da flor é “boas-vindas”.

 

A outra é “amizade”.

 

A partir daquele momento, sempre desejei ser seu amigo.

 

Pretendia ir até a sua sala de aula e pegar o livro didático emprestado. Depois que me emprestasse o livro e o devolvesse, queria perguntar “Você pode ser meu amigo?”.

 

Era esse o pedido que queria te fazer.

 

Como morri antes que pudesse fazê-lo, pensei que te incomodaria se pedisse para ser seu amigo como um fantasma, então disse deliberadamente que havia esquecido.

 

Entretanto, nunca imaginei que você seria a pessoa a dizer que “Somos amigos”.

 

Para mim, essa foi a melhor coisa que já aconteceu na minha vida.

 

Senti uma profunda alegria, uma verdadeira felicidade.

 

Por que continuo com você?

 

No dia do funeral, minha foto foi pendurada no altar, e as meninas chamavam meu nome, chorando. Eu queria confortá-las, mas não pude fazer nada e, como consequência, senti um profundo desespero.

 

Foi a mesma coisa quando a senhorita Aoi gritou “mentiroso!”. Sabia muito bem o quanto a havia magoado e tentei ao máximo pensar em algo que pudesse fazer para cumprir minha promessa.

 

Porém ninguém conseguia ouvir minha voz, e não conseguia me mover. Quando pensei que minha alma deixaria a Terra assim, vi você entre os visitantes.

 

— Sr. Akagi!

 

Perdi completamente o controle de mim mesmo enquanto gritava.

 

— Por favor, me ajude! Me empreste sua força, Sr. Akagi!

 

Pensei que, já que se dispôs a defender um senhor idoso que não olhou antes de atravessar o cruzamento, talvez pudesse me ajudar.

 

Foi por isso que gritei.

 

— Sr. Akagi, Sr. Akagi!

 

Gritei inúmeras vezes, e você finalmente parou e virou a cabeça.

 

Nesse instante, meu corpo, que não conseguia se mover independente do quanto eu tentasse, dirigiu-se para você.

 

Naquele momento, você foi quem respondeu aos meus apelos desesperados.

 

Depois disso, aceitou meu pedido unilateral quando ainda não éramos amigos. Te causei muitos problemas e, mesmo assim, continuou me ajudando.

 

A ponto de nos tornarmos amigos.

 

Foi ótimo poder te conhecer nesta Terra enquanto eu estava vivo.

 

Obrigado.

 

Muito obrigado.

 

Você é meu herói, o melhor amigo que já tive.

 

Você está chorando, Koremitsu?

 

Não tínhamos prometido?

 

Você deveria sorrir e se despedir desejando uma boa viagem quando eu partisse rumo ao espaço.

 

É por isso...

 

***

 

Na manhã de segunda-feira, Koremitsu encontrou Honoka em frente ao armário de sapatos e curvou a cabeça para ela.

 

— Desculpe por causar tantos problemas, Shikibu. Obrigado.

 

— Não, bem, não seja tão formal. Ei, levante a cabeça. As pessoas vão pensar que sou sua chefe se virem isso.

 

Honoka falou, ansiosa.

 

Koremitsu ergueu o rosto com um “Uuh”, e ela ficou sem palavras. Gaguejou, baixou a voz e disse com um tom um pouco nervoso.

 

— Por sinal, o que aconteceu entre você e Sua Alteza Aoi? Hum, vocês saíram juntos no domingo?

 

— Ahh.

 

Koremitsu respondeu com a voz rouca.

 

Recordar os acontecimentos de ontem lhe trouxe tristeza e angústia.

 

Honoka entrou em pânico.

 

— Ah! Tudo bem se não quiser falar sobre. Então Sua Alteza Aoi não apareceu afinal. Seus... Olhos, eles parecem vermelhos... Não tem jeito. É verdade, a vida não é como gostaríamos. Até eu tenho muitas adversidades na minha vida.

 

— Não, fui ao parque temático.

 

— Oh, sozinho?

 

Os olhos de Honoka se encheram de lágrimas.

 

— Com a Aoi.

 

— Hããã? Espera aí, quer dizer que tudo correu bem? Conseguiu se tornar amante de Sua Alteza Aoi?

 

Honoka, chocada, arregalou os olhos e fez um alvoroço.

 

Koremitsu balançou a cabeça negativamente.

