sexta-feira, 29 de maio de 2026

Maou no Ore ga Dorei Elf wo Yome ni Shitanda ga, Dou Medereba Ii — Volume 02 — Capítulo 07

Capítulo 07: Prólogo















— Chastille Lillqvist... Sua autoridade como Arcanja está suspensa por tempo indeterminado.

Como chefe da filial Kianoides da igreja, o superior direto de Chastille, o Cardeal Clavwell, a informou sobre sua punição três dias atrás. Na realidade, era uma ordem de penitência, mas ela não estava sendo contida.

Tendo já perdido seu lugar na igreja, Chastille vagava sem rumo por uma rua em Kianoides. Eventualmente, chegou a um lugar onde outrora se reencontrara com uma certa garota.

— Sou meio... Tola, não é? — e sozinha, murmurou essas palavras para si mesma.

Chastille não carregava a Espada Sagrada nas costas e nem sequer usava a prova de que era uma Cavaleira Angelical, sua Armadura Ungida. Os três cavaleiros que serviam como seus subordinados se ofereceram para escoltá-la, porém ela recusou categoricamente. Afinal, como estava agora, era apenas uma pessoa normal.

Há meio mês, um novo Arquidemônio nasceu. Seu nome era Zagan. Zagan, o Matador de Feiticeiros.

Um Arquidemônio não era um rei dos monstros, demônios ou algo do tipo, como o nome poderia sugerir. Em vez disso, era o nome dado àqueles que haviam alcançado o ápice da feitiçaria. Eram indivíduos que a igreja precisava caçar com todas as suas forças, seus inimigos mortais.

Porém, Chastille rejeitou o dever de subjugar aquele Arquidemônio. Pelo contrário, se opôs e argumentou que Zagan era alguém com quem não deveriam lutar. E, como resultado, perdeu tudo o que lhe dava um senso de pertencimento.

Mesmo depois de tudo isso, tenho certeza de que Zagan nunca me agradeceria.

Ele não era do tipo que desejava a ajuda de um inimigo. Na verdade, duvidava que sequer conhecesse o conceito de gratidão em circunstâncias mais comuns. Zagan só acreditava em seu próprio poder e era um homem que usava esse poder para descartar tudo o que considerava irracional.

Ainda assim, eu queria fazer algo por ele. A própria Chastille não tinha certeza se isto se devia ao fato de já tido sua vida salva duas vezes ou por algum outro motivo.

É provável que acabaria sendo eliminada mais cedo ou mais tarde. Não havia como a igreja permitir que uma ex-Arcanja vivesse livre. Não, tinha certeza de que cuidar dela seria uma prioridade ainda maior do que subjugar Arquidemônios.

Havia se tornado inimiga da organização que estava empenhada em exterminar feiticeiros. Só de pensar nisso, seu sangue gelou. Desde o início, Chastille tinha uma personalidade tímida.

E, contudo, para sua própria surpresa, não sentia nenhum arrependimento. Chastille se manteve firme e não vacilou diante da autoridade, então queria se orgulhar desse fato.

A possibilidade de Zagan se lembrar dela já seria uma grande gratidão. A única coisa em seu coração era aquela elfa de cabelos brancos, e a ideia de se impor ali nunca lhe passou pela cabeça.

No mínimo, no entanto, queria vê-los passar o tempo em paz e, algum dia, vê-los formar uma família feliz. Se ocorresse, o fato de a recordarem de vez em quando já seria mais do que suficiente.

À medida que esse desejo um tanto deprimente se intensificava, viu suas figuras surgirem diante de seus olhos. Era o jovem com sua habitual expressão maligna e a elfa. Junto, havia uma adorável garota entre eles, segurando a mão de cada um. Era uma jovem encantadora com um olhar perverso, que a fazia se lembrar de Zagan.

— Bem, aquele maldito Zagan com certeza seria um pai carinhoso.

Chastille sabia que aquele homem era essencialmente bondoso no fundo.

— Você... Gostou dessas roupas?

— Hmm... Obrigada, Zagan.

Essas palavras sem dúvida soavam como as de um pai desajeitado... Seria uma alucinação auditiva? Ao ouvir aquele tipo de voz, Chastille enfim voltou a si.

— Z-Zagan?

Inacreditável que os encontrasse em tal momento, Chastille, sem querer, soltou um grito histérico.

E com isto, eles também perceberam sua presença. O jovem então retribuiu o olhar.

Não era uma alucinação. Mas o que estava acontecendo? Havia uma garotinha entre os dois.

— N-Não acredito... Vocês dois... Já estão tão próximos a ponto de terem um filho...?

Ao ver o choque de Chastille, o rosto do jovem ficou tingido de vermelho.

— N-N-N-N-N-Não diga coisas tão vergonhosas! Nephy e eu ainda não, hmm... — e então, ele trocou olhares com a elfa ao seu lado, o que fez com que ambos desviassem o rosto, constrangidos.

Quase parecia que estavam se exibindo, o que deu a Chastille vontade de lhe dar um soco.

E enquanto ambos estavam abalados, a garotinha apontou o dedo para Chastille.

— Zagan, quem é aquela?

Ela ainda tinha um tom imaturo, embora sua voz parecia conter confiança e afeto.

O jovem então acenou com a cabeça para a garota e se virou para Chastille.

Seus olhos conteriam um olhar agradável de nostalgia ou talvez uma sensação de desconforto devido às suas posições anteriores? Um som involuntário soou quando Chastille engoliu em seco.

E então, o que o jovem disse foi...

— Ah, certo, quem é você?

Com um estalo, algum tipo de fio dentro de Chastille foi cortado. Não pode ser... Não tem como ele não se lembrar de mim, né...? Será que não foi um pouco demais? E, como era de se esperar, Chastille não conseguiu conter as lágrimas.

Vamos voltar alguns dias no tempo para explicar melhor essa situação.

***

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