terça-feira, 26 de maio de 2026

Maou no Ore ga Dorei Elf wo Yome ni Shitanda ga, Dou Medereba Ii — Volume 01 — Capítulo 06.5

Capítulo 06.5: Contos Extras

A Experiência Culinária de Nephy

— Mestre, os preparativos para o almoço estão completos. — disse Nephy, enquanto seus cabelos brancos como a neve balançavam ao vento.

— Entendo. Já vou indo.

Zagan fechou o grimorio que estava folheando e se levantou. Havia decidido demonstrar sua gratidão por ter suas refeições preparadas com um sorriso, mas, no fim, só conseguiu se sentir um pouco desanimado por não poder fazer nada além de acenar com a cabeça com uma expressão azeda no rosto. Ao chegar ao salão de jantar, notou que pão, sopa e o prato principal, ensopado de cordeiro, já estavam dispostos na mesa.

— Wow, o almoço parece bem apetitoso hoje.

— Não sou digna de tal elogio, Mestre.

Mesmo sem expressão, as orelhas pontudas de Nephy tremeram alegremente com um leve tremor diante do elogio de Zagan.

— Porém você nunca comeu esse tipo de refeição antes, não é, Nephy? Como consegue prepará-la tão perfeitamente?

— Chamar de perfeito é um pouco... — Nephy murmurou, segurando o avental um pouco sem jeito, e continuou. — Nunca me deram para comer, contudo me incumbiram de ajudar na cozinha.

— Ah, então você já fez isso antes?

— Não, eu só podia descascar os legumes.

— Hã...? Então como aprendeu a cozinhar?

Enquanto Zagan inclinava a cabeça, num movimento incomum, Nephy cerrou o punho e respondeu com voz séria.

— Bem... Eu sempre observava.

— Observando, quer dizer os passos do preparo...?

— Também, no entanto me refiro... Aos ingredientes.

Por um instante, Zagan pensou que estivesse brincando, entretanto Nephy parecia estar falando sério.

— As comidas que elas preparavam naquelas panelas sempre tinham um cheiro incrível quando misturavam os temperos. E como estava com bastante fome na maior parte do tempo... Bem, de qualquer forma, era doloroso. Foi por esse motivo que acabei memorizando como fazer enquanto as observava com desejo.

— Elas não... Ficaram bravas com você por ficar olhando?

— Como elas ficavam bravas, sempre as observei pela fresta da porta.

Zagan tentou imaginar a cena daquela garota inexpressiva espiando pela fresta da porta. Em sua mente, sempre que seus olhos encontrassem a pessoa que estava espiando, ela certamente daria um pulinho se assustando. Só de pensar em tal coisa, Zagan achou que seu rosto ia se iluminar de alegria.

— Mestre, por favor, não ria.

— Não, não é como se eu estivesse rindo. Olha, vamos comer agora.

E naquele dia também, Zagan e Nephy sentaram-se lado a lado, segurando suas colheres com firmeza.



Chastille e os Três Cavaleiros Carinhosos

— Eu sou a Arcanja Chastille Lillqvist... Embora vocês possam estar descontentes em empunhar suas espadas sob o comando de alguém que viu seus subordinados serem massacrados diante de seus olhos, terei grandes expectativas em relação a vocês daqui para frente, cavalheiros.

Três Cavaleiros Angelicais, no auge de suas vidas, alinharam-se diante de Chastille enquanto ela erguia uma voz galante com a Espada Sagrada em mãos. Há poucos dias, Chastille havia perdido seus subordinados em um certo incidente, então esses três homens foram os escolhidos para substituí-los. Os três Cavaleiros Angelicais, no entanto, apenas balançaram a cabeça como se Chastille estivesse enganada.

— Devemos empunhar nossas espadas sob o comando da Donzela da Espada Sagrada. É uma honra extraordinária, então quem em sã consciência expressaria descontentamento?

– Não há necessidade de me prestar tanto respeito. Afinal, suas mortes são minha responsabilidade.

— Senhorita Chastille, somos Cavaleiros Angelicais. É verdade que é doloroso perder nossos camaradas, todavia cada um de nós já decidiu arriscar a própria vida. A visão de uma garota jovem o suficiente para ser minha filha com uma expressão tão abatida pesa muito mais no meu coração, garanto. Ah, por favor, sente-se.

Chastille sentou-se sem hesitar quando ele lhe ofereceu uma cadeira.

— Ele tem razão. Não pediremos que os esqueça, entretanto não precisa carregar um fardo tão pesado sozinha. Ah, fizemos um chá. Gostaria de um pouco?

— H-Hmm... Acho que sim.

— Aliás, este aqui é um bolo muito popular na cidade. Por favor, aproveite à vontade.

— Obrigada... Não, hã? Bolo? Será que este é mesmo o momento certo?

— Ah, poderia cruzar as pernas enquanto segura a xícara? Sim, desse jeito.

Chastille apenas seguiu o fluxo e fez o que lhe foi dito, o que fez com que os três Cavaleiros Angelicais a olhassem com carinho, sorrindo. E então, Chastille voltou a si.

— V-Vocês três estão brincando comigo?

— De forma alguma! A senhorita Chastille é como uma filha para nós!

— De fato. Como você é a única mulher entre os Arcanjos, também é nosso dever demonstrar o afeto que demonstraríamos a uma filha ao servi-la, senhorita Chastille.

— É assim que funciona...?

O vigor com que falavam de alguma forma enganou Chastille, fazendo-a acreditar que estavam dizendo a verdade.

— Não, espere, isso é muito estranho, não é? Eu sou sua superiora, certo?

— Não precisa se preocupar. Em um local público, naturalmente serviremos como seus escudos silenciosos.

— Esse não é o problema!