 

— Não somos amantes; não é o que está pensando. Eu só tinha algumas coisas que precisava dizer a ela, acontecesse o que acontecesse, e já disse o que tinha que dizer. É tudo.

 

— É mesmo... Então o parque temático é a última lembrança.

 

— Sim.

 

— É ótimo estar apaixonado de uma maneira tão esplêndida.

 

O que você quer dizer com “apaixonado”? Koremitsu se perguntou, enquanto Honoka parecia extremamente aliviada.

 

Ela estendeu a mão e deu um tapinha na cabeça de Koremitsu.

 

Era uma expressão calorosa e gentil. A mão dela no seu rosto era reconfortante.

 

— Mulheres.

 

Em qualquer outro dia, Koremitsu teria gritado para parar de tocá-lo, mas agora, só conseguia murmurar.

 

— Hã?

 

— Até agora, sempre achei que não existiam mulheres decentes, porém minha visão mudou... Existem boas moças como você também, Shikibu.

 

— É, de jeito nenhum, eu...

 

— As mulheres... São delicadas e fofas...

 

Ele se lembrou de Aoi em seus braços, e do seu rosto enquanto soluçava e chamava pelo nome de Hikaru, sentiu uma pontada no coração e murmurou.

 

A mão de Honoka, que estava acariciando a mão de Koremitsu, parou, e seu rosto ficou vermelho.

 

— !

 

— Ela parecia muito frágil quando a abracei, como um galho que pode quebrar se eu não tomar cuidado.

 

— !!

 

— E eu estava prestes a beijá-la...

 

Koremitsu foi arrancado de seu devaneio por um chute.

 

— Ugh! O que você está fazendo?

 

— VOCÊ É O PIOR! É-É-É POR ISSO QUE LEVOU UM FORA!

 

Honoka corou ao gritar e saiu correndo.

 

— O que há com ela?

 

E, mais uma vez, Koremitsu achou as mulheres ridículas.

 

— Bom dia, Sr. Akagi.

 

Uma voz doce chamou.

 

Ao olhar para o lado, viu Aoi parada ali timidamente.

 

— B-Bom dia.

 

Koremitsu a cumprimentou de maneira um pouco constrangida.

 

— Obrigada por ontem.

 

— Você dormiu bem na noite passada?

 

Os olhos de Aoi ainda estavam vermelhos, provavelmente por ter chorado tanto na noite anterior. No entanto, um sorriso surgiu em seus lábios e ela respondeu.

 

— Sim, também tomei um café da manhã decente esta manhã.

 

— Entendo.

 

Os olhos de Koremitsu estavam tão vermelhos quanto os de Aoi, e sorriu de volta para ela.

 

— Bem, quero desenhar um retrato... Do Hikaru. O senhor poderia dar uma olhada quando estiver pronto, Sr. Akagi?

 

— Sim.

 

Koremitsu respondeu sem hesitar, e isso trouxe alegria aos olhos de Aoi.

 

— É uma promessa.

 

Aoi saiu correndo, aparentando estar envergonhada.

 

Koremitsu observou-a partir com alívio.

 

Que ótimo, Hikaru.

 

Seus pensamentos alcançaram a Aoi. Ela está cheia de energia agora, e você pode ir para o céu em paz.

 

— A senhorita Aoi sabe pintar retratos? O desenho que ela fez da Asa no ensino fundamental ficou bem ruim. Espero mesmo que não me desenhe assim!

 

— EI! POR QUE VOCÊ AINDA ESTÁ POR AQUI?

 

Koremitsu gritou apontando para o teto, assustando os alunos ao redor.

 

— NÃO SE DEVE ENTRAR NO CÉU QUANDO SEU DESEJO É REALIZADO?

 

Era para ser assim.

 

Todavia naquele momento, Hikaru flutuava acima de Koremitsu, aparentemente despreocupado.

 

Como fazia antes, seguia Koremitsu até no banheiro e no chuveiro, dizendo “Bem, não me importo, já que estou mais ou menos acostumado agora”, com um sorriso contagiante.

 

— Por que veio para a escola com essa expressão tão radiante? E seu cabelo está todo arrumado!

 

As veias saltavam das têmporas de Koremitsu, e os olhos de Hikaru brilharam com alegria.

 

— É porque ainda preciso encontrar uma namorada que ria bem do seu lado, Koremitsu. Como posso deixar a Terra assim, depois de te ver chorar até os olhos ficarem vermelhos?

 

Koremitsu corou com as palavras de Hikaru.

 

Na noite passada, depois de acompanhar Aoi até em casa, Koremitsu teve uma conversa sincera com Hikaru e não conseguiu conter as lágrimas ao pensar que era hora deste partir. No entanto, Hikaru disse...

 

— Não prometemos? Que você sorriria e me veria partir quando eu fosse para o espaço. É por isso que preciso curar seu hábito de chorar e que você precisa aprender a sorrir antes de eu ir embora.

 

— Eu... Estou bem comigo mesmo agora. De qualquer forma, não preciso de uma namorada.

 

— Mas quero te fazer feliz. Além do mais...

 

Os olhos de Hikaru estavam um pouco sombrios, e parecia estar escondendo algo enquanto suas pálpebras se fechavam um pouco, porém seu olhar se ergueu logo em seguida.

 

— Na verdade, ainda há outras 4 ou 5 meninas com as quais estou muito preocupado. Não, talvez 40 ou 50?

 

Koremitsu, atormentado por Hikaru, arregalou os olhos e urrou.

 

— O QUE VOCÊ DISSE?

 

— Você com certeza vai me ajudar, né? Afinal, somos amigos próximos, não é?

 

Hikaru desceu até o chão e, aparentemente, bajulou Koremitsu, segurando-o pelos ombros e sorrindo. Depois que Koremitsu percebeu que aquele seu amigo irritante ainda estava na Terra, não conseguiu evitar levar as mãos à cabeça e gemer.

 

— Argh, que tipo de piada é essa? VÁ LOGO PARA O CÉU, SEU BASTARDO MULHERENGO!

 

***

 

Os outros alunos se afastaram, assustados, ao verem Koremitsu Akagi se dirigir para a sala de aula com uma expressão azeda.

 

Asai observava tudo com um olhar penetrante.

 

Aoi voltou tarde na noite anterior e, embora seus olhos estivessem vermelhos, sua expressão era de calma.

 

— Desculpe por ter saído sem te avisar, Asa.

 

Ela não se desculpou timidamente como costumava fazer.

 

— Você saiu com o Akagi?

 

E quando Asai perguntou, Aoi respondeu com um sorriso.

 

— Sim. Fiquei muito feliz. Senti como se tivesse renascido.

 

Asai sentiu uma sensação de derrota que não conseguia descrever.

 

Koremitsu Akagi... O que exatamente ele disse para Aoi?

 

Por mais que Asai insistisse, Aoi não disse nada.

 

O que Hikaru lhe disse?

 

Não me diga, até aquilo...

 

— Você está muito preocupada com o Akagi? Presidente Saiga?

 

Sem perceber, uma garota pequena e de cabelos curtos... Hiina Oumi, do clube de notícias... Aproximou-se de Asai e parou ao seu lado. Com uma expressão sincera, deu uma risadinha ao ver Asai franzindo a testa.

 

— Quase não há ninguém ao seu redor que seja tão honesto, e mesmo que ele não pareça decente, isso é revigorante para você, eu acho? É o mesmo para mim; há muitos alunos na nossa escola que parecem bem-educados, no entanto são horríveis e desprezíveis. Suponho que os nobres sejam assim, certo? Sou uma camponesa que entrou no ensino médio, então não estou muito familiarizada com essas coisas.

 

Ela ignorou a expressão gélida de Asai e continuou.

 

— Também...

 

A expressão de Hiina brilhava com a luz deslumbrante de jovialidade.

 

— Akagi se declara amigo do Lorde Hikaru, então talvez saiba como o Lorde Hikaru morreu. Ah, mas sobre aquele boato; acho que você pode ter uma ideia, Presidente Saiga.

 

Asai pretendia ignorar, todavia Hiina se apressou e ergueu a tela do celular na direção de Asai.

 

Asai deu um suspiro de espanto.

 

Hiina continuou com um tom de assédio na voz.

 

— Porque a Presidente Saiga sorriu durante o funeral do Lorde Hikaru.

 

A tela mostrava Asai, sentada sozinha entre as muitas garotas que soluçavam, com um sorriso estranho nos lábios.

 



Notas:
1. Kobushi significa punho.

***

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