Os Cavaleiros Angelicais sentiram seus rostos relaxarem ao verem Chastille à beira das lágrimas.

Ela não recebeu nenhuma forma de respeito que se esperaria ter por ser sua superiora, mas enquanto era provocada por eles, Chastille foi mais uma vez capaz de sorrir como antes.



Vista-se com Manuela

— Bem-vinda à loja! Entre, Nephy!

Manuela cumprimentou Nephy em um tom alegre assim que esta entrou na loja. Era uma loja de roupas que tinha de tudo, desde roupas casuais até equipamentos para aventureiros. Nephy tinha vindo outro dia, porém havia esquecido de comprar algo. Foi o que aconteceu, contudo foi puxada para o fundo da loja antes mesmo de ter a chance de explicar o ocorrido.

— Hmm, hoje, eu estou...

— Entendo, não se preocupe. Imagino que não tenha nenhum pijama, né? Lembro que não comprou nenhum da última vez, então achei que já estava na hora de vê-la aparecer por aqui.

Nephy olhou para Manuela com espanto, pois seu palpite estava certíssimo. E, apesar disso, nenhum dos seus outros músculos faciais se moveu, o que talvez fosse até impressionante, de certa forma. Ao chegar ao provador, percebeu que uma fileira inteira de pijamas já estava separada para ela.

— Heh... Bom, vou te vestir com todos os tipos de roupa hoje, tá bom?

— Hmm, será que o motivo de não ter mencionado que esqueci de comprar alguma coisa outro dia é...

— Bem, sim. Se aquele seu mestre estivesse junto, ele não teria me deixado te fazer experimentar nada indecente, teria?

— Desculpe. Esqueci uma coisa, então preciso voltar.

Manuela agarrou firmemente a nuca de Nephy enquanto ela tentava escapar.

— Vamos, vamos, seu mestre certamente ficará encantado, sabia?

Essas palavras fizeram o coração de Nephy disparar. E aproveitando aquela breve pausa, Manuela fechou a porta e o vestiário.

— Primeiro, esta camisola transparente! Se você se aproximar do seu mestre usando-a, até mesmo seu ele cairá em um só golpe, entendeu?

— Hum... Er... Isso... Sequer serve como roupa íntima...?

— Hmmm, então quer uma peça mais parecida com roupa íntima, é? Então... Que tal esta cinta-liga e lingerie?

— I-Isso... É mesmo roupa... Que se usa para dormir...?

Manuela despiu Nephy e trocou suas roupas com movimentos tão rápidos que sequer conseguiu acompanhar com os olhos. Sua velocidade assustadora a fez se perguntar se algum tipo de feitiçaria não identificada estava envolvida. Por fim, depois de ver Nephy cair de joelhos e soltar um suspiro, Manuela fez uma expressão surpresa.

— Isto também vale para o seu mestre, porém você é bem inexperiente, não é, Nephy?

Após esse comentário, Manuela bateu palmas como se tivesse acabado de pensar em alguma brincadeira sem graça.

— Então, que tal fazer algo assim?

— Uma almofada de colo... Você disse?

— Sim! Para vocês dois, algo mais simples talvez seja melhor.

— Se eu tiver a oportunidade... Vou tentar.

Ao contrário do esperado, essa oportunidade surgiu muito antes do que imaginava, contudo essa é uma história para outra hora.



Encontro com uma Criatura Fofa

— Mestre, há uma criatura não identificável presente.

Embora falasse em tom monótono, as pontas das orelhas pontudas de Nephy estavam caídas. Parecia que estava assustada.

— Que criatura?

A área ao redor do castelo de Zagan era chamada de Floresta dos Perdidos, e de vez em quando, monstros surgiam. Eles eram relativamente fracos, no entanto se houvesse a possibilidade de ferirem Nephy, então era preciso destruí-los. Zagan abriu seu manto e caminhou em sua direção, entretanto...

— O quê... Não é um gato? Talvez um vira-lata que se perdeu na floresta.

— Um... Gato...?

Ao inspecionar a criatura da qual ela falava, Zagan encontrou um gatinho com pelos da mesma cor do cabelo de Nephy.

— O que foi? É a primeira vez que ve um?

— Sim. Não havia animais como esse em Norden.

— Gatos são animais de estimação comuns por aqui. Depois de escová-los delicadamente, eles se apegam, o que as pessoas gostam. Além do mais, são inofensivos para humanos.

Enquanto Zagan tentava escovar a cabeça do gatinho para demonstrar, este sibilou para ele e correu para se esconder atrás de Nephy.

— Argh... Seu... Filho da...

Como ousa rejeitar meu toque?

Zagan rangeu os dentes, os olhos vermelhos de raiva, enquanto o gatinho o evitava. Nephy então, timidamente, pegou o gatinho nos braços e acariciou seu pelo com delicadeza.

— É tão macio. — disse Nephy, sem expressão alguma, embora suas orelhas tremessem como se estivesse comovida. Por fim, ela estendeu o gatinho para Zagan.

— Por favor, Mestre.

— Não, não é como se eu quisesse acariciá-lo ou algo assim... Bem, tanto faz...

Ele já não sabia quem estava demonstrando para quem, mas Zagan tentou acariciar a cabeça do gatinho mesmo assim. Desta vez, pareceu estar tudo bem para ele, já que o gatinho não tentou fugir.

— Entendo. É mesmo macio, né?

— Sim. É muito fofo também.

Porém você é muito mais fofa. Ou pelo menos era o que queria dizer, contudo Zagan não conseguiu pronunciar palavras tão românticas.

E assim, apenas continuou a contemplar as orelhas de Nephy, que tremiam alegremente, enquanto fingia gostar de acariciar o gatinho.

